Judiciário

Força-tarefa da Lava-Jato deve compartilhar ‘arquivos-bomba’ da Odebrecht com PF

Foto: Michel Filho/Agência O Globo/19-06-2015Foto: Michel Filho/Agência O Globo/19-06-2015

O Ministério Público Federal pretende compartilhar com a Polícia Federal dados dos sistemas que eram usados no dia a dia da área de pagamentos de propina da Odebrecht, o MyWebDay e o Droysis, este último vindo de um servidor da Suíça. O material é considerado a prova mais bombástica entregue pela Odebrecht na sua delação premiada e inclui documentos como extratos bancários de pagamentos a offshores destinados a políticos a planilhas com beneficiários de dinheiro que ainda não apareceram.

Até o momento, porém, os dados só podem ser acessados pelos procuradores, segundo cláusula estabelecida no acordo de leniência, espécie de delação premiada assinada pela pessoa jurídica. Envolvidos nas tratativas relatam que a opção de manter o MPF como único detentor dos documentos tinha o objetivo de evitar que o conteúdo vazasse.

No entanto, integrantes da PF avaliam nos bastidores que o MPF se colocou como único a custodiar as informações porque queria ter o monopólio para manuseá-las. Em relação à Odebrecht, avaliam que a empresa tem receio de que fatos não abordados na delação possam ser explorados pelos policiais.

Em setembro, após a defesa do ex-presidente Lula pedir acesso a todos dados do MyWebDay e do Drousys, o juiz Sergio Moro decidiu que os sistemas deveriam ser periciados pela PF e determinou que a cláusula que proíbe o compartilhamento fosse flexibilizada. No entanto, o juiz não autorizou que os advogados do ex-presidente tivessem a íntegra dos sistemas já que eles trazem provas ligadas a outros casos.

Desde então, procuradores da força-tarefa de Curitiba e advogados da empreiteira negociam em que termos esse acesso será dado à PF. Ambos defendem que o material deve ser compartilhado para que a perícia prove sua veracidade, mas avaliam impor restrições quanto ao acesso indiscriminado a documentos que não façam parte de ações penais ou investigações em curso.

A Moro, a força-tarefa solicitou que o compartilhamento desses dados ficasse restrito à PF do Paraná e autorizou que um assistente técnico indicado pela Odebrecht acompanhasse a perícia policial.

O MyWebDay era usado na área de pagamentos de propina da Odebrecht, o setor de operações estruturadas, para fazer o controle interno de movimentações ilegais. O Drousys era utilizado pelos funcionários do setor para se comunicarem com os operadores que geravam dinheiro ilícito e com os responsáveis por fazer as entregas em espécie.

O Drousys chegou a ser transferido para a Suécia com a eclosão da Lava Jato, em 2014. No entanto, os dados desse sistema estão com a força-tarefa desde março. Já as informações do MyWebDay estão com os procuradores desde agosto.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Enquanto isso, na sala de Justiça Gilmar Mendes fala com Aécio ao telefone, enquanto Moro aperta Lula em Curitiba.
    Do outro lado, Salvos, Aécio e Temer assinam certidão de casamento PMDB-PSDB.

    "A salvação do senador Aécio Neves no senado e a previsível salvação do usurpador Michel Temer e seus comparsas na câmara é a certidão de casamento do PMDB com o PSDB", diz o colunista Jeferson Miola; "O golpe para derrubar Dilma foi o pretexto da elite para promover a radical dissolução da nação brasileira e, desse modo, re-conectar o Brasil reacionário com sua dimensão original idealizado pela elite nacional que condena a Nação ao atraso: como um país oligárquico, racista e subordinado".
    Depois de tudo que já aconteceu e está acontecendo, será que a ficha já caiu?

    1. Você falou de Gilmar Mendes, Aécio e Temer, esqueceu do exército de condenados do PT por qual razão?
      Porque não citou a patifaria, rasgando a constituição, que Lewandowski permitiu, planejada pro Renan Calheiros para salvar os direitos políticos de Dilma no processo de impeachment?
      Não citou quantas vezes o líder de vocês, o Lula tem de investigações, processos e condenação nas costas.

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