É do balacobaco!
Vamos ver. Se “métodos não-convencionais” de investigação são empregados pelas autoridades, então tudo é permitido, e o Estado de Direito está morto. Como numa antiga música, “tudo o que vier vem bem”.
A Folha traz hoje reportagem (clique aqui) que reproduz um diálogo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) com Joesley Batista, que gravava as conversas.
Os dois estão a falar claramente da operação “Carne Fraca”, que deveria ter sido chamada de ‘Vaca Louca”… E ambos se manifestam em favor da saída “desse cara”. O “cara”, é plausível supor, deve ser Leandro Daiello, diretor-geral.
Agora que a gente sabe que o empresário gravava a conversa, nota-se claramente a indução. Diz o bilionário que hoje está a ver o Central Park — reproduzo um trechinho:
Joesley: E esse modus operandi? Tem que parar essa *****, isso ..vamos dizer ….ah resolve? Não …isso é que é o problema do Brasil. Seguinte: o MP e PF, eles agem de forma inconsequente, Aécio ….inconsequente…
Aécio: Acima da lei inclusive. Cometendo crime.
Joesley: É… Crime.
Aécio: Esses vazamentos, essa **** toda, é uma ilegalidade.
Joesley: Não vai parar com essa ****?
Notaram o Joesley Folgadão a preparar a armadilha? Na conversa, Aécio conta que havia pressionado Temer, junto com outros empresários, a mudar a cúpula da PF.
Cabe a pergunta: e daí?
Trata-se, por acaso, de crime? De obstrução da Justiça? É de um ridículo sem tamanho. Um parlamentar da base aliada é livre para pressionar o chefe do Executivo a demitir do porteiro ao diretor-presidente de um ente estatal. Cadê a pressão ilegal supostamente feita pelo senador mineiro?
Podemos não gostar da conversa. Isso é outra coisa.
Leiam este outro trecho:
Joesley ponderou que era uma boa chance para trocar Daiello. “Não vai ter outra. Porque nós nunca tivemos uma chance onde a PF ficou por baixo, né?”, disse o empresário. Aécio concordou: “Aí vai ter quem vai falar, ‘é por causa da Lava Jato’. [O governo pode responder] ‘Não, é por causa da Carne Fraca'”.
Que se investiguem as circunstâncias do pedido de dinheiro que Aécio fez a Joesley — nota: se não houver a evidência de que ofereceu contrapartida, o mineiro será acusado, nesse caso, do que exatamente? Mas isso dirá o futuro.
O que é intolerável é chamar de obstrução da Justiça a pressão legítima de um parlamentar.
Reinaldo Azevedo, RedeTV
Reinaldo Azevedo…
Logo quem! O cara que foi flagrado com conversinhas estranhas e muita intimidade com a presidiária Andrea Neves.
Isso sem falar que ele é o porta voz tucano na imprensa. É claro que ele vai buscar defender e limpar a imagem desses lixos.
Essa conversa não revela nenhum crime? Talvez. Mas os indícios de crimes, ah, isso é notório!
Indícios agora vale?????????? E os indícios que Lula é um ladrão, não valem?
Tão deplorável essa análise que se aplicada nos EUA tornaria os preparativos para o 11/09 coisa banal, afinal todo terrorista está legitimado a planejar seus atentados e nisso não há nada de errado.
"O que é intolerável é chamar de obstrução da Justiça a pressão legítima de um parlamentar".
Impossível se chegar a essa conclusão, embora as divergências sejam normais numa democracia. O parlamentar, realmente, pode fazer "pressão" sobre o Chefe do Poder executivo, entretanto, essa pressão não pode ter origem em interesse particular, nem do senador e nem de um terceiro.
Mandato parlamentar não pode servir para que o seu detentor se proteja de investigação.
Não é uma uma atitude normal que decorre do exercício parlamentar.
O diálogo é uma face do "aparelhamento" do Estado que, desviando a sua finalidade, esquece totalmente os seus objetivos precípuos, saúde, educação, segurança, e se volta para proteger quem faz parte do círculo de influência do Poder (projeto de lei, voto de projeto de lei, aprovação de contrato, empréstimos e muito mais coisas que existem no subterrâneo que nem imaginamos).
A conversa, portanto, não é normal porque encontra origem e objetivo em interesses pessoais.
Quanta inocência…
Verdade. É com relação a isso que o diálogo revolta. Pra Reinaldo Azevedo a sacanagem é livre, desde que não seja crime previsto em lei ou fira a existências das "nossas instituições"