Diversos

LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO: Empreiteiras investigam roubo de propinas a políticos envolvidos na Lava-Jato

Num ambiente em que reinava a corrupção, empreiteiras envolvidas na Operação Lava-Jato não figuraram apenas como agentes de desvio de recursos públicos. Provando da mesma lógica, também viraram alvo de desvios dentro do desvio. Grandes empreiteiras, entre elas a Odebrecht, começaram a identificar casos em que funcionários responsáveis por operar o pagamento de propina acabavam embolsando parte do dinheiro, desviado para contas no exterior ou benefícios pessoais. A situação veio à tona em investigações internas e nas dezenas de processos de delação premiada fechadas com executivos.

Foi apurado que um dos executivos suspeitos de abocanhar dinheiro de propina teve dinheiro encontrado em uma conta em Genebra, na Suíça. A informação da conta só veio à público com o vazamento conhecido como SwissLeaks, feito por um ex-técnico do HSBC. Outra suspeita recai sobre um dos mais altos executivos de uma grande construtora que fechou acordo de delação premiada com o Ministério Público.

No caso da Odebrecht, nem mesmo a “estrutura profissional” de pagamento sistematizado de propina, nas palavras do Ministério Público, com seus mecanismos de contabilidade clandestina, conseguiu evitar a proliferação de deslizes contra a empresa pelos seus executivos. A cultura de praticar irregularidades no relacionamento com o poder público demonstrou um sintoma perverso: disseminar-se também internamente, como numa terra sem lei. Enquanto algumas delações já vieram à tona, os dados sobre as infrações cometidas dentro de casa são mantidos cuidadosamente sob sigilo.

As evidências de desvio da propina para vantagem pessoal de executivos vêm gerando discussões entre advogados. Alguns defendem que as empresas poderiam entrar na Justiça com ação de ressarcimento para cobrar a quantia extraviada pelos funcionários.

O argumento é que se trataria de uma “apropriação indébita” da propina dirigida a agentes públicos. O crime de apropriação indébita, previsto no artigo 168 do Código Penal, consiste em “apropriar-se de coisa alheia móvel, de que tem a posse ou a detenção”. A pena pode variar de um a quatro anos de prisão, além de multa. Outros advogados apontam, porém, que a ideia de tentar recuperar judicialmente o desvio do desvio soa no mínimo extravagante.

Guardadas as devidas proporções, a situação vivida pelas empreiteiras em meio ao escândalo da Petrobras remete ao caso do assalto ao Banco Central em Fortaleza, em 2005, quando os ladrões se viram vítimas de um bando de larápios interessados em saquear o dinheiro roubado.

Valor

 

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Diversos

BARRADOS: Envolvidos na Lava-Jato têm vistos dos EUA cancelados

Barrados nos EUA

Envolvidos na Lava-Jato estão tendo uma surpresa não muito agradável ao tentarem embarcar para os EUA. É que praticamente todos tiveram os vistos… cancelados. A lista inclui até ex-ministros e parlamentares.

Ancelmo Gois, O Globo

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Judiciário

Só dois dos 22 deputados envolvidos na Lava-Jato foram eleitos graças à própria votação

Dos 22 deputados federais envolvidos na Operação Lava-Jato incluídos na lista levada pela Procuradoria-Geral da República ao Supremo Tribunal Federal (STF), para que sejam investigados, só dois foram eleitos por voto direto. O restante não teve votação suficiente, mas entrou na Câmara graças ao complexo cálculo dos quocientes eleitoral e partidário. Ou seja, a soma dos votos de legenda e os chamados puxadores de voto beneficiaram nomes que passaram a responder à Justiça devido às denúncias que assolam a Petrobras. Para especialistas, o cálculo que levou à eleição da maioria desses parlamentares, um dos temas em discussão na reforma política, gera distorções no sistema representativo.

É o caso do deputado Simão Sessim (PP), que teve apenas 58.825 votos mas foi beneficiado pela coligação PMDB/PP/PSC/PSD/PTB, do Rio de Janeiro. A chapa teve como estrela o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), que recebeu 232.708 votos, e, assim, ajudou a eleger outros parlamentares da coligação. Sessim foi citado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa em depoimentos da Lava-Jato. Segundo Costa, o deputado pediu uma “valiosa ajuda” para indicar uma locadora de veículos de um amigo para “grandes empresas”.

ELEITO COM MENOS VOTOS DO QUE O RIVAL

Na lista de Janot, ainda constam dois deputados eleitos pelo chamado cálculo das sobras (José Germano, do PP-RS, com 81.503 votos, e José Mentor, do PT-SP, com 82.368). O sistema de sobras considera o desempenho médio dos partidos e é o fator que mais gera distorção no sistema eleitoral, segundo os especialistas ouvidos pelo GLOBO.

O atual cálculo das sobras para definição dos eleitos nas casas legislativas faz com que, no Rio Grande do Sul, o candidato José Fogaça (PMDB-RS), que teve 103.006 votos, cerca de 20 mil a mais do que o parlamentar eleito do PP, ficasse como suplente.

Segundo depoimento do doleiro Alberto Youssef na Lava-Jato, Germano teria recebido dinheiro desviado de contratos da Petrobras por meio de doações oficiais para sua campanha. Além disso, ele é acusado de chefiar um esquema desbaratado em 2007 pela Polícia Federal, durante a Operação Rodin, que desviou R$ 44 milhões do Departamento de Trânsito do governo gaúcho, entre 2003 e 2006, quando era secretário estadual.

SEM LIMITE DE SIGLAS NA CHAPA

Em São Paulo, Mendes Thame (PSDB) também ficou como suplente mesmo com 106.676 votos, enquanto Mentor (PT) conseguiu entrar na Câmara beneficiado pelo cálculo das sobras. O petista foi citado na delação premiada de Youssef. Ele teria recebido dinheiro após ordem do ex-deputado André Vargas (sem partido-PR).

— É muito difícil um parlamentar ter votos suficientes para se eleger sozinho. O mais comum é que parlamentares sejam eleitos com os votos da coligação. O cálculo das sobras é um dos fatores que gera distorção na distribuição de cadeiras, além das coligações. Quanto mais partidos se coligam, mais partidos participam da distribuição das sobras. Isso influencia na representatividade dos candidatos — explica o mestre em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB) Carlos Nepomuceno.

Atualmente, nas eleições proporcionais (vereador e deputados estadual, federal e distrital), os partidos podem concorrer sozinhos ou em coligação. Não há limite de siglas para uma chapa. Também é possível apresentar mais candidatos do que cadeiras disponíveis. O eleitor pode votar na legenda ou no candidato.

O Globo

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Acidente

FOTO: Veículo é saqueado após capotar na RN-118

Na madrugada deste domingo (29), um veículo foi saqueado após capotar na RN-18, no município de Alto do Rodrigues, .

De acordo com informações, o proprietário teve seu carro roubado. Após o acidente, algumas pessoas fizeram um rapa no veiculo, levando dois pneus, som e 600 reais em dinheiro.

No veículo estavam quatro pessoas, que só tiveram ferimentos leves.

FOTO: Focoelho

Opinião dos leitores

  1. São essas situações que me deixam triste quanto ao futuro do Brasil, alguns brasileiros ficam indignados com a corrupção na política, mas no cotidiano praticam delitos – como esse saque ao veículo – como se o errado não se aplicasse a ele e justificando das mais absurdas formas.

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