Política

Agripino e Garibaldi estão em lista de 31 políticos que site diz que você não deveria reeleger em 2018 – (se quiser vê-los sem foro privilegiado)

Brasil, 4 de dezembro de 1963.

Subindo na tribuna para discursar sobre as ameaças que recebera do senador alagoano Silvestre Péricles, o senador Arnon de Melo (pai do futuro presidente Fernando Collor de Melo) não leva mais do que alguns segundos para interromper sua fala e ir às vias de fato com seu opositor, disparando contra ele dois tiros, que acabariam ambos acertando outro senador, José Kairala, do Acre, que tentava apartar a briga.

A morte ocorrida em plenário e gravada em um áudio que você pode acessar clicando aqui não deixa margem para dúvida sobre a existência de um crime. O resultado de tudo isso? Arnon foi preso, permanecendo em uma cela, ainda de posse de sua arma, até decisão do juiz que o considerou… exatamente! Inocente.

Se tudo isso parece surreal, convém lembrar o editorial do jornal O Globo (de cujo dono Arnon era sócio em Alagoas), sobre o ocorrido:

“A democracia, apesar de ser o melhor dos regimes políticos, dá margem, quando o eleitorado se deixa enganar ou não é bastante esclarecido, a que o povo de um só estado – como é o caso – coloque na mesma casa legislativa um primário violento, como o senhor Silvestre Péricles, e um intelectual, como o senhor Arnon de Mello, reunindo-os no mesmo triste episódio, embora sejam eles tão diferentes pelo temperamento, pela cultura e pela educação”

Passados 54 anos desde o episódio em questão, os crimes cometidos por políticos – inclusive nobres senadores – continuam a estampar manchetes de jornais, ainda que não falemos de assassinatos.

Em meio à Lava Jato, que pode ser considerada a mais bem-sucedida operação de combate aos crimes políticos no país e cujas investigações já alcançam nada menos do que 15 países, o resultado da atuação do judiciário, diante da quantidade de provas e materiais reunidos sobre o ocorrido, ainda parece inconsistente.

Em primeira instância, a operação condenou até aqui 113 pessoas a pouco mais de 1.700 anos de prisão somados, tendo ainda conseguido a confissão de executivos de 16 empresas brasileiras, que geraram multas totais de R$ 15 bilhões no Brasil e outros R$ 14 bilhões no exterior (com destaque para a Petrobras que concordou em pagar R$ 9,5 bilhões à justiça americana por prejuízos causados aos acionistas minoritários).

Na segunda instância, onde foi julgado o ex-presidente Lula na última semana, foram 71 condenações, com seis condenados em primeira instância sendo absolvidos e seis outros absolvidos em primeira instância sendo condenados na instância seguinte.

Mesmo com tantos resultados, ainda resta a dúvida: quando os políticos envolvidos serão de fato julgados?

Para responder a esta pergunta é preciso falar sobre algo tipicamente brasileiro: o foro privilegiado. Por aqui, autoridades dos mais variados níveis são consideradas aptas a serem julgadas apenas pelo Supremo Tribunal Federal, somando 45,3 mil detentores de tal privilégio. Este número é bastante superior ao dos demais países analisados pela Ajufe, a associação de juízes responsável pela estimativa. Nos Estados Unidos, por exemplo, nem mesmo o presidente Donald Trump desfruta do benefício.

O resultado até aqui tem sido desanimador. Dos 500 políticos julgados pelo STF desde 1988, apenas 16 foram de fato condenados, sendo o primeiro apenas em 2010. Cerca de dois em cada três processos contra políticos têm o mesmo destino: prescrição pela demora em serem julgados.

Apresentada pela Procuradoria-Geral da República, a chamada “Lista da Odebrecht” é um bom exemplo: dos mais de 190 nomes citados, apenas cinco chegaram à condição de réus no STF e, ao longo de 2017, boa parte das acusações foram retirados das denúncias, incluindo nomes como o governador do Rio de Janeiro Luiz Fernando Pezão.

Se tudo isso parece revoltante, há algo que você pode fazer que é muito mais eficiente do que replicar hashtags como “E o Cunha?” ou “E o Aécio?” para se referir à impunidade generalizada no país: analisar a situação de cada candidato antes de garantir que eles recebam ou mantenham o foro privilegiado em 2019.

Por isso mesmo, reunimos aqui os 31 políticos em que você não deve votar em 2018, caso queira vê-los sendo julgados pela Lava Jato.

22. Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) – Senador

Denunciado em agosto de 2017 com base na delação de Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro, o ex-ministro da Previdência durante o governo Dilma Garibaldi Alves Filho teria recebido propina oriunda de contratos com a subsidiária da estatal e a empresa NM Engenharia. Os valores, segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República, teriam sido repassados aos diretores do PMDB, entre eles, o do Rio Grande do Norte, estado onde Garibaldi elegeu-se senador.

27. José Agripino Maia (DEM-RN) – Senador

Presidente nacional do Democratas, o senador potiguar tornou-se réu na Lava Jato em dezembro de 2017, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na denúncia, o senador tem contra si acusações de favorecimento a empreiteiras na construção do estádio de Natal, que sediou jogos da Copa do Mundo, além de favorecimento em empréstimos do BNDES.

Veja lista completa e texto na íntegra no site Spotniks aqui

 

Opinião dos leitores

  1. Atuação pífia não só dos senadores, como da bancada de deputados federais, pouca atuação, no cenário nacional, tirando o relator da reforma os outros tem atuação quase nula no cenário nacional. E outra coisa o estado passando por um perrengue tremendo e não vejo nenhuma movimentação para mudança desse senário perante a bancada federal.

  2. Tá bom honens. Se cansa não de não fazer nada. Só atrapalha o crescimento do estado. Esses dinossauros deve ter histórias pra contar kkkkkk

    Se enxerguem!!!

  3. Esses senhores já mamaram muito através da política. Está na hora de saírem da mamata. Já deram o que podiam. TCHAU, TCHAU…………..

    1. Cuidado eles saem do poço ou seja se não prestam genericamente nos tbm não

  4. E não vão se reeleger. O RN não merece essas duas "criaturas do mal". Mandem eles morarem com o "pai" deles, Temer.

    1. Fiquem tranquilos, a resposta virá e será em 07 de Outubro.

    2. Não acredito muito no nosso povo. Eles vão acabar colocando um dos dois no senado novamente.

    3. O povo é sábio? Já ouvi muito essa conversinha mole . O povo faz parte dessa sujeira isso sim

  5. Excelente esta lista. Espero que o povo tenha ao menos o mínimo de vergonha na cara e não reeleja políticos "profissionais" que não tem compromisso com ninguém, a não ser com eles mesmos e sua patota.

    1. O problema estar no processo eleitoral q é viciado.Nós não elegemos e sim somos levados a participar de um jogo com cartas marcadas

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