Taxa de mortalidade para Covid-19 dobra a cada 8 anos de idade, mostra Imperial College


Imagem: Pixabay

Um relatório do Imperial College de Londres concluiu que a probabilidade de morte por Covid-19 dobra a cada oito anos de idade. A progressão, observada através de uma modelagem que calcula a taxa de óbitos pelo número de infectados pelo novo coronavírus, reforça a periculosidade do patógeno e a vulnerabilidade de idosos.

O levantamento, que incluiu o Brasil, indica também que a taxa de mortalidade entre os que contraíram o Sars-CoV-2 é maior em países mais desenvolvidos. Isso se deve, principalmente, à maior expectativa de vida nestas nações, pontuam os autores.

Em entrevista ao GLOBO, o autor principal do relatório, o epidemiologiista Nicholas Brazeau, afirma que o documento do Imperial College é a estimativa do índice de letalidade mais precisa publicada até o momento e sublinha que a progressão da letalidade reforça que a Covid-19 é uma doença bem mais alarmante do que outros vírus respiratórios.

O relatório avaliou 175 estudos e dez inquéritos sorológicos, privilegiando informações dos Ministérios da Saúde de cada país e de fontes credenciadas, como a Universidade Johns Hopkins (EUA), que compila notificações da Covid-19 em todo o mundo, para calcular a chamada taxa de morte por infecção. Segundo a universidade americana, já são quase 1,2 milhão de mortes pelo novo coronavírus em todo o mundo e 45,4 milhões de diagnósticos notificados oficialmente.

“Esses resultados confirmam que esse é um vírus perigoso com uma taxa de mortalidade muito maior do que, por exemplo, gripes sazonais”, afirma Nicholas Brazeau. “Embora a letalidade pela Covid-19 seja principalmente carregada pelos idosos, nós não vivemos em asilos. Precisamos que pessoas mais jovens, apesar de seu risco absoluto ser menor, façam sua parte e ajudem a proteger os grupos mais vulneráveis”.

A letalidade varia de 0,01% para crianças de 5 a 9 anos, por exemplo, para 16,1% em idosos com mais de 90 anos. Ainda assim, o pesquisador ressalta que os índices são preocupantes inclusive na meia idade, onde um a cada 260 pacientes da Covid-19 acaba morrendo. Os pesquisadores esperam que o modelo sirva como base para o desenho de políticas públicas e estudos científicos.

Ferramenta para antecipar cenários

O cientista lembra que a taxa de letalidade é um dado chave para os modelos de doenças infecciosas, que ajudam a antecipar cenários e apontar os melhores caminhos para políticas de saúde, tratamentos e diretrizes para o desenvolvimento de vacinas contra a Covid-19.

“Nós construímos um modelo muito simples para identificar os vieses nas estatísticas”, explica Brazeau. “O que nos surpreendeu muito no nosso trabalho é a variação da taxa de letalidade em diferentes categorias [como pela divisão geográfica]. Junto com a definição das melhores estimativas de letalidade por faixa etária, esperamos que isso seja levado em conta no desenvolvimento de regras específicas para cada país.”

Concentrados na primeira onda da doença na Europa, os cientistas criaram modelos matemáticos para estimar o índice com a chamada sororeversão, um cálculo que estima a real quantidade de infectados a partir das fontes utilizadas pelo relatório baseadas em testes sorológicos, que medem anticorpos, células de defesa que tendem a decair em até quatro meses em pacientes curados da doença, conforme demonstrou outro estudo do Imperial College divulgado nesta semana.

Na prática, a metodologia estimou o número de pacientes que deixaram de ser detectados por estes testes, que costumam ter uma sensibilidade abaixo da ideal para captar quantidades pequenas de anticorpos, de modo a evitar que a taxa de letalidade fosse superestimada. Ignorados os casos revelados pela sororeversão, a proporção de casos seria menor, enquanto os óbitos, menos suscetíveis à subnotificação e sem relação com avaliações sorológicas, se manteriam estáveis.

O Brasil se destacou no levantamento por manter a chamada taxa de ataque, proporção da população de risco exposta à doença em um período de tempo, constantes durante o período avaliado, em junho, o que parece apontar para uma dinâmica própria de distanciamento em relação aos países desenvolvidos, mas o panorama exigiria estudos mais aprofundados.

A epidemia brasileira, continua o pesquisador, tem particularidades que a diferem do quadro europeu, como a dimensão territorial e particularidades regionais. Como exemplo, Brazeau cita o “fardo” sustentado por Manaus e outras regiões na Amazônia, que registraram oficialmente um índice altíssimo de letalidade e de transmissão da doença em comparação com outros países.

“As razões são incertas, mas é possível que a taxa de ataque constante seja atribuída a diferentes padrões de dinâmicas e interações sociais com os idosos em comparação com os países europeus. Isso pode refletir, especificamente, um contato uniforme ou similar entre faixas etárias diferentes, enquanto algumas evidências sugerem que os mais velhos tiveram menos contatos, ou foram protegidos, em certas nações da Europa”, explica Brazeau.

Na média de letalidade, o país registrou um índice de 0,99% em junho, próximo da Espanha (1,14%) e da Inglaterra (1,18%), mas mais distante da Itália, com 2,5%.

Obesidade como fator

No entanto, o trabalho, vinculado ao Centro para Análises de Doenças Infecciosas Globais MRC do Imperial College, que colabora com a Organização Mundial da Saúde (OMS), se atém ao recorte da idade. Os autores ponderam que não foram levados em conta aspectos que podem contribuir para maiores índices de letalidade em países menos desenvolvidos.

“Comorbidades como obesidade e diabetes (ficaram de fora) porque não há dados amplamente disponíveis. Já há evidências sólidas de que a obesidade, em particular, pode aumentar dramaticamente o risco de morte pela Covid-19. Como resultado, países pobres e em desenvolvimento sofrem epidemias de obesidade e outras doenças recorrentes podem não estar tão ‘protegidos’ pela letalidade menor em jovens como prevê nosso modelo”, alerta o pesquisador do Imperial College.

Indagado sobre a pertinência do modelo em meio à segunda onda na Europa, que já provoca a retomada de medidas restritivas no continente, Brazeau pondera que a situação deverá ser acompanhada de perto.

Governos e especialistas têm debatido publicamente se os índices mais baixos de letalidade observados no novo quadro epidêmico não são, na realidade, reflexo de um alto índice de subnotificação quando o coronavírus se disseminou pela Europa no início do primeiro semestre. Àquela altura, pouco se sabia, por exemplo, sobre o papel da transmissão aérea do patógeno.

O epidemiologista ressalta que, embora a evolução no conhecimento sobre a doença e dos métodos de tratamento intensivo tenham reduzido o número de mortes na maior parte dos países europeus, em contraste com o recorde de notificações de casos, ele avalia que a situação pode evoluir rapidamente.

“Será importante acompanhar essas mudanças enquanto entramos na ‘segunda onda’ ou na continuação da “primeira onda”. No entanto, se, de um lado o tratamento médico está melhor agora em relação ao início da pandemia, a escalada no número de casos e o risco de saturação dos hospitais é preocupante”, alerta.

O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Junin disse:

    Converseiro de bosta….se o cabra tá ruim morre até de uma gripe!!!

  2. Indignado disse:

    O Imperial College de Londres e a OMS também concluíram, em relevante estudo feito com 35.000 participantes, que os portadores de fimose e períneo dilatado correm o risco de morrerem duas vezes!!
    Ora, gente, creiam em Deus!

  3. Paulo disse:

    Ou seja, o estudo não trouxe nada de novo.
    Mas discordo dos colegas.
    Não tem nada a ver com pânico.
    Nem 8 nem 80.
    Vejo pessoas em Natal andando sem máscaras, sem manter distanciamento.
    O vírus existe e mata.
    A economia não pode parar.
    Mas os cuidados também não.
    Nem 8 nem 80…

  4. Gustavo Sá disse:

    E tome pânico e notícia ruim! Onde querem chegar? Deus vence sempre o mal.

  5. Raimundo disse:

    O mesmo instituto que falou q matéria 180 milhões até setembro

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