Trump culpa mídia tradicional, governos democratas e movimento antifascista pelos protestos nos EUA

Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP

O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a culpar governadores democratas e a imprensa tradicional neste domingo pelos protestos que tomaram a conta do país após a morte de George Floyd, um homem negro asfixiado por um policial branco em Minneapolis na última segunda-feira. No Twitter, Trump ainda prometeu que seu governo designará o grupo Antifa (antifascista) como terrorista e agradeceu a ação da Guarda Nacional — a força militar de reserva que pode ser chamada a intervir em emergências.

“Os anarquistas da ANTIFA foram dominados rapidamente. Isto devia ter sido feito pelo presidente da câmara logo na primeira noite e não teria havido problemas”, escreveu. “Outras cidades e estados administrados por democratas devem analisar o fechamento total dos anarquistas da esquerda radical em Minneapolis. A Guarda Nacional fez um ótimo trabalho e deve ser usada em outros estados antes que seja tarde demais!”.

No Twitter, o presidente disse ainda que estados e cidades precisam agir de forma “muito mais dura” contra os protestos, caso contrário o governo federal intervirá. E também criticou a imprensa tradicional do país, que, segundo ele, está “fazendo de tudo ao seu alcance para fomentar o ódio e a anarquia”, disseminando “notícias falsas”.

No sábado, o procurador-geral dos EUA, William Barr, também culpou “radicais e agitadores externos”, que teriam sequestrado os protestos, “para buscar sua agenda própria e separada”.

Trump já havia dito no sábado que manifestantes teriam sido recebidos com “cães cruéis” e “armas ameaçadoras” caso a cerca da Casa Branca, em Washington, tivesse sido violada. Houve tensão entre manifestantes e agentes do Serviço Secreto em frente à Casa Branca, que chegou a ser trancada. Neste domingo, uma grande multidão de manifestantes se dirigiu novamente aos portões da Casa Branca, onde insultou oficiais da Guarda Nacional.

A quinta noite de protestos se estendeu pela madrugada deste domingo e terminou com mais uma morte, além de pelo menos menos três pessoas baleadas.

A morte de Floyd por um policial branco, que na sexta-feira foi preso e acusado de homicídio em terceiro grau — quando um indivíduo não tem a intenção de matar, mas age com grande indiferença à vida humana — gerou uma avalanche de protestos em vários estados dos EUA

O Globo