Wagner Moura espera ódio da direita e crítica da esquerda ao seu ‘Marighella’, estreando na direção, ele roda filme de ação orçado em R$ 10 mi sobre o guerrilheiro

Seu Jorge, que faz o personagem-título, e o diretor Wagner Moura no set de ‘Marighella’ – Ariela Bueno/Divulgação

Poucos dias atrás, conta Wagner Moura, a equipe de produção do filme “Marighella” recebeu um alerta. Pelas redes sociais, um grupo ameaçava invadir o set do longa que ele dirige sobre o mais famoso guerrilheiro que lutou contra a ditadura militar.

“Mas o que aconteceu foi bonito”, diz o diretor estreante. “Vieram 15 jovens da frente antifascista para proteger a gente. Esse é o pior e o melhor momento para fazer um filme sobre Marighella.”

Sob o calor de polarização tão aguda, uma preocupação indisfarçável ronda a produção. E Wagner Moura não esconde que esse é um filme “que tem lado”. “Queria lançar antes das eleições, mas não vai ficar pronto a tempo.”

A Folha acompanhou as gravações no último domingo (28), numa rua interditada nas adjacências da 25 de Março, na capital paulista.

Preenchido por kombis e fuscas, o trecho é cenário de uma fuga ensaiada repetidas vezes noite adentro. Dois militantes abandonam uma célula desbaratada e trocam tiros com a polícia. O som dos disparos é alto. O operador de câmera corre atrás deles, com o equipamento na mão, numa cena que remete ao cambaleio de “Tropa de Elite”.

Sob a pele de Seu Jorge, Marighella surge e aponta o revólver para um motorista desavisado. O diretor dá ao ator as instruções. “Tem que botar pressão no carro”. Moura sobe a voz para mostrar o tom do que deseja: “Para o carro e aí vira, bang, bang, bang, e atira nos policiais”.

A cena entrega que se tratará de uma obra de ação. “É porque quero um filme que popularize a história dele e traga um exemplo de resistência, sobretudo para jovens negros”, afirma o realizador.

Até por isso, Moura diz ter escolhido um ator “mais preto” do que de fato foi o personagem-título. O da vida real era filho de uma baiana descendente de escravos e de um ferreiro italiano. “Mas para mim, ele é um herói negro.”

SACRIFÍCIO

Essa é uma das licenças da produção orçada em R$ 10 milhões da O2 Filmes, cofundada por Fernando Meirelles.

“Estou preparado para ser odiado pela direita e criticado pela esquerda.” O diretor diz achar inspiração em José Padilha, com quem trabalhou em “Tropa de Elite”, para fazer um “cinema popular, mas potente e com linguagem.”

Situado em algum lugar entre a hagiografia da esquerda e a demonização da direita, o guerrilheiro baiano Carlos Marighella teve uma vida que renderia vários filmes.

Ele comandou greve, foi detido por escrever poemas políticos, viveu as sucessivas proscrições do Partido Comunista Brasileiro, levou tiro da polícia num cinema cheio de crianças e criou o grupo de guerrilha urbana ALN (Ação Libertadora Nacional), que participou do sequestro ao embaixador americano Charles Elbrick em troca da libertação de presos políticos.

Também enviou cartas a Fidel, escreveu manual de guerrilha que inspirou os Panteras Negras e virou letra de música de Caetano Veloso.

A sua morte, em 1969, numa operação comandada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, é um dos marcos do fim da guerrilha urbana. No local em que foi alvejado, na alameda Casa Branca, em São Paulo, hoje existe um marco de pedra na calçada, cercado por prédios de alto padrão.

Do catatau biográfico de mais de 700 páginas escrito pelo jornalista Mário Magalhães, uma das fontes do roteiro, o diretor decidiu enfocar seus cinco últimos anos.

“É o melhor recorte para falar do tema do sacrifício”, defende Moura, que acalentava o projeto desde 2012. De lá para cá, houve um impeachment no meio e ele diz que “o Brasil mudou para pior”. Ao tema do sacrifício, então, ele somou o da resistência.

‘À ESQUERDA DE LULA’

Na mesma semana em que Moura rodava cenas da cinebiografia do guerrilheiro que escreveu o manifesto “Por que Resisti à Prisão”, a sentença contra Lula era confirmada em segunda instância. Ele se diz “chocado” com os paralelos entre os períodos.

“Sempre achei boba a defesa cega que se faz do PT. Mas negar a Lula o direito de se candidatar é compactuar com o golpe”, afirma o ator e diretor, que se define como “à esquerda” do ex-presidente e da “política de conciliação que o elegeu e o derrubou”.

Moura espera que Lula seja candidato nas eleições, mas não quer votar nele, salvo “num segundo turno contra um golpista”. “A esquerda tem é que se reinventar, apresentar um novo projeto.”

No ano passado, Moura esteve em atos por eleições diretas, assinou o manifesto Brasil Nação contra o “desmonte do país”, participou de campanha em prol da Lei do Audiovisual e, num vídeo produzido pelo MTST, chama a reforma da Previdência de “projeto que interessa apenas aos donos do dinheiro”.

Em seu site de notícias, o grupo MBL faz campanha: “Pede pra sair, Wagner Moura” e chama de “escândalo” que seu filme sobre o “terrorista Marighella” tenha sido autorizado a captar os R$ 10 milhões por leis de incentivo.
“Os primeiros ataques sempre vêm contra os artistas, porque o nosso material é a política”, responde Moura.

Arte e política estão densamente imbricadas na obra. Salvo Marighella, os outros personagens militantes têm os nomes dos próprios atores que os interpretam. “Eles querem assinar o que estão dizendo. É uma galera engajada. Não tem nenhum coxa.”

Segmentações à parte, Moura diz esperar como resultado uma obra além da dicotomia sucesso artístico versus sucesso comercial. “Nunca fui fã da ideia do artista como um sujeito especial, que faz coisas que só poucos entendem. Acho caído isso.”

Folha de São Paulo

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Caio Ribas disse:

    Dez milhões do nosso dinheirinho suado que é jogado na lata do lixo. Uma história de um terrorista que de forma desvirtuada coloca-o como um herói. Wagner Moura, como a maioria desses atores globais, um falso socialista/comunista que vive no luxo e usando seu prestígio para angariar fundos e alimentar a farsa socilaista que só provocou mortes e desgraça no mundo.

  2. Alfredo disse:

    Viva a lei Rouanet!!!!!!!

  3. Miranda Jr. disse:

    Não assisto mais um filme desse elemento pseudo-esquerdista nem que me paguem! Vamos ver o fracasso de bilheteria que será…

  4. joao disse:

    Defender um terrorista desses é a mesma coisa de de fazer um filme mostrando o lado humano de Hitler. Ou o lado humano de Lenin… Nao vejo diferença a apologia de criminosos assassinos estrangeiros ou nacionais. Todos eram bandidos com ideologia.

  5. Helio Mota disse:

    Ai se alguém fizer um filme sobre o Cel. Ulstra… O mundo desaba.
    Já sobre um bandido, como abunda na esquerda…

  6. Maria Helena disse:

    Ele terá uma boa noção de popularidade que tem a partir da bilheteria desse filme. Bilheteria essa que estimo que será mínima.

  7. mauricio disse:

    TRAIDOR DA NAÇÃO, BANDIDO, ENTREGÃO, E AGORA ESSE APRENDIZ DE DIRETOR QUER TRANSFORMA LO EM HEROI, COM O DINHEIRO DO CONTRIBUINTE

  8. Patricia disse:

    Esse eu assistirei com orgulho! Esse nao é a lei e para todos

  9. Antônio disse:

    Pagar para assistir filmes sobre Al Capone, Máfia italiana (responsável por centenas de mortes), super heróis de mitologias nórdica (evangélicos e católicos se divertindo com personagens considerados demônios nas suas religiões os quais eram oferecidas crianças em sacrifício, Thor, por exemplo) tudo bem não é? Tudo isso e ainda mandando dinheiro pro EUA, não existem heróis, nunca existiu, a arte pode retratar qualquer personagem histórico, que não seja por polarização política essa mesquinheza de boicotamento ou violência.

    • Ceará-Mundão disse:

      Vocês petistas abusam da desonestidade intelectual. A questão não é a violência. O problema é o endeusamento de criminosos, terroristas, guerrilheiros, GENOCIDAS, inimigos da democracia (o objetivo sempre foi implantar o comunismo)… Crápulas devem ser tratados como tais. Ai pegam o tal Che Guevara, um assassino confesso (fez isso na ONU, tá na net), homofóbico, genocida, um crápula, e transformam o bandido num herói romântico. Como será apresentado esse Marighela? Irá aparecer como "herói", "guerreiro", lutando pela "democracia", pelo povo. Ora, tenha paciência!

    • Antônio disse:

      Em nenhum momento falei relativo a violência Ceará e sim ao caráter dos personagens que assistimos, a personalidade pode ser considerada por você com todos esses adjetivos, não tem nenhum problema, agora condenar a produção só por que o retrata-rá, e o pior, sem ao menos saber o conteúdo da obra, levantando suposições e teorias de ódio para levantar uma hipótese de heroísmo forçado sem embasamento de nada, o diretor não é idiota de cair nessa, nem que quisesse.
      E obrigado pela parte do "petista" é exatamente isso que o Brasil precisa, mais polarização. Penso como você ou sou petista.

  10. Barreto disse:

    Comunismo brasileiro é assim. Há 100 anos tentando tomar o poder no Brasil. Já acabou na União Soviética, mas as viúvas brasileiras continuam a defender esse tipo de regime autoritário.
    A população precisa acordar.

  11. Ceará-Mundão disse:

    Lamentável usar dinheiro público para mais essa palhaçada, exaltação de um terrorista-guerrilheiro que queria, como toda a esquerda ainda quer, implantar uma ditadura comunista no Brasil. Nada contra alguns imbecis resolverem elogiar um canalha. Cada um cultue o "heroi" que merece. Apenas penso que deveriam fazer isso às próprias custas. Usar o nosso suado dinheiro? Francamente!

    • Claudomiro disse:

      É isso aí Ceará-Mundão! Ainda usam o dinheiro dos nossos impostos para fazer apologia a vagabundo.

  12. Rui disse:

    Vou Fazer Tudo pra não ver esse LIXO ATÔMICO…….

    • Claudomiro disse:

      Isso mesmo amigo! Kid Bengala fez mais pelo país nos seus filmes ajudando a vender injeções de bezetacil para curar gonorréia do que esse traste.

  13. Carlos Augusto disse:

    Grande poeta, grande político, grande homem, grande brasileiro

  14. Edilson G. da Silva disse:

    O Pior, com certeza está sendo feito com a nossa grana através da Lei Rouanet, lamentável.

    • Claudomiro disse:

      Isso mesmo amigo! Boicote já! Se Wagner Moura quer fazer apologia de vagabundo que use o próprio dinheiro.

  15. Claudomiro disse:

    Para os desavisados: Marighella é responsável por confeccionar o infame “Manual de Guerrilha Urbana” (disponível em PDF na rede), no qual defende que ESCOLAS e HOSPITAIS são “ALVOS LEGÍTIMOS”. Ou seja, pode matar CRIANÇAS, DEFICIENTES, DOENTES e IDOSOS numa boa, desde que seja em nome da “Resistência” ou da “Revolução”. Como a Primeira Convenção de Genebra em 1864 definiu tal prática como CRIME DE GUERRA, as Nações Civilizadas decidiram proibir e punir a prática. Não vá ao cinema para ver esse lixo, a menos que a entrada seja gratuita. Vamos fazer essa apologia a abominação afundar o estúdio e a produção. Quem sabe, depois baixar ou trocar por um DVD usado na feira do Alecrim. Vida longa às Forças Armadas por terem ajudado o Cão a passar o rabo pelo pescoço desse imundo.

    • Júnior disse:

      Vamos ler chapeuzinho vermelho.

    • Mortadela com pão disse:

      Como tem gente q gosta de passar vergonha na net.

    • Ceará-Mundão disse:

      Belo comentário, Valdomiro. Mais um absurdo dessa turma de esquerda, admiradores de criminosos, terroristas, ditadores… É incrível como alguns ainda teimam em não enxergar a realidade. Essa gente odeia democracia, o nosso Brasil e o nosso povo. E sempre foram assim.

    • Ceará-Mundão disse:

      Perdão, Claudomiro.

    • Franco disse:

      Vendo vc falar Claudomiro, fico me perguntando que exemplo de homem, filho, marido, esposo e pai vc deve ser.
      Vc deve ser tudo de bom, honesto, fiel, pacífico, educado, gentil, solidário, amigo, grato…
      Também deve nunca ter mentido, traído, agredido, sido violento…
      Queria ser assim como vc deve ser pelos brilhantes textos que escreve escondido atrás da realidade virtual que nos permite atacar tudo e todos como se fossemos melhores, muito melhores do que os que criticamos.
      Grande abraço desejando que continue assim, franco, sincero e acima de tudo, integro com seu exemplo que se copiado poderia mudar a sociedade e o mundo para melhor.

  16. Natal sofrida disse:

    Puro lixo. Querem transformar um terrorista em heroi.

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