Ala radical do bolsonarismo sinaliza inquietação com armistício do presidente, STF e Congresso

A ala radical do bolsonarismo ligada à família do presidente Jair Bolsonaro e de seu guru Olavo de Carvalho começa a dar sinais públicos de inquietação com o armistício entre o presidente, o STF (Supremo Tribunal Federal) e o Congresso.

Uma das maiores lideranças da ala, o blogueiro Allan dos Santos já foi ao Twitter fazer referência crítica direta ao presidente.

“O ‘Acabou, porra’ era para parar o conservadorismo e deixar que ele fosse criminalizado?”, escreveu Allan na quinta (9).

Em maio, Bolsonaro soltou a frase para criticar a operação de busca e apreensão autorizada pelo STF em endereços de blogueiros e empresários bolsonaristas. De lá para cá, silenciou.

Allan também já afirmou querer “provas” de que Bolsonaro seguirá promovendo a chamada guerra ideológica no MEC e disse que a “esquerda está quieta pois consegue tudo o que quer”.

As falas coincidem com recados cifrados de Carlos Bolsonaro, filho do presidente, também contrariado.

A AP Exata, que monitora as redes sociais, já vinha detectando a insatisfação crescente dos radicais e vê a possibilidade de uma ruptura desse setor com o presidente.

“Eles têm ganhado força política autônoma. Um exemplo é o ex-ministro Abraham Weintraub [da Educação], liderança do grupo que se capacitou para alçar voos próprios”, afirma Sergio Denicoli, diretor da consultoria.

Nas redes já surgiu até movimentação em torno de eventual chapa presidencial de Weintraub e o chanceler Ernesto Araújo como vice.

Já a ala moderada do governo Bolsonaro festeja decisões do Judiciário entendidas como favoráveis ao presidente. Elas reforçariam a tese de que valeu a pena ele recuar dos ataques às instituições.

O grupo elenca decisões do STF (Supremo Tribunal Federal), como o arquivamento de pedido de investigação contra o general Augusto Heleno, votos no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e a decisões no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

MÔNICA BERGAMOS