Por Bruno Giovanni
O Ministério Público Federal anda se aprimorando até na arte do erro e do exagero.
Depois de firmar com os irmãos Joesley e Wesley Batista e os executivos da JBS uma delação premiada em condições excepcionais e estranhamente benéficas para quem cometeu crimes graves, a Procuradoria Geral da República cometeu um deslize grave.
Entre os conteúdos das gravações de telefonemas interceptados com autorização judicial, a PGR incluiu e divulgou o de uma conversa entre o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja e Andreia Neves, irmã do senador Aécio Neves, que não tem relação direta com o objeto da investigação realizada.
Na conversa, Azevedo critica a revista para o qual trabalhava. Nesta terça, 23, Azevedo se demitiu.
Com a divulgação do conteúdo, sem qualquer peso ou influência na investigação, a PGR investiu contra o direito ao sigilo telefônico e feriu, de morte, o sigilo da fonte, outro princípio constitucional que norteia a atividade de imprensa e resguarda o ofício de jornalista em qualquer democracia.
A atitude e a postura adotada pela PGR, a quem cabe zelar, em nome da sociedade, pelo cumprimento da lei, se revelaram equivocadas e graves.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo reagiu ao erro da PGR. Muitos entenderam como um gesto de retaliação às críticas feitas pelo jornalista ao Ministério Público.
Seja como for, o erro cometido foi grave. Muito grave.
O exercício do papel de fiscal das leis, constitucionalmente conferido ao Ministério Público, não pode servir para justificar a práticas de gestos menores e mesquinhos que só fazem diminuir a dignidade de quem os comete.
O MP tem o direito e o dever de investigar. O jornalismo tem direito ao sigilo da fonte. Na conversa entre Reinaldo Azevedo e Andreia Neves não havia crime. Crime é quebrar o sigilo da fonte para poder retaliar.

Quem divulgou os áudios não foi o MPF. Já tem matéria na Folha de São Paulo demonstrando que a divulgação foi feita pela assessoria do Ministro Fachin.
Foram divulgados mais de dois mil áudios para diversos jornalistas, após ele retirar o sigilo do processo, destacando que quem estava grampeada era a irmã de Aécio, não o jornalista.
É sempre mais fácil reclamar do MP que do STF.
http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/05/1886754-stf-divulga-conversa-entre-jornalista-e-fonte-em-pacote-de-grampos-da-jbs.shtml
O alvo era a Irma de Aecio e não o Reinaldo…. se eles tiveram uma conversa enquanto o grampo existia, não há problema em revelar… já que o alvo era Irma dele e não o jornalista, não ferindo assim o direito de sigilo de fonte ou outro direito. Lembrando que a lei de imprensa caiu.
É porque quando o VAZAMENTO MUDA de LADO, o BG MUDA TAMBÉM! 😉
A PGR, ontem à tarde, foi acusada de ter vazado o grampo de um jornalista com sua fonte.
Só à noite se soube que, na verdade, não houve vazamento nenhum.
O STF incluiu 2200 grampos nos HDs divulgados à imprensa com o inquérito da JBS. Muitos desses grampos foram descartados pela PF e deveriam ter sido eliminados.
O STF errou. Mas ninguém cometeu um atentado contra a liberdade de imprensa.
Chega de histeria.
Ehhh… quando a ação do MPF só atingia o PT, ninguém falava isso.
É, talvez não seja crime a relação entre eles, mas que há uma cumplicidade entre muitos jornalistas com seus "malvados favoritos", isso há.
O jornalista, quando inteligente, exerce papel importantíssimo para a sociedade, principalmente quando percebe que é responsável pela formação da opinião pública, até porque ele possui um poder de percepção que nós meros leitores não temos. O jornalista sério dá, na verdade, aquilo que está além da notícia, assim como você fez agora no caso do reinaldo Azevedo, onde se percebe que houve uma retaliação. Perceba, porém, que quando há essa espécie de subordinação entre político e jornalista há um claro perigo de não só desmerecer a classe jornalística, como tratá-la como mero objeto das classes dominantes. O PGR cometeu seus erros, teve que se rebaixar a um empresário corrupto, mas pode ter também salvado a lava-jato com essa manobra, porque percebeu-se que já havia um conluio entre Ministros, políticos e até mesmos membros do próprio parquet a fim de derrubar a operação. É doloroso ver um empresário corrupto sair rindo e cheio de dinheiro, mas seria ainda mais doloroso ver tantos outros fora das grades. Respeito sua opinião, caro Bruno, mas veja por esse lado também.
Vc não tem habilitação como jornalista para fazer esses comentários Bruno .
Nobre Joel Avelino de Lima,não tenho procuração do Bruno para defende o ponto de vista dele,mas ao ler o editorial fica claro q a intenção do blogueiro,foi demostrar a indignação de um cidadão (sendo ou não jornalista diplomado)diante da violação ao direito constitucional do sigilo da fonte….
E é ? Editorial muito bom , deveria ter sido feito um pouco antes quando o mesmo veneno foi usado para divulgar conversas do mesmo jeitinho . O tio Rei provou do mesmo veneno que defendeu meses atrás . O solidário editorial , pode ser extensivo a outros personagens ou é exclusivo para a categoria jornalística ? De toda forma parabenizo ao blog , pois realmente esse tipo de coisa ação não se coaduna com a democracia é o respeito à privacidade e sigilo da fonte .
A publicidade da conversa telefônica entre O Jornalista Reinaldo Azevedo e Andreia Neves, não tinha nada haver com as investigações em curso (Lava Jato). Creio q foi uma forma de tentar enquadra o profissional, q vem fazendo repetidas críticas a forma como os procuradores federais vem desenvolvendo o trabalho investigativo … A meu ver, a coisa é tão grave, q se quer o conteúdo gravado foi anexado ao processo.. O pq então de devulga o bate-papo entre jornalista e sua fonte?
"A ver" é separado e em nada "tem a ver" com o verbo haver.
Eita jornalismo imparcial!!! Quando isso ocorreu antes ninguém reclamou, acho foi bonito.
Agora vem falar em cumprimento da lei, sigilo telefônico, sigilo da fonte.
Comemorar a saída de Reinaldo Azevedo da Veja. Só o faz quem desconhece que o alvo não é ele, mas a liberdade em si.