El Páis
A telefonia móvel nasceu da necessidade de falar em movimento. Essa funcionalidade mudou radicalmente nos últimos tempos. A generalização dos smartphones, ou telefones inteligentes capazes de se conectarem à Internet, e o aparecimento das redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas, como o WhatsApp, revirou essa funcionalidade básica de telefonia. A Internet está devorando a telefonia móvel no mundo, e, no Brasil, as operadoras brasileiras tiveram uma prova acachapante de sua perda de hegemonia com a comoção provocada pela interrupção por quase 13 horas do WhatsApp, em punição pelo não cumprimento de uma medida judicial brasileira.
As mensagens de texto há tempos se tornaram um anacronismo. E agora chega a vez dos telefonemas. Trata-se uma tendência global. Essa mudança de hábitos, que desloca o usuário de um universo analógico e individualista para outro digital e socializado, tem uma dupla consequência empresarial e sociológica. No caso do Brasil, também jurídica e geopolítica: afinal, como deve ser a relação dessas empresas globais de aplicativos —o WhatsApp foi comprado pelo Facebook— com as justiças nacionais?
As operadoras estão sempre no topo da lista de reclamações do Procon.
Os abusos são constantes e recorrentes.
Os aplicativos são muito bem vindos, pois estão proporcionando aos seus usuários uma redução significativa dos custos com comunicação.
Será que as operadoras de telefonia também irão querer acabar com o Viber e com o Skype?
Na realidade o WhatsApp se trata apenas de uma evolução da tecnologia que diminuiu drasticamente as receitas das operadoras com o serviço de envio de mensagens curtas e com o serviço de voz.
É a mesma coisa do e-mail ter acabado com o envio de cartas e de fax. Será que os Correios irão querer acabar com o e-mail por causa disso?
Não. Passou a criar outras opções para competir e aumentar as suas receitas.
É o que devem fazer as empresas de celular. Criar alternativas.
Uma dessas alternativas seria atuar como um provedor de internet, barateando seus serviços para haver uma adesão maciça da população.
As empresas de celular têm que correr contra o tempo, pois além de perder receita com SMS e serviço de voz futuramente também irão perder receita com a venda de chip.
É sabido que empresas com Apple e Samsung estão trabalhando para acabar com o chip de celular.
Já pensou se o Google resolver se tornar um operador global de telefonia celular?