Saúde

A psicologia por trás da corrida por papel higiênico em meio a “medo contagioso” do coronavírus

FOTO: BBC NEWS BRASIL

O clima em um supermercado de Londres está diferente.

É noite de segunda-feira (09/03) e o local está cheio, com filas gigantes incomuns e pessoas agitadas enchendo suas cestas de produtos.

O corredor onde ficam produtos de limpeza, incluindo papel higiênico, está praticamente vazio. Macarrão, óleo, comidas enlatadas e água sanitária também estão sumindo das prateleiras.

Não há notícias, contudo, de que o Reino Unido esteja sofrendo de desabastecimento. Mas muitas pessoas aderiram à corrida por papel higiênico e por outros produtos que podem compor um “bunker de sobrevivência” antecipando possíveis medidas extremas de isolamento pelo novo coronavírus — algo ainda não anunciado por autoridades.

É o chamado “panic buying”, ou as compras motivadas pelo pânico.

Nesta quarta-feira (11/03), o Reino Unido tinha 460 casos de coronavírus confirmados, com 8 mortes registradas. O governo já anunciou que o número de casos vai subir rapidamente nas próximas duas semanas e que deve começar a orientar pessoas com sintomas de gripe a se autoisolar por 10 a 14 dias.

No Brasil, o número de casos confirmados pelo Ministério da Saúde era de 52 até a quarta-feira.

No entanto, uma quarentena como a que foi imposta a todos os cidadãos na Itália ainda não foi anunciada por autoridades do Reino Unido, e o governo disse que “não há necessidade” de estocar produtos.

“É muito importante que as pessoas tenham um comportamento responsável e pensem nas outras”, disse o primeiro-ministro Boris Johnson.

Mesmo assim, imagens de pessoas comprando papel higiênico e outros produtos têm viralizado em redes sociais. E não só no Reino Unido.

Em Cingapura, houve aumento na demanda por arroz e macarrão; em Auckland, na Nova Zelândia, gastos no supermercado subiram 40% no dia seguinte à confirmação do primeiro caso do novo coronavírus no país; na Austrália, duas mulheres brigaram por rolos de papel higiênico, e um vídeo da briga viralizou. A lista continua com casos similares em outros países.

No Reino Unido, alguns supermercados restringiram as vendas de alimentos essenciais para regularizar o fluxo de suprimentos. Uma rede limitou em até cinco as compras de itens como macarrão, leite e legumes enlatados.

Tony Richards, diretor de operações da empresa Essity, que produz papel higiênico e domina quase um terço desse mercado no Reino Unido, disse à BBC News que 63 milhões de rolos foram vendidos nas últimas duas semanas. Em comparação, 24 milhões foram vendidos no mesmo período do ano passado.

“Não entrem em pânico, pensem em toda a comunidade. Nós conseguimos levar papel higiênico para as prateleiras, só precisamos de tempo”, afirmou Richards.

Simbologia do papel higiênico

Autor do livro The Psychology of Pandemics (A Psicologia de Pandemias, em tradução livre), lançado três semanas antes do início do surto do coronavírus na China, Steven Taylor diz que compras motivadas pelo pânico aconteceram em outras pandemias também, mas foram pouco documentadas.

Segundo ele, durante a Gripe Espanhola, em 1918, as pessoas esvaziaram prateleiras de Vick Vaporub, nome comercial da pomada criada para desobstruir as vias aéreas durante gripes e resfriados. A empresa produtora da pomada até fez uma série de propagandas especiais relacionadas à pandemia.

Dessa vez, além do álcool em gel, as fotos que viralizam são de pessoas estocando papel higiênico. Taylor tem uma teoria. “O papel higiênico virou um símbolo de segurança, embora não vá impedir que as pessoas sejam infectadas pelo vírus. Mas quando as pessoas ficam sensíveis a infecções, aumenta a sensibilidade delas para o que é nojento. É um mecanismo para nos proteger de patógenos”.

Para ele, o papel higiênico é visto, então, como um instrumento para evitar coisas nojentas e vira um símbolo de segurança.

Ele observa que as pessoas fazendo compras motivadas pelo pânico são geralmente ansiosas. E que essa pandemia é uma pandemia das redes sociais.

“A diferença fundamental dessa pandemia para outras são as redes sociais e nossa interconexão. As pessoas são expostas a vários materiais, inclusive fotos e textos dramáticos. É uma ‘infodemia'”, afirma. E o que viraliza são as imagens de corredores e prateleiras vazios, não de pessoas fazendo compras normalmente, como é a maioria dos casos.

E por causa da conexão entre as pessoas pelo mundo inteiro, se houver qualquer orientação oficial para que a população estoque produtos em um país, essa informação pode viajar para outros locais e estimular as compras mesmo onde não houver necessidade semelhante, inflando artificialmente a sensação de ameaça.

Do melhor ao pior cenário possível

Para Andreas Kappes, professor da City University, em Londres, e especialista em psicologia e neurociência, o pânico não começa de imediato.

“No começo, as pessoas acham que estão de alguma forma seguras. Somos bons em negligenciar o pior e permanecer otimistas porque isso nos protege do estresse e nos mantém produtivos”, explica.

Kappes estuda como a incerteza afeta nosso comportamento e conduziu uma pesquisa em que inventou uma “gripe africana” para avaliar como as pessoas agiriam para tomar decisões que poderiam colocar a vida de outras pessoas em risco.

Kappes diz que, embora haja diferenças individuais, as pessoas geralmente preferem informações “desejáveis” a informações “indesejáveis”, e subestimam a probabilidade de que coisas ruins possam acontecer com elas em comparação com outras pessoas. “Podemos pensar: ‘Não é provável que eu pegue o novo coronavírus, mas as outras pessoas, sim’.”

Mas um momento de estresse rompe essa bolha otimista — no caso do novo coronavírus, pode ser o aumento do número de casos, ou sua maior proximidade, ou então o espaço de cobertura na imprensa.

Também pode ser um sentimento de empatia por alguém afetado pelo vírus. “Quando lemos uma notícia de alguém que tinha 60 anos que tinha uma família, ficou doente e morreu, podemos nos colocar no lugar da pessoa, ou imaginar que poderia ser alguém que conhecemos, da nossa família, por exemplo”, afirma. Paramos de ver os números e pensamos nas histórias por trás deles.

FOTO: BBC NEWS BRASIL

Além disso, as pessoas são normalmente otimistas sobre si mesmas, mas não sobre o conjunto da população ou as instituições em geral. Então, podem pensar que o governo, por exemplo, não está lidando bem com a crise — outro estresse.

Esse sentimento de estresse, então, nos força a pensar no pior cenário possível. As pessoas tornam-se mais pessimistas e partem do pressuposto de que o pior deve acontecer.

Passam a imaginar: “Como seria se eu pegar coronavírus, como seria se eu tivesse que me autoisolar, como isso impactaria minha vida, o que vai acontecer se houver um pânico geral e eu não tiver comida?”.

E, então, passam a agir de acordo com essa ideia.

“Parte das compras em supermercados para armazenar em casa também é muito racional. Se todo mundo comprar para armazenar e você não, você não terá nada para comer”, afirma ele.

Efeito manada

Kappes diz que há outro sentimento que guia a corrida pelos produtos no supermercado. “Agimos de determinadas maneiras guiados por evidências sociais. Olhamos para os outros para obter informações sobre o que deveríamos ou não deveríamos fazer”, diz.

Ele cita um exemplo: a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que lavemos as mãos com mais frequência e de maneira mais precisa, mas muitas vezes só seguimos essa orientação se vemos que outras pessoas estão fazendo isso.

Steven Taylor, autor do livro sobre a psicologia de pandemias, diz que somos guiados pelo chamado “efeito manada”. O termo define reações irracionais iguais de um grupo que são guiadas por um ou mais indivíduos.

Para o autor, isso acontece em situações em que há incerteza. “As pessoas observam as outras para saber como devem responder, é mais instintivo do que racional. É como fogo dentro do cinema — as pessoas não fogem por causa da fumaça, mas porque veem outras pessoas correndo. O medo é contagioso.”

Além disso, o papel higiênico, item que tem sido buscado pelas pessoas, vem em um pacote “altamente visível”, diz Taylor. “É grande e facilmente identificável quando se está em um supermercado”, o que incita uma pessoa a comprar o item quando vê outra com o produto.

Outro motivo para as compras em excesso, segundo Taylor, é que não acreditamos quando nos dão uma solução pequena para um problema grande. “O governo nos diz que não devemos usar máscaras, e que a solução é lavar as mãos bem e com frequência. Mas nós pensamos que grandes problemas requerem soluções especiais”, diz ele. Então, fazer grandes compras parece compensar essa “pequena solução” de lavar as mãos que, na realidade, é uma das coisas mais importantes que podemos fazer para evitar a dispersão do vírus.

Fazer lista de compras e doar o que foi comprado em excesso

Baruch Fischhoff, professor de ciência das decisões da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA, atribui a atitude das pessoas de comprarem em excesso à falta de informações confiáveis de determinados governos. Ele refere-se especificamente aos Estados Unidos, onde a quantidade de testes aplicada às pessoas para avaliar se estão com coronavírus foi considerada pequena e por isso tem sido criticada.

“As pessoas são boas em analisar os riscos com os dados que têm em mãos. Mas agora estão incertas sobre os riscos porque nosso governo não tem feito muitos testes”, diz ele. “Quando não sabem avaliar, decidem agir com cuidado. Comprar papel higiênico em excesso é o sintoma, não o problema.”

Mas, para Taylor, o medo da escassez pode causar real escassez. “As pessoas que vivem com o dinheiro para o dia a dia, que não podem comprar em antecedência ou que recebem doações podem ficar sem os produtos necessários.”

Ele diz que é possível preparar-se sem entrar em pânico.

Caso o autoisolamento seja necessário, quem for sair às compras deve sentar antes e fazer uma lista do que precisa, realisticamente e sem exageros. “Assim você inocula o efeito manada”, diz ele. Além disso, quando entrar no supermercado, é preciso lembrar que possivelmente haverá pessoas em pânico ali, e então usar a cabeça e não agir da mesma forma que outras pessoas estão agindo.

Em outras pandemias, de acordo com Taylor, as pessoas se uniram mais para ajudar umas às outras: pessoas se voluntariavam em hospitais, faziam compras para os que estavam muito doentes para fazê-lo. Ele diz ainda esperar ver mais desse tipo de solidariedade nessa pandemia.

Uma sugestão: Taylor defende que as pessoas que armazenaram produtos em excesso façam doações do que foi comprado para entidades de caridade. “Seria a coisa certa a fazer. Diminuiria a ansiedade do público.”

“As pessoas têm responsabilidades em relação às outras. Estamos todos conectados na maneira como lidamos com o vírus. Dependemos uns dos outros para enfrentá-lo. Lidar com esse surto é um esforço comunal. Temos que nos lembrar que não é sobre nós, é sobre todo mundo.”

BBC Brasil

 

Opinião dos leitores

    1. Tá vendo como é um país civilizado? No Brasil só se usa papel higiênico para friccionar o monossílabo.

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Geral

Prisão de Vorcaro foi motivada por tentativa de obstrução de investigações

Foto: Reprodução 

A prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, nesta quarta-feira (4), foi motivada após a suspeita de o empresário tentar atrapalhar as investigações relacionadas à instituição financeira.

Segundo apurou a CNN, o banqueiro teria feito uma ofensiva contra envolvidos e testemunhas ligadas ao caso Master.

Vorcaro foi preso novamente nesta quarta, após determinação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), em nova fase da operação Compilance Zero, que apura suspeitas de fraudes no Banco Master. A prisão foi cumprida pela PF (Polícia Federal), em São Paulo.

CNN

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Mundo

Israel lança nova onda de ataques em larga escala contra o Irã

Foto: Fatemeh Bahrami/Anadolu via Getty Images

As Forças de Defesa de Israel anunciaram, na manhã desta quarta-feira, o início de uma nova série de ataques em larga escala contra alvos ligados ao regime iraniano em Teerã. Segundo comunicado oficial, esta é a décima ofensiva do tipo desde o recrudescimento do conflito no último sábado.

De acordo com os militares israelenses, os bombardeios realizados durante a madrugada atingiram centros de comando que seriam utilizados por forças de segurança interna do Irã e pela milícia Basij, grupo paramilitar alinhado ao governo. A operação faz parte da estratégia declarada de enfraquecer estruturas consideradas essenciais para a sustentação do regime.

Moradores relataram momentos de tensão durante a noite. Um residente do norte de Teerã afirmou à imprensa internacional que as explosões foram intensas e contínuas. “Foi uma noite ruim”, disse, acrescentando que há incerteza sobre quais áreas podem ser consideradas seguras diante da ausência de informações claras sobre os alvos militares.

A imprensa estatal iraniana confirmou registros de explosões em diferentes regiões do país. Imagens divulgadas por veículos internacionais mostram uma coluna de fumaça escura próxima à cidade de Isfahan, sugerindo que os ataques não se limitaram à capital.

A escalada amplia o risco de agravamento do conflito no Oriente Médio, que já provoca apreensão global. Até o momento, autoridades iranianas não divulgaram balanço oficial de danos ou vítimas decorrentes da nova ofensiva.

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Geral

Veja os pontos de alagamento e o que evitar em Natal nesta quarta (4)

Foto: Reprodução

A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana de Natal divulgou, às 6h desta quarta-feira (4), um novo boletim sobre as condições do trânsito após as chuvas que atingem a capital. Segundo a Central de Operações de Trânsito e Transporte (COTT), não há vias consideradas intransitáveis até o momento, mas oito pontos apresentam acúmulo de água e exigem atenção redobrada.

De acordo com o levantamento, seguem transitáveis, porém com registro de alagamento, os seguintes trechos: Avenida Nevaldo Rocha com Avenida Coronel Estevam; Rua São João, no Alecrim (Canto do Mangue); Avenida Jaguarari, em frente ao Hospital Hapvida; Avenida Doutor João Medeiros Filho com Avenida Senhor do Bonfim; Avenida Prudente de Morais com Avenida Alexandrino de Alencar; Avenida da Integração; Avenida dos Xavantes; e Avenida Solange Nunes, em frente à Unimetais.

No panorama geral, a secretaria informou que outros 22 pontos monitorados não apresentam alterações significativas. Corredores importantes como a Avenida Senador Salgado Filho, a Ponte Newton Navarro e a Avenida Felizardo Firmino Moura registram fluxo normal nos dois sentidos.

O boletim também aponta que não houve registro de sinistros de trânsito até o horário da atualização. No entanto, há pane em semáforo no cruzamento da Avenida Hermes da Fonseca com a Rua Ângelo Varela, e os condutores devem redobrar os cuidados ao passar pelo local.

A STTU reforçou que agentes permanecem em campo e que o monitoramento é feito de forma contínua, tanto presencialmente quanto por videomonitoramento, podendo haver atualização nos pontos conforme a situação das chuvas evolua ao longo do dia.

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Geral

URGENTE: Daniel Vorcaro é preso pela PF em nova fase de operação que investiga fraudes do Master

Foto: Reprodução

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo.

Vorcaro é alvo de uma nova fase Operação Compliance Zero, em que a PF investiga um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master.

O nome da operação é uma referência à falta total de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.

Havia um mandado de prisão preventiva contra Vorcaro, que já está na Superintendência da PF na capital paulista.

Com informações do G1

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Geral

CLIMA TENSO: Lula evita encontro com Trump em meio a suspeitas sobre suposta base militar da China

Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria atuado para adiar uma reunião prevista com o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, marcada para o dia 22, em meio a um ambiente de tensão diplomática. Nos bastidores, a avaliação é que o encontro poderia abrir espaço para questionamentos delicados sobre a política externa brasileira.

Entre os temas que circulam no debate político está a menção a um documento apresentado ao Congresso americano, chamado “Tucano Ground Station”, que faria referência a entendimentos estratégicos envolvendo a China. A existência de um eventual acordo para instalação de base militar estrangeira em território brasileiro, no entanto, não foi confirmada oficialmente pelo governo.

O Palácio do Planalto sustenta que as parcerias com a China estão concentradas em áreas como comércio, tecnologia e cooperação espacial, dentro de acordos institucionais já conhecidos. Ainda assim, o tema ganhou força na oposição, que cobra mais transparência sobre tratativas internacionais.

O ministro da Defesa foi convocado a prestar esclarecimentos na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, onde parlamentares prometem questionar possíveis acordos estratégicos e investimentos bilionários previstos para a área militar nos próximos anos.

Até o momento, não houve detalhamento oficial sobre o motivo do adiamento do encontro. Enquanto críticos falam em desconforto diplomático, aliados do governo afirmam que o Brasil mantém uma política externa soberana e que decisões estratégicas seguem critérios institucionais.

Com informações do Diário do Poder

Opinião dos leitores

  1. Vai levar bombinha na cabeça viu Luladrão.
    Tenho pena dos meus irmãos paraibanos, pois é lá que pode estar existindo essa papagaiada desse desonesto, sem vergonha.

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Geral

Samanda Alves rebate acusações, desmente Brisa e chama Daniel Rendall de “desonesto”

Foto: Francisco de Assis

A presidente da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Câmara Municipal de Natal, Samanda Alves (PT), reagiu às críticas feitas pelo relator Daniel Rendall (Republicanos) e também às declarações divulgadas pela vereadora Brisa Bracchi sobre a condução do processo de cassação em tramitação na Casa. Em nova manifestação pública, Samanda negou qualquer irregularidade e afirmou que o relator agiu com “desonestidade” ao acusá-la de má-fé.

A matéria é do jornal Diário do RN. Segundo a parlamentar, nenhuma decisão foi tomada de forma isolada durante os trabalhos da comissão. Ela sustenta que todas as deliberações ocorreram de maneira colegiada, com participação dos três membros do grupo e acompanhamento permanente da Procuradoria da Câmara. Além dela e de Rendall, a CEI conta com o vereador Tácio de Eudiane (União Brasil).

De acordo com Samanda, apenas os relatórios finais não tiveram consenso. Nessa etapa, ela e Tácio se posicionaram pela manutenção do mandato da vereadora investigada, enquanto Rendall apresentou entendimento divergente. Ainda assim, afirma que os demais encaminhamentos foram aprovados por unanimidade ao longo do processo.

A presidente da comissão também contestou a alegação de cerceamento de defesa. Sobre a negativa de um novo depoimento da vereadora no segundo processo, explicou que o pedido foi analisado na última reunião antes da votação do relatório final. Conforme relatado, houve suspensão temporária dos trabalhos para debate interno com a presença de procuradores, e o colegiado decidiu que o momento processual para solicitação de diligências já havia sido superado.

Ela reforçou que todas as reuniões foram registradas e contaram com acompanhamento técnico da Procuradoria, variando entre três e seis procuradores presentes em cada encontro. Para Samanda, a condução respeitou integralmente as orientações jurídicas e o rito estabelecido.

Outro ponto levantado pela presidente foi o cumprimento do prazo legal de 90 dias para conclusão do processo, previsto no Decreto-Lei nº 201/1967. Segundo ela, mesmo com feriados, pontos facultativos e um intervalo de 17 dias até que a Mesa Diretora marcasse a primeira sessão de julgamento, os trabalhos foram finalizados dentro do período permitido.

Defesa aponta ilegalidades e cita decisão do TJRN

Em nota enviada à imprensa, Brisa Bracchi sustenta que a reabertura da fase de instrução, determinada pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, confirma a existência de falhas na condução do processo pela Comissão Especial Processante. A decisão judicial levou à marcação de nova oitiva da parlamentar.

Conforme a nota, a comissão agendou o depoimento para o dia 5 de março, às 17h, após intimação expedida em 2 de março, respeitando o prazo mínimo de 72 horas previsto no rito. A defesa, no entanto, argumenta que o novo calendário comprometeria o cumprimento das etapas seguintes e inviabilizaria a sessão final de julgamento no plenário.

A tese apresentada é que, com a reabertura da instrução, seria necessário garantir novamente o depoimento pessoal, prazo para alegações finais e elaboração de novo relatório — o que ultrapassaria o limite de 90 dias corridos estabelecido na legislação federal aplicada ao caso.

Na conclusão da nota, a vereadora afirma que, diante do que classifica como ilegalidades ocorridas ao longo do processo, o caso deveria ser arquivado. A controvérsia agora se concentra na interpretação sobre prazos e na legalidade dos atos praticados pela comissão, tema que segue sob debate jurídico e político na capital potiguar.

Com informações do Diário do RN

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Política

ALERTA NO PLANALTO: Posts contra Lula ligam sinal vermelho no governo

Foto: Marcelo Theobald

O Palácio do Planalto entrou em estado de atenção após um levantamento interno mapear publicações impulsionadas nas redes sociais com críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O material aponta que apoiadores do senador Flávio Bolsonaro patrocinaram conteúdos atacando o governo, especialmente após o desfile de uma escola de samba que homenageou o petista no Carnaval.

A informação é do jornal O Globo. O documento, que circula entre integrantes do alto escalão e da cúpula do PT, lista 54 figuras públicas — entre parlamentares, prefeitos e influenciadores — que pagaram para ampliar o alcance de postagens críticas. Governistas veem o movimento como uma prévia da estratégia da oposição para o próximo ciclo eleitoral e discutem ajustes na comunicação e na rota da campanha.

Também preocupa no governo a possível repercussão digital de desdobramentos envolvendo a quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, mantida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e respaldada por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. A avaliação é que novos fatos podem servir de combustível para novas ofensivas virtuais.

Diante do cenário, o PT intensificou o diálogo com representantes de big techs e discute estratégias para reagir a conteúdos impulsionados. O partido também tem promovido oficinas para ampliar a atuação digital de militantes, movimento que deve ganhar força às vésperas da eleição. Internamente, há ainda debate sobre eventual ação eleitoral, embora aliados reconheçam a dificuldade jurídica, já que críticas a governos não configuram, por si só, propaganda antecipada negativa.

Nos bastidores, integrantes do governo admitem que a presença de autoridades no desfile gerou desgaste desnecessário, sobretudo junto ao eleitorado evangélico. A oposição, por sua vez, sustenta que o próprio Planalto criou a narrativa que permitiu os ataques. O episódio reforçou a percepção de que a disputa eleitoral já começou nas redes — e que o campo digital será um dos principais frontes da batalha política.

Opinião dos leitores

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Política

Mendonça decide que Vorcaro não é obrigado a depor à CPI do Crime

Foto: Ana Paula Paiva/Valor

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta terça-feira (3) que o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, não é obrigado a comparecer à CPI do Crime Organizado no Senado. Com isso, a presença do empresário na oitiva marcada para as 9h desta quarta-feira (4) passa a ser facultativa.

Vorcaro já havia sinalizado, por meio da defesa, que pretende prestar esclarecimentos apenas à Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) na próxima semana. A decisão de Mendonça segue entendimento semelhante adotado anteriormente, quando o ministro também afastou a obrigatoriedade de comparecimento do banqueiro à CPMI do INSS.

Na decisão, Mendonça citou jurisprudência do STF segundo a qual o direito à não autoincriminação inclui a faculdade de o investigado decidir se comparece ou não ao ato. “Inexiste obrigatoriedade ou sanção pelo não comparecimento”, escreveu o ministro, ao mencionar o princípio jurídico nemo tenetur se detegere.

O magistrado destacou ainda que, caso Vorcaro opte por ir à CPI, seus direitos constitucionais devem ser integralmente respeitados, incluindo o direito ao silêncio. Determinou também que, dentro do Congresso, eventual custódia fique sob responsabilidade da Polícia Legislativa do Senado.

Quanto ao deslocamento até Brasília, Mendonça estabeleceu que a Polícia Federal deverá definir as condições logísticas de transporte e retorno ao local de custódia, seja em aeronave da própria corporação ou voo comercial, com escolta contínua e vedação expressa ao uso de aeronave particular.

Com informações da CNN

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Geral

VÍDEO: Ator José Dumont é preso no Rio para cumprir pena por estupro de vulnerável

 

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Vídeo: Reprodução/PCERJ

A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro prendeu nesta terça-feira (3) o ator José Dumont, de 75 anos, para cumprimento de pena definitiva por estupro de vulnerável. A ação foi realizada por agentes da Delegacia de Capturas (DC-Polinter), após mandado expedido com base em decisão já transitada em julgado.

A informação é da colunista Mirelle Pinheiro, do Metrópoles. O artista foi localizado em seu apartamento no bairro do Flamengo, na Zona Sul do Rio, após trabalho de inteligência. Ele foi conduzido à especializada para os procedimentos legais e, posteriormente, será encaminhado ao sistema prisional para iniciar o cumprimento da pena, fixada em nove anos e quatro meses pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

O caso teve início em 2022, após denúncias de moradores do prédio onde Dumont residia. Segundo as investigações, ele teria levado ao apartamento um menino de 11 anos, filho de uma ambulante que trabalhava nas proximidades. Imagens de câmeras de segurança registraram momentos de contato físico entre o ator e o adolescente, o que reforçou as suspeitas.

Durante mandado de busca e apreensão no imóvel, a polícia informou ter encontrado fotos e vídeos com conteúdo de pornografia infantil em dispositivos eletrônicos do ator. O material resultou em outra apuração criminal, já que o armazenamento desse tipo de conteúdo é crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente.

Dumont chegou a ser preso em flagrante em setembro de 2022, mas respondeu ao processo em liberdade com medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica. Com a condenação confirmada em definitivo pela Justiça, o mandado foi cumprido nesta semana.

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Mundo

VÍDEO: Forças do regime iraniano atiram contra prédios após comemorações pelos ataques dos EUA e morte de líder supremo

Vídeo: Reprodução/Instagram

Imagens que circulam nas redes sociais mostram forças de segurança do Irã efetuando disparos contra janelas de prédios residenciais onde moradores estariam comemorando a morte do líder supremo Ali Khamenei, além dos recentes ataques realizados por Israel e Estados Unidos contra estruturas do regime.

Segundo relatos associados ao vídeo, os tiros teriam sido disparados como forma de intimidação para conter qualquer manifestação pública em meio ao cenário de instabilidade. Apesar de sinais de enfraquecimento estrutural após as ofensivas externas, o aparato de repressão interno segue ativo e mobilizado.

A escalada do conflito no Oriente Médio elevou a tensão dentro do território iraniano. Ataques direcionados a alvos estratégicos e centros de comando aumentaram a pressão sobre o governo, ao mesmo tempo em que informações sobre a situação da liderança máxima geraram reações populares.

Especialistas apontam que, em momentos de fragilidade política, o regime costuma reforçar o controle interno por meio de forças de segurança e da Guarda Revolucionária, buscando impedir levantes e manter a ordem sob rígida vigilância.

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