Judiciário

Advogados da Lava Jato só questionam nulidade do processo e nunca dizem que cliente é inocente, diz presidente do TRF-4

Advogados da Lava Jato só questionaram nulidades, não o mérito, diz presidente do TRF-4

‘Em cinco anos na 8ª Turma, nunca ouvi um advogado dizer ‘meu cliente é inocente”, afirmou o desembargador Santos Laus

O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), Victor Luiz dos Santos Laus, disse ao Estado durante entrevista em seu gabinete, em Porto Alegre, na última terça, 3, que em cinco anos como integrante da 8ª Turma, julgando decisões da primeira instância da operação Lava Jato, nunca ouviu “um advogado fazer uma defesa de conteúdo material” – ou seja, de mérito – dos clientes condenados na primeira instância pelo juiz Sérgio Moro, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Nunca um advogado disse ‘meu cliente é inocente, meu cliente não tem nada a ver com isso, não há uma prova nesse processo’”, disse o desembargador-presidente. “O que eu fiquei ouvindo, durante cinco anos, foi: ‘há uma nulidade, porque aquele documento é preto, e devia ser verde; aquele portão não abriu mas devia ter aberto; ah porque o juiz espirrou em vez de tossir; ah, porque o promotor falou muito alto, e o meu cliente ficou com medo…’”. O Estado perguntou se não estava exagerando – já que diversos advogados efetivamente questionaram o mérito – mas ele repetiu: “Nunca ouvi uma defesa de conteúdo material – e nós, como juízes, não podemos idealizar a forma e sacrificar o conteúdo. A verdade é essa”.

Santos Laus, um solteiro de 56 anos, é desembargador do TRF-4 desde o penúltimo dia de 2002, 30 de dezembro, quando o então presidente Fernando Henrique Cardoso o escolheu, de uma lista tríplice. Tinha dezesseis anos de Ministério Público – seis no estadual, dez como procurador da República.

Virou um personagem nacionalmente mais conhecido no começo de 2018 quando a 8ª Turma, que integrava, passou a julgar as decisões de primeira instância da operação Lava Jato. O julgamento de maior repercussão do qual participou foi o do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teve confirmada e aumentada a sentença de primeira instância que o condenou por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no caso do triplex do Guarujá, da qual continua recorrendo.

Santos Laus tomou posse como presidente do TRF-4 em junho passado, foi eleito com 17 dos 27 votos possíveis. Comanda uma máquina que atua em três estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná –, com cinco mil funcionários ativos, mil aposentados, e um orçamento anual em torno de R$ 5 bilhões.

Catarinense de Joaçaba, é um dos cinco filhos de um advogado de descendência alemã que foi preso político, por 32 dias, e teve cassado seu registro profissional pela ditadura que derrubou o presidente João Goulart, do qual era um quadro de confiança. “Foram tempos difíceis”, comentou o desembargador, lembrando os dez anos em que a família se mudou para São Paulo, eu busca de dias melhores. O pai tem 90 anos, está alquebradamente bem, e o filho pede que não se publique o nome, “por segurança”. A mãe, descendentes de portugueses, é cirurgiã-dentista aposentada, com 84 anos. Uma de suas pinturas florais ornamenta uma das paredes do amplo gabinete presidencial de 115 metros quadrados, com ampla vista para o estuário do Rio Guaíba, no 9º andar da sede do TRF-4.

É de lá que o desembargador exerce seu novo desafio – com a ajuda de um buda dourado que decora uma das colunas, e de uma mandala, ambas trazidas pelo novo dono do pedaço. “Sou um iluminista, um espiritualista”, explicou. “Acredito que nós somos energia, basicamente, e que energia boa atrai energia boa. É assim desde sempre. Isso é da física quântica, meu caro”. Pode parecer pernóstico, mas é apenas o que sobrou do Victor Luiz que pretendia ser físico nuclear e trabalhar na NASA antes de passar em Direito na Universidade Federal de Santa Catarina. Comente-se algo como “o pessoal do Lula teria gostado”, e ele complementará, ligeiro e bem humorado: “Principalmente se eu estivesse num foguete”.

Santos Laus deu uma entrevista de quatro horas – um recorde para quem nunca concordou nem com dois minutos. “Agora, como presidente, eu tenho que falar”, afirmou, declarando-se um “progressista-humanista”.

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O presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4 posa em seu gabinete em Porto Alegre. Foto: EVANDRO LEAL / ESTADAO
O que o sr. achou do resultado do recente julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no caso do sítio de Atibaia, em que a 8ª Turma confirmou e aumentou a sentença condenatória da primeira instância?

Eu estive no âmbito da operação Lava Jato desde o seu nascedouro. Todos os julgamentos foram uma radiografia do que estava nos autos. No processo do sítio de Atibaia existiam elementos documentais e materiais que sustentavam a acusação feita pelo Ministério Público. O juízo condenatório era uma imposição. Restava resolver a dosagem de pena.

A decisão sobre o sítio de Atibaia, elogiada por um lado, foi, também, uma das mais atacadas. O advogado do ex-presidente Lula disse, por exemplo, que o TRF-4 “julgou o Lula como inimigo”.

Existe na doutrina penal vários autores que usam a expressão “direito penal do inimigo”. É uma construção doutrinária que entende que a norma penal tem apenas o conteúdo de punir alguém, de perseguir alguém. Essa é a visão maniqueísta. Quem não professa essa doutrina compreende que o Direito Penal tem um conteúdo retributivo e civilizatório. Se o funcionário botou a mão no que não é dele, mas da coletividade, representada pelo Estado, tem que ser punido. Mas não é porque o sistema seja contra aquela pessoa. O sistema é a favor do normal funcionamento da sociedade.

Há um grupo de juristas, numeroso e representativo, chamado Prerrogativas, que fez várias críticas ao julgamento. Afirmou, por exemplo, que a 8ª Turma foi “parcial, ignorou fatos, sacramentou o plágio”, e por aí vai. É uma visão diametralmente oposta a isso que o sr. entende como verdade.

É o que eu compreendo como estando nos autos.

No caso do julgamento do triplex do Guarujá – em que o sr. participou – também há entendimentos contrários à decisão do Tribunal. Como também os há francamente favoráveis. Por que é assim?

Assim como tem esse chamado Direito Penal do inimigo existe também o movimento garantista. Existem muitos profissionais que se autodefinem ou se rotulam como garantistas. Garantismo é uma doutrina que nós conhecemos. Mas quando se faz a tradução para o Brasil, o brasileiro tem essa mania de sempre dar um verniz barroco às tradições e aos conceitos.

De que categoria o sr. está falando?

Os advogados, por exemplo, que se apresentam como garantistas, na realidade são advogados que dão uma ênfase à forma, e não ao conteúdo. Aí a discussão é outra. Vale o conteúdo material ou o conteúdo formal? Em cinco anos de operação Lava Jato, julgando casos na então 8ª Turma, eu nunca ouvi uma defesa de conteúdo material. Nunca ninguém disse “meu cliente é inocente, meu cliente não tem nada a ver com isso, não há uma prova nesses processo”. Eu fiquei durante cinco anos ouvindo: “há uma nulidade, porque aquele documento foi feito preto, e devia ser verde; aquele portão não abriu mas devir ter fechado; ah porque o juiz espirrou em vez de tossir; ah, porque o promotor falou muito alto, o meu cliente ficou com medo porque ele tossiu…”. Eu não posso idealizar a forma e sacrificar o conteúdo. A verdade é essa.

Não é um exagero o sr. afirmar que nunca ouviu, em cinco anos, um advogado da Lava Jato defendendo a inocência do cliente, no mérito?

Nunca ouvi.

E os casos em que o sr. mesmo absolveu – como um dos processos do sindicalista e ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto?

Não só do Vaccari, teve outros casos. Mas por quê? Porque eu li todo o processo e entendi que o cidadão não estava envolvido naquela cadeia que se formou mais adiante. No nosso Tribunal, ao longo desses anos, muitos casos foram absolvidos. Dizem que é uma câmara de gás, porque o sujeito entra e sai condenado. Sai condenado, quando realmente as provas sustentam a condenação.

O que nós temos na praça, é que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, antes de ser preso, preso, e agora em liberdade, fez e continua a fazer um discurso forte e radicalizado contra as decisões que o condenaram, criticando o mérito, e não a forma…

Está no direito dele.

Que contesta, diretamente, tudo isso que o sr. está dizendo. Diz que não tem provas contra ele, que é inocente, que foi alvo de injustiça. Como o sr. entende essas afirmações?

Existe um princípio, em Direito, que é o princípio da não autoincriminação. Ninguém pode ser obrigado a se autoincriminar. A partir dessa concepção, todo o réu tem direito a discordar da decisão. Então, no caso do ex-presidente, ele tem todo o direito, deve ter as suas razões, sejam elas quais forem, de discordar da decisão. Agora, o advogado dele já é diferente. O advogado dele é um profissional que exerceu o seu papel ao longo da instrução processual. Então, do advogado eu não esperaria esse tipo de comentário.

Parte dos advogados – o do ex-presidente e outros – continuam a fazer esse tipo de comentário. O que o sr. diz?

A questão é o conteúdo civilizatório das decisões. Em países que tem um estágio mais avançado do que o nosso quando o Poder Judiciário se pronuncia, a questão termina. Roma locuta est; causa finita est (Roma falou, a causa acabou). Em alguns países isso é assim. Porque não se tem suspeição sobre o seu Poder Judiciário. Ninguém está aqui para atender favor. Ninguém aqui tem compromisso com A ou B. Há uma grande diferença nisso. Nosso tribunal não é um tribunal político. É um tribunal que analisa provas.

Mas cabem os recursos.

Há um caminho natural de recursos, via tribunais. Eu não preciso ir na esquina e ficar falando. De um advogado eu fico até perplexo com esse comportamento, porque o papel dele é feito no processo. Do réu já é diferente. Ele pode dizer o que quiser em defesa dele.

Irá a julgamento, no Supremo, o processo em que a defesa do ex-presidente Lula argui a suspeição do juiz Sérgio Moro, hoje ministro da Justiça, entre outras coisas baseada nos diálogos divulgados pelo site The Intercept. Qual é a sua posição neste caso?

Eu vou ficar pregando no deserto – mas para mim prova ilícita é prova ilícita. Ponto. Os áudios obtidos pelo Intercept são alvo de prova ilícita. Não se prestam a alimentar qualquer investigação, muito menos uma condenação, muito menos uma arguição de suspeição. Ponto.

E o conteúdo que foi obtido – ainda mais em conversas com muita evidência de lé com cré?

Não há que se cogitar de interesse público quando tudo começa a partir de uma ilegalidade. O interesse público não purifica uma nulidade que é original. O Supremo já derrubou várias operações policiais a partir desse vício original. Havendo uma ilicitude original, esquece. É nulo, apaga, deleta, não quero nem saber.

O sr. acredita que o Supremo vai referendar essa tese?

Alguns ministros anunciam que querem rever essa tese. Porque a exceção de suspeição está baseada nessa tese. Parte do princípio de que esses áudios levariam à suspeição do juiz.

O que o sr. achou dos áudios que foram publicados? Não parecem críveis?

Esse é o problema do grampo. Por que a doutrina manda ignorar? Exatamente pro sujeito não alimentar a expectativa de que parece lé com cré. É uma bisbilhotice nossa. Na realidade nós não deveríamos nem poder ouvir o que está lá. Chama-se privacidade. Eu tenho a minha privacidade. O sr. não pode invadir.

Até agora não vazou nenhuma conversa envolvendo o sr. e seus outros colegas da 8ª turma – desembargadores Leandro Paulsen e Gebran Netto – com o juiz Sérgio Moro. Podem aparecer?

É uma boa pergunta. Mas tem que ser direcionada ao The Intercept. Eu assisti ao Roda Viva com aquele cidadão, o sr. Gleen [Greenwald, editor do The Intercept] e vários jornalistas perguntaram sobre a divulgação em doses homeopáticas.

O sr., pessoalmente, teve alguma conversa do gênero?

Que eu saiba, não.

O sr. costumava conversar com o dr. Moro pelo telefone?

Não. Para mim essas gravações são provas ilícitas, e portanto nulas. Isso e nada é a mesma coisa, com base no que o Supremo sempre disse que é. O Supremo pode mudar? Pode. Mas, se mudar, todos nós vamos nos digladiar pelo meio da rua. Vai ser um desrespeito total à privacidade de todos. Acho esse caminho muito perigoso.

Em seu discurso de posse na presidência o sr. manifestou preocupação com a exaltação de ânimos, a instabilidade do tecido social, e o discurso do ódio nas redes sociais…

Discursos de ódio vem desse clima extremado de polarização. Falta tolerância. As pessoas querem ter o direito de ter a última palavra.

Por que chegou a isso?

É fruto da ausência de um diálogo construtivo. O que está faltando é a argumentação adequada. As pessoas enunciam o assunto como se fosse preto no branco – quando é uma das possibilidades de solução.

O governo Bolsonaro piorou essa situação?

Juiz não fala sobe política (risos). O que eu posso examinar é o sistema político. Isso sim. E me parece que mesmo antes da eleição nós já ouvíamos vários cientistas políticos anunciando que viria um processo de degradação do sistema político. A Lava Jato já havia indicado essa degradação do sistema político, da atividade parlamentar. Nós temos que ter uma saída para isso.

O sr. está vendo alguma?

Eu tenho visto novas lideranças surgirem na política. Mas o funcionamento do parlamento também tem que passar por uma oxigenação.

O ministro da Justiça, Sérgio Moro, disse outro dia que o ex-presidente Lula pertence ao passado do Brasil. O sr. concorda?

Eu não teria dito isso. Na realidade, o ex-presidente sempre será o ex-presidente. Para muitas pessoas foi um líder e segue sendo um líder. Hoje, na minha avaliação, Lula é um condenado. Mas isso não deslustra o passado dele. Ele segue sendo tendo uma biografia, uma luta pelos ideais em que ele acredita. É verdade que ele desiludiu muitos daqueles que creditavam nele. Para esses talvez ele faça parte do passado. O Partido dos Trabalhadores tem que se reinventar, tem que procurar um novo rumo.

Como vê o fato de ele estar em atividade política pública?

Ele é inelegível. Mas está em liberdade – e não há nenhuma restrição aos movimentos dele.

O que o sr. achou de o juiz Sérgio Moro ter trocado a toga pelo ministério da Justiça?

Eu acredito que ele deve ter pensado muito sobre isso. Já eram 22 anos de magistratura e não é fácil largar uma carreira promissora, como a dele, magistrado resoluto, e conhecido, para se aventurar numa via que não é a dele. Porque hoje ele não é mais um magistrado. Ele é um homem de governo. E homem de governo serve o governo. É um desafio para ele.

Como viu a decisão recente de Supremo proibindo a prisão depois do julgamento de segunda instância?

Essa decisão de agora não estava no seu devido momento. O Supremo já havia enfrentado essa questão em 2016. A questão estava pacificada. Os tribunais tem que ter uma certa estabilidade nas suas decisões.

Mas o fato é que mudou.

Eu não acredito que a reabertura do debate fosse oportuna.

E por que foi reaberta?

Porque alguns ministros entenderam de querer discutir novamente as suas posições. Não há nada de errado nisso. Mas é a tal coisa: nós costumamos dar tempo ao tempo, porque senão a discussão nunca termina. Esse clima de polarização no país é porque a discussões não terminam. Eu digo que o café está frio. O sr. diz que está quente. Nós vamos discutir até chegar à conclusão de que está morno. As pessoas tem que ser tolerantes umas com as outras.

O sr. é favorável a uma solução legislativa – como alguns deputados e senadores estão tentando?

Eu tenho dificuldades de compreender esses movimentos. Se o Supremo decidiu que só pode haver a prisão após o julgamento do último recurso – essa é a tese. Se foi afirmada pelo tribunal constitucional do país, como é que o parlamento vai na contramão dessa tese? Alguém vai provocar novamente o Supremo. E o Supremo vai dizer o quê? “Eu já decidi”.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. As provas são robustas e esclarecedoras, portanto impossível de contestar. Só manobras processuais com conluio espúrios poderão reverter as condenações. Mas aí será uma incógnita a reação da nação.

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BOMBA: Assessores de Allyson Bezerra usaram e-mail da Prefeitura de Mossoró para criar perfil que fazia propaganda antecipada do ex-prefeito e atacava adversários

Foto: José Aldenir/Agora RN

Os assessores de Allyson Bezerra usaram um e-mail institucional da Secretaria Municipal de Comunicação (Secom) da Prefeitura de Mossoró para registrar o perfil @allysonarrochado, que faria parte de uma suposta rede criada para atacar adversários e fazer propaganda antecipada da candidatura do ex-prefeito ao Governo do Estado.

A revelação foi feita pelo Blog do Dina, com base em documentos fornecidos pela Meta, administradora do Instagram, na investigação que corre no Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN). Além da página @allysonarrochado, a rede reúne os perfis @rncomallyson, @timeallyson, @allyson_humorado e @allysondopovo.

O e-mail [email protected] consta entre os “e-mails verificados” dentro do cadastro da conta @allysonarrochado. O segundo e-mail verificado, associado ao mesmo perfil, é o [email protected], que pertence à jornalista Valéria Persali, ex-secretária de Comunicação da Prefeitura de Mossoró e braço direito de Allyson Bezerra.

Valéria é noiva de João Carlos Medeiros, que é cargo comissionado da Câmara Municipal de Mossoró, dirigente do União Brasil Jovem e criador do perfil @rncomallyson. Ele também era sócio do blog “Toda Hora Mossoró”, que recebeu R$ 46.905,00 da Prefeitura de Mossoró entre 2021 e 2024.

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ESCÂNDALO DO INSS: Testemunha-chave ameaçada de morte diz ter ouvido do ‘Careca do INSS’ promessa de pagamento de R$ 25 milhões a Lulinha

O ex-diretor da World Cannabis, Edson Claro, e o dono da empresa, Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS –  (Fotos: Divulgação e Edilson Rodrigues/Agência Senado)

A prisão do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em setembro de 2025, foi decretada, entre outras razões, porque ele tentou intimidar uma testemunha do escândalo dos desvios das aposentadorias dos idosos. O Careca do INSS, antes de ser preso, ameaçou “meter uma bala” na cabeça do subordinado se ele revelasse o que sabia, segundo reportagem da revista VEJA.

O alvo foi Edson Claro, ex-diretor comercial da World Cannabis, empresa que pertence a Antonio Carlos, que revelou, em mais de 80 horas de depoimentos à Polícia Federal, detalhes de como o seu chefe operava o esquema que desviou 6 bilhões de reais dos aposentados do INSS.

Edson apresentou mensagens, planilhas, fotografias e diálogos de celular que abriram caminho para uma série de investigações — três delas envolvendo o Lulinha, filho mais velho do presidente da República.

“A primeira coisa que falei é que muita gente grande estava envolvida”, disse Edson a VEJA.

Falei sobre a comissão de 25 milhões que o Antonio disse que pagaria para o filho do presidente e também sobre o envolvimento de outras pessoas importantes, incluindo o senador Weverton Rocha” completou.

O executivo contou ter ouvido do Careca do INSS que Lulinha receberia R$ 25 milhões de reais por ter conseguido viabilizar um contrato no Ministério da Saúde no valor de 1 bilhão de reais. O negócio envolvia a venda de testes rápidos para dengue e zika.

O ex-diretor contou que Lulinha viajou com Careca para quatro países — Portugal, Alemanha, Suiça e Espanha — para tratar de outros negócios. Ele também também deu o caminho para a PF mapear a distribuição de propinas. Disse aos policiais que Lulinha recebia uma mesada de 300 mil reais paga pela lobista Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente, e pela publicitária Danielle Fonteles, que mora em Portugal.

As revelações de Edson tiveram um custo para sua vida pessoal. A CPMI do INSS tentou incluir o empresário no programa de proteção a testemunhas, sem resultado. Nas últimas semanas, ele tem recebido ligações oriundas dos Estados Unidos, Paraguai e interior de São Paulo. Em um dos telefonemas, uma pessoa advertiu que ele estaria ‘falando muito’.

Veja

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Flávio reage após Moraes negar visita a Jair Bolsonaro no Dia dos Pais: “Tiraram a liberdade dele. Agora querem tirar até o direito de um pai abraçar seus filhos”

Imagem: reprodução/X

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) criticou neste sábado (8) a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que negou o pedido para que ele e os irmãos Carlos e Jair Renan Bolsonaro visitassem o pai, Jair Bolsonaro, neste domingo (9), Dia dos Pais.

Nas redes sociais, Flávio escreveu: “Tiraram a liberdade dele. Agora querem tirar até o direito de um pai abraçar seus filhos. Isso tem dia e hora pra acabar!”, declarou.

O pedido havia sido apresentado pela defesa de Bolsonaro como uma autorização excepcional, de caráter “familiar e humanitário”. Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos, não foi incluído na solicitação.

Moraes afirmou que permanece em vigor a suspensão de 30 dias das visitas a Bolsonaro, determinada após o descumprimento de medidas cautelares. A restrição permite apenas atendimentos médicos, fisioterapêuticos e encontros com advogados. Entre os episódios considerados pelo ministro está a divulgação, por Flávio, de uma carta escrita pelo pai e publicada nas redes sociais.

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Moraes nega visita de filhos a Jair Bolsonaro no Dia dos Pais

Foto: Reprodução/X/BolsonaroSP

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou o pedido da defesa de Jair Bolsonaro (PL) para que os filhos Carlos, Jair Renan e Flávio Bolsonaro visitassem o ex-presidente neste domingo (9), Dia dos Pais.

A defesa havia alegado que a visita teria caráter excepcional e “humanitário e familiar”, para preservar os vínculos entre Bolsonaro e os filhos.

Moraes, porém, manteve a suspensão de 30 dias das visitas ao ex-presidente, determinada após o descumprimento de condições judiciais. A restrição permite apenas visitas de médicos e advogados.

Caso de Flávio

Flávio Bolsonaro está submetido a uma restrição diferente. Em julho, Moraes suspendeu por 90 dias as visitas do senador ao pai após ele publicar nas redes sociais uma carta de Bolsonaro na qual o ex-presidente o designava como porta-voz na disputa eleitoral deste ano.

Uma das medidas impostas a Bolsonaro proíbe a divulgação de manifestações suas nas redes sociais, inclusive por terceiros.

A defesa recorreu e alegou que Bolsonaro não sabia que a carta seria publicada por Flávio. O recurso foi encaminhado à PGR, que deverá se manifestar sobre a manutenção da restrição.

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Educação

VÍDEO: Portal g1 chama de “manobra” e destaca a prática do Governo Fátima para inflar artificialmente resultados do Ideb

O portal g1 destacou mudanças promovidas pela própria Secretaria de Estado da Educação (Seec) do governo Fátima e chamou de “manobra” ações que podem ter “inflado artificialmente” o resultado do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), divulgado pelo Inep, e “disfarçado” um desempenho insatisfatório dos estudantes da rede pública estadual do RN.

Em 2025, a Secretaria de Estado da Educação (Seec) publicou uma portaria permitindo que estudantes do 1º e do 2º ano do ensino médio avançassem para a série seguinte mesmo sendo reprovados em até seis disciplinas.

O Ideb 2025, divulgado pelo Inep nesta quarta-feira (5), mostra que a nota do ensino médio potiguar até subiu de 3,2, em 2023, para 4,0 em 2025. O avanço de 0,8 ponto representa crescimento de 25% e tirou o RN da última posição nacional.

Ideb x Saeb e a contradição exposta

Os resultados do Ideb e do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) colocam o RN diante de uma contradição: enquanto o Ideb apresenta uma melhora expressiva, os dados do Saeb que avaliam o nível de aprendizagem mostram que a grande maioria dos estudantes ainda não domina os conhecimentos básicos.

86% dos estudantes do ensino médio da rede estadual do RN permanecem abaixo do nível adequado de aprendizagem em Matemática. Em Língua Portuguesa, o cenário também é preocupante: 74,1% dos alunos não atingiram o padrão esperado, segundo dados preliminares do Saeb.

A contradição entre os dados mostram que avanço registrado no Ideb não representa efetivamente uma melhora na aprendizagem e pode ser explicado pela mudança na forma de contabilizar a aprovação dos alunos.

 

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Geral

Mendonça manda PT entregar documentos do congresso da sigla e do projeto ‘Porta-Vozes de Lula’; ministro analisa acusação de uso irregular do Fundo Partidário

Foto: Luiz Roberto/TSE

O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) apresente documentos e comprovantes financeiros relacionados ao 8º Congresso Nacional do PT e ao projeto “Porta-Vozes de Lula”. A medida atende parcialmente a um pedido do PL, que acusa a federação de uso irregular do Fundo Partidário.

Congresso do PT

No 8º Congresso Nacional do PT, realizado entre 24 e 26 de abril, o PL apontou o uso de recursos do Fundo Partidário em ações de comunicação para associar Flávio Bolsonaro a corrupção, criminalidade, milícias e ao Banco Master.

Projeto “Porta-Vozes de Lula”

Lançado em 9 de junho, o projeto ensina estratégias de mobilização e atuação digital. O ministro quer verificar se o sistema de missões, pontuação, ranking e eventuais benefícios envolveu algum tipo de vantagem econômica, o que é vedado pela legislação eleitoral.

Mais detahes da decisão de Mendonça

Mendonça também determinou que sejam preservados documentos, contratos, mensagens, mídias e registros relacionados aos dois projetos.

O ministro não acolheu o pedido do PL para suspender de forma ampla eventos, formação de militantes ou ações de mobilização digital da federação. A análise busca verificar se houve uso irregular de recursos do Fundo Partidário ou algum mecanismo proibido de incentivo à atuação digital.

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Geral

Relatório de grupo coordenado pelo FBI revela plano para tentar matar Messi durante Copa do Mundo, diz jornal

Foto: Pedro UGARTE / AFP

Um relatório IPCC (Centro de Cooperação Policial Internacional), um órgão integrado por agências federais dos Estados Unidos e países participantes da Copa do Mundo, Coordenado pelo FBI, revelou que Lionel Messi seria o principal alvo de um atentado durante a Copa do Mundo nos Estados Unidos, segundo informações do jornal espanhol Información, reproduzidas pelo O Globo. De acordo com o documento, o jogador argentino foi quem recebeu o maior número de ameaças ao longo do torneio.

Antes da partida entre Argentina e Jordânia, pela fase de grupos, um homem teria ligado para o aeroporto de Dallas e ameaçado invadir o estádio acompanhado de outras duas pessoas. Segundo o relatório, o grupo estaria armado com bombas caseiras, e o suspeito mencionou Messi como alvo do ataque.

As ameaças voltaram a ocorrer antes do confronto entre Argentina e Egito, pelas oitavas de final. Nas redes sociais, um dos suspeitos escreveu: “Vou entrar no Estádio de Atlanta e explodir o Messi com quatro bombas“.

No mesmo jogo, a polícia recebeu outra denúncia sobre a suposta presença de três bombas escondidas em latas de lixo nas arquibancadas. Após uma varredura no estádio com cães farejadores, porém, nenhuma bomba foi encontrada.

Cristiano Ronaldo também apareceu em registros relacionados à segurança durante a Copa. De acordo com o boletim de ocorrência, a FIFA comunicou ao FBI a presença de “um homem suspeito” que buscava obter informações sobre a hospedagem do atacante português. Dois dias depois, a polícia de Houston localizou e prendeu o suspeito dentro do hotel onde a seleção portuguesa estava hospedada.

O Globo

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Tenente do Exército perde posto e patente após transmitir HIV intencionalmente para duas mulheres, decide STM

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

O Superior Tribunal Militar (STM) determinou a perda do posto e da patente de um 2º tenente aposentado do Exército condenado por transmitir intencionalmente HIV a duas mulheres, durante sessão realizada na última quarta-feira (5).

Segundo o processo, o militar sabia que era soropositivo desde 2003, mas ocultou a condição das ex-companheiras e manteve relações sexuais sem preservativo com elas entre 2012 e 2013. A condenação criminal, a quase 6 anos de prisão, transitou em julgado em janeiro de 2025.

Decisão

O Ministério Público Militar (MPM) alegou que a conduta violou princípios éticos das Forças Armadas e comprometeu o decoro militar e a imagem do Exército. O órgão também destacou que o oficial teria usado sua condição de militar para conquistar a confiança das vítimas.

A maioria dos ministros do STM acolheu a representação e determinou a perda do posto e da patente. Dois ministros divergiram, considerando a condição de invalidez e as sequelas neurológicas do militar.

A defesa alegou que os fatos ocorreram na esfera privada e que a punição seria desproporcional, já que o oficial já havia sido condenado criminalmente e é reformado por invalidez.

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BRASIL: Carga tributária bate recorde e arrecadação de impostos sobe em ritmo superior ao crescimento da economia

Ministro da Fazenda, Dario Durigan, ao lado do presidente Lula | Foto: Adriano Machado/Reuters

A carga tributária brasileira atingiu 32,4% do PIB em 2025, maior percentual da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 2010. O índice subiu 2,1 pontos percentuais em dois anos, passando de 30,3% em 2023 para 32,4% em 2025, sinalizando que a arrecadação avançou acima do crescimento da economia.

O aumento foi concentrado principalmente no Governo Central, cuja carga tributária cresceu 0,26 ponto percentual do PIB em 2025. Estados tiveram queda de 0,10 ponto, enquanto municípios avançaram 0,03 ponto, resultando em alta de 0,18 ponto percentual no total.

Entre as principais receitas responsáveis pelo avanço estão o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), o IOF e as contribuições previdenciárias ao RGPS. O Tesouro relaciona o aumento do IRRF ao crescimento da massa salarial e das contribuições previdenciárias à expansão do emprego formal e à reoneração da folha.

Série histórica

A carga tributária passou de 30,3% do PIB em 2010 para 32,4% em 2025. O recorde anterior, pela metodologia revisada, havia sido registrado em 2024, com 32,2%.

A série foi recalculada pelo Tesouro para adequar os dados às normas internacionais de estatísticas fiscais. A revisão retirou do cálculo as receitas do FGTS e as contribuições destinadas ao Sistema S.

Opinião dos leitores

  1. Desculpe, é o FPE (Fundo de repasse aos Estados) que o Governo Federal tem obrigação de mandar, compatível com a arrecadação.

  2. E Fátima Bezerra disse essa semana q um dos motivos do atraso no salário dos aposentados e pensionistas do Estado era em decorrência da queda do repasse do FPM. E aí Fátima o que vc diz??

  3. O Brasil é o único país do mundo onde há pessoas que acham bom e normal a cobrança abusiva de impostos. É alienação ideológica ou tem uma teta para mamar.

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Dino manda investigar vice de Flávio Bolsonaro mesmo após PGR arquivar o caso

Foto: Sophia Santos/STF

O ministro Flávio Dino, do STF, determinou que a Polícia Federal investigue o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), anunciado como vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL), mesmo após a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter arquivado o caso.

A denúncia havia sido apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Em maio, a PGR recomendou o arquivamento por considerar que não havia elementos suficientes para investigar Gaspar, citando a “ausência de indícios concretos da participação do representado nas possíveis irregularidades”.

A apuração envolve uma emenda Pix de R$ 6,28 milhões destinada por Gaspar ao município de São José da Laje (AL). Dino encaminhou à PF informações de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre emendas Pix de 2020 a 2024, que incluiu a transferência.

 

Opinião dos leitores

  1. Essa é a lógica dos BASTARDOS, que ganham votos dos lacaios analfabetos e sócios de maracutaias.

    1. O cara é acusado de um crime gravíssimo, mas os minions querem que ele mao seja investigator. Aí gostam do que não presta.

  2. Os abutres estão fazendo de tudo pra permanecer no poder. É reunião de presidente da república em casa de ministro que investiga adversário do presidente, é investigação sem lógica e por aí vai. O conseguimos colocar um ministro comunista no STF não foi à toa.

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