Advogados se organizam para derrubar itens do pacote anticrime de Moro

Foto: José Cruz/Agência Brasil

No rastro da crescente judicialização da política, advogados de diversas vertentes ideológicas têm se organizado por meio de iniciativas pessoais, grupos de WhatsApp ou de entidades representativas para influir de forma mais direta na política. Foi por meio do grupo de WhatsApp Prerrogativas, criado na virada de 2013 para 2014, que advogados se organizaram para derrubar dois itens do pacote anticrime do ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Depois de ouvirem a argumentação do criminalista Fabio Tofic, presidente do Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD) e associado do Prerrogativas, deputados que integram o grupo de trabalho da Câmara sobre legislação penal decidiu retirar do projeto de Moro a prisão após condenação em segunda instância e o chamado “plea bargain”, que criava a possibilidade de acordos entre acusação e réus. “Eles nos ajudam a construir posições”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), integrante do grupo de trabalho.

Outro exemplo dessa atuação mais incisiva foi a criação do Consórcio do Nordeste, formado pelos nove Estados da região com incentivo do Instituto para Reforma das Relações entre Estado e Empresa (IREE), criado pelo advogado Walfrido Warde. O consórcio se transformou em polo de oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

Nos últimos anos, entidades tradicionais como o Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) e a própria Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) passaram a dividir espaço com iniciativas como Prerrogativas e IREE.

Quando foi criado, o Prerrogativas mantinha 30 pessoas em um grupo de WhatsApp. Hoje, preenche as 250 vagas permitidas pelo aplicativo e tem uma fila de mais de 200 nomes, transformando-se em um catalisador para a formulação de teses e mobilização de uma parcela da elite da classe jurídica brasileira. Desde a criação, apenas cinco pessoas deixaram o grupo, entre elas, Cristiano Zanin e Waleska Martins, advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Prerrogativas criou capacidade de, por exemplo, conseguir em poucas horas mil assinaturas de advogados e juristas influentes em defesa do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, alvo recente de ataques do presidente Jair Bolsonaro, e influir direta e decisivamente em temas políticos.

Há duas semanas, o grupo organizou em São Paulo um jantar com mais de 300 advogados para homenagear o penalista Juarez Tavares. Durante o evento, o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira pediu a palavra e pediu aos colegas para “ocupar de novo a trincheira avançada da resistência” e entrar na defesa do que classificou como valores democráticos.

Estadão Conteúdo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Belarmino tx disse:

    Que país é esse?

  2. Beto Araújo disse:

    Dá pena ver idiotas donos da verdade.

  3. Dr. Veneno disse:

    Advogados faturam com o crime alheio. Logo, urubu tá com raiva do boi…

  4. Delano disse:

    Com Moro acaba a boquinha pra esse adevogadozim. Canallhada

  5. natalsofrida disse:

    Muito raro um advogado com honra. Classe de profissionais canalhas.

  6. J. Dantas disse:

    OAB( esquerda radical) e a maioria absoluta dos advogados, não pensam em hipótese alguma no bem estar da sociedade…Apenas no dinheiro dos seus clientes, independente da origem dos recursos…simples assim! Quanto mais marginais assaltando, estuprando, traficando ou realizando corrupção do colarinho branco, mais potênciais clientes…. Já a sociedade e o povo comum, coloquem os joelhos no chão e podem continuar a rezar, se depender do sistema e do congresso, jamais haverá mudanças contra a marginalidade…o lobe é gigantesco!

    • Dr. Veneno disse:

      Respeito sua opinião, mas discordo. Não me enquadro nesse contexto geral.
      O q é certo é certo e acabou.

  7. Antonio Barbosa Santos disse:

    Se o pacote é ruim para os advogados é excelente para a sociedade.
    Simples assim.
    Advogado não se preocupa com nada além que seus honorários.

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