El País
O mineiro Rodrigo Janot dorme tranquilamente todas as noites, apesar de estar sentado em cima de uma bomba que está sacudindo o Brasil inteiro, com as revelações do sistema endêmico de corrupção na principal empresa brasileira, a Petrobras. Como Procurador Geral da República, Janot organiza a estratégia do Ministério Público para dar andamento à operação Lava Jato e punir, de fato, os responsáveis por um esquema que começou em 1987.
Neste momento, ele examina o depoimento do doleiro Alberto Youssef para completar o quebra-cabeça e dividir o trabalho com o Supremo Federal. Até o momento, as delações ajudaram a recuperar algo como 800 milhões de reais, o dobro do que o departamento de recuperação de ativos do Ministério da Justiça, conseguiu recuperar em toda sua existência. Mas ainda vem muito mais, pois como diz Janot, a caixa de Pandora mal começou a ser aberta.

O jornalista Ricardo Melo afirma que a maioria dos brasileiros da classe trabalhadora, honesta, que conta os trocados para sustentar a família, não tem nenhum tipo de conivência com roubalheiras". "Mas, da mesma forma, não imagina gente como Aécio Neves, José Serra (que declarou em alto e bom som considerar cartel uma coisa normal) ou Fernando Henrique (que conquistou a reeleição na base do dinheiro vivo) no papel de guardiões da honestidade", conclui.