Política

Apenas 7,8% do total de vereadores eleitos no Brasil têm menos de 29 anos

1ago2012---foto-mostra-as-cadeiras-usadas-por-vereadores-na-camara-municipal-de-sao-paulo-1476456540520_615x470Foto: Lucas Lima/Folhapress

O número de jovens eleitos para o cargo de vereador no país caiu 9,6% em comparação com os resultados das eleições municipais de 2012. Há quatro anos, 4.984 brasileiros com idades entre 17 e 29 anos foram escolhidos como parlamentares de suas cidades. Neste ano, esse número foi de 4.545. Para a avaliação, o UOL utilizou a definição do Estatuto da Juventude, que considera jovem uma pessoa que tenha entre 15 e 29 anos. Para ser vereador, o cidadão precisa ter, no mínimo, 18 anos na data da posse.

Se considerarmos o número total de vereadores eleitos em 2016, os jovens são 7,8% dos novos donos de cadeiras em Câmaras Municipais do país –em 2012, eram 8,7%. Esse número está longe do que poderia mostrar uma representação da porcentagem da população jovem no país, cerca de 25% dos mais de 206 milhões de brasileiros, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

“É importante que o jovem tenha representatividade [na política] para que ela seja efetiva, para participar dentro da estrutura democrática. Não basta entrar, não basta ser eleito”, avalia Paulo Silvino Ribeiro, doutor em sociologia e professor da FESP (Fundação Escola de Sociologia e Política) de São Paulo. “[Alguns jovens eleitos] chegam com o apelo de renovação, mas numa renovação de RG, não uma renovação de ideias.” Por isso, Silvino acredita que eles precisam colocar o jovem “na pauta, na agenda” das discussões.

Um exemplo é o jornalista e administrador Heraldo Soares (PSB), 28, segundo mais votado na cidade de Monte Alto (SP), a cerca de 360 quilômetros da capital paulista. Ele é o único de 13 eleitos para a Câmara da cidade que tem até 29 anos de idade.

Soares –que vai conciliar o trabalho como vereador com os últimos anos da faculdade de direito– só decidiu disputar um cargo político em março deste ano, após uma conversa com amigos. “Eu pensava igual aos outros, que o Brasil não tinha jeito. A gente quis parar de reclamar. Reclamar não resolve problema algum”, disse. Dentro do grupo de cinco amigos, eles decidiram que um deles seria candidato a vereador na cidade. Em votação, Soares foi o escolhido.

Agora, ele diz que poderá ajudar a mudar a ideia de quem “pensa que a política é algo ruim”. “A política é o único instrumento para transformar o país. Não tem outra maneira.”

Perfil

O perfil médio do jovem vereador mostra um homem perto de completar 26 anos de idade, do sexo masculino, solteiro e com ensino médio completo.

Três em cada cinco dos eleitos nesse grupo têm ao menos 26 anos de idade. Pessoas que tenham entre 18 e 20 anos equivalem a 6% dos 4.545 vereadores com até 29 anos. Sete em cada dez são solteiros, e oito em cada dez são homens.

Sobre grau de escolaridade, há dois grupos grandes. Além da maioria (43,9%), que possui ensino médio completo, 29,1% já haviam concluído algum curso de graduação quando foram eleitos.

Para Silvino, esse cenário reflete características da sociedade. “O ensino superior ainda é privilégio e a política tem um caráter misógino que se replica em todas as faixas etárias”, observa o professor da FESP.

Os jovens vereadores eleitos por idade:

18 anos: 52
19 anos: 92
20 anos: 125
21 anos: 148
22 anos: 217
23 anos: 294
24 anos: 360
25 anos: 400
26 anos: 508
27 anos: 672
28 anos: 791
29 anos: 886

Estatísticas

A região que mais apresenta jovens vereadores é o Nordeste, com 9,17% de jovens ou 1.750 eleitos, seguido do Norte, com 8,31%. O Centro-Oeste tem a pior proporção, com 6,47%.

A maior proporção de vereadores com menos de 29 anos de idade é do Partido Novo. Em sua primeira disputa municipal, metade de seus eleitos enquadra-se nessa faixa etária. Mas isso não significa um número alto: o Novo elegeu apenas quatro vereadores em todo o país no dia 2 de outubro. Felipe Camozzato, 28, foi escolhido pelos eleitores de Porto Alegre. O outro jovem é Leandro Lyra, 24, do Rio de Janeiro.

“Estive nas ruas desde 2015 e, antes disso, acompanhava a política”, lembra Camozzato. “Quando o Novo abriu o processo seletivo para selecionar seus candidatos, me senti responsável em dar esse passo adiante, uma vez que muito reclamei da situação política nas ruas e tinha condições de dar minha contribuição participando efetivamente da política.”

São Paulo, maior cidade do país e com a maior Câmara Municipal, tem apenas dois de seus 55 vereadores com idade inferior a 29 anos, em posições opostas na política: a servidora pública Sâmia Bomfim (PSOL), 27, e o estudante Fernando Holiday (DEM), 20. Isso dá uma proporção de 3,6% do total de vereadores, menos da metade da média nacional.

“O ambiente na Câmara de São Paulo é pouco receptivo a jovens, mulheres, LGBTs e ao povo em geral. Deveria ser exatamente o contrário”, avalia Sâmia. Para ela, a política é dominada “pelas mesmas velhas figuras”: “coronéis e chefes de bairros e regiões, comprometidos com interesses particulares”.

Rio de Janeiro tem índice ainda pior, com apenas 1 eleito entre 51 vereadores, ou 1,96%. Como comparação, entre os grandes colégios eleitorais do Brasil, Belo Horizonte tem 2,44% e Salvador tem 4,65%.

Dificuldades

Nas Câmaras, onde são minoria, os jovens terão dificuldade em implementar projetos sem o apoio de colegas mais velhos. “Mas é preciso considerar que há parlamentares que reconhecem a importância da juventude. Vai-se entendendo que os jovens precisam entrar na agenda, na pauta. É o que vai balizar o futuro do brasileiro”, avalia o professor Paulo Silvino.

“Mas não é porque é jovem que [o político] está preocupado com a juventude”, avalia Silvino. “Na democracia, todos devem ter representatividade para a gente fazer o debate. Quanto mais ideias, melhor.”

A visão é parecida com a de Camozzato, que vai assumir uma cadeira em Porto Alegre. “Não diria que é importante o jovem estar em uma Câmara por ser jovem, mas, sim, que é importante ter pessoas com competência e capacidade de realização que permitam realizar um bom trabalho, sejam elas jovens ou não.” Vereadora eleita em São Paulo, Sâmia concorda. “Acho que hoje o interesse do jovem pela política não se limita a ocupar os espaços institucionais e a Câmara, mas a discutir através das redes sociais e espaços de encontro suas aspirações e dificuldades diante do mundo”, diz.

O primeiro desafio dos jovens eleitores deve ser trazer as pessoas de volta para o debate político. Em várias cidades, como São Paulo e Curitiba, o número de abstenções e de votos brancos e nulos foi maior que o obtido por muitos candidatos vitoriosos.

“Acredito que muitos jovens estão desacreditados da política institucional, tendo em vista a crise política e os escândalos que envolvem a maioria dos partidos tradicionais no país. A política institucional, pela forma como se organiza, não é atrativa pela juventude”, comenta Sâmia. Ela também acredita que a reforma eleitoral dificultou que mais jovens e caras novas pudessem ser bem-sucedidos nesse processo eleitoral, “favorecendo candidatos já conhecidos e consolidados”.

Em Monte Alto (SP), cidade do jovem vereador Heraldo Soares, 22,25% dos 37.179 eleitores não participaram do processo democrático. “O brasileiro acha que tem que ficar longe da política, quando é o contrário, tem que se aproximar”, diz.

Jovens vereadores e participação no total de eleitos por partido:

Novo: 2 jovens vereadores (50% dos eleitos)

Rede: 18 (10,1%)
PRTB: 39 (10,0%)
PMB: 22 (10,0%)
PCdoB: 96 (9,6%)
PSDC: 40 (9,6%)
PSL: 81 (9,3%)
PTN: 71 (9,3%)
PMN: 48 (9,1%)
PHS: 78 (8,9%)
PRP: 54 (8,8%)
Solidariedade: 124 (8,6%)
PV: 129 (8,5%)
Pros: 84 (8,5%)
PSB: 306 (8,4%)
PTC: 48 (8,4%)
PEN: 44 (8,4%)
PTdoB: 41 (8,4%)
PP: 389 (8,2%)
PRB: 130 (8,0%)
PSC: 122 (8,0%)
PSD: 360 (7,8%)
PR: 233 (7,7%)
DEM: 220 (7,6%)
PDT: 288 (7,6%)
PMDB: 552 (7,3%)
PT: 201 (7,2%)
PTB: 217 (7,1%)
PSDB: 379 (7,0%)
PPS: 110 (6,6%)
PSOL: 3 (5,6%)
PPL: 4 (3,6%)
PCB: não elegeu vereadores jovens
PSTU: não elegeu nenhum vereador
PCO: não elegeu nenhum vereador

UOL

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Secretário Estadual de Infraestrutura Gustavo Coelho faz governadora Fátima Bezerra passar vergonha e sair como mentirosa no episódio do Aeródromo de Caicó

Foto: Reprodução

O secretário estadual de Infraestrutura Gustavo Coelho soltou uma nota ontem negando que o Governo do Estado tivesse determinado o fechamento do Aeródromo de Mossoró. O Blog do BG comprovou com documentos oficiais que essa versão não é verdadeira.

Na presa de negar os fatos, Gustavo Coelho criou uma crise que expôs o Governo do Estado, a própria governadora Fátima Bezerra (PT) e fez ela e sua gestão passarem vergonha e sairem como mentirosos nessa história.

O secretário só esqueceu de informar em sua nota oficial que o aeródromo só foi fechado porque o Governo do Estado questionou a validade do convênio que permitiu a regularização do equipamento e pedir a revisão da situação junto à Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC).

Na prática, isso significa que, sim, o fechamento da unidade é responsabilidade do Governo do Estado, que além de não fazer nada para recuperar o equipamento ainda atrapalha quem investiu tempo, trabalho e dinheiro no aeródromo, que só tinha sido reaberto graças à iniciativa da Associação Comunidade Aeronáutica de Caicó.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Documento da ANAC mostra que decisão do Governo do Estado fez Aeródromo de Caicó ser fechado e expõe contradições da gestão Fátima

Foto: Reprodução

O Blog do BG teve acesso ao Ofício nº 512/2026, enviado pela Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC), datado de 3 de agosto, comunicando oficialmente a suspensão das operações do Aeródromo de Caicó. O documento suspende os efeitos da portaria que havia autorizado sua reabertura no dia 1º de julho pela Associação Comunidade Aeronáutica de Caicó.

O ofício comprova que a decisão foi tomada após o Governo do Estado questionar a validade do convênio que permitiu a regularização da unidade e pedir a revisão da situação junto à Anac. A Secretaria de Infraestrutura (SIN-RN) havia negado em nota oficial que a gestão Fátima Bezerra (PT) tivesse determinado o fechamento do aeródromo.

A Anac informa no ofício que a suspensão permanecerá em vigor até que a Secretaria Nacional de Aviação Civil, ligada ao Ministério de Portos e Aeroportos, se manifeste sobre o objeto, a vigência e os efeitos do convênio. Apenas após essa análise a agência adotará uma decisão definitiva sobre a situação cadastral do aeródromo.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Sem Desconto: PF mira família do senador Weverton Rocha e o advogado Willer Tomaz

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (4/8), nova fase da Operação Sem Desconto para apurar a suposta prática do crime de lavagem de dinheiro no âmbito das investigações sobre fraudes relacionadas a descontos em benefícios do INSS. Entre os alvos, estão familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz. A fraude foi revelada pelo Metrópoles.

Ao todo, policiais federais cumprem 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão.

Segundo a Polícia Federal, as investigações avançaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido realizadas com o uso de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie, com o objetivo de ocultar a origem e a destinação dos recursos.

As diligências desta fase buscam reunir documentos, equipamentos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a origem e o destino dos valores movimentados, a finalidade dos repasses e a participação individual de cada investigado.

A Operação Sem Desconto apura um suposto esquema envolvendo descontos irregulares em benefícios previdenciários. Nesta etapa, a investigação concentra esforços na apuração de possíveis práticas de lavagem de dinheiro relacionadas aos fatos já investigados.

Metrópoles 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Assessor de Lula confirma empréstimo de lobista, mas não revela valor

Foto: Reprodução / Poder360

O ex-chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, confirmou nesta 2ª feira (3.ago.2026) ter recebido valores da empresária e lobista Roberta Luchsinger. Roberta é citada na investigação de fraudes na Previdência Social e prestou serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, que está preso desde 12 de setembro de 2025.

Em nota enviada à imprensa para comentar a reportagem do Poder360 que revelou as transações, Marcola afirma que os pagamentos foram um empréstimo pessoal e que já foi quitado entre as partes. Marcola diz que o Poder360 tratou a operação como “algo ilegal”, mas em nenhum momento a reportagem fala em ilegalidades.

Marcola não informou o valor dos pagamentos recebidos de Roberta. O Poder ouviu que os valores eram na casa dos R$ 80.000, mas essa informação não pode ser confirmada e nem a frequência dos pagamentos.

Eis a íntegra da nota de Marcola:

“Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal. Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função”.

QUEM É MARCOLA

Foi o chefe de Gabinete de Lula de janeiro de 2023 a 31 de julho, praticamente todo o 3º mandato do petista. Era uma pessoa de total confiança do petista. Acompanha Lula há anos e tinha responsabilidade de fazer a agenda de compromissos do presidente. Também era a pessoa comissionada para ficar com um telefone celular para atender as chamadas que chegavam para o chefe.

Poder360 confirmou a informação sobre as transferências de dinheiro de Roberta para Marcola com 4 pessoas familiarizadas com o assunto. O fato foi tema de conversa de bastidores entre integrantes da cúpula do PT durante a convenção de lançamento de Lula à reeleição, no último sábado (1º.ago.2026).

Há apreensão entre petistas, pois o tema “corrupção” tem se mostrado aderente ao atual governo, de forma negativa, e pode prejudicar a campanha presidencial do partido.

QUEM É ROBERTA LUCHSINGER

O nome da empresária ganhou os holofotes durante as investigações sobre as fraudes na Previdência Social e sua proximidade com o Careca do INSS, apontado pela PF como um dos responsáveis por um esquema de desvios de recursos de fundos de pensão.

Roberta também é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. No início do inquérito sobre as fraudes no INSS, em abril de 2025, Lulinha e Roberta foram citados como possíveis participantes do esquema –o que ambos negam.

Lulinha é alvo de 3 inquéritos, inclusive um em que é investigado pela Polícia Federal por tráfico de influência. O Poder revelou em 4 de dezembro de 2025 que Lulinha é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS.

Em maio de 2026, Roberta deu uma entrevista e disse ter apresentado Lulinha ao Careca do INSS. Disse que se tratou de um gesto de “boa educação” e negou ter intermediado negócios entre eles: “Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais”.

Ao longo das investigações, a PF já identificou ao menos 6 viagens realizadas por Roberta e por Lulinha em que as reservas de ambos foram registradas sob o mesmo código localizador das passagens de avião. Os 2 foram para Portugal em junho de 2024 e percorreram outros 5 trechos nacionais, aqui no Brasil, de abril a junho de 2025. As viagens são consideradas pela PF como indícios da relação de amizade entre Roberta e Lulinha.

Sobre os pagamentos feitos a Marcola, o advogado de Roberta Luchsinger, Roberto Podval, disse: “Em respeito ao próprio ministro André Mendonça, responderemos a todas as questões nos autos do inquérito que, até o momento, ainda não tivemos acesso”.

Poder360

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Careca do INSS acertou com amiga de Lulinha ações para ‘abrir portas’ no governo federal

Edilson Rodrigues / Agência Senado

Conversas da lobista Roberta Luchsinger obtidas pela Polícia Federal mostram o planejamento de ações para “abrir portas” no governo federal aos negócios do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS, investigado por suspeita de liderar um esquema de desvios de aposentadorias e pensões. Os diálogos foram usados para embasar as novas investigações sobre a atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o filho mais velho do presidente Lula. Roberta é amiga de Lulinha, como é conhecido Fábio Luís.

Nos diálogos, o Careca do INSS sugere a Roberta que ela buscasse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), menciona acesso a diretores da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cita uma investida na Datapreve diversos outros negócios que seriam oferecidos ao governo federal. Lulinha é alvo de dois inquéritos abertos pela Polícia Federal com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar tráfico de influência no Ministério da Saúde e na Dataprev.

O Estadão teve acesso a relatórios da PF produzidos no final do ano passado contendo mensagens inéditas trocadas entre Roberta Luchsinger e o Careca do INSS. O material, em conjunto com outros elementos obtidos da quebra do sigilo telemático de Roberta, foi usado pela PF para pedir a abertura das investigações sobre tráfico de influência de Lulinha e seus aliados no governo do pai dele. Os inquéritos foram abertos na semana passada.

Procurada, a defesa de Lulinha afirmou que ele “não tem relação direta ou indireta com os negócios de Roberta Luchsinger”, classificou as investigações da PF de “pesca probatória” e disse que a abertura de novos inquéritos sobre outros assuntos comprova que não foi encontrada nenhuma relação do filho do presidente com os desvios do INSS. A defesa de Roberta Luchsinger não se manifestou. A advogada do Careca do INSS, Danyelle Galvão, afirmou que a defesa não teve acesso à investigação nem ao conteúdo do celular dele e por isso não iria se manifestar. Alexandre Padilha afirmou por meio de sua assessoria que não recebeu Roberta nenhuma vez no Ministério da Saúde após ter assumido a pasta em março de 2025 (leia ao final).

As conversas ocorreram a partir de maio de 2025, pouco depois que o Careca do INSS havia sido alvo da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal. Por causa disso, ele passou a discutir com Roberta Luchsinger um plano de colocar outras pessoas à frente dos negócios, depois que ele foi exposto por causa da operação policial. Mesmo assim, o Careca do INSS continuou fazendo planos para o avanço dos negócios com o governo federal.

Em 8 de maio de 2025, o Careca do INSS enviou uma longa mensagem a Roberta Luchsinger resumindo todos os planos de negócios discutidos entre eles. Na mensagem, ele cita um negócio de cannabis medicinal que tentava implantar no Brasil e afirma que atuava também para um laboratório químico de Goiás na prospecção de negócios no Ministério da Saúde para venda de kits de dengue e de um suplemento alimentar infantil. A PF já abriu um inquérito para apurar se esses negócios na área da Saúde tiveram a participação de Lulinha e resultaram em crimes de tráfico de influência e outros delitos.

Estadão

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Análise: Jornalista William Waack aponta interesse do STF nas eleições por causa de luta pelo poder

Reprodução / CNN

Em uma análise realizada na CNN Brasil, o jornalista William Waack comentou sobre um possível interesse do Supremo Tribunal Federal (STF) nas eleições devido a uma “luta pelo poder”.

“​”A todos vale a presunção de inocência, e por isso que não se pode tratar Lula, filho do presidente Lula, ou qualquer outra pessoa, chamado como culpado até seja investigado, caso necessário, julgado, eventualmente condenado.”, afirmou o jornalista.

Ainda de acordo com Waack, do ponto de vista político, porém, a abertura de um terceiro inquérito da Polícia Federal contra o filho do presidente por suspeita de tráfico de influência já causou considerável abalo político.

​”Não, não é só a questão eleitoral, isso aí é para lá de óbvio. É a oposição ao presidente, mas não é só isso. É a questão do funcionamento das instituições de Estado, é isso que está em jogo agora.”, disse o apresentador da CNN.

Waack disse ainda que é no Supremo que se concentram hoje não só as investigações dos principais escândalos do país, assim como personagens centrais das investigações, como o Careca do INSS, que surge com insistência numa espécie de triangulação envolvendo Lula e a empresária amiga, segundo as investigações da Polícia Federal.

​”O interesse do Supremo nisso tudo é político. Uma das alas da corte tem enorme apreensão com as eleições, portanto, com tudo o que possa influenciar de alguma maneira nessa decisão… E qual o interesse do STF nas eleições? A sobrevivência do grupo”, concluiu o jornalista.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Cadu Xavier e Fátima Bezerra devem desculpas a Walter Alves?

Durante a audiência com representantes do Governo Fátima Bezerra (PT) nesta segunda-feira (03), na Governadoria em Natal, lideranças sindicais ouviram relatos que os deixaram apreensivos, em relação às dificuldades para funcionários ativos e inativos do Estado. Um cenário que tinha sido previsto e antecipado pelo vice-governador Walter Alves (MDB). Em vários pronunciamentos nos primeiros meses do ano, ele previu atrasos salariais e maior comprometimento do erário, com agravamento de crise fiscal.

De acordo com o blogueiro Carlos Santos, em uma audiência foi deixado claro que a regularização dos empréstimos consignados com repasses às instituições financeiras, só deverá ocorrer até 10 de dezembro. A promessa era de que tudo seria normalizado até dezembro de 2025. Bateu um ano que estado recolhe do servidor e não repassa em dia aos bancos/financeiras mês a mês.

Em relação ao 13º salário, ainda não há previsão de pagamento, embora a legislação estabeleça o prazo até 20 de dezembro. Nos últimos anos, parte desse compromisso tem ficado para o início de janeiro do exercício financeiro seguinte.

Sobre pagamento salarial que tem atrasado, com especial problema para aposentados e pensionistas é previsto que o problema vai continuar.

Rombo

O déficit financeiro/mês do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Rio Grande do Norte (IPERN) é de cerca de R$ 150 milhões, enquanto o déficit atuarial total (a dívida acumulada para garantir pagamentos futuros) passa de R$ 55,94 bilhões.

“A chance de atraso salarial é zero”, chegou a afirmar em entrevistas o atual pré-candidato a governador pelo governismo, então secretário de Estado da Fazenda, Cadu Xavier (PT).

A governadora Fátima Bezerra foi até mais além, julgando que tudo estava sob controle, além de acusar o vice-governador de participar de manobra para favorecer a oposição, ao não aceitar assumir governo.

Diante desse cenário, o mínimo que Cadu e Fátima deveriam fazer seria pedir desculpas ao ex-vice governador Walter Alves.

Blog Carlos Santos

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Vídeo registra agressões físicas entre jipeiros em Ponta Negra

Uma confusão envolvendo jipeiros foi registrada na manhã desta segunda-feira (3), em Ponta Negra. De acordo com relatos de testemunhas, a discussão evoluiu para agressões físicas entre os envolvidos.

Segundo as informações que circulam nas redes sociais, um dos participantes seria policial penal e estaria armado no momento da confusão. Apesar da tensão, não houve registro de disparos ou de feridos graves.

Logo após o incidente, imagens que circulam nas redes sociais mostram um veículo da Polícia Penal na região onde a confusão aconteceu. No entanto, não há confirmação oficial de que a presença do veículo esteja relacionada diretamente à ocorrência.

O episódio chama a atenção para a necessidade de medidas que evitem novos confrontos entre grupos de jipeiros, especialmente para impedir que situações como essa possam resultar em consequências mais graves.

Até o momento, não foram divulgadas versões oficiais sobre o caso nem informações sobre eventuais providências adotadas pelas autoridades.

Todo Natalense

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

Lula x Flávio: cenário é acirrado nos maiores colégios a 2 meses da eleição

Arte / Metrópoles

A dois meses das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera em oito estados no primeiro turno, de acordo com pesquisas de intenção de voto divulgadas recentemente. Em outras seis unidades da Federação, a disputa entre presidenciáveis se mostra acirrada e registra empate técnico, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) lidera em dois estados.

O levantamento do Metrópoles considerou pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas duas semanas em 16 estados brasileiros. Portanto, 11 unidades da Federação ficaram fora: Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Rondônia, Roraima, Santa Catarina e Tocantins.

O cenário atual indica indefinição nos maiores colégios eleitorais e principais palanques almejados pelos presidenciáveis. Em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — que concentram 63,3 milhões de eleitores —, as pesquisas registram empate técnico.

Nos casos de São Paulo e Rio de Janeiro, o filho de Jair Bolsonaro lidera numericamente, dentro da margem de erro, segundo levantamentos Genial/Quaest divulgados na última semana. Já em Minas Gerais, Lula aparece à frente por um ponto de diferença.

Os dados também mostram a hegemonia do petista em estados da Região Nordeste, com índices acima de 50% em Bahia, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe. Significa que, se a eleição fosse hoje e dependesse desses estados, acabaria no primeiro turno.

Entre os estados analisados, Flávio lidera em dois deles — no Acre, ele venceria no primeiro turno, de acordo com sondagem da AtlasIntel publicada na segunda-feira (3/8).

Metrópoles 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Geral

RN tem menor aplicação de recursos na saúde dos últimos 10 anos

Foto: Geraldo Jerônimo/Inter TV Cabugi

O Rio Grande do Norte registrou, no primeiro semestre de 2026, a menor aplicação de recursos próprios em saúde dos últimos dez anos.  A informação foi divulgada pelo jornal Tribuna do Norte, com informações do Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO), que apontou que o Estado destinou 7,04% das receitas vinculadas à área até junho. O resultado ocorre em meio às discussões sobre a situação fiscal do Estado e, segundo especialistas, amplia os desafios para o financiamento da rede pública de saúde.

O percentual de 7,04% mostra quanto das receitas de impostos e transferências constitucionais foram efetivamente aplicadas em Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS), conforme determina a Lei Complementar nº 141/2012, que deve atingir 12% até o final do ano.

O número representa a parcela das receitas de impostos e transferências constitucionais que já foi destinada à saúde ao longo do exercício. Quanto maior o percentual, maior a proporção da arrecadação própria do Estado aplicada em ações e serviços públicos de saúde.

O vice-presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-RN), Arthur Néo, explica que adiar a execução orçamentária da saúde para os últimos meses do ano aumenta os riscos para o funcionamento da rede de atendimento. “O Estado precisará praticamente dobrar o ritmo de execução orçamentária no segundo semestre. Isso gera gargalos burocráticos, pressão sobre as comissões de licitação e maior risco de contratações apressadas e ineficientes”, afirma.

Ele também avalia que a saúde pública depende de um fluxo contínuo de recursos e não pode ser tratada como uma despesa que pode ser postergada sem impactos diretos sobre a população.

“A concentração de liquidações no final do ano costuma resultar em um volume elevado de obrigações inscritas em restos a pagar. Se não houver disponibilidade financeira correspondente ao fim do ano, transfere-se o ‘déficit oculto’ para o ano seguinte, empurrando a crise fiscal em bola de neve”, afirma Néo.

As despesas em saúde somaram R$ 668 milhões nos seis primeiros meses de 2026. Em 2026, o valor mínimo que deve ser aplicado até o final do ano em saúde é de R$ 1,138 bilhão, aponta o RREO. Até 2023, o Estado chegava ao fim do primeiro semestre com cerca de 11%. Desde 2024, o índice vem caindo.

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) disse que a não regularização dos sequestros judiciais realizados na conta única do Estado impacta diretamente o percentual. E, durante os primeiros meses do ano, é priorizado o pagamento de despesas inscritas em restos a pagar.

A Sesap informou ainda que vem adotando medidas para cumprir o mínimo constitucional de aplicação em saúde até o fim do ano. Entre elas estão o monitoramento da execução orçamentária, a aceleração da liquidação de despesas e a regularização dos bloqueios e sequestros judiciais.

A Tribuna do Norte questionou a pasta sobre quanto foi pago em restos a pagar no primeiro semestre de 2026. Mas não houve resposta.

Segundo a presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Norte (Cremern), Giana da Escóssia Melo, a redução dos investimentos se reflete na escassez de insumos, na sobrecarga das equipes médicas e no represamento de atendimentos. “A gestão dos recursos da saúde exige prioridade absoluta, planejamento rigoroso e responsabilidade contínua”, defende.

Para o conselho, embora a situação fiscal do Estado possa afetar a capacidade de custeio e investimento, a saúde deve ser tratada como prioridade orçamentária. “Quando restrições fiscais passam a comprometer a manutenção básica de hospitais, o abastecimento de medicamentos e a regularidade do pagamento de prestadores e profissionais, fica claro que a crise financeira ultrapassou os limites administrativos e atingiu a ponta do atendimento”, revela Melo.

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) instaurou um procedimento sobre a aplicação de recursos na saúde para acompanhar a execução orçamentária e financeira dos recursos destinados à Sesap.

O procedimento considera que o RN tem apresentado evolução abaixo da esperada no cumprimento do percentual mínimo constitucional de aplicação em saúde. Segundo o Ministério Público, o Estado vem registrando uma média de investimentos próprios em ASPS inferior à de outros estados do Nordeste.

No documento, a promotoria destaca que a previsão orçamentária para a saúde em 2026, apresentada durante reunião do Conselho Estadual de Saúde, foi de R$ 3,579 bilhões, equivalente a 12,5% das receitas estaduais estimadas para o setor.

O procedimento também menciona preocupações levantadas por conselheiros estaduais de saúde durante a discussão do orçamento de 2026, incluindo a redução de dotações previstas para algumas áreas em comparação com a Lei Orçamentária de 2025 e a necessidade de diálogo com parlamentares sobre os recursos destinados ao setor.

Diante desse contexto, o Ministério Público mantém o acompanhamento da execução orçamentária da saúde para verificar se o Estado assegura recursos suficientes para garantir a prestação dos serviços. Uma nova reunião deve acontecer no dia 6 de agosto para discutir o tema.

Saúde tem dívida de R$ 545 milhões

A Sesap acumula R$ 545,31 milhões em restos a pagar processados, que correspondem a despesas já liquidadas — ou seja, com o serviço prestado ou o bem entregue, mas que ainda aguardam pagamento.
Para o economista Arthur Néo, o baixo percentual de aplicação de recursos na saúde reflete a crise fiscal enfrentada pelo Estado. “Do ponto de vista da economia do setor público, esse indicador reflete o estrangulamento de caixa e a severa rigidez orçamentária do Estado”, alerta.

O economista avalia ainda que o problema não está na arrecadação, que continua crescendo em termos nominais, mas na falta de fluxo de caixa para manter os pagamentos da saúde em dia.

Em resposta à Tribuna do Norte, a Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz) afirmou que o percentual de aplicação de recursos em saúde apurado ao longo do semestre representa apenas um acompanhamento parcial da execução orçamentária e não indica, por si só, o cumprimento ou descumprimento do mínimo constitucional.

A secretaria citou como exemplo o ano de 2018, quando o Estado registrava um dos maiores percentuais de aplicação até o terceiro bimestre, mas encerrou o exercício com 10,58%, abaixo do mínimo constitucional.
A Sefaz acrescentou que, desde 2019, o RN tem cumprido a exigência constitucional de destinar pelo menos 12% das receitas próprias às ações e serviços públicos de saúde.

Recursos

Percentual aplicado em saúde no primeiro semestre

2016 10,93%
2017 11,09%
2018 12,90%*
2019 9,84%
2020 12,10%
2021 11,08%
2022 11,25%
2023 11,11%
2024 9,65%
2025 7,78%
2026 7,04%

*O número referente a 2018 não constava no relatório e foi calculado manualmente.

Amanda Miranda / Tribuna do Norte

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *