
A eleição de 2018 vinha se configurando como a mais fragmentada desde 1989. Já são 12 os candidatos. Mesmo assim, ela sofreu um natural afunilamento nas últimas semanas. “Esse cenário já era esperado. Primeiro esses partidos lançam nomes para depois fazer as coligações. Isso é típico da nossa estrutura partidária”, disse Marcia Cavallari, diretora Ibope Inteligência.
Para o também cientista político Claudio Couto (FGV), o que pode beneficiar PSDB e PT é uma certa aversão ao radicalismo. “São partidos que não são extremistas. Não são da direita radical e nem da esquerda radical. No final, isso pode atrair o eleitor para uma certa normalidade”, disse.
“O sistema é muito refratário a mudança e se protegeu”, afirmou o cientista político Carlos Melo (Insper). Segundo Melo, a forma como as campanhas serão financiadas (divisão de dinheiro do fundo eleitoral pelos partidos), a divisão do tempo de TV e a impossibilidade de candidaturas avulsas asfixiaram qualquer tentativa de renovação. “O eleitor só pode escolher dentro do universo que está sendo proposto.”
Para o publicitário Fernando Barros, “política, ao fim e ao cabo, tem lógica”. “O rio corre para o mar mesmo e acabou. Às vezes acontece de um outsider dar certo. Não dá para ignorar, o Brasil teve isso com Collor. De lá para cá quem mais? Ninguém. Tudo vai na naturalidade.”
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