Após críticas, corregedor do MPF recua e diz que não quer monitorar procuradores

Depois de receber críticas de procuradores ao pedir um relatório de “todas as manifestações” nas redes sociais de membros do Ministério Público Federal (MPF), o corregedor-geral do MPF, Oswaldo José Barbosa Silva, recuou e disse aos colegas que não pretende monitorá-los, e sim analisar notícias e matérias jornalísticas que “repercutam negativamente mensagens e manifestações” de membros do órgão.

Na última sexta-feira, o Estado informou que Oswaldo pediu um pente-fino em todas as manifestações de integrantes do MPF em redes sociais, o que gerou protestos internos entre procuradores, que viram no texto uma forma de intimidação e censura prévia.

“Nem a CMPF (Corregedoria do MPF) nem a Secom (Secretaria de Comunicação Social) tem interesse em monitorar e nem teriam pernas para monitorar as redes sociais (Facebook, Twitter, Instagram e e-mails na Rede Membros e na Rede Institucional) de todos os membros do MPF (exceção da PGR, que não se submete às atribuições da CMPF)”, escreveu o corregedor, em nova mensagem disparada aos colegas, obtida pelo Estado.

“Já expliquei antes em mensagens anteriores (…) que minha solicitação à Secom/PGR é de um ‘clipping’ semanal que reúna todas as notícias e matérias jornalísticas que repercutam negativamente mensagens e manifestações de membros do MPF. Não se trata de monitoramento”, disse.

O clipping é uma espécie de compilação de reportagens publicadas pelos mais variados veículos de imprensa, que serve para algum órgão analisar as notícias publicadas sobre ele.

De acordo com o corregedor, sua atitude é preventiva. “Na medida em que tomo conhecimento antecipado da repercussão de uma mensagem na mídia, que possam se enquadrar em uma das situações que possam ensejar uma ação disciplinar, posso contatar o colega e chamá-lo à reflexão, mesmo recomendando-o que o fato não se repita”, explicou.

Procurado pela reportagem, o corregedor reiterou ao Estado o teor da nova mensagem enviada aos membros do MPF.

Reação. Na primeira mensagem disparada aos colegas, na semana passada, o corregedor informou que requisitou à Secom um “relatório semanal de todas as manifestações de membros do MPF, efetuadas por meio das redes sociais, para exame do órgão correicional”.

O recado foi criticado e ironizado por procuradores nas redes sociais.

“Pessoal, ultimamente não tenho tuitado, pois nossa Corregedoria está de olho em nossos posts!!! Com a mudança da gestão – e se houver mudança – voltarei a tuitar. Enquanto isso, vou falar sobre cinemas e livros!”, escreveu no Twitter Thaméa Danelon, ex-coordenadora da força-tarefa da Lava Jato em São Paulo.

O procurador da República em Campina Grande Bruno Barros, por sua vez, desejou “bom dia ao pessoal da Corregedoria” e avisou que não precisava ser monitorado. “Dormiram bem? Hoje não vou falar nada sobre política. Nem precisam me vigiar. Ah, já estou indo trabalhar. São 8h33min. Boa sexta-feira e bom trabalho para vocês”, disse.

A procuradora Hayssa K. Medeiros, da Paraíba, também mandou recado a Oswaldo. “Boa noite, corregedor. Tenha bons sonhos”, escreveu às 20h25 do último sábado.

Estadão Conteúdo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Ceará Mundão disse:

    Preciso reconhecer: nem Lula, Dilma ou Temer, em 16 anos, interferiram para tolher a Lava Jato, controlar o MP, a Receita, a PF. Em 7 meses, o atual governo mostra interferências diretas nestes orgãos para, tudo indica, proteger interesses de aliados e familiares.

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