Batalha pelo Pix acirra disputa entre bancos e fitechs por novos clientes

Benefícios aos clientes, diversificação de serviços e investimento em novas plataformas e parcerias estratégicas. A chegada do Pix, dentro de pouco mais de um mês, já acirrou a concorrência entre grandes bancos e fintechs, que vêm buscando diferenciais para manter e ampliar a carteira de correntistas.

Criado pelo Banco Central (BC), o efeito mais evidente do novo serviço — que permitirá fazer pagamentos e receber transferências 24 horas por dia, de maneira instantânea e sem custo para a pessoa física que faz a operação — será a redução do uso dos atuais DOCs e TEDs, explicam especialistas.

Como os bancos tradicionais hoje cobram por transferências, eles já planejam contrabalançar a futura perda de receita reforçando a participação em outras áreas, como as de crédito e financiamento. Os bancos digitais, por outro lado, valem-se da proximidade com o cliente e de parcerias para entrar nesta nova fase do sistema financeiro.

Claudio Gallina, da agência de classificação de risco Fitch, diz que a perda de receita dos bancos deve ser de até 2%, mas que as instituições mais eficientes poderão até aumentar a rentabilidade com ganhos de eficiência e menor gasto com estruturas físicas.

O Itaú calcula que o impacto em suas receitas com a adoção do Pix e a consequente redução das modalidades tradicionais de transferência seja de cerca de 1%. Mas Ivo Mosca, superintendente de pagamentos instantâneos do banco, vê um potencial de ganho enorme com o Pix, devido à facilidade do sistema e à redução dos custos:

— Com a pandemia, muitos clientes já partiram para o mundo digital, com abertura de contas virtuais. Agora, com o Pix, a fatia de mercado (bancarizada) deve crescer, estamos falando de incluir dezenas de milhões de pessoas no sistema.

Em sua opinião, DOCs e TEDs devem ter uma diminuição de até 70% nos próximos anos:

— Grandes empresas podem manter o uso (de DOCs e TEDs), porque têm uma infraestrutura instalada de sistemas de automações e negociação tarifária dados os altos valores das transações.

Para Breno Lobo, chefe de subunidade do Departamento de Competição e Estrutura do Mercado Financeiro do BC, a estimativa é que essas formas tradicionais de transferências desapareçam em até dez anos.

O Santander tem investido em uma campanha massiva para que seus clientes façam o pré-cadastro para usar o Pix, mas que também visa a conquistar clientes de outras instituições. No Pix, o cliente pode usar o CPF, o e-mail ou o número de celular como chave para o recebimento de uma transferência, mas cada chave só pode estar relacionada a uma conta específica.

O GLOBO