Política

Bicho pegou entre PMDB e PT

Amigos leitores, vocês vão ler abaixo uma entrevista ao jornalista Josias de Souza do líder do PMDB na Câmara dos Deputados, Dep. Eduardo Cunha,  e vão sentir como se faz política no Brasil, mas a entrevista não mostra só isso, mostra também como andam muito mal, ainda mais num ano eleitoral as relações dos dois maiores partidos da base política do Governo Dilma, nitroglicerina pura. Segue:

O deputado Eduardo Cunha (RJ), líder do PMDB na Câmara, atribuiu a “um ato atabalhoado” do petista Aloizio Mercadante, a crise que se instaurou nas relações do Planalto os deputados peemedebistas. “Foi o ato de estreia, foi o primeiro ato do Mercadante como chefe da Casa Civil”, disse o deputado em entrevista ao blog, na noite desta quarta-feira (6).

Reunida por quase quatro horas, a bancada do PMDB decidiu divulgar uma nota para expressar sua insatisfação com os rumos da reforma ministerial de Dilma Rousseff. No texto, anota que “prefere não indicar” novos titulares para as pastas do Turismo e da Agricultura. Deixa a presidente “à vontade à para contemplar outros partidos em função das suas conveniências políticas e/ou eleitorais.”

Eduardo Cunha contou que, na véspera, comparecera à cerimônia de posse de Mercadante, no Planalto. Entrou na fila dos cumprimentos. Ao apertar a mão do novo chefe da Casa Civil, ouviu dele um apelo para que “ajudasse no processo” de substituição dos ministros. Respondeu que a proposta feita pelo governo ao PMDB era “inaceitável”. E informou que a bancada de deputados do partido estava “em rebelião”.

Terminada a solenidade, Mercadante foi à presença de Dilma. A presidente, então, tocou o telefone para o vice-presidente Michel Temer, presidente licenciado do PMDB. “Ela ligou para o Michel como se eu tivesse dito ao Mercadante que a bancada do PMDB iria romper com o governo”, relatou Eduardo Cunha. “Eu nunca falei isso. Eu não disse isso para ele. Esse ato atabalhoado dele acabou acirrando a confusão.”

De acordo com Eduardo Cunha, Dilma informou a Temer que, em função do relato que ouvira de Mercadante, iria “parar as negociações” com o PMDB. O comentário acendeu o pavio da revolta que levaria à confeção da nota da bancada de deputados do partido de Temer. A proposta que o líder tachara de “inaceitável” previa a acomodação do senador Eunício Oliveira (PMDB-CE) na pasta da Integração Nacional. Em troca, o partido entregaria ao PTB o Ministério do Turismo, hoje um pedaço da Esplanada que integra a “cota” do PMDB da Câmara.

“O PMDB estava levando a fama de fisiológico sem ser”, queixou-se Eduardo Cunha na entrevista. “E o governo às vezes faz questão de colar essa fama no PMDB. Mas na realidade quem tem o maior espaço guloso no governo é o PT, não o PMDB. Nessa reforma, o PT resolveu a vida dele rapidamente: Saúde, Educação, Casa Civil. Foi tudo resolvido e empossado! Com o PMDB, tudo é um grande estresse. Não tem sentido tratar um aliado desse jeito.”

Na nota, os deputados do PMDB reiteram “a disposição de manutenção de apoio ao governo”. Na entrevista do líder, a “disposição” governista é, por assim dizer, atenuada: “Já fiz muitos apelos para a bancada votar coisas que ela não queria votar. Talvez os meus apelos não sejam mais atendidos daqui pra frente”. Vai abaixo a íntegra da conversa com Eduardo Cunha:

— A nota não do PMDB informa que a bancada da Câmara não indicará mais nomes para os ministérios, mas não rompe com o governo. Qual é o objetivo prático da manifestação? Não posso romper com um governo que ajudei a eleger. Mas o PMDB também não vai ficar com a pecha de fisiologista, de que está rompendo porque ameaçaram tirar um ministério. O que a gente não está aceitando mais é esse jogo de fingir que participamos de um negócio que não temos. Fica essa especulação em cima da gente de que vai tirar cargo para atender ao partido ‘a’, ‘b’ ou ‘c’, sempre em cima do PMDB como se o partido estivesse contemplado. E ninguém se sente contemplado. A bancada do PMDB da Câmara não se sente no governo.

— Como assim? Se você for ver o que o PMDB tinha no governo Lula, só na Câmara nós tínhamos Saúde, Integração Nacional, Agricultura, diretoria da Petrobras, Furnas, Funasa, Secretaria de Atenção à Saúde Básica, duas diretorias do Banco do Brasil… Todos esses cargos foram tirados do PMDB. Ficamos com dois ministérios horrorosos: a Agricultura, que já tínhamos, e o Turismo. Perdemos todos os cargos de segundo escalão, a diretoria da Petrobras, as vice-presidências do Banco do Brasil…

— Mas a bancada da Câmara ficou com as pastas da Agricultura e do Turismo, não? No Turismo, a Embratur ficou com o PCdoB. E na Agricultura, a Conab, que era do PMDB, ficou com o PTB.

— A perspectiva de perda da pasta do Turismo provocou a nota? Já tiraram tudo. A gente não tem nada e fica com a fama de ter fome de cargos. E ainda ficam especulando que vão tirar o que o PMDB não tem. A bancada concluiu: já que a gente não tem nada, vamos ficar sem nada. E não vamos deixar de apoiar o governo por causa disso. Até porque foi um governo que a gente ajudou a eleger. Vamos cumprir a nossa missão até o fim.

— Dizia-se que a bancada poderia migrar para uma posição de ‘independênca. Mas ao que parece ficará tudo como está hoje, é isso? Nós vamos ficar como está hoje. Mas, obviamente, o tempo vai passando… Acirrando-se o processo eleitoral, acaba acirrando também no plenário da Câmara.

— Então, qual é o objetivo da nota? É o seguinte: já que a presidente está fazendo tanta questão de contemplar outros partidos e o PT tem poucos cargos, não pode ceder nada para ninguém, o PMDB está entregando o que ele tem. Se ela precisa do Turismo para atender outro partido, pode usar a Agricultura também. Vai ajudar um pouco.

— O PT tem 17 ministérios, é isso? É. Você vê que o PT tem muito pouco. O PT tem pouco espaço no governo.

— Se a presidente da República chamar os senhores para uma conversa esse quadro de contrariedade pode mudar? Quaquer coisa que vier eu levarei para a bancada. Não decidi nada sozinho. Quem tomou a posição foi a bancada. Eu fui bombeiro. A bancada estava muito mais radical do que eu. Para você ter uma ideia, eu estava light.

— Os radicais defendiam o quê? Queriam uma nota mais dura, que devolvesse todos os cargos e anunciasse uma posição de independência. A maioria da bancada estava querendo isso. Eu realmente tive muito trabalho. Levei quatro horas para convecer a bancada a aceitar os termos de uma nota que eu tinha mais ou menos entabulado.

— Então, a bancada queria a independência? Sim, devolvendo todo e qualquer cargo. Era um caminho para o rompimento.

— Essa nota não deixa mal o vice-presidente Michel Temer? Não foi esse o objetivo. Acho que quem fica mal é o governo, que trata mal o PMDB.

— O que significa tratar mal? Você acha que tem sentido o PTB, com 17 deputados, tomar o Ministério do Turismo do PMDB, que tem 76 deputados? E ainda ficariam com a Conab na Agricultura, único ministério que ficaria com o PMDB da Câmara. Isso não tem sentido.

— Acha que falta lógica à reforma ministerial? A lógica é a de buscar o tempo de televisão.

— Essa nota do PMDB terá algum desdobramento? Essas coisas você sabe como começa e não sabe como acaba. É igual CPI. É o início de um processo. Vamos ver aonde vai dar.

— Acha que vai longe? Qualquer bola dividida que vier, vamos pensar duas vezes antes de entrar de sola. Obviamente, vai ficar mais difícil daqui pra frente, vai ter coisa em que a bancada não vai concordar comigo em atender ao governo. Já fiz muitos apelos para a bancada votar coisas que ela não queria votar. Talvez os meus apelos não sejam mais atendidos daqui pra frente.

— Esse movimento pode ter reflexos na convenção de junho, que decidirá sobre a renovação da aliança com o PT? São 76 deputados, todos convencionais, todos com mais de um voto.

— Diria que a renovação da aliança está ameaçada? A renovação da aliança está em xeque não em razão de composição de ministérios. Ela está em xeque por causa das coligações estaduais. E tentaram resolver um palanque estadual em cima da participação do PMDB da Câmara.

— Refere-se à oferta de Dilma para que o senador Eunício Oliveira assumisse a pasta da Integração Nacional? Toda a crise foi criada por acharem que poderiam resolver o problema de um palanque estadual do Ceará em detrimento da bancada do PMDB na Câmara. Se queriam resolver o palanque deles, que resolvessem em cima do PT, não do PMDB.

— O nome que estava negociado com o PMDB da Câmara era o do senado Vital do Rêgo, não é isso? Com um ministério a mais, teria nosso apoio incondicional. Mesmo que fosse nomear o Vital, num processo que implicasse a perda de um ministério da Câmara, os deputados não acetariam. Ninguém tem nada contra o senador Eunício ou o senador Vital. A gente apoiou o nome do senador Vital dentro de um contexto em que haveria mais um espaço para reconhecer o tamanho do PMDB e aproximá-lo da participação que tinha no governo Lula.

— Essas negociações foram feitas sem a participação da Câmara? Estávamos completamente à margem.

— Os senhores não se consideram representados nas reuniões pelo deputado Henrique Alves? O Henrique, quando foi chamada para a reunião, não foi informado sobre esse processo. Foi comunicado sobre a possibilidde de troca do Turismo pela Integração Nacional. A bancada poderia aceitar, mas não trocando a participação da Câmara pela do Senado. O nosso acordo é que a gente apoiaria a entrega de mais um ministério para o Vital. Isso teria o nosso apoio.

— Esse processo de negociação foi conduzido pelo ministro Aloizio Mercadante? O Mercadante cometeu um grave erro na terça-feira. Gerou uma tensão desnecessária. Fui à cerimônia de transmissão do cargo da Gleisi [Hoffman] para o Mercadante, na Casa Civil. Fui cumprimentá-lo na fila que se formou após a transmissão do cargo. E ele tocou num assunto. Eu dei uma resposta. E ele levou essa resposta para a presidente. E ela ligou para o Michel [Temer] como se eu tivesse dito que a bancada do PMDB iria romper com o governo. Eu nunca falei isso. Eu não disse isso para ele. Esse ato atabalhoado dele acabou acirrando a confusão.

— O que o ministro Mercadante lhe disse na fila de cumprimentos? Quando eu o cumprimentei, ele me pediu que ajudasse no processo. Eu disse que essa proposta que tinha sido colocada era inaceitável e que a bancada estava em rebelião. Foi o termo que eu usei. E ele simplesmente levou isso para a presidente como se eu estivesse querendo romper com o governo. Eu não disse isso.

— E a presidente ligou para Michel Temer para dizer o quê? Ligou para dizer que ia parar as negociações em função disso. Foi isso que gerou a tensão toda. A tensão vem de um ato atabalhoado do Mercadante. Ninguém discute um assunto dessa gravidade numa fila de cumprimentos.

— Foi em função desse entrevero que a bancada decidu se reunir? Sim. A crise do PMDB foi o ato de estreia, foi o primeiro ato do Mercadante como chefe da Casa Civil. O PMDB estava levando a fama de fisiológico sem ser. E o governo às vezes faz questão de colar essa fama no PMDB. Mas na realidade quem tem o maior espaço guloso no governo é o PT, não o PMDB. Nessa reforma, o PT resolveu a vida dele rapidamente: saúde, educação, Casa Civil. Foi tudo resolvido e empossado. Com o PMDB, tudo é um grande estresse. Não tem sentido tratar um aliado desse jeito.

— Na manhã desta quarta-feira, Michel Temer o chamou para uma conversa em seu gabinete, não? Chamou.

— Nessa conversa, ele lhe pediu para abortar a nota da bancada PMDB? Ele não pediu e não tinha espaço para pedir. Por delicadeza, mostrei a ele a ideia. Não sabia se a bancada aprovaria ou não.

— Ele aprovou os termos da nota? Não posso atribuir a ele essa responsabilidade. A responsabilidade disso é minha, não dele.

— Depois da divulgação da nota houve alguma reação do Planalto? Desconheço até agora.

— Acha que, mantido o padrão de relacionamento nos Estados, pode haver reflexos na convenção nacional do PMDB? Hoje, a vontade de todos nós é de permanecer na aliança e tentar resolver os problemas. Mas é óbvio que as dificuldades regionais poderão levar a um acirramento, com influência na renovação da aliança. Não trabalhamos para isso, mas pode acabar acontecendo. Essa é uma outra discussão.

— Em vários Estados, entre eles Rio e Ceará, dois colégios eleitorais com grande número de delegados na convenção do PMDB, a situação está perdida, não acha? O caso do Ceará foi agravado nesta semana com esse gesto [de convidar o Eunício Oliveira para um ministério com o objetivo de retirá-lo da disputa pelo governo do Estado]. O Rio já está perdido. Mesmo que a posição do governador [Sérgio Cabral] seja de declarar que pode apoiar, o partido no Rio de Janeiro não pretende apoiar. É um problema sério. Não estou dizendo que eu, Eduardo, vá fazer isso. Tenho que tomar cuidado em razão da posição de líder. Não gosto de misturar as coisas. Não se pode misturar o caso da convenção com essa situação de hoje. São duas coisas distintas. O problema da conveção vem dos palanques estaduais. O risco já existia independentemente da posição que a bancada tomou hoje.

— A intenção dos senhores de realizar uma pré-convenção em março ou abril para aferir a posição dos Estados está em pé? Essa proposta persiste. Essas coisas, em política, não têm segredo. Ou se realiza uma composição ou as coisas acabam acontecendo mesmo.

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PGR endossa decisão de Moraes que quebrou sigilo de jornalista do Maranhão que publicou reportagens com denúncias contra Dino

Foto: Victor Piemonte/STF

A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a quebra do sigilo da fonte do jornalista maranhense Luís Pablo, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O profissional publicou reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais por Flávio Dino, ministro da Corte, e seus familiares no Maranhão.

Em parecer enviado ao STF, o procurador-geral Paulo Gonet argumentou que a divulgação de dados sobre os veículos poderia colocar em risco a segurança de Dino. Segundo ele, a quebra de sigilo também permitiria esclarecer como as informações foram obtidas e se houve pagamento pela publicação das reportagens.

O jornalista é acusado de cobrar R$ 100 mil para divulgar o material. Gonet afirmou que a investigação deve apurar uma possível relação financeira envolvendo informações reservadas. A defesa de Luís Pablo, porém, contesta a acusação e sustenta que não há fundamento para afastar a garantia constitucional do sigilo da fonte.

A medida de Moraes foi autorizada em março e incluiu buscas e apreensões de celulares e computadores na residência do jornalista. Após a decisão, a defesa recorreu ao presidente do STF, Edson Fachin, pedindo o encerramento da investigação, a proteção das comunicações com fontes e advogados e o envio do caso à primeira instância.

A defesa também argumenta que reportagens sobre o uso de patrimônio público não caracterizam perseguição política contra o ministro e que a quebra do sigilo só poderia ser admitida diante de um interesse público preponderante.

Um relatório da Polícia Federal citado pela CNN Brasil apontou não haver indícios de crime de violação de sigilo funcional por parte do jornalista. O documento também afirma que não foi possível confirmar que ele recebeu dinheiro para publicar as reportagens.

Moraes determinou ainda busca e apreensão contra o ex-secretário Raimundo Cutrim, apontado como fonte do jornalista. Cutrim está preso em outra investigação, sob acusação de obstrução de uma apuração de homicídio, mas nega a acusação.

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Lula é aconselhado a fazer indicação “segura” ao STF antes do fim do ano

Foto: Jose Cruz/Agência Brasil

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que ele escolha um nome com apoio consolidado no Senado para ocupar a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação é que o governo precisa garantir a aprovação da indicação ainda em 2026, antes da renovação da Casa, que terá maior presença da oposição a partir do próximo ano.

Apesar de Lula ter sinalizado a intenção de indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, o nome ainda enfrenta resistência entre os senadores. Em abril, sua indicação foi rejeitada pelo plenário, uma derrota do governo no Legislativo durante o terceiro mandato.

Diante desse cenário, parlamentares aliados e integrantes do Planalto defendem uma escolha que tenha o aval do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e das principais lideranças da Casa. O favorito desse grupo é Rodrigo Pacheco, ex-presidente do Senado e atual ministro do Tribunal de Contas da União (TCU).

Pacheco já era o nome preferido de Alcolumbre e de integrantes da cúpula do Senado antes da indicação de Messias. A recente aproximação entre Lula e o presidente da Casa também é vista pelos articuladores como um fator favorável ao ex-senador.

A preocupação aumentou após o avanço da direita nas eleições. O PL, partido de Jair e Flávio Bolsonaro, terá 28 cadeiras no Senado a partir de 2027, sendo 19 conquistadas no último pleito.

Lula ainda não definiu sua escolha e deve amadurecer a decisão nos próximos dias. Além da indicação ao STF, o governo tem como prioridades no Congresso a PEC da Segurança Pública e o projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA).

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Expectativas de inflação para 2027 e 2028 disparam após reeleição de Lula

Foto: Cristiano Mariz

A expectativa de inflação no Brasil subiu significativamente após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Pesquisa da corretora BGC Liquidez com cerca de 30 participantes do mercado elevou a projeção do IPCA para 5,3% em 2027 e 4,3% em 2028.

Antes do segundo turno, a pesquisa Focus, do Banco Central, apontava inflação de 4,34% para 2027 e 3,75% para 2028. A meta oficial é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.

O economista da BGC Carlos Thadeu afirma que a revisão reflete principalmente a preocupação com a falta de uma estratégia de ajuste fiscal e a expectativa de aumento dos gastos públicos. A alta do dólar, que passou de R$ 4,99 para R$ 5,44 em pouco mais de uma semana, também pressiona os preços, especialmente os combustíveis.

O economista diz ainda que 11% dos entrevistados já projetam inflação superior a 6% em 2027. Ele também aponta o possível fim da escala 6×1 como um fator adicional de pressão sobre os custos das empresas.

A preocupação do mercado envolve ainda a situação das contas públicas. A dívida bruta brasileira está próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o governo prevê déficit de R$ 67,3 bilhões neste ano. Economistas avaliam que seria necessário um ajuste fiscal de pelo menos R$ 250 bilhões nos próximos quatro anos.

O cenário também mudou as expectativas para a taxa básica de juros. Com a Selic atualmente em 13,75% ao ano, a curva de juros futuros passou a indicar manutenção da taxa na próxima reunião do Copom, com apenas 20% de probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual.

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Mercado clandestino de bets pode dobrar após proibição e movimentar cerca de R$ 56 bilhões

Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

O mercado clandestino de apostas no Brasil pode crescer 101% após a proibição das bets, com receitas anuais estimadas em R$ 56 bilhões. A projeção é do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR), que calcula que 70% dos apostadores de plataformas regulamentadas migrem para operadores ilegais.

A receita anual do mercado clandestino passaria de R$ 27,9 bilhões para R$ 56 bilhões, um aumento de R$ 28,1 bilhões, de acordo com a estimativa do IBJR. O cálculo considera o Gross Gaming Revenue (GGR), que corresponde à diferença entre o valor apostado e os prêmios pagos, e não ao volume total de apostas.

O levantamento também identificou 60.477 endereços suspeitos de oferecer apostas clandestinas na internet. Desse total, 34.134 apresentavam características como cadastro de usuários, oferta de bônus e pagamentos por Pix. A ferramenta de monitoramento LegitBet também encontrou páginas que utilizam nomes e identidades visuais semelhantes aos de empresas conhecidas, como Betano, Bet365, Novibet e BetMGM.

O IBJR ressalta, porém, que a inclusão de um endereço na base de monitoramento não comprova que ele tenha sido criado após a proibição nem confirma, por si só, a ilegalidade da operação.

O instituto alerta que a migração para plataformas clandestinas pode deixar os apostadores sem mecanismos de proteção exigidos das empresas autorizadas, como verificação de identidade, fiscalização das transações e medidas para impedir o acesso de menores de idade.

A proibição foi estabelecida pelo presidente Lula através da Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro de 2026. O texto tem validade inicial até 23 de novembro e depende de aprovação do Congresso Nacional para se tornar definitivo. Caso não seja votado no prazo, poderá ser prorrogado por mais 60 dias.

Opinião dos leitores

  1. Parabéns, gênios!
    Os viciados continuam viciados, mas agora não tem empresa ‘de verdade” pra processar e tentar tirar uma orelha…

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THE ECONOMIST: Mercado reage mal à vitória inesperada de Lula; revista britânica cita risco de recessão

Foto: Sebastião Moreira/EFE

O Brasil corre o risco de enfrentar uma crise fiscal e uma recessão caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não mude a condução da política econômica. O alerta é da revista britânica The Economist, em análise publicada após a vitória do petista nas eleições presidenciais e reproduzida pelo Estadão.

A publicação afirma que o país enfrenta uma combinação de gastos públicos elevados, juros altos, endividamento crescente e baixo ritmo de crescimento. O déficit orçamentário supera 9% do Produto Interno Bruto (PIB), enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta que a dívida pública chegará a 97% do PIB neste ano, ante 84% em 2022.

A revista também destaca que a taxa real de juros está em 9%, resultado, entre outros fatores, da pressão fiscal sobre a política monetária. O custo elevado do crédito prejudica investimentos, empresas e famílias, além de limitar o crescimento econômico.

Para a The Economist, Lula precisará demonstrar compromisso com a disciplina fiscal, começando pela escolha de um ministro da Fazenda que transmita confiança ao mercado e pela apresentação de um plano consistente para controlar as contas públicas.

Entre as medidas apontadas estão a criação de limites para os gastos, a revisão de benefícios tributários concedidos a empresas e o controle do crescimento das despesas previdenciárias, especialmente com aposentadorias de servidores públicos e militares.

A The Economist também critica a promessa de ampliação de subsídios e políticas sociais sem uma fonte sustentável de financiamento. Segundo a análise, as novas iniciativas anunciadas pelo governo podem representar despesas equivalentes a cerca de 2% do PIB até o fim de 2027.

Na avaliação da publicação, a capacidade de Lula de reorganizar a política econômica será decisiva para recuperar a confiança dos investidores, estimular os investimentos e evitar o agravamento do endividamento. Caso mantenha a trajetória atual de gastos, o país poderá enfrentar uma crise fiscal com consequências para toda a economia.

The Economist, via Estadão

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Novo imposto sobre consumo no Brasil pode ficar acima de 30% e superar o de países ricos; veja ranking

Alíquotas do imposto sobre o consumo — Imagem: Ranking da Tax Foundation e estimativa de analistas para o Brasil

O Brasil poderá ter uma das maiores alíquotas de impostos sobre o consumo do mundo com a implementação da Reforma Tributária. A taxa padrão do novo sistema pode ultrapassar 30%, superando os percentuais praticados em países ricos, como Hungria, Finlândia e Dinamarca, segundo levantamento divulgado pelo g1.

A projeção coloca o Brasil acima de todos os países da comparação feita com dados da Tax Foundation, uma organização independente fundada em 1937 nos EUA que coleta dados e publica pesquisas de política fiscal.

No ranking, a Hungria aparece na segunda posição, com alíquota de 27%, seguida por Finlândia (25,5%) e Dinamarca, Noruega e Suécia, todas com 25%. Outros países europeus também apresentam taxas elevadas, mas inferiores à projeção brasileira. Estônia, Grécia e Islândia cobram 24%, enquanto Portugal, Irlanda, Polônia e Eslováquia têm alíquota de 23%. Na Itália, o percentual é de 22%.

Na outra ponta, Japão, Coreia do Sul e Austrália têm taxas de 10%. A Suíça cobra 8,1%, e os Estados Unidos aparecem com 7,5% de imposto sobre vendas. Nesse último caso, a comparação exige uma ressalva: os EUA não possuem um IVA nacional, mas impostos sobre vendas definidos em níveis estaduais e locais.

A projeção brasileira considera a alíquota padrão do novo modelo de tributação sobre o consumo, que reunirá tributos federais, estaduais e municipais. O percentual definitivo ainda depende da regulamentação e dos ajustes previstos na transição para o novo sistema.

Opinião dos leitores

  1. Custou muito caro pra Lula ganhar a eleição, pior que a conta vai chegar e sempre sobra pra o pobre no final.

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[VÍDEO] Marco Rubio nega que os EUA tenham ajudado Flávio Bolsonaro a sair do Brasil

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou neste sábado (31) que o governo norte-americano tenha ajudado Flávio Bolsonaro (PL) a deixar o Brasil após a derrota nas eleições presidenciais.

“Nós não facilitamos nada. Quer dizer, soubemos que ele chegou aos EUA. Ele já tinha um visto garantido. E o presidente tomou a decisão de permitir que ele entrasse no país. E nós permitimos. Mas não estávamos envolvidos em nenhum dos arranjos para ele sair do país. Pelo menos o governo dos EUA não estava envolvido diretamente em qualquer um dos movimentos que foram feitos”, declarou.

O secretário também disse que Trump havia garantido a Flávio uma autorização especial de entrada, chamada parole, caso ele chegasse a um posto de imigração dos EUA.

A declaração foi dada após Jason Miller, funcionário da área de comunicação da Casa Branca, admitir que organizou o jato particular utilizado pelo senador para chegar ao território norte-americano.

Flávio deixou o Brasil dois dias após o resultado do segundo turno. Na segunda-feira (26), visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e foi informado de que a Polícia Federal o aguardava para comunicar a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o recolhimento de seus passaportes.

Com informações de Metrópoles

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[VÍDEO] Maquiador é preso em flagrante por aplicar golpe com falso comprovante de Pix em restaurante de Natal

O maquiador e cabeleireiro Pedro Souza foi preso em flagrante na noite desta sexta-feira (30), em Natal, após tentar aplicar novamente um golpe em um restaurante onde já havia causado prejuízo de algumas centenas de reais. Atenta à prática, a equipe do estabelecimento acionou a Polícia Militar, que efetuou a prisão.

O BLOGDOBG confirmou com o restaurante onde Pedro foi preso que além de não ser a primeira vez que ele aplicava o golpe no estabelecimento, era também uma prática constante.

As denúncias contra Pedro são de que ele utilizava comprovantes falsos de Pix para simular pagamentos não realizados. Relatos também dão conta de que ele também reproduziria a prática em lojas de roupas. A possível existência de outras vítimas ainda precisam ser apuradas pelas autoridades.

Opinião dos leitores

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[VÍDEO] Após visita a Jair Bolsonaro, Carlos reafirma apoio a Rogério Marinho à Presidência do Senado

A candidatura de Rogério Marinho (PL) à Presidência do Senado voltou a receber o apoio público de Carlos Bolsonaro (PL) neste sábado (31). O senador eleito por Santa Catarina reafirmou a posição após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em regime domiciliar.

“A gente tem uma eleição no Senado agora. Nosso candidato é o Rogério Marinho e a gente vai seguir essa linha para que a gente possa defender, minimamente, tudo aquilo que a gente acredita, tudo aquilo que a gente prometeu para vocês. A luta vai continuar”, afirmou.

Durante a visita, Carlos também demonstrou preocupação com a saúde do pai e relatou o retorno das crises de soluço. “Os soluços dele voltaram, é claro que devido às circunstâncias que acabam afetando o psicológico dele, essas coisas acontecem. Me assusta um pouquinho o crescimento da barriga dele. O emagrecimento, aquilo que sempre falei, mas foi um bate-papo bacana com ele”, disse.

O senador eleito contou ainda que Jair Bolsonaro manifestou saudades dos filhos Flávio e Eduardo, que estão nos Estados Unidos. Flávio deixou o Brasil após perder a eleição presidencial no último domingo (25).

“Em relação à política, não quero que façam maldade com ele. Então deixo do jeito que tá. Dizer que ele tá seguindo a vida dele, preocupando a cada dia, a mim, uma coisa pessoal minha, a saúde dele mental e física. E a gente vai tocando. Hoje é sábado, dia 31 de outubro, ele falou que está com muita saudade do Flávio. Ele não é muito de falar isso, mas as coisas vão cada vez pesando mais. Falou do Eduardo também”, relatou.

Opinião dos leitores

  1. Senhor Bruno Giovanni de Oliveira chega a dar nojo e náuseas essa sua babação de ovo que vc tem com esse senhor que se Deus quiser vai terminar emb31 de janeiro de 2031 chega a ser vergonhoso.

  2. Vao fzr acordao pra soltar o pai…e de novo…pela terceira vez…vao apoiar alcolumbre e falar que agora vai ser diferente

  3. Esse Jair é todo ao contrário, geralmente o soluço passa quando se toma um susto, o dele volta depois do susto… tô sabendo mais de nada.

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REFORMA TRIBUTÁRIA: Senado vai ouvir Fazenda e TCU antes de definir alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS)

Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado iniciará em 11 de novembro as discussões sobre a alíquota da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novo tributo federal criado pela Reforma Tributária.

O presidente do colegiado, Renan Calheiros (MDB-AL), anunciou que convidará o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rêgo, para participar das audiências públicas.

O TCU estabeleceu uma alíquota de referência de 11,3%, que servirá de base para a análise dos senadores. O percentual definirá quanto será cobrado para substituir o PIS e a Cofins, tributos federais atualmente aplicados sobre produtos e serviços.

A definição precisa ser votada ainda neste ano. O senador Eduardo Braga (MDB-AM), relator da proposta, também deverá ouvir especialistas em tributação e representantes da sociedade.

A CBS começará a ser cobrada efetivamente em 2027, quando o governo federal estima arrecadar R$ 636 bilhões com o tributo. Ela integrará o novo modelo de impostos sobre o consumo, ao lado do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá tributos estaduais e municipais. A transição para o sistema será concluída em 2033.

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