Andrielle Mendes e Renata Moura – Repórter e editora de economia da Tribuna do Norte
Setenta por cento dos financiamentos concedidos nos últimos três anos pelo Banco do Nordeste (BNB) a criadores de camarão nos estados onde o banco atua estão atrasados. A taxa de inadimplência do setor é quase 15 vezes maior que a taxa média de inadimplência do banco (4,8%). Ao todo, a instituição emprestou R$ 710 milhões a 513 criadores. Do total de criadores, 60% não pagaram em dia as prestações.
O BNB não divulgou os dados do Rio Grande do Norte, mas afirma que a situação do estado não é muito diferente. Embora não revele as taxas dos outros segmentos, o banco afirma que nenhum a atividade é tão inadimplente quanto a carcinicultura.
Os dados foram apresentados ontem pelo superintendente do banco no Rio Grande do Norte, João Nilton Castro Martins. A inadimplência em alta levou a instituição a suspender, desde 21 de janeiro, novas operações de custeio e financiamento para os carcinicultores.
Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o superintendente afirmou que alguns criadores já procuraram o banco para renegociar as dívidas e explicou que o BNB está realizando um estudo para identificar as razões e possíveis soluções para tamanha inadimplência. “Fechando esse estudo sobre o setor há a expectativa de retomar a regularidade”, disse ele. O banco também pretende se reunir com os carcinicultores. Mas nem a conclusão do estudo nem a reunião tem data definida. Segundo o superintendente, entretanto, projetos que demonstrem viabilidade têm chance de ser aprovados.
OUTRO LADO
A Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) contesta os dados e promete um relatório independente até o final do mês. O levantamento, como explica Itamar Rocha, presidente da Associação, trará quanto foi emprestado pelo banco para todos os segmentos nos últimos anos e a taxa de inadimplência de cada setor. A ABCC também está ouvindo os criadores que fizeram empréstimos para saber quem está ou não inadimplente. “Já ouvimos vários. Quem ainda não pagou, renegociou a dívida. Se o RN tiver dois ou três criadores que não estão pagando é muito”. Segundo Itamar, “o estado não tem nem 20 produtores com empréstimos, seja no BNB ou em qualquer outro banco”.
Além da taxa de inadimplência, Itamar Rocha contesta o valor liberado pelo banco para o setor nos últimos três anos. “O banco não emprestou R$ 710 milhões. Isso não é verdade. De onde o banco teria liberado R$ 710 milhões? (sic)”. Quem contraiu empréstimo, afirma Itamar, contraiu principalmente em 2004, quando o setor viveu o auge. “De 2009 para cá, não saiu mais nada. Só renegociação. Nem colocando de cabeça para baixo daria este número”, afirmou.

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