Por Josias de Souza
No futebol, costuma-se distinguir uma ‘falta necessária’ de uma ‘falta desnecessária’. A falta é tida por ‘necessária’, por exemplo, quando o zagueiro perde a bola e deixa o atacante rival na cara do gol. Troca-se o risco do cartão pela esperança de que o cobrador erre o chute ou o goleiro feche a trave.
A falta é ‘desnecessária’ quando se caracteriza pela maldade gratuita. Nesses casos, ainda que o juiz não flagre, a infração expõe o transgressor ao julgamento instantâneo da arquibancada.
Na Copa do Mundo, nenhuma falta foi tão desnecessária quanto a dentada que o uruguaio Luiz Suárez cravou, traiçoeiramente, no ombro do italiano Chiellini. O juiz deixou barato. Mas a execração do craque dentuço foi unânime e universal.
Pois bem. Nesta quarta-feira, Aécio Neves deu uma de Suárez. Desferiu uma mordida no recato dentro da grande área da peleja sucessória. Mostrou os dentes ao comemorar, diante de câmeras e microfones, o drible que dera em Dilma Rousseff, atraindo para sua coligação o governista PTB, partido do presidiário Roberto Jefferson.
“Muito mais gente já desembarcou e o governo ainda não percebeu”, disse o presidenciável tucano, preparando a dentada. “Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”, acrescentou, fechando a mandíbula.
Aécio reagia a um comentário de Dilma. Discursando horas antes na convenção do PSD de Gilberto Kassab, que confirmou a adesão à sua reeleição, a presidente da República criticara os políticos que firmam acordos por “conveniências” e não por “convicções”.
“É muito importante assumir e cumprir compromissos na política, isso é inegociável”, dissera Dilma, abespinhada com o fato de que alinhavara o apoio do PTB num almoço com a cúpula da legenda. Posara para fotos ao lado de personagens duros de roer, como Fernando Collor. E, no fim das contas, não levou o tempo de propaganda eletrônica do agora ex-aliado.
“Lealdade é uma das bases da política feita com grandeza”, queixou-se Dilma perante os convencionais do PSD, legenda nascida de uma costela do DEM. “Não é subordinação cega, é respeito mútuo e zelo pela palavra empenhada. Engana-se quem acha que essa espécie de esperteza funciona. Ela tem vida curta. Na vida política, não podemos prescindir do respeito e da civilidade”
Poucas vezes a questão de meios e fins foi tão presente como nessa fase em que os candidatos ao amor da República trocam caneladas na disputa pelo tempo de publicidade eleitoral no rádio e na tevê.
Dilma falou em “política feita com grandeza”, “convicções”, “respeito” e “civilidade” num dia em que, cedendo à chantagem do PR do mensaleiro Valdemar Costa Neto, passou na lâmina o pescoço do ministro dos Transportes, César Borges. É um “acinte”, atacou Aécio. É “a mercantilização da política.”
De fato, aumentar a vitrine eletrônica devolvendo ao PR o acesso às arcas dos Transportes é um abracadabra para a caverna de Ali-Babá. Mas como qualificar o conselho de Aécio aos silvérios do governo senão como outro acinte?
Submetido à frase do candidato mais bem-posto da oposição —“Eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”— o eleitor olha ao redor e fica tentado concluir que a eleição virou uma loteria sem prêmio.
Troca-se a ilusão de que é possível começar tudo de novo pela convicção de que o voto é apenas um equívoco incontornável que se renova de quatro em quatro anos. Não chega a ser uma sucessão presidencial. No máximo, muda o chefe dos vampiros. No mínimo, nem isso.

Bola fora é essa matéria tendenciosa, o Collor apoiou o PT desde que voltou para a política. Agora que o PTB deixou a base vcs vem com esse papinho. hahaha.
Pois é Dilma, está cobrando lealdade agora que seus aliados estão zarpando do barco, mas será que seu partido foi leal à eles?
Muito pior é PT de Zé Dirceu, Genuíno e cia ltda.
Nada de mais, afinal aqui não é a terra onde se louva o 'debaixo dos panos'?!
Quem milita(eu não, apenas rememoro) aqui na política local já ouviu de todos os políticos daqui do RN principalmente enquanto estavam em oposição: 'continuem nos cargos, mordam enquanto puderem MAS DEBAIXO DO PANO VOTE EM MIM!'.
E não é isso mesmo que esses citados pelo Aécio Neves estão fazendo?
È. Aécio tá mostrando os dentinhos
GOVERNABILIDADE E SUSTENTAÇÃO PARLAMENTAR: PRAGMATISMO OU MORTE!
Ainda não acordaram? Política não é uma ciência exata, e sim uma arte que se faz dessa forma desde sempre. Nela não há anjos e/ou demônios, só estrategistas lutando pelo PODER (uns querendo se manter e outros querendo tomar). O PT é que demorou a aprender essa lição, e por isso amargou três derrotas consecutivas. Contudo percebeu que tudo não passa de um jogo ou mesmo uma guerra, e hoje joga melhor e faz mais bem feito do que a oposição, que não está coligado com esses mesmos grupos que atacam, apenas porque tais grupos não querem se coligar com eles, pois são grupos adesistas de “situação”, que inclusive já estiveram com eles no passado. O governo de FHC, num primeiro momento, formou uma aliança tendo por membros os dois partidos cujos representantes compunham a chapa presidencial (PSDB e PFL), além do PTB, que integrava a coligação eleitoral, incorporando depois as adesões do PMDB e do PPB. A coalizão proporcionou ao Executivo uma sustentação parlamentar que beirava os 75% das cadeiras na Câmara e no Senado.
As cinco primeiras emendas do período FHC eram todas referentes à desregulamentação dos mercados, à desestatização e à abertura econômica. Entre elas, a mais controversa era a que acabava com o monopólio estatal na exploração do petróleo, mas mesmo assim foi possível sancioná-las já no primeiro ano de mandato, graças à lua-de-mel do presidente com o país e à sua ampla base de apoio congressual.
Vamos deixar de ser ingênuos ou maledicentes, pois “puristas” e “radicais” na política não se estabelecem e muito menos se sustentam. Ou se faz alianças, acordos, pactos e adesões com partidos e líderes partidários de direita, centro e/ou de esquerda, ou não se ganha eleição. E se ganhar não consegue governar.
Vejam os exemplos clássicos das alianças no RN: Rosalba é enxotada e repudiada por todos os Partidos em função da acusação de ter afundado o Estado, mas ao mesmo tempo os dois candidatos, ambos saídos do seu próprio seio de alianças (vice governador e ex aliados), agora disputam o seu apoio político e consequentemente seus votos. Tem lógica?
Dona Fátima não vai querer o apoio de Rosalba???
ora ora, ela quer o apoio do cão, do ney lopes de souza e de quem mais chegar, ela quer apenas o poder.
"Vão sugar um pouco mais. E eu digo para eles: façam isso mesmo, suguem mais um pouquinho e depois venham para o nosso lado”
Impressionante a mentalidade do candidato do PSDB