Bolsonaro agradece liberação de insumo para Coronavac

Pressionado pelo atraso no início da vacinação no Brasil e pela queda em sua popularidade, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afagou nesta segunda (25) o governo chinês —frequentemente atacado por uma ala do bolsonarismo— por ter dado sinal verde ao envio de um lote de insumos da Coronavac. O presidente ainda agradeceu a colaboração da China. Autoridades do país asiático autorizaram a exportação de 5.400 litros de insumos do imunizante da chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

O lote de IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) liberado pela China deve ser suficiente para a fabricação de 8,5 milhões de doses da Coronavac. Bolsonaro já chamou o imunizante de “a vacina chinesa do Doria”. A autorização foi celebrada por Bolsonaro no Twitter. A atitude marca uma mudança na retórica anti-China que o presidente e a ala ideológica vinham protagonizando, com declarações vistas como ofensivas por Pequim.

“A Embaixada da China nos informou, pela manhã, que a exportação dos 5,4 mil litros de insumos para a vacina Coronavac foi aprovada e já estão em área aeroportuária para pronto envio ao Brasil, chegando nos próximos dias”, escreveu o presidente.

“Assim também os insumos da vacina AstraZeneca estão com liberação sendo acelerada. Agradeço a sensibilidade do governo chinês, bem como o empenho dos ministros Ernesto Araújo [Relações Exteriores], Eduardo Pazuello [Saúde] e Tereza Cristina [Agricultura].”

O ministro da Saúde disse que a expectativa é que a matéria-prima chegue ao Brasil até o final desta semana.

A Coronavac está no centro da chamada “guerra da vacina” entre o governador de São Paulo e Bolsonaro.

Ao longo de 2020, o presidente atacou a Coronavac em mais de uma ocasião. Ele disse que a vacina não transmitia confiança por sua origem e garantiu que o governo não a compraria. Porém, a pressão de governadores e as críticas de falta de planejamento da campanha brasileira de imunização levaram o Ministério da Saúde a anunciar a compra de 100 milhões de doses da vacina.

Após o anúncio feito por Bolsonaro, João Doria, do PSDB, reagiu e afirmou que a liberação do envio do insumo não foi obra do governo federal. “Todo o processo de negociação com o governo chinês para a liberação de 5,4 mil litros de insumo para a vacina do Butantan foi realizado pelo Instituto [Butantan] e pelo governo de São Paulo, que vem negociando com os chineses a importação de vacinas e insumos desde maio do ano passado.”

Doria é o principal fiador do acordo entre o Butantan e o laboratório Sinovac e, no dia 17 de janeiro, garantiu uma vitória política sobre Bolsonaro ao iniciar a vacinação em São Paulo com a Coronavac.

O governo federal queria dar o pontapé da imunização com 2 milhões de doses da Oxford/AstraZeneca trazidas da Índia. No entanto, a importação atrasou em uma semana, garantindo o protagonismo do tucano.

Bolsonaro vinha apostando na vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a empresa AstraZeneca. No Brasil, o imunizante será produzido pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

Tanto a Coronavac quanto a Oxford/AstraZeneca estão com seus cronogramas ameaçados por dificuldades de acessar matérias-primas fabricadas na China.

A Fiocruz afirmou que ainda não tem data para a saída de seu lote de IFA, que será suficiente para a produção de 7,4 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19.

Nos últimos dias, ministros do governo e Doria fizeram apelos a autoridades chinesas para que os IFAs que estavam retidos no país asiático fossem liberados.

O histórico de ofensas à China de aliados do presidente brasileiro —entre eles seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub— foram apontados como obstáculos para o aval de Pequim.

Além disso, Ernesto tem péssima interlocução com a missão diplomática chinesa em Brasília, outro empecilho para as negociações.

Diante do risco de atraso no cronograma de produção do Butantan e da Fiocruz, o governo mobilizou ministros que têm boas relações com a China para tentar agilizar os trâmites necessários.

Auxiliares relataram que a principal interlocutora entre a missão diplomática chinesa em Brasília e o Palácio do Planalto foi Tereza Cristina. Em sua pasta, ela supervisiona as vultuosas exportações do agronegócio. Ernesto também buscou desfazer o mal-estar criado com as autoridades chinesas por falas passadas e por ter repreendido o embaixador chinês, Yang Wanming, numa troca de acusações com Eduardo Bolsonaro .

Em 15 de janeiro, Ernesto enviou uma carta ao chanceler chinês, Wang Yi, destacando a importância da cooperação entre os dois governos.

O documento destaca conversas anteriores de autoridades das duas nações e faz um apelo para que Pequim desse a autorização para as exportações.

A expectativa de diplomatas e assessores militares é que as dificuldades enfrentadas na semana passada —sejam elas uma retaliação política, sejam apenas reflexo da falta de interlocução do Itamaraty com a China— marquem o início de uma política mais pragmática com o país asiático.

Embora as mensagens publicadas por Bolsonaro indiquem que a retórica anti-China deve perder espaço, assessores lembram que os ataques costumam partir de expoentes da ala ideológica, principalmente de Eduardo Bolsonaro.

O embaixador da China no Brasil comentou o anúncio feito por Bolsonaro nas redes sociais. “A China está junto com o Brasil na luta contra a pandemia e continuará a ajudar o Brasil neste combate dentro do seu alcance. A união e a solidariedade são os caminhos corretos para vencer a pandemia”, escreveu o diplomata.

FOLHAPRESS

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Natalense disse:

    De tão pequeno o presidente cabe no bolso de João Dória.

  2. Santos disse:

    Um governo que inaugura bica e ponto de internet tem condições de negociar com a China desde quando?
    É difícil dizer isso mas lá vai: Obrigado João Dória por ter assumindo a presidência do Brasil na condução da crise do covid 19.

  3. Tiago disse:

    Ele não fez nada. Agradeçam a Dória.

    • Ignácio disse:

      Doria não tem chanceler, embaixadas e consulados.
      Quem tem é o doido que recebeu 57.000 milhões de votos tá??
      Blz??
      É melhor JAIR se acustumando.
      Vai ater 2026.

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