E O DEVIDO VALOR? Cada vez mais pessoas interfonam residências em Natal oferecendo serviços para jardinagem; fora do país é comum e muitos brasileiros fazem

Imagem: ROYALTY FREE

Por Rodrigo Matoso

Cada vez mais podemos encontrar pessoas interfonando residências em Natal oferecendo seus serviços para jardinagem, ou mesmo, para uma simples limpeza de canteiros nas fachadas dos imóveis.

“Senhor, posso tirar os matinhos aqui de frente em troca de um dinheirinho”; “Senhor, precisando de um serviço de limpeza em seu jardim ou quintal?”, normalmente essas são as abordagens dessas pessoas, que surgem equipadas com ferramentas, e outras até em suas carroças.

Pois bem. Esta atividade digna e sofrida esbarra em um costume cada vez mais comum no Brasil: a desconfiança.

No país em que a educação não é tratada com seu devido merecimento, somando ainda o trauma da insegurança, a desconfiança faz prevalecer.

Curiosamente, a maioria de nós tem em um comum um amigo, conhecido ou parente morando no exterior que se submete ou se submeteu ao trabalho duro, muito semelhante ao referido neste texto. Serviços que vão da jardinagem a tantos outros dignos e desgastantes, como panfletagens, auxílio em obras, lavar louças e demais serviços gerais. Em meio a esses sacrifícios, quando questionadas se sentem falta do Brasil, a maioria responde que não. “Lá” existe educação, respeito, segurança e educação.

Aos trabalhadores em Natal que buscam bicos de jardinagem e limpeza, atrás do seu dinheirinho, infelizmente, terão que torcer pela confiança de quem o atende, na esperança de uma disponibilidade financeira, de tempo e, por fim, em um depósito sua confiança.

“Senhor, eu não sou ladrão. Estou atrás de um serviço. Pode até mesmo me pagar sem abrir o portão”, frase que já ouvi e que outros também devem ter ouvido por aí. De partir o coração, no país da desconfiança, da falta da segurança e da deficitária educação.