Com medo, ex-jogador Roberto Carlos usa disfarce para chegar ao Castelão

robertoO lateral esquerdo aposentado Roberto Carlos foi uma das milhares de pessoas que precisaram caminhar quase cinco quilômetros para conseguir chegar ao Castelão na tarde desta quarta-feira, data da partida entre Brasil e México, pela Copa das Confederações. Já dentro do estádio, ele recuperou o fôlego e relatou o que viu no trajeto onde houve confronto entre policiais e manifestantes.

“Era uma confusão danada lá fora. Tentei passar com o carro, mas estava sem credencial e não consegui. Tive que andar no meio da bagunça toda. Nessas horas, é melhor ser anônimo”, disse Roberto Carlos, sorrindo.

Precavido, o atual técnico do time turco Sivasspor e comentarista de uma emissora mexicana de televisão durante a Copa das Confederações recorreu a um boné para se disfarçar em meio à multidão. “Deixei esse chapéu bem enfiado na cabeça e apertei o passo, escondido. Era melhor não ser reconhecido. Alguns até me perguntavam se eu era o Roberto Carlos. Respondia que não, que todo o mundo me achava parecido, mesmo”, narrou.

Apesar de não gostar de ir às ruas, Roberto Carlos apoiou as manifestações que cobram melhores condições de vida à população. “Tudo é válido, desde que sem violência. No carro, eu até estava falando para amigos que as pessoas não querem um estádio lindo desses, com um monte de dinheiro público, e sim resolver os seus problemas sociais”, observou. “Mas o povo perde a razão quando faz uso da violência”, ponderou.

Os manifestantes do entorno do Castelão entraram em conflito com os policiais por volta de 12 horas (de Brasília), quando decidiram transpor a barreira que lhes era imposta. Os gritos de “sem violência” não impediram o Batalhão de Choque de agir para conter o avanço do protesto.

Gazeta Esportiva