Economia

Com vendas em baixa, setor imobiliário sofre com queda de preços

Por O Globo

Excesso de oferta. Prédios no Recreio, bairro foi um dos que registraram preço estável com a mudança no mercado imobiliário. Em apenas três bairros, valor do imóvel subiu mais do que a inflação: Bangu, Centro e Ilha do Governador Foto: FABIO ROSSI

Lançamentos em série, vendas meteóricas, escalada de preços. Esqueça. Tudo isso ficou no passado do mercado imobiliário brasileiro. Com a crise político-econômica, os negócios no setor esfriaram. Houve estabilização de preços e, com o freio no consumo, os estoques de unidades prontas cresceram. Ano passado, as vendas de imóveis encolheram 35% e não dão sinal de recuperação.

Para ganhar a confiança do agora supercauteloso consumidor, construtoras e imobiliárias já oferecem promoções de até 20% de desconto e negociam melhores condições de pagamento. No segmento de imóveis usados, que precisa concorrer com a grande oferta de novos, as reduções de preço são mais frequentes, mesmo em cidades como o Rio, considerada a melhor praça do setor no país.

A demanda persiste. Mas, a exemplo do que acontece na economia, passa por um período de ajuste, após uma época de euforia em negócios para investidores, construtoras e compradores. Agora, para garantir a venda de um empreendimento, afirmam especialistas, é preciso oferecer um produto finamente adequado à demanda, casando localização, qualidade e preço. Isso vale para todas as categorias, dos projetos para a classe média aos top de linha.

O consumidor — arisco pelo retorno do medo do desemprego e com o orçamento mais apertado — teme ainda investir em um mercado que deve acompanhar a variação da inflação em 2015, perdendo a atratividade dos últimos anos. Pesam ainda nessa conta a queda no preço dos aluguéis e fatores como segurança e mobilidade urbana.

Nesse cenário, a exemplo do que já fizeram ano passado, as construtoras vão reduzir lançamentos em 2015. Em São Paulo, o estoque de imóveis prontos é recorde, com mais de 27 mil unidades à espera de comprador. Em Brasília, as vendas caíram pela metade, puxando redução de até 20% nos preços.

Nos últimos anos, muitos proprietários de imóveis da Zona Sul, Niterói, Barra e da Grande Tijuca passaram a se sentir milionários. Tudo graças à incrível valorização das residências nestas regiões. Agora o movimento é outro: é preciso ajustar preços. E nem mesmo quem trabalha neste mercado escapa da nova realidade. Elza Salles, gerente de uma imobiliária, está penando para vender seu apartamento de três quartos e 120 metros quadrados na Rua Santa Clara, coração de Copacabana. Anunciado por R$ 1,5 milhão cinco meses atrás, ela não recebeu nenhuma ligação pelo imóvel. Mês passado, Elza baixou o valor para R$ 1,25 milhão. Nada ocorreu. Até o momento, a melhor proposta que recebeu foi de R$ 1,1 milhão, mas insiste no preço pedido:

– É um apartamento que venderia como quisesse antes da Copa. Hoje, tenho dificuldade.

Não é um caso isolado. A valorização na maior parte dos bairros da cidade nos últimos 12 meses ficou abaixo da inflação e chegou a cair em áreas como Lagoa (-1,01%) e Gávea (-1%), segundo dados do Secovi-Rio, sindicato do setor de habitação. Em outros, ficou quase estável: Recreio (0,22%), Flamengo (0,37%) e Botafogo (1,83%) estão entre eles. Em apenas três bairros, a alta superou a inflação acumulada no período, que foi de 7,14% segundo o IPCA: Bangu (25,31%), Centro (9,02%) e Ilha do Governador (7,52%), locais onde a oferta é mais estrita.

Os ajustes estão aí. Quem planeja comprar imóvel novo pode conseguir descontos de até 20%. Quem optar por um usado deve negociar abatimentos que já chegam, em média, a 10%. Os valores estão estáveis, com oportunidades devido ao freio na economia.

– Os estoques de imóveis novos estão maiores e isso afeta os preços. Mas dificilmente haverá queda relevante em preços de imóveis. A margem do setor é baixa e a saída passa a ser negociar as condições de pagamento – diz João Paulo de Matos, presidente da Ademi-Rio.

O mercado do Rio totalizou 16,9 mil unidades lançadas no ano passado, queda de 20% ante 2013. Este ano, os lançamentos devem cair no mesmo patamar ou até mais. A proporção, diz Matos, dependerá das condições da economia.

Ricardo Humberto Rocha, professor do Insper, destaca que não se trata de bolha imobiliária no Brasil. Mas vê a retração em lançamentos como algo inevitável, repetindo ou superando a taxa registrada em 2014:

– Esse ajuste levará a dois questionamentos de pontos nebulosos: a real margem das construtoras e os custos do setor.

Para Pedro Seixas, coordenador acadêmico do MBA em negócios imobiliários da FGV, é uma questão de equilíbrio entre oferta e procura:

– A oferta está maior, então é bom para quem quer comprar imóvel.

As imobiliárias estão atentas à mudança. Há comentários sobre corretores independentes trocando de ramo e pequenas empresas optando por funcionários em home office.

– Acabou a época em que o vendedor mandava no mercado. Em 2014, as vendas de imóveis no Rio caíram 35%. Para vender, é preciso seduzir o consumidor com melhor preço, qualidade e produto adequado – diz Rubem Vasconcelos, presidente da Patrimóvel. – Mais à frente, com estoques zerados, o preços tendem a subir.

A RJZ Cyrela concentra esforços na imobiliária própria, treinando o exército de 500 corretores. Não mexeu em preços e condições de pagamento, mas trabalha na adequação de produtos e controla a assinatura de contratos.

– A venda é mais trabalhada. E o produto também precisa ser mais adequado. Se atende à demanda, vende bem – diz Rogério Jonas Zylbersztajn, presidente da companhia.

A PDG, por exemplo, realiza uma espécie de saldão neste fim de semana. No mercado do Rio, vai oferecer descontos de até 20%. Há exemplo de redução de até R$ 450 mil no preço.

– É mais uma questão de conjuntura. Não vejo mudanças estruturais que justifiquem queda de preços no médio prazo – diz Carlos Piani, presidente da incorporadora.

O vice-presidente de Operações no Rio da Brasil Brokers, Bruno Serpa Pinto, espera diversos eventos de feirões na cidade, para resolver problemas pontuais das construtoras:

– Será algo igual ao feito pela indústria automobilística, vamos enxugar o pátio e o setor seguirá.

Rafael Menin, presidente da MRV, pondera que a situação não está tão ruim para o mercado de baixa renda, pois o desemprego ainda não chegou ao segmento. Além disso, os subsídios do Minha Casa Minha Vida são garantidos com recursos do FGTS.

– O Brasil precisa construir um milhão de residências por ano, a demanda segue – avalia.

A Gafisa criou um pacote de medidas para atenuar a cautela do consumidor. Imóveis adquiridos na planta este mês terão taxa zero de reajuste até o fim das obras. A empresa promete indenização em caso de atraso na entrega, além de isenção de juros por parcelas não pagas por até seis meses caso o comprador perca o emprego, diz o diretor Luiz Siciliano.

Esse medo de comprar do consumidor é um dos entraves ao mercado. Por trás dele há mais que a cautela frente ao cenário econômico, com instabilidade de emprego e renda.

– Para o brasileiro, comprar a casa própria é a realização de um sonho. Representa estabilidade, sucesso, numa lógica de resguardo e proteção. Mas agora está atrelada a contratos de financiamento por uma vida inteira. As pessoas têm medo de se arriscar – explica Hilaine Yaccoub, doutora em antropologia do consumo e professora da ESPM-Rio.

Com pessoas fugindo da compra e maior oferta de imóveis, em paralelo, cai o preço do aluguel.

– O ano passado foi o que mais fechei contratos de locação nos últimos cinco anos. Os investidores pularam fora do mercado. Quem tem dinheiro aplicado pensa duas vezes antes de investir num ativo que não vai render mais que a inflação. Isso emperra o mercado – diz Rodrigo Barbosa, do site Morabilidade, com foco em imóveis classe A.

Miguel de Oliveira, diretor da Associação dos Executivos de Finanças (Anefac), alerta para o fato de haver mais dificuldade na concessão de crédito:

– Os bancos estão mais seletivos, exigem mais garantias e estão menos dispostos a dar financiamentos longos, de 35 anos.

Rogério Quintanilha, gerente de vendas da administradora de imóveis Apsa, destaca que a maior dificuldade de vendas está aumentando o número de pessoas ofertando imóveis para aluguel:

– Ficar com imóvel fechado implica custos. Então os preços começam a cair.

O engenheiro de produção Heladio Fernandes é dono de um apartamento de 60m² na Avenida Lúcio Costa, na Barra. O imóvel – um quarto e sala, com varanda e vista para o mar – está para alugar há dois meses por R$ 5 mil.

– Não tive nenhuma solicitação, então, esta semana baixei o preço para R$ 4 mil e já apareceu um casal interessado – contou ele.

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Geral

Lua de sangue poderá ser vista do RN durante eclipse lunar em agosto

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Foto: Reprodução 

Moradores do Rio Grande do Norte poderão observar, a olho nu, um eclipse lunar parcial na madrugada do dia 28 de agosto. O fenômeno, que pode deixar a Lua com aparência avermelhada, será visível em todo o Brasil. A fase parcial começa na noite do dia 27 e segue pela madrugada do dia 28.

O eclipse será o segundo fenômeno desse tipo registrado em agosto. Antes dele, no dia 12, ocorrerá um eclipse solar total, mas o evento não poderá ser observado do Brasil.

A observação começa ainda na noite de quinta-feira (27). A fase parcial do eclipse terá início por volta das 23h33 e atingirá o ponto máximo às 1h12 da sexta-feira (28). A fase parcial termina às 2h51, enquanto a etapa penumbral segue até as 4h01.

O fenômeno poderá ser acompanhado sem equipamentos especiais, desde que as condições do céu estejam favoráveis. A melhor visualização ocorre em locais com pouca iluminação artificial e com o horizonte livre.

No eclipse lunar, a Terra fica posicionada entre o Sol e a Lua. Com isso, a sombra do planeta atinge a superfície lunar e faz com que parte do satélite natural fique escurecida. Em determinadas condições, a Lua pode adquirir uma tonalidade avermelhada, fenômeno popularmente conhecido como “Lua de sangue”.

Tribuna do Norte

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Política

[VÍDEO] PEGOU FOGO: Allyson e Cadu trocam acusações de “mentiroso” em debate na Band RN

Vídeo: Reprodução

Durante o debate entre os candidatos a governador na Band RN, no domingo (9), o clima esquentou entre Allyson Bezerra (União Brasil) e Cadu Xavier (PT).

Os dois trocaram acusações após Allyson perguntar a Cadu como ele faria para quitar os consignados que estão atrasados há mais de um ano e afirmar que os salários dos servidores estaduais estariam atrasados.

Cadu admitiu o atraso nos consignados, mas não respondeu como faria para quitar a dívida. Ele, no entanto, afirmou que os salários dos servidores estão em dia. O candidato do União Brasil retrucou dizendo que a informação era mentira. O candidato do PT rebateu afirmando que o mentiroso era Allyson. “O senhor é uma grande mentira. O povo do Rio Grande do Norte vai descobrir a mentira que é Allyson Bezerra”, atacou o petista.

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Judiciário

Ex-marido de Maria da Penha passa por audiência de custódia nesta segunda em Natal

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Foto: Reprodução

Marco Antônio Heredia Viveros, ex-marido de Maria da Penha, passa por audiência de custódia nesta segunda-feira (10), em Natal. A audiência está prevista para ocorrer às 14h.

Viveros foi preso preventivamente neste domingo (9), após o cumprimento de um mandado expedido pela Justiça do Ceará. A prisão foi determinada pelo 1º Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Fortaleza por suposto descumprimento de medida protetiva em vigor desde 2024.

Segundo a decisão judicial, Viveros teria violado as restrições ao conceder uma entrevista a uma emissora de televisão sobre o caso de Maria da Penha. A Justiça também determinou a retirada de conteúdos relacionados à entrevista das plataformas digitais.

Na audiência de custódia, a Justiça deverá avaliar as circunstâncias da prisão e a situação da custódia de Viveros. O procedimento ocorre após a captura do suspeito em Natal, onde ele foi localizado pelas autoridades.

Tribuna do Norte 

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Brasil

TSE deve julgar na próxima semana ação que questiona IA de Bolsonaro

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Foto: Reprodução

O ministro Nunes Marques, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), pretende incluir na pauta de julgamentos da próxima semana a ação que questiona o uso de um vídeo gerado por meio de inteligência artificial em que Jair Bolsonaro (PL) declara apoio à candidatura do filho à Presidência.

Antes de definir a data do julgamento e incluir no calendário do TSE, Nunes Marques quer reunir os colegas do Tribunal para buscar um consenso prévio sobre o assunto, que divide magistrados, especialistas e políticos e terá impacto no processo eleitoral deste ano.

O encontro também deve servir para os ministros tentarem costurar um acordo sobre pesquisas eleitorais. O presidente do TSE é o responsável por uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que questiona a pesquisa AtlasIntel que apontou queda do senador após revelação do caso Dark Horse.

A decisão causou incômodo no Tribunal, no STF (Supremo Tribunal Federal) e entre integrantes do Ministério Público Eleitoral.

O encontro entre os ministros, que deve acontecer nos próximos dias, servirá para destravar o julgamento da ação, que teve início no primeiro semestre, mas foi suspenso após um pedido de vista.

Durante o recesso, os ministros se reuniram com representantes de institutos de pesquisa para discutir critérios e parâmetros para a realização e a divulgação de levantamentos eleitorais.

CNN

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Acidente

Adolescente de 17 anos morre após perder controle de moto e bater em árvores no RN

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Foto: Reprodução

Um adolescente de 17 anos morreu na madrugada deste domingo (9) após perder o controle da motocicleta que conduzia e bater em árvores às margens de uma rua em Pau dos Ferros, no Alto Oeste potiguar. O acidente aconteceu por volta das 5h30, na Rua Joel Praxedes, no bairro Riacho do Meio.

Segundo a Companhia Independente de Policiamento Rodoviário (CIPRv), a vítima foi identificada como Guilherme Sheldon Alves do Nascimento. De acordo com a polícia, ele trafegava em alta velocidade em uma motocicleta Honda CG 160 Start quando perdeu o controle da direção.

Ainda conforme a corporação, a motocicleta atingiu várias árvores antes de o adolescente cair. Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada, mas encontrou o jovem já sem vida.

A rua precisou ser interditada para o trabalho da Polícia Civil e da Polícia Científica, responsáveis pela perícia e remoção do corpo. A Polícia Rodoviária Estadual registrou a ocorrência e vai apurar as circunstâncias do acidente.

Por ter 17 anos, Guilherme não poderia possuir Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Pelo Código de Trânsito Brasileiro, a habilitação para conduzir veículos motorizados é permitida apenas para maiores de 18 anos.

G1RN

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Cidades

Obras na Rua João Pessoa avançam para nova etapa a partir desta segunda-feira (10)

Foto: Divulgação

As obras de requalificação da Rua João Pessoa, na Cidade Alta, entram em uma nova fase a partir desta segunda-feira (10). A Prefeitura de Natal vai intensificar os serviços no trecho entre a Rua Princesa Isabel e a Avenida Rio Branco, com o objetivo de acelerar o cronograma da obra, que tem conclusão prevista para dezembro.

Nesta fase, as equipes vão retomar a instalação da rede subterrânea de energia e telecomunicações e avançar na recuperação das calçadas, com a implantação do piso intertravado e acessível. A etapa da rede elétrica deve durar cerca de 15 dias.

Depois disso, a concessionária de energia instalará uma subestação para atender os imóveis da região e fará a retirada dos postes que ainda sustentam a rede antiga. Só então a obra seguirá para a fase final.

Segundo a Prefeitura, a intervenção faz parte do projeto de revitalização da Cidade Alta, um dos principais polos comerciais e históricos de Natal.

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Geral

Ex-presidente dos Correios depõe à PF por suposta fraude em eleições

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-presidente dos Correios Fabiano Silva dos Santos (foto em destaque) prestou depoimento à Polícia Federal, em 9 de julho, em um inquérito que investiga suposta interferência na eleição de 2024 do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco).

A investigação foi instaurada a pedido do procurador Athayde Ribeiro Costa, que fez parte do núcleo duro da finada Operação Lava Jato. Em despacho obtido pela coluna, ele apontou “indícios mínimos” de corrupção, prevaricação e falsidade ideológica na relação entre a estatal e dirigentes do Sindifisco, que representa os servidores de uma das categorias mais bem pagas do país.

À coluna, o advogado Michel Saliba, que representa o ex-presidente dos Correios, afirmou que Athayde age por “vingança” (Fabiano é uma das principais lideranças do Grupo Prerrogativas, crítico da Lava Jato).

O Sindifisco afirma que a investigação representa uma nova tentativa de sustentar uma acusação de fraude que foi rejeitada em diferentes instâncias. Os Correios informaram que ainda não foram oficialmente notificados sobre o caso e que adotarão as medidas administrativas e legais cabíveis quando isso ocorrer.

O caso começou com uma acusação feita por George Alex Lima de Souza, candidato derrotado na disputa pelo comando do Sindifisco.

A denúncia sustenta que os Correios interferiram na eleição ao adotar um procedimento especial para receber cartas-respostas utilizadas na votação. A acusação percorreu diferentes instâncias desde então — e, segundo o Sindifisco, esta é agora a oitava frente aberta pelo candidato derrotado para tentar sustentar a mesma tese.

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Geral

Pesquisa BTG/Nexus aponta que 49% dos eleitores desaprovam o presidente Lula

Ricardo Stuckert

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem desaprovação de 49% dos eleitores, de acordo com nova rodada de pesquisa da BTG/Nexus divulgada nesta segunda-feira (10). O levantamento aponta ainda que o índice de aprovação é 46%.

De acordo com os dados, a percepção sobre o governo atual sofreu leve oscilação em relação ao levantamento anterior, divulgado no dia 3 de agosto. Naquela rodada da pesquisa, a aprovação era 47% e a desaprovação somava 48%.

No detalhamento qualitativo do governo federal, 34% dos entrevistados avaliam a administração petista como “ótima ou boa”, ao passo que 44% a classificam como “ruim ou péssima”. A parcela de eleitores que considera o desempenho da gestão “regular” soma 21%.

Rejeição dos candidatos

A pesquisa Nexus/BTG mostra que o senador Flávio Bolsonaro está numericamente à frente do presidente Lula no quesito rejeição entre o eleitorado brasileiro: 50% a 48%. Em relação à última pesquisa do instituto, o petista teve queda de 1 ponto percentual na taxa de rejeição, enquanto o adversário subiu o mesmo número.

  • Flávio Bolsonaro — 50%
  • Luiz Inácio Lula da Silva — 48%
  • Ronaldo Caiado (PSD) — 32%
  • Romeu Zema (Novo) — 31%
  • Renan Santos (Missão) — 29%

A corrida presidencial

A nova rodada da pesquisa BTG/Nexus aponta vantagem do presidente Lula sobre Flávio Bolsonaro nas intenções de voto no primeiro turno e empate técnico entre ambos os candidatos no segundo turno, na disputa pela Presidência da República.

Com informações do Metrópoles 

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Geral

Reforma muda tributação das bets no Brasil

Mulher usa plataforma de apostas online, conhecidas como bets, dentro de metrô, em São Paulo – Laryssa Toratti / Folhapress

A reforma tributária criou um regime específico para as bets. Também determinou que o Imposto Seletivo, tributo criado para incidir sobre bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, faça parte da base de cálculo do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), que serão cobrados a partir de 2027.

A nova tributação foi tema do Curso Reforma Tributária do Consumo, realizado pela Receita Federal em parceria com o CFC (Conselho Federal de Contabilidade), em um momento de expansão do mercado de apostas no país.

Estudo divulgado pelo Comsefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda) aponta que as bets movimentaram R$ 350,97 bilhões em transferências via Pix em 2025, ano em que foram regulamentadas, enquanto as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões líquidos para as plataformas de apostas esportivas no mesmo período.

Com a cobrança efetiva dos novos tributos criados pela reforma (IBS e CBS) no próximo ano, as casas de apostas passarão a seguir o regime específico dos chamados concursos de prognósticos, categoria que inclui apostas de quota fixa —como as bets—, loterias, sorteios, corridas de cavalo, fantasy sports (jogos baseados na escalação de times virtuais com jogadores reais) e outras modalidades de aposta, realizadas tanto em meio físico quanto virtual.

A tributação sobre o consumo dessas empresas não terá como base todo o volume movimentado pelos apostadores, mas a chamada receita própria. Seu cálculo considera o total arrecadado nas apostas com a exclusão dos valores pagos em prêmios e das destinações legais obrigatórias (previstas para órgãos, fundos públicos e outros beneficiários), e acréscimo do Imposto Seletivo.

Na prática, portanto, a tributação segue esta ordem: primeiro são consideradas as receitas da operação; depois são aplicadas as deduções previstas; em seguida é calculado o Imposto Seletivo; por fim, IBS e CBS incidem sobre a base já acrescida desse tributo.

Segundo a Receita, o ponto principal a ser observado no regime é que o Imposto Seletivo, cuja alíquota ainda não foi definida, não será apenas um tributo adicional sobre as bets, mas um componente do cálculo dos novos tributos sobre consumo. Isso significa que IBS e CBS incidirão sobre um valor que já inclui o próprio Imposto Seletivo, aumentando o montante sobre o qual serão calculados.

Em uma situação hipotética, há R$ 100 mil de receita total da venda de apostas, R$ 40 mil de premiações pagas, R$ 10 mil de destinações legais e R$ 2 mil de PIS, Cofins e ISS. Após os descontos das premiações, das destinações legais e de PIS, Cofins e ISS, que são dedutíveis, a base de cálculo do Imposto Seletivo seria de R$ 48 mil (R$ 100 mil – R$ 62 mil).

Imaginando uma alíquota de 15%, o Imposto Seletivo seria de R$ 7,2 mil (15% de R$ 48 mil). Esse valor seria então incorporado à base do IBS e da CBS (R$ 48 mil), elevando-a para R$ 55,2 mil (R$ 48 mil + R$ 7,2 mil). Supondo a alíquota de referência de 28% para CBS e IBS, estimada pelo Comitê Gestor do IBS no fim de julho deste ano, a tributação total seria de R$ 15.456 (28% de R$ 55,2 mil).

Durante o curso, a Receita esclareceu que, no que se refere aos prêmios, a dedução somente é possível quando eles forem efetivamente pagos ao apostador. Um prêmio concedido, mas não retirado pelo ganhador, portanto, permanecerá na receita da empresa e não poderá ser utilizado como dedução para reduzir a tributação.

Atualmente, sobre as bets autorizadas a operar no Brasil incidem os tributos corporativos tradicionais (IRPJ, CSLL), PIS, Cofins, ISS e a contribuição de 13% sobre GGR (Receita Bruta dos Jogos), destinada à seguridade Social, educação, segurança e outras finalidades.

Em 2027, à carga tributária atual das casas de apostas serão somados IBS e CBS (que substituirão PIS e Cofins), Imposto Seletivo e haverá majoração da contribuição sobre o GGR para 14% —a partir de 2028, o percentual será de 15%.

Segundo o estudo do Comsefaz, até meados de 2024, os pagamentos de pessoas físicas para empresas do setor de artes, cultura, esporte e recreação e os valores transferidos de volta por essas empresas permaneciam em níveis relativamente próximos. A partir de 2025, porém, os pagamentos destinados ao setor cresceram de forma expressiva, enquanto as transferências no sentido contrário aumentaram em ritmo muito mais moderado.

“Esse comportamento indica que o setor passou a absorver um volume substancial de recursos das famílias sem devolução proporcional, característica típica dos mercados de apostas, nos quais apenas uma parcela dos valores apostados retorna aos jogadores na forma de premiações”, diz o documento.

Folha de São Paulo

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Geral

Guerra contra o Irã esgota estoques de armamento dos EUA e alarma autoridades

Centro de pesquisa espacial iraniano, um dos locais atingidos durante a guerra, em Teerã, em 6 de julho de 2026 – Foto: Emile Ducke /NYT

A guerra do presidente Donald Trump contra o Irã esgotou os estoques de armamentos dos EUA a níveis preocupantes, desviando suprimentos da Ásia e da Europa, segundo autoridades.

O suprimento em rápido declínio de mísseis de defesa aérea e outros armamentos na Europa e na Ásia não apenas deixa o Exército americano menos equipado, mas também poderia deixar Rússia e China mais confiantes caso considerem um potencial conflito com os Estados Unidos, disseram especialistas.

Bombardear o Irã consumiu milhares de mísseis que contêm peças de precisão vindas de uma rede global de fornecedores —e que podem levar anos para serem produzidos. Defender-se das barragens de retaliação do Irã desgastou os estoques americanos de mísseis de defesa aérea a um ponto que alarmou, em particular, autoridades de alto escalão do governo Trump, e levou os EUA a atrasar entregas a clientes europeus e asiáticos.

A campanha contra o Irã forçou o Pentágono a deslocar às pressas navios, aeronaves e unidades de defesa aérea de toda a Europa e Ásia para o Oriente Médio, um esforço com consequências em cascata para a manutenção de equipamentos e o moral das tropas, disseram autoridades americanas.

O resultado é uma erosão significativa do poder de fogo dos EUA nessas regiões, uma mudança com implicações de longo prazo que é uma preocupação crescente nas comunidades militar e de inteligência, disseram autoridades dos EUA e do Ocidente.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que os EUA têm “poder de fogo mais do que suficiente para realizar qualquer operação que o presidente ordenar, a qualquer momento e lugar”. Mas especialistas dizem que é quase certo que a crise de munições —parte da qual Trump herdou do presidente Joe Biden — vai perdurar além de sua Presidência.

Tom Karako, membro sênior do Center for Strategic and International Studies, em Washington, disse que o esgotamento de munições representa uma “aniquilação geracional dos meios de dissuasão convencional”. O impacto sobre como as decisões são tomadas em Pequim e Moscou, segundo ele, pode ressoar por anos.

“É impossível que isso não tenha um efeito significativo no cálculo decisório da Rússia e da China”, disse Karako, que vem acompanhando os estoques de armamentos dos EUA. “Eles podem fazer algo bastante deliberado, no momento que escolherem, porque não se esqueçam, vamos levar anos para reconstituir os estoques.”

Em reuniões que antecederam a guerra contra o Irã, o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, informou o presidente sobre os riscos de recorrer ainda mais aos estoques já reduzidos, segundo duas autoridades com conhecimento das conversas. Ainda assim, Trump decidiu seguir em frente, acreditando que a guerra terminaria rapidamente. Um porta-voz de Caine se recusou a comentar suas conversas privadas com o presidente.

Depois de atacar o Irã ao lado de Israel em 28 de fevereiro, Trump prometeu várias vezes a vitória em poucas semanas. Mais de cinco meses depois, ele continua incapaz de dobrar Teerã à sua vontade, ou de encontrar uma forma de encerrar a guerra.

Diz-se que a escassez de munições teve um papel em convencer Trump a adiar uma grande campanha de bombardeios no fim do mês passado. Mas isso também mostra como a decisão do presidente de atacar o Irã deixou os EUA e seus aliados mais vulneráveis a outras ameaças.

O governo Trump tem trabalhado com fornecedores militares para tentar acelerar e expandir a produção. Mas mesmo levando em conta esses esforços, pode levar mais de dois anos para os EUA reporem os mais de 1.500 mísseis interceptadores de defesa aérea Patriot usados na guerra contra o Irã. O estoque atual desses mísseis é de menos de 1.700, segundo duas pessoas informadas sobre o aasunto que falaram sob condição de anonimato para discutir detalhes militares sensíveis.

Trump ficou enfurecido com as reportagens sobre a escassez de munições. Ele ordenou uma ampla caçada a vazamentos em todo o governo e está exigindo processos criminais. Ele disse a assessores, em privado, que qualquer discussão sobre a crise de munições sinaliza fraqueza aos inimigos do país, e continua, em público, a minimizar o problema, negar que ele exista ou culpar seu antecessor.

“Nossas empresas de defesa estão fabricando mais munições do que nunca, ao mesmo tempo em que expandem rapidamente suas fábricas e equipamentos em níveis recordes”, escreveu Leavitt em comunicado. “Qualquer pessoa que tenha acesso a informações militares sigilosas e as vaze para a imprensa está traindo essa confiança e violando a lei federal, e deve ser processada com todo o rigor.”

Sean Parnell, principal porta-voz do Pentágono, disse que as reportagens sobre escassez de armamentos são falsas, acrescentando que os EUA têm “tudo o que é necessário para atacar no momento e no lugar escolhidos pelo presidente”.

Estadão

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