Está no Blog do Noblat
Nos últimos dias apareceu no Facebook um provocativo post, mais ou menos assim: Ele tem ódio à corrupção. Mas dirige bêbado, só respeita limite de velocidade onde há câmeras ou policiais fiscalizadores, se puder suborna um policial ou paga “um jeitinho” para escapar de multas; esperto, usa na empresa um programa que permite não registrar tudo que vende…
No entanto, esses todos ai nomeados acham que o problema do Brasil são os políticos corruptos. Aliás, no dizer dos não moradores do DF, “os políticos de Brasilia”. Como se a nossa bela Capital Federal produzisse sozinha todos os maus políticos do Brasil.
(Nunca é demais relembrar que os bons e os maus políticos chegam aqui – e também nos governos e legislativos estaduais e municipais – eleitos democraticamente com os votinhos e os votões de todos nós).
Quem nunca ouviu de um prestador de serviço a indagação “com ou sem nota fiscal”? Significa – e todos sabemos disso! – se você abrir mão da nota fiscal pagará menos porque ele não declarará o serviço e não pagará o imposto devido sobre aquilo. Ou seja, cena explicita de sonegação e de corrupção. Ele é o sonegador, corruptor. Nós os corrompidos para pagar menos. Não é isso?
Agora, se pesquisados, todos – o empresário e o prestador de serviço sonegador, o cliente corrompido, o motorista bêbado, o desrespeitador do limite de velocidade, o pagador de pequenas propinas – serão indignadamente contra a corrupção.
Vale a velha máxima “faça o e eu digo, mas não faça o que eu faço”, praticada desde Adão e Eva no paraíso, quando nem havia macacos e não dava para mandar um “macaco, olha o seu rabo”!
No nosso santo e indignado entender, parece, as pequenas corrupções do cotidiano são perfeitamente justificáveis. Afinal, os impostos são mesmos muito altos e, em grande parte, engrossam a grande corrupção; a lei seca e o limite de velocidade só existem porque muita gente dirige mal. O que não é o “seu” caso, claro.
O Caixa 2, que acabou rebatizado de “dinheiro não contabilizado”, de pequenas e médias empresas é questão de sobrevivência e amplamente praticado. Sonegação é outra coisa… Para ser crime mesmo tem que envolver dinheiro de muitos e muitos zeros. E por aí vai.
Tem mais, no imaginário popular, é esperto quem não é pego praticando os ditos “malfeitos” – grandes ou pequenos – e é otário o que se deixa pegar. É ou não é assim?
Então e a propósito do nosso farisaísmo, perguntar não ofende.
A cada eleição ouvimos, assistimos, lemos peremptórias declarações dos candidatos: a favor da educação, da saúde, de mais segurança, contra a corrupção!
Peraí, mas isso não é obvio? Quem se não loucos, degenerados, psicopatas, ditadores tresloucados seria contra melhor educação, melhor atendimento à saúde, mais e melhor segurança?
Quem seria publica e declaradamente a favor da corrupção? Nem corruptos de carteirinha, presos e condenados, seriam capazes de admitir isso.
A cada grande tragédia ou escândalo ouvimos e lemos repetida promessa da autoridade competente: haverá uma investigação/apuração “rigorosa” sobre o ocorrido, e os culpados “serão (exemplarmente) punidos”!
Peraí 2: Não é obrigatório que toda e qualquer investigação seja “rigorosa” e que todo e qualquer culpado seja “punido”?
Nesta eleição há um novo genérico muito usado, “vamos rever”. Rever, segundo o Aurélio, significa: tornar a ver, ver pela segunda vez, ver com atenção, cuidadosamente, revisar; ou corrigir, no caso de ”revisões ortográficas”.
O que então será especificamente o rever das promessas eleitorais? Será dar uma olhadinha? Revisar para quê exatamente? Para mudar alguma coisa ali? Mudar para mais? Ou para menos? Corrigir? Como explicitamente?
Peraí 3: Não há algumas coisinhas para serem “revistas” nos comportamentos, atitudes, nas grandes, pequenas e repetidas tolerâncias?

A mudança no mundo começa em mim!
Eis o povo brasileiro. Fura fila, invade a vez dos outros no trânsito e pagam garçons em festa para tratamento diferenciado. Vendem votos nas eleições, em troca de tijolo, telha ou outras bugigangas. Na verdade, a composição de nossas Casas politicas são parcela do povo brasileiro. Com virtudes e defeitos, ainda que com mais defeitos, dada a crise ética que passa essa nação. Veja como defendem a Dilma. O Aecio não difere, apenas será a quebra do continuismo.
Perfeito ! o texto retrata fielmente a hipócrita e antiética sociedade brasileira !