
Por FolhaPress
Não foi exatamente uma surpresa. Eduardo Cunha (PMDB) já havia conversado com pessoas próximas sobre a expectativa de ser preso. Viveu o auge dessa tensão nos dias que sucederam sua renúncia à presidência da Câmara, em julho, e, com ainda mais intensidade, depois de ter o mandato cassado pelos colegas, em setembro. Sabia que estava vulnerável.
Entre a sombra da prisão e o isolamento político, dedicou todo o seu tempo a duas tarefas: sua defesa na Justiça e o livro que prepara sobre o impeachment de Dilma Rousseff e a crise política.
A obra é vista como uma espécie de “delação informal”. Nela, Cunha será autor e protagonista. Vinha escrevendo “enlouquecidamente”, segundo aliados.
Em recente conversa com a Folha, Cunha disse que tinha mais de cem páginas prontas. Buscava um profissional para auxiliá-lo a formatar o texto e deixá-lo de modo publicável.
Para colocar suas “memórias” no papel, levantou agendas antigas de compromissos públicos e privados. Há meses vinha também esquadrinhando todas as doações que capitaneou para o PMDB, um levantamento que delegou ao corretor de valores Lúcio Bolonha Funaro, que acabou preso em julho.
Antes, porém, Funaro relatou a aliados que havia juntado “quilos de papéis”.
Mas Cunha não se dedicou apenas às contas do PMDB, sigla para a qual atuou como um esmerado arrecadador. Ele também fez uma série de estudos sobre o caixa petista.
“O PT cobrava até comissão das doações. Repassava 95% [para os candidatos] e ficava com 5%. É só você olhar as entradas e saídas”, disse à Folha ainda em setembro.
Questionado se havia feito o estudo pessoalmente, respondeu: “Fiz”. E por que dedicava tempo a isso? “A gente tem sempre a curiosidade para ver o financiamento dos partidos. Montante e origem. É informação. Faço para os meus argumentos.”
Todos os dados seriam usados no livro, ou, especulavam aliados, em uma possível delação premiada -hipótese que ganhou agora força.
rendido
Cunha foi informado de que era alvo de um pedido de prisão pouco antes das 13h desta quarta (19). Disse aos advogados que iria se entregar. De terno azul e gravata, preparava-se para ir à sede da Polícia Federal em Brasília. Não deu tempo. Os agentes já estavam na garagem de seu prédio quando decidiu sair.
O peemedebista tratou dos direitos da publicação de sua obra com três editoras: Planeta, Matrix e Geração. Manifestou certa insatisfação com as propostas financeiras que recebeu. Pensava em bater o martelo esta semana. Pode não ter dado tempo.
Para a obra, além da papelada, rememorou conversas privadas e diálogos com diversos colegas de parlamento, ministros, ex-ministros, a ex-presidente Dilma Rousseff e o presidente Michel Temer.
Decidiu, porém, expor alguns de seus alvos antes mesmo de fechar o roteiro. Um dia depois de ser cassado, foi questionado por um de seus últimos aliados “por onde começaria”. “Moreira Franco e Rodrigo Maia.”
Semana passada, em reunião com uma das editoras, Cunha se negou a antecipar detalhes da obra, o que causou preocupação. Decidiu ser direto: disse que tudo o que colocaria no papel poderia comprovar. Com documentos, ou gravações.
Dificil entender esse Felicio Honorio. Se a polícia prende é ´porque perdeu a "utilidade e precisa ser isolado", se não prende é conivente e faz parte do golpe. Homi se decida-se (assim mesmo antes e depois)
Faltou tapete vermelho para Cunha entrar no avião.
Moro recomendou à Policia Federal tratamento diferenciado. Ao ser detido, Cunha foi tratado como um pachá, sem algemas, com policiais em roupas cotidianas, sem óculos escuros, sem aqueles trajes de guerra, camuflados, usados na detenção de Lula, sem fuzis, sem carros pretos, sem o japonês com sua tornozeleira de condenado.
Será que o Felício está tão errado assim?
Louca para as cenas dos próximos capítulos…
Dr Sérgio Moro 45 dias depois da perca do foro previlegiado meteu o todo poderoso Eduardo Cunha na cadeia. Esse juiz não está pra brincadeira, ninguém duvide o 19 dedos vai também, é uma questão de tempo. Quem for vivo virar.
perda* do foro
quem for vivo, verá*
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Não é mérito do Moro a referida prisão. É excesso de poder. Legalmente não há motivo plausível comprovado no processo para que a prisão fosse feita. Foi feita de forma meramente subjetiva e sem atender aos requisitos necessários pra uma preventiva.
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Que fique claro que eu quero mais é que prendam todo mundo mesmo. Mas que seja feito da forma que a lei ordena. Se a lei é retrógrada, ruim e ineficaz, paciência, que a mude. Mas que a prisão foi feita aproveitando-se do clamor popular e pressão da imprensa, isso foi.
kkkkk, gostei do "19" dedos ( prá descontrair).
Teacher PH, vc entendeu né? Vai na linguística mesma tá?
Rapaz depois de ler, tenho certeza que o "PH" tem conhecimento de todas as informações contidas nos autos do processo, inclusive as que ainda estão sob sigilo… arrego viu!
Perdeu a utilidade e precisa ser isolado e calado para não "dar com a língua nos dentes".
Homem honesto da República que inspirou a luta contra a Corrupção, Cunha é um político que tem uma longa história e uma ficha corrida maior ainda.
Por isso se estranha tanto a demora…
Um corrupto comprovado preside uma sessão contra uma Presidente inocente sob o silêncio e a omissão daqueles que tem o dever de preservar a lei e a ordem no país e tudo fica bem…
Acho que Cunha é peça do golpe dentro do golpe.
Segunda fase.
Pois "Titular de uma das mais robustas folhas corridas da política brasileira, no Brasil de 2016 a prisão de Eduardo Cunha cumpre uma função política – calar as persistentes críticas de parcialidade que corroem Sergio Moro e a Lava Jato", escreve o jornalista Paulo Moreira Leite; "Preservado de qualquer acusação enquanto teve utilidade para encaminhar o impeachment sem prova contra Dilma Rousseff, Cunha desembarcou em Curitiba como uma ameaça ambulante a Michel Temer, cuja proximidade já foi resumida por Romero Jucá numa frase inesquecível: 'Temer é Cunha'; segundo PML, "a partir de agora Cunha tornou-se imenso fator de instabilidade para o Planalto".
Ano que vem teremos o desfecho do penúltimo capítulo do verdadeiro golpe: a eleição indireta de um Tucano que pode ser Aécio, Serra ou FHC.
Quem viver verá!
Se não prende diz que é parcial, se prende diz que faz parte da "estratégia do golpe"… amigo diga aí o que deve ser feito porque o desespero tá impedindo que a coerência faça parte da sua vida…
Que me perdoe a muita gente boa que comemorou a prisão de Eduardo Cunha, mas o que houve foi, na prática, uma exumação.
Essa prisão só faria algum sentido se tivesse sido feita antes de ele comandar, já entulhado em provas de sua vida criminosa, aquela sessão inenarrável que aprovou o impedimento de uma presidenta eleita por 54 milhões de brasileiros.
Cunha já estava morto, como bem lembrou Romero Jucá, em um de seus reveladores grampos que nunca deram em nada.
Comemorar a prisão de Eduardo Cunha, agora, é como festejar a colheita de uma fruta podre.