
Por Josias de Souza
Em junho de 2013, o desalento e a irritação se encontraram nas ruas e deram à luz um fenômeno alvissareiro: a ‘desantecipação’ da sucessão presidencial. Ficara entendido que a reeleição de Dilma Rousseff não era o jogo jogado que Lula tentava fazer crer. Na noite passada, solidificou-se um segundo fenômeno: a ‘despolarização tucano-petista’. Convertido em coadjuvante de um debate entre presidenciáveis que teve Marina Silva como centro das atenções, Aécio Neves se deu conta de que o PSDB já não dispõe de vaga cativa num segundo turno contra o PT.
Nos trechos do debate em que os candidatos questionaram seus antagonistas, Dilma e Marina ignoraram Aécio. Empatadas no topo do último Datafolha, cada uma com 34% das intenções de voto, elas preferiram inquirir uma à outra. Prejudicado por um sorteio que o empurrou para o fim da fila de inquisidores, Aécio, lipoaspirado de 20% para 15% na última pesquisa, viu-se compelido a “debater” com candidatos nanicos, usando-os como escada para alcançar sobretudo a jugular de Dilma.
Há 20 dias, essas cenas eram impensáveis. Rumava-se para a reedição do Fla-Flu. Dilma e Aécio ignoravam os menos de 10% de Eduardo Campos. Equipavam-se para a sexta final consecutiva do eterno torneio entre PT e PSDB. De repente, a morte de Campos eliminou a represa que impedia o potencial de votos de Marina de jorrar. E Dilma, que segundo seu marqueteiro veria “do Olimpo” os rivais se comendo “numa antropofagia de anões”, é obrigada agora a se engalfinhar com uma ex-anã que ficou do seu tamanho. E ainda pode ficar maior.
Quanto a Aécio, restou-lhe tentar impedir que o voto útil o empurre para o mesmo acostamento em que estava estacionada a terceira via de Eduardo Campos. Levando-se em conta que a rejeição à candidatura de Dilma bateu em 45%, um pedaço do eleitorado de Aécio pode ficar tentado a despejar votos em Marina, na expectativa de liquidar o jogo no primeiro tempo. Por isso, a exemplo de Dilma, o presidenciável tucano também não pode se dar ao luxo de ignorar Marina.
Nas considerações finais do debate desta segunda-feira, Aécio disse que a corrida presidencial envolve “dois campos políticos”, não três. De um lado, o “governismo”. Do outro, a infantaria “das mudanças”. Deu de barato que Dilma perderá a eleição. E bateu em Marina com a suavidade que o favoritismo dela exige: “Acredito nas boas intenções da Marina, mas ela não consegue superar as enormes contradições… Defende hoje teses que combatia há pouco tempo.”
Para infortúnio de Aécio, Marina repete agora um discurso que começara a entoar na sucessão de 2010. Diz que, na economia, quer restaurar o tripé macroeconômico instituído em 1999, sob FHC: metas de inflação, câmbio flutuante e superávit nas contas públicas. Tem do seu lado um dos pais do Real, André Lara Rezende. E soa mais realista do que o PSDB ao encampar a ideia de dar autonomia formal ao Banco Central. O discurso atucanado de Marina joga água no moinho do voto útil.
Autor da ideia de antecipar a eleição, Lula anda sumido. Diz-se que reaparecerá no Nordeste nesta semana. Ele havia relançado Dilma em 20 de fevereiro de 2013, em São Paulo, num seminário comemorativos dos dez anos do PT. Respondendo a ataques que Aécio fizera ao partido no Senado, Lula dissera: “Eles podem se preparar, podem juntar quem eles quiserem, porque se eles têm dúvidas, nós vamos dar como resposta a eles a reeleição da Dilma em 2014.”
Discursando no mesmo evento, Dilma também pisara no calo do tucanato: “Nós não herdamos nada, nós construímos.” Cinco dias depois, num seminário realizado em Belo Horizonte pelo PSDB mineiro, Fernando Henrique chamaria Dilma de “ingrata”. Ela “cospe no prato que comeu”. Passados quatro meses, a rapaziada desceu ao asfalto para restabelecer a normalidade.
Se as ruas disseram alguma coisa para Lula e Dilma foi que a democracia, tratada pelo petismo como estorvo para um governo definitivo, deveria voltar a funcionar como corretivo para a falibilidade humana. Agora, ao elevar a estatura de Marina, o eleitorado informa a FHC e ao tucanato que talvez prefira pratos limpos e uma refeição nova.
O debate promovido por UOL, Folha, SBT e Jovem Pan serviu para potencializar a nova conjuntura. Ela traz duas novidades extraordinárias: 1) quem dita o ritmo da eleição é o eleitorado, não os marqueteiros. 2) a sucessão perdeu aquele ar de mera formalidade convocada para renovar o mandato de uma candidata imbatível. Quem quiser a poltrona de presidente terá de guerrear.
Até Marina, que parece obter votos por geração expontânea, levou à vitrine um programa de governo, expondo suas ideias, contradições e inconsistências. Aécio promote divulgar o seu na semana que vem. E Dilma talvez perceba que não basta “desconstruir” a nova rival. É preciso construir-se a si própria.
No debate desta terça, a pretexto de fustigar Marina, Dilma realçou a “governabilidade” de que dispõe a sua administração. E disse recear que um eventual governo de sua rival, sem uma base partidária no Congresso, resulte em “crise institucional”. Ficou evidente que a ficha da candidata de Lula ainda não caiu. Todos os países são difíceis de governar. Mas só o Brasil, com sua governabilidade de resultado$, tornou-se inadministrável.
Assisti ao debate ontem e de novo, novamente, mais uma vez, Dilma não disse nada com coisa nenhuma. Patinou no vácuo com números absurdos e não disse de onde vinham, como foram constituídos, nem como seriam tratados, apenas soltou no ar suas ilusões, mais uma vez.
Disse algo assim: "Não estou acomodada, tenho muito o que fazer, ainda farei muito, existe muito a realizar". Tá e daí? O que tem de concreto nessa frase? Se tira alguma conclusão?
Essa parece ser a plataforma dela, NADA COM COISA NENHUMA, SÓ CONTINUAR NO PODER, CUSTE O QUE CUSTAR. PIOR PARA O BRASIL.
Aos incautos internautas que falam como se algum político no MUNDO não precisasse flexibilizar suas opiniões pessoais, não existe politico que é a voz da verdade, dono da razão, ou seja, o arrogante da vez. Não existe, não existirá tal figura, pelo menos na política, e se assim quiser ser, tem que escolher outro rumo. A política tem a essência a arte da negociação, agora, que tipo de negociação é que difere os bons dos maus.
Citando o PT que mudou 90% de suas crítica para manter seu projeto de poder. Aliou-se ao PMDB, a Collor, a Maluf e a Sarney que antes eram a escória da política, tão criticados pelo partido que prometeu mudanças e nos deixou na mão, tocando seu projeto de poder a todo e qualquer custo. Bem entendido, NÓS pagamos a conta, eles apenas desfrutam. O PT criticou ferozmente cada ministério, mudou, criou mais de 10 com todos seus cargos comissionados, gerando desperdício do erário público.
Marisa personaliza a mudança que milhões querem e esperam na construção de dias melhores, coisa que o PT e o PSDB não representam com seus figurões de sempre na política.
Fico imaginando quando começará a funcionar a fábrica de difamações com o nome de Marina. Afinal as ameaças de ingovernabilidade já começaram, esquecem que partidos como o PMDB não demora mais que 90 dias para mudar de lado, ficando ao lado do poder, entre muitos outros partidos.
Só terá segundo turno em virtude dos programas eleitoreiros dos bolsas.
Não sabem os eleitores, o erro que estarão cometendo, ao elegerem marina silva como presidenta do país.
O primeiro erro de uma possível gestão, marina entrega de cara, todo dia: Misturar POLÍTICA COM RELIGIÃO. Esse é o mais fatal dos erros da candidata.
O eleitorado de marina, é, impreterivelmente formado pela classe média e alienada, emocionada e comovida com a morte de eduardo campos. Que outra explicação pode se dar à uma guinada de (SUPOSTOS) 20 – 25 pontos percentuais em 20 dias?
Basta conversar com qualquer "eleitor" de marina, e perguntar sobre as propostas da sua candidata… Basta conversar com qualquer "eleitor" de marina e perguntar quais os outros candidatos do psb que terão seus votos, junto ao voto para marina…
O eleitor esta em sua maioria perdido. Se recusa a assistir os programas eleitorais, mas é convicto do seu voto. COM BASE EM QUE?
Os PSDBistas, nao conseguem manter nem a hombridade do voto à aécio (haja vista a queda de mais de 10 pontos percentuais do tucano na campanha, nos ultimos 20 dias)… ja estão em desesperada revoada em direção à marina… vejam o exemplo de josé agripino, o mais falso dos políticos, que ja acena com sorriso na cara para marina silva…
EU voto em dilma (nao, nao recebo bolsa familia, nao tenho ligação com o PT, nao tenho cargo comissionado… nada disso)… Mas se tivesse que escolher entre aécio e marina, votaria em aécio.
Acordem! Marina representará a maior crise que o brasil ja viu… EM TODOS OS ASPECTOS.
e vai perder nos dois turnos. Mas tirando isso gostei de Levy que colocou a mídia golpista em seu devido lugar, queria ver William Bonner entrevistando ele, rsrsrs
Parece q o Blogueiro assim com Zé Agripino já tá mudando de barco…..
De jeito nenhum, o blogueiro vai de Aécio no 1 turno!!!
Erraram na dose e o "genérico" cresceu além da conta, ficando praticamente incontrolável. Durante uma entrevista ao Jornal da Globo, a candidata à presidência pelo PSB Marina Silva procurou amenizar polêmica sobre a mudança de rumo no apoio à causa gay; disse que é a candidata que mais defende os direitos civis da comunidade LGBT, mas não o casamento entre pessoas do mesmo sexo; recuo causado pelo "puxão de orelhas do Pastor Silas Malafaia", provocou a saída de Luciano Freitas da campanha, secretário nacional do comitê LGBT do então candidato Eduardo Campos; ex-senadora também reconheceu falha em plano que sinalizava que ampliaria a participação da energia nuclear na matriz energética do Brasil; e reafirmou que Bíblia é sua fonte de inspiração. Lenta e continuamente, as contradições e superficialidades contidas em um conjunto de aparentes mudanças, vão sendo reveladas ao público em geral. E o risco de um fundamentalismo religioso aliado a um recuo a era FHC (de arrocho econômico e corte de programas sociais) pode levar o país a convulsões sociais maiores do que as que qualquer uma que já assistimos antes.