DECOTELLI: “Meus anos de estudo e horas em sala de aula foram para o lixo”

No meio de toda a polêmica envolvendo minha nomeação para assumir o cargo de ministro da Educação, recebi um telefonema de um dos muitos alunos de todos esses anos de magistério com quem mantenho contato. Indignado, ele me perguntava: “Professor, você já deu aula para milhares de alunos da FGV. Tem uma carreira reconhecida. Por que eles estão fazendo tudo isso com você?”

Tive dificuldades para responder à pergunta naquele momento e confesso que ainda não sei bem a resposta. Antes de ser avô, pai e marido, eu já era professor. Sempre me identifiquei como docente e fui reconhecido publicamente por isso. Nunca imaginei passar por um processo agressivo de questionamento de minha história, no qual todos os meus anos de estudo e de horas em sala de aula foram jogados instantaneamente no lixo, sem que pudesse me defender.

Mas qual é a verdade? A verdade é que, de fato, sou professor há mais de 40 anos. Também é verdade que concluí os créditos do curso de doutorado em Administração, conforme registro de certificado da universidade, e entreguei uma tese que foi avaliada. Por fim, fiz uma pesquisa de pós-doutorado na Alemanha. Meus registros comprovam isso e estão à disposição de todos.

Além disso, como é público, dou aulas na FGV desde 1986. Meus 40 mil alunos de cerca de 1,3 mil turmas estão aí para testemunhar. Desafio qualquer um a desmentir esse fato!

Eu e muitos colegas trabalhamos arduamente como titulares de disciplinas dos MBAs da FGV. Importante ressaltar que as avaliações dos alunos são rigorosamente controladas, sendo que obtive a rara nota mediana de 10 em todas as turmas onde lecionei nos últimos 18 meses. Valem, para mim, mais do que os discursos politicamente motivados emitidos por algumas instituições.

Diante disso, preciso também reconhecer meus erros em todo o processo. Em primeiro lugar, meu currículo tinha, sim, falhas técnicas, como dizer que concluí o curso de doutorado em vez de dizer que concluí os créditos do curso de doutorado, e que fiz pós-doutorado, em vez de dizer que fiz pesquisa de pós-doutorado.

Errei também, pecando pela soberba, em acreditar que conseguiria me defender sozinho e teria tempo para mostrar a todos que estou capacitado para assumir o MEC por minha história como professor e observador atento das políticas de educação. Tenho propostas para melhorar o ensino no Brasil, a partir de evidências sólidas e do diálogo que sempre mantive com outros educadores.

Fui pego de surpresa pelo honroso convite feito pelo presidente Jair Messias Bolsonaro — a quem, aliás, agradeço imensamente pela confiança — e não fui capaz de me explicar ou corrigir quaisquer incorreções ou equívocos. Acabei sendo vítima de um tsunami de “denúncias” que ofuscou toda minha trajetória e foi agravado pela inexplicável e pusilânime atitude da FGV de negar meu vínculo com a instituição.

No entanto, o que mais me incomoda em todo esse processo é não ter a oportunidade de colaborar para a transformação da Educação no Brasil. Acredito no potencial do MEC como um grande articulador de soluções para avançarmos e, modestamente, sei que traria liderança e senso de urgência para esse processo. O apoio imediato que eu recebi de influenciadores dos mais variados espectros foi a comprovação de que acreditavam no meu potencial como ministro.

 

Era, enfim, um projeto que poderia ter sido e não foi, como diria Manuel Bandeira. Mas esse desfecho não diminui meu entusiasmo e minha dedicação à educação. No dia 30 de junho, após ter entregue minha carta de renúncia ao presidente e ter dado entrevistas sobre minha saída, abri o computador e dei aula de 19h às 22h para cerca de 30 alunos de uma de minhas turmas na FGV. Tive a oportunidade de lecionar para os meus queridos alunos, e anunciar meu desligamento, depois de 34 gratificantes anos de história em salas de aula nas instalações da FGV em todo o Brasil.

Com gratidão a Deus, encerro minha carreira de professor, após tantas oportunidades de aprendizado compartilhadas com colegas, funcionários e alunos da FGV. Sigo acreditando que a educação é a ferramenta para reduzir as gritantes desigualdades deste país. E, por isso, pretendo continuar dedicado a desenvolver tecnicamente os projetos que vinha preparando para executar no ministério. Exatamente como fiz nos últimos 40 anos.

Carlos Decotelli é professor e foi ministro da Educação nomeado e não empossado – Artigo publicado no O Globo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Andre disse:

    Se vitimizando … tática velha

  2. Manoel C disse:

    Nada pessoal, até gostaria que fosse ele o Ministro, vinha com uma postura reconciliadora. Entretanto, se ele é MsC, deveria saber que concluir créditos e ter tese reprovada deveria ter um PhD incompleto no lattes. E pós-doutorado sem ter o próprio doutorado, tá de brincadeira. Vou nem entrar no mérito do resto, que essas informações acima, por si só já o limaram. Em tempo, teve aquela química que também mentiu que foi para Havard e aquele outro Sr. que mostrou o diploma de havard escrito errado. Que tesão é esse brasileiro, em demonstrar títulos que não tem. Vamos nem falar da Bel "171" Pesce.

  3. Alberto disse:

    Puxa vi os comentários acima, fortes e duros. Será que estas pessoas tem o mesma capacidade de julgar os membros do STF.
    É está difícil a atual situação no Brasil. As emoções estão a flor da pele e a razão debaixo do tapete.

  4. Santos disse:

    Vamos tentar ajudar.
    Ninguém entendeu, foi apenas um erro formal de digitação. Onde estava escrito Doutor, deveria ter doutorando e onde tinha Pós-doutor, era pra ter pós-doutorando.
    Pronto, foi isso.
    Não se faz digitadores como antigamente.

  5. SHUBUGO disse:

    Pois está encerrando de maneira muito feia por sinal ,não tem desculpas pra o que o SR. Fez meu amigo e .

  6. Tarcísio Eimar disse:

    Foi tudo por conta do erro técnico no seu currículo. Culpado si mesmo. Está colhendo os frutos agora

  7. Luiz disse:

    Ele acabou sendo vítima? Cabra mentiroso danado. Há sinais de cometimento de crime de falsidade ideológica e falsificação de documento público, inclusive, a FGV está apurando a denúncia de plágio em sua dissertação de mestrado. O Lattes dele era uma mentira.

  8. Rocha disse:

    Verdade Decotele, sabe por que ? Sua mentira e vaidade sem medida. Todos que são convidados para ministro se acham supremo. Pagou caro. Que a lição te faça mais humilde. Com raríssimas exceções quem for convidado por este presidente tresloucado e bipolar e aceitar o convite, estará jogando no lixo o seu respeito.

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