A Tribuna do Norte entrevistou na manhã deste sábado o delegado cearense Antônio Pastor, responsável pela Controladoria de Inteligência da Polícia Civil do Ceará. Ele e sua equipe prestaram auxílio à Polícia Civil do Rio Grande do Norte nas investigações do sequestro do empresário mossoroense Fabinho Porcino, libertado ontem em Canindé/CE.
Pastor revelou que a quadrilha que praticou o sequestro já vinha sendo monitorada antes mesmo de acontecer o crime. “Aqui [no Ceará] antigamente teve uma onda de sequestros muito grande, então temos um trabalho de ficar monitorando. Esses ‘cabeças’ de sequestro são acompanhados de longe quando eles são soltos”, disse o delegado.
Com esse monitoramento, ao saber que havia acontecido um sequestro em Mossoró, Pastor contatou a delegada da Polícia Civil do RN, Sheila Freitas, responsável pelas investigações do caso, e repassou as informações colhidas. A partir daí as duas polícias passaram a trabalhar juntas.
Sobre o cativeiro, o delegado afirmou que era um local de difícil acesso, ao ponto de os próprios sequestradores se perderem quando iam e voltavam de lá. “Era um ambiente de difícil acesso que, para nós nos aproximarmos, nós passamos quatro horas dentro do mato fechado para fazermos uma ação surpresa. Segundo relatos de um dos presos, que foi levado para fazer a função de vigia de cativeiro, os próprios sequestradores se perderam três ou quatro vezes para achar o cativeiro. Na verdade, só um deles tinha conhecimento pleno da área”.
Segundo Pastor, no momento em que a polícia estourou o cativeiro, o sequestrador que estava no local não reagiu, embora estivesse armado. “Foi uma incursão muito bem feita e o criminoso que estava tomando conta do cativeiro foi pego de surpresa. Não deu tempo dele efetuar qualquer tipo de reação, em que pese ele estar portando duas pistolas e um 38, um revólver”.
O delegado revelou ainda as condições que Fabinho Porcino foi encontrado. “Ele era uma mistura de euforia e medo. Muitas vezes, a vítima quando vê várias pessoas chegando armadas, num primeiro momento ele não sabe se aquilo ali é Polícia ou se é o resto da quadrilha de criminoso. Nós falávamos: ‘Aqui é a Polícia. Você vai voltar pra casa’. E ele ficava naquela euforia por alguns minutos até quando ele se deu conta que realmente era a Polícia e ia voltar para casa. Ele estava eufórico. Feliz, eufórico. Ele chegou a ligar para o pai na hora e foi aquela euforia dele e imagino também da família. Ele foi caindo em si e ficando cada vez mais feliz”.

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