No dia 4 de setembro, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, agora porta-voz de medidas duras e impopulares na economia, ficou a milímetros de abandonar a cadeira que ocupa há mais de oito anos.
Chocado e sentindo-se apunhalado, Mantega soube pela imprensa que estaria dispensado do cargo em um eventual segundo mandato da presidente Dilma Rousseff.
Sem ter recebido nem sequer um telefonema de Dilma, Mantega procurou auxiliares próximos da presidente para entender os motivos do ocorrido, os porquês da decisão no auge da difícil campanha eleitoral. Informado dos detalhes, o ministro decidiu que passaria o fim de semana em São Paulo, onde tem casa, e não voltaria mais a Brasília. “Pra mim, chega”, confidenciou.
A resolução inflamada do ministro instalou a pior crise da campanha eleitoral de Dilma e a “turma do deixa-disso” correu para demovê-lo da saída iminente. Houve atuação especial do ex-presidente Lula, mentor do plano de entregar a cabeça de Mantega ao “mercado” na tentativa de atenuar o mau humor dos agentes econômicos em plena corrida eleitoral.
Muitas conversas e afagos depois, Mantega não só aceitou relevar a indelicadeza de Dilma, como reencarnou o espírito fiel e profissional de executor das ordens presidenciais para assumir sua última missão no comando da Fazenda. Sob orientação presidencial, virou porta-voz das medidas econômicas, topando desdizer parte do discurso eleitoral da candidata Dilma. Tudo a fim de “limpar” o terreno para seu sucessor, ainda não anunciado poder administrar uma casa mais arrumada.
No Palácio do Planalto, é dado como certo que, diferentemente do que vem afirmando, Mantega não permanecerá no cargo até 31 de dezembro.
Assim que Dilma anunciar todos os nomes da nova equipe econômica o ministro deixará a Esplanada. Por isso, ele corre contra o relógio para encerrar sua tarefa derradeira.
Nos bastidores do mercado financeiro, fala-se que o papel de Mantega é dar embocadura a um novo discurso do qual ele não será o executor.
O aumento de 3% no preço da gasolina foi a primeira medida do ajuste costurado pelo ministro. A avaliação foi positiva por ter causado menos chiadeira na população do que esperava o Planalto. Oposicionistas e parte do mercado, porém, continuaram a reclamar que o reajuste foi “insuficiente” para aliviar o caixa da Petrobrás.
Estadão
Foto: Reprodução
Comente aqui