Política

Desembargador anula decisão que bloqueava 1 milhão de reais da conta do governador e de dois secretários

A decisão judicial que bloqueava R$ 1 milhão da conta pessoal do governador e de dois secretários foi anulada pelo desembargador João Rebouças.

Veja na íntegra a Decisão:

Plantão do dia 23.07.2016

Mandado de Segurança n° 2016.010620-8.
Impetrantes: Governador do Estado do Rio Grande do Norte e outros.
Procurador: Dr. Luis Marcelo Cavalcanti de Sousa.
Impetrado: Juiz de Direito da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal.
Ente Público: Estado do Rio Grande do Norte
Relator: Desembargador João Rebouças.

DECISÃO

O Governador do Estado do Rio Grande do Norte, o Secretário da Justiça e da Cidadania do Estado do Rio Grande do Norte – SEJUC e o Secretário da Administração e dos Recursos Humanos do Estado do Rio Grande do Norte impetram Mandado de Segurança com pedido de liminar, em face de ato acoimado de ilegal supostamente praticado pelo Juiz de Direito da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal que, nos autos da Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público, julgou procedentes os pedidos formulados para determinar que os impetrantes providenciem a compra de equipamentos e armamentos destinados aos agentes penitenciários, bem como o bloqueio imediato no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) nas suas contas pessoais.

Relatam, em síntese, que a sentença combatida julgou procedente a Ação Civil Pública, de maneira que terão que cumprir a determinação judicial até 1º de setembro do corrente ano, determinando, ainda, o bloqueio nas suas contas pessoais, via BACENJUD, decorrente de suposta multa aplicada em anterior decisão liminar que teria sido descumprida.

Alegam que o ato ora impugnado pela via excepcional do Mandado de Segurança seria adequado e necessário, posto que o Juízo a quo teria desconsiderado o que havia sido decidido em maio deste ano, inovando no feito, a fim de concluir “arbitrariamente” pelo descumprimento da decisão liminar, impondo obrigações e despesas imediatas aos impetrantes.

Aludem que a decisão liminar anterior estipulou o prazo de 1 (um) ano para o cumprimento da decisão, sendo contraditório, ilegal e abusivo que o magistrado impetrado tenha invocado como fundamento da sentença o descumprimento da decisão liminar, não dando às partes a oportunidade de se manifestarem, contrariando a regra estabelecida no art. 10 do CPC.

A seguir, argumentam sobre o cabimento excepcional do presente mandamus contra o ato judicial, a decisão teratológica, abusiva e ilegal e, ainda, sobre a Apelação sem efeito suspensivo.

Ressaltam, também, que estaria configurado o direito líquido e certo de obter a anulação da sentença, diante da ausência de descumprimento da decisão judicial que impediria o Juiz de ter sentenciado o processo, até que fosse expirado o prazo concedido, qual seja: abril de 2017.

Sustentam a presença do fumus boni iuris e do periculum in mora para, ao final, requerer a concessão de medida liminar, a fim de suspender os efeitos da decisão proferida pelo impetrado, bem como cancelada qualquer determinação de bloqueio. Caso assim não entenda, requerem que a suspensão da decisão seja concedida até a interposição da respectiva Apelação e apreciação do pedido de efeito suspensivo. No mérito, pugnam pela concessão da ordem em definitivo, anulando a sentença impetrada.

Juntam os documentos de fls. 16/63.

Processo submetido à apreciação deste Relator em face de plantão judiciário do dia 23 de julho de 2016.

É o relatório. Decido.

Conforme se percebe da atenta leitura da petição inicial do mandamus, pretendem os impetrantes a suspensão liminar da sentença proferida pelo juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal que, na qualidade de julgador da Ação Civil Pública n.º 0837973-34.2015, julgou procedente o feito, determinando, além de outras obrigações, o bloqueio judicial na conta pessoal dos impetrantes, no valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais).

Conquanto destinado a atacar decisão judicial de primeiro grau, a verdade é que, em tese, é cabível o Mandado de Segurança como forma de se precaver a eventual decisão desprovida de sustentação legal, além daquelas qualificadas como abusivas ou teratológicas.

Para a concessão de medida liminar em sede mandamental, é necessária a demonstração da relevância do fundamento (fumus boni iuris) e o perigo da demora (periculum in mora), consoante o previsto no art. 7°, inciso III, da Lei nº 12.016/2009.

É certo, também, que presentes os requisitos para a concessão da liminar, o julgador não pode indeferi-la. É o que leciona o mestre Hely Lopes Meirelles, em sua obra Mandado de Segurança, 15ª ed. Malheiros, p. 56, ipsis literis:

“a liminar não é uma liberalidade da justiça; é medida acautelatória do direito do impetrante, que não pode ser negada quando ocorrerem seus pressupostos como, também, não deve ser concedida quando ausentes os requisitos de sua admissibilidade” (destaquei).

In casu, enxergo evidenciada a presença de ambos os requisitos acima mencionados.

Quanto à fumaça do bom direito, como antes relatado, cuida-se de ação mandamental que o escopo de analisar a responsabilidade de agentes públicos em face de alegado descumprimento de decisão judicial.
Como é de conhecimento cediço, o agente público é um gênero composto por diversas espécies de pessoas físicas que estabelecem diferentes relações jurídicas com o poder público, tanto permanentes, quanto temporárias, porém caracterizadas por certo grau de subordinação e hierarquia, abarcando, inclusive, aquelas de colaboração e mesmo que sem remuneração.

Duas são as dimensões da responsabilidade civil do servidor público, uma voltada aos danos causados por sua ação ou omissão ao patrimônio público e outra ao patrimônio do particular.

Quanto à segunda dimensão, adota-se a regra do artigo 37, §6º, da Constituição Federal de 1988, segundo a qual o Estado responde objetivamente pelos danos sofridos pelo particular, decorrentes de ação ou omissão de seus agentes, exercendo o seu direito regressivo perante tais agentes causadores, caso comprovada sua responsabilidade individual.

Segundo a melhor doutrina, a pessoa jurídica de direito público é quem responde objetivamente (art. 37, §6º, CF/88) pela ação ou omissão de seus agentes, assegurado o direito de regresso contra o responsável nos casos de dolo ou culpa.

Por outro lado, a “astreinte”, segundo a enciclopédia livre da internet “Wikipédia”2 , “do latim astringere, de ad e stringere, significa apertar, compelir, pressionar.

A “astreinte” é a multa diária imposta por condenação judicial. As “astreintes” no direito brasileiro eram cabíveis apenas na obrigação de fazer e na obrigação de não fazer. Contudo, com o advento da Lei nº 10.444/2002, que alterou a redação do art. 287 do Código de Processo Civil/1973, passaram a ser admitidas também na obrigação de entrega de coisa.

Com efeito, a finalidade da medida é constranger o vencido a cumprir a sentença ou decisão interlocutória de antecipação de tutela e evitar o retardamento em seu cumprimento. Quanto mais tempo o devedor demorar a saldar o débito, mais pagará.

Sobre o tema em foco a jurisprudência orienta:

“EMENTA: AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. DEFERIMENTO. REQUISITOS PREENCHIDOS. LIVRE ARBÍTRIO DO MAGISTRADO. SAÚDE. DIREITO CONSTITUCIONALMENTE ASSEGURADO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES FEDERADOS. MULTA PESSOAL AO GESTOR PÚBLICO EM CASO DE DESCUMPRIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
1. Os critérios de aferição para a concessão de medida liminar em antecipação de tutela estão na faculdade do julgador que, ao exercitar o seu livre convencimento, decide sobre a conveniência ou não do seu deferimento, observados os requisitos do artigo 273 do Código de Processo Civil/1973. Assim, a decisão concessiva ou não de tutela antecipada deve ser reformada pelo juízo ad quem somente em caso de flagrante abusividade ou ilegalidade, o que não se verifica na espécie.
2. 2. A jurisprudência dos tribunais pátrios firmou o entendimento segundo o qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios são partes legítimas para figurar no polo passivo nas demandas cuja pretensão é o fornecimento de medicamentos, terapias e tratamentos imprescindíveis à saúde do cida­dão, podendo a ação ser proposta em face de quaisquer deles.
3. É dever das autoridades públicas assegurar a todos, indistintamente, o direito à saúde, que se afigura direito fundamental do indivíduo, garantido pela Carta Magna, incumbindo-lhes fornecer, gratuitamente, a cirurgia, terapias medicamentosas e demais procedi­mentos, necessários ao tratamento do paciente.
4. A multa fixada, pessoalmente, ao agente político, ainda que revestida do motivado escopo de dar efetivo cumprimento a obrigação de fazer, está despida de juridicidade. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO.”
(TJGO – AI Nº 746469620168090000 – 1ª Câmara Cível, Relator Desembargador Carlos Roberto Fávaro, j. em 31.05.2016 e publicado no DJ em 13.06.2016). (destaquei)

“EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. OBRIGAÇÃO DE FAZER. CRIANÇA PORTADORA DE NECESSIDADE ESPECIAL. ACOMPANHAMENTO ESCOLAR INDIVIDUALIZADO E ESPECIALIZADO. EDUCAÇÃO. DIREITO CONSTITUCIONAL. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. PRESENÇA DE PROVA INEQUÍVOCA. VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES. FUNDADO RECEIO DE DANO IRREPARÁVEL OU DIFÍCIL REPARAÇÃO. EXCLUSÃO DE MULTA PESSOAL À PREFEITA MUNICIPAL. AGRAVO PARCIALMENTE PROVIDO.
1. Aluna portadora de paralisia cerebral deve ter disponibilizado acompanhamento escolar especializado e individualizado, a fim de permitir seu acesso e continuação à educação, primando pelas disposições constitucionais. 2. A decisão que antecipou a tutela foi embasada em prova inequívoca e na verossimilhança das alegações de que a aluna, portadora de necessidade especial, não consegue o desenvolvimento escolar similar aos demais alunos sem o acompanhamento de profissional especializado e individualizado, gerando, assim, fundado receio de dano irreparável ou de difícil reparação. 3. Quanto à aplicação de multa pessoal à gestora municipal, ainda que tenha caráter coercitivo para efetivo cumprimento da ordem judicial, a decisão está despida de juridicidade e, por isso, deve ser afastada, recaindo tão somente sobre o ente municipal executor da obrigação. 4. Agravo de instrumento parcialmente provido.”
(TJMA – AI Nº 019192015 – MA – Primeira Câmara Cível, relator Desembargador Kléber Costa Carvalho, j. em 10.09.2015 e publicado no DJ em 15.09.2015). (destaquei)

“EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL – REEXAME NECESSÁRIO CONHECIDO DE OFÍCIO – SENTENÇA PARCIALMENTE PROCEDENTE – INSURGÊNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO A FIM DE APLICAR MULTA PESSOAL À GESTORA PÚBLICA – IMPOSSIBILIDADE – PRECEDENTES DO STJ – RECURSO DE APELAÇÃO CONHECIDO E NÃO PROVIDO – EM SEDE DE REEXAME NECESSÁRIO MANTENHO INCÓLUME A DECISÃO A QUO.”
(TJPR – Sétima Câmara Cível – AC nº 1380572-2 – Colombo – Relator Desembargador Luiz Sérgio Neiva de Lima Vieira, j. em 29.09.2015). (destaquei)

“EMENTA: Agravo de instrumento. Cumprimento de sentença provisório. Vencimentos. Caráter alimentar. Bloqueio integral e multa. Secretário. Medidas desproporcionais. Princípios da dignidade da pessoa e irredutibilidade de subsídio. Ação civil pública em face do Estado. Precedentes do STJ. Responsabilidade pessoal. Impossibilidade. Princípio da menor onerosidade da execução. Efetividade da tutela executiva. Razoabilidade e proporcionalidade. Bloqueio de verbas públicas. Possibilidade. Recurso provido.
a) O bloqueio integral dos vencimentos de secretário é medida desarrazoada e desproporcional, pois, tendo em vista que o vencimento possui caráter alimentar, há violação aos princípios da dignidade da pessoa humana e irredutibilidade dos vencimentos, não podendo ser aplicado de forma indiscriminada, como medida de cumprimento de decisão judicial. O gestor público não poderá ser responsabilizado em decorrência de ação civil pública ajuizada somente em face do Estado, sendo entendimento prevalente no Superior Tribunal de Justiça de que a b) multa pessoal ao gestor público da pasta só cabe nos casos em que ele for parte na demanda. A pessoa do representante e a respectiva entidade política não se confundem, de maneira que se torna impossível aplicar sanção pessoal a quem deixou de participar efetivamente no processo, ainda que revestida do louvável escopo de dar efetivo cumprimento a ordem judicial. Nas execuções, deve-se adotar o meio menos gravoso ao executado, visando o melhor resultado prático, nos termos da legislação processual civil. É claro que o princípio da menor onerosidade não pode sacrificar a efetividade da tutela executiva; no entanto, tratando-se de princípios conflitantes, deve o juiz no caso concreto, em aplicação aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, adotar a solução que atenda o comando judicial e ao mesmo tempo não seja tão gravosa ao executado. O bloqueio de verbas públicas vem sendo comumente utilizado em casos de descumprimento deliberado de comandos judiciais por parte do ente público, sendo eficaz no cumprimento das decisões que determinam providência a ser realizada pelo Estado, reclamando-se, portanto, efetividade real, daí o meio de coerção quando aquele seja recalcitrante, indiferente à tutela deferida. Deferente quando demonstra dificuldade e providências inerentes à ordem judicial”.
(TJRO – AI nº 00044723620158220000-RO, Segunda Câmara Especial, Relator Desembargador Roosevelt Queiroz Costa, j. em 12.08.2015 e publicado no DJ de 24.08.2015). (destaquei)

“EMENTA: DECISÃO MONOCRÁTICA. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER VISANDO À SUBMISSÃO DE PROCEDIMENTO CIRÚRGICO DE URGÊNCIA. APLICAÇÃO DE MULTA PESSOAL NA FORMA DO ARTIGO 14 E § ÚNICO DO CPC. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA. AFASTADA. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DE MULTA PESSOAL. DECISÃO QUE SE REFORMA.
Preliminar de ilegitimidade que se rejeita. Apesar de a decisão atingir o patrimônio pessoal do agente administrativo, a hipótese revela legitimidade, porque a ação é movida em face da Fundação agravante, sendo a obrigação de fazer exigida em face desta. A vontade manifestada pelo agente administrativo, traduz-se como sendo a vontade do ente federativo ao qual pertence e não suporta os efeitos patrimoniais decorrentes dessa vinculação. Precedentes do STJ e deste Tribunal. No mérito, a decisão recorrida deferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, para determinar que o réu providencie a internação e a realização de procedimento médico, necessário ao tratamento da doença do agravado, sob pena do pagamento de multa a incidir sobre o patrimônio pessoal da Diretora Presidente da Fundação Municipal de Saúde de Petrópolis, na forma do artigo 14, inciso V, e parágrafo único do Código de Processo Civil. A extensão da multa aos representantes da pessoa jurídica de direito público, que deveria cumprir a obrigação, não possui amparo legal. Tal medida importa em ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Reforma do decisum recorrido, para o fim de excluir a imposição da mencionada multa. Recurso a que se dá provimento, nos termos do artigo 557, § 1.º-A, do CPC.”
(TJRJ – Primeira Câmara Cível, Relatora Desembargadora Maria Augusta Vaz, j. em 25.04.2013 e publicado no DJ de 30.09.2013). (destaquei)

“EMENTA: MANDADO DE SEGURANÇA – PEDIDO DE PROVIDÊNCIA – INTERDIÇÃO DA CADEIA PÚBLICA DE SIDROLÂNDIA – TRANSFERÊNCIA DE PRESOS E FORNECIMENTO DE ALIMENTAÇÃO – APLICAÇÃO DE MULTA PESSOAL E DIÁRIA PARA CUMPRIMENTO – PRAZO EXÍGUO – IMPOSSIBILIDADE – INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PESSOAL DO AGENTE – SEGURANÇA CONCEDIDA.
Está eivado de ilegalidade e abuso o ato de autoridade judicial que, sob pena de aplicação de multa pessoal e diária, além de crime de desobediência, determina a imediata transferência dos presos da cadeia pública local e a regularização de fornecimento de alimentação em prazo desarrazoado, mormente verificadas as providências tomadas pela administração pública.”
(TJMS – MS nº 1401553052014812000-MS – Seção Criminal – Relator Desembargador Romero Osme Dias, j. em 08.04.2014 e publicado no DJ de 22.04.2014). (destaquei)

Quanto ao perigo de dano irreparável, é inquestionável que a não concessão da medida liminar importará em flagrante prejuízo aos impetrantes, que terão dificuldades financeiras ainda maiores, uma vez que permanecerão com contas pessoais bloqueadas, por tempo indeterminado, podendo até chegar à verba de natureza alimentar, necessária à sua própria sobrevivência.

Face ao exposto, diante da presença dos requisitos autorizadores, defiro parcialmente a medida liminar pretendida para suspender, de imediato, a sentença proferida nos autos da Ação Civil Pública nº 0837973-34.2015, no que diz respeito, tão somente, aos efeitos do bloqueio judicial das contas pessoais dos impetrantes, até julgamento de mérito do presente Mandado de Segurança.

Comunique-se o inteiro teor dessa decisão ao impetrado.

Após, remetam-se os autos para nova distribuição, em face do processo ter sido autuado no plantão judiciário.

Publique-se.

Natal, 23 de julho de 2016.

Desembargador João Rebouças.
Relator

Opinião dos leitores

  1. Que absurdo foi esse dessa decisão de bloqueio ? É o mesmo juiz que na comarca de Currais Novos tomava decisões no mínimo estranhas? Sempre modificadas pelo TJ? Certamente será representado ao CNJ. Que abuso. Parabéns ao Desembargador.

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Brasil

PAPO DE CAMARADAS: Lulinha e Lobista ironizam farra de ex-ministro de Lula e dizem que prostitutas também merecem champanhe

Reprodução

Conversas diárias e trocas de afeto, com apelidos carinhosos de “muso” e “musa”, revelam o alto grau de intimidade entre Lulinha e a empresária Roberta Luchsinger, segundo dados obtidos pela Polícia Federal.

Era com essa proximidade cotidiana que os dois tratavam desde negócios conjuntos até fofocas da vida privada de figuras do governo, como o episódio de agosto de 2023 em que a amiga relatou ter flagrado o então ministro das Comunicações, Juscelino Filho, e o ex-presidente da Telebras em uma suíte do luxuoso hotel Palácio Tangará, em São Paulo, acompanhados de mulheres e bebidas caras, momento em que o filho do presidente debochou ironizando que as acompanhantes também mereciam beber champanhe.

Ao ouvir a descrição, Lulinha reagiu com ironia: “Tadinha… elas também merecem… puta só pode beber Campari agora”. Em outro trecho, ao saber de um relato sobre o suposto uso de voos da FAB por Juscelino para viagens de lazer, comentou: “Esse moço sabe ser feliz”.

Com informações do Metrópoles 

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Brasil

ROTA DE FUGA: Vans na fronteira, ex-agente da Mossad, jatinho argentino e apoio nos EUA marcaram saída de Flávio do Brasil

Foto: Joe Raedle/Getty Images

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil em uma operação planejada, com apoio internacional e participação de um ex-agente da Mossad, serviço de inteligência israelense. Os detalhes foram revelados pela CNN Brasil, com base em informações obtidas junto a órgãos brasileiros que investigam o caso.

Segundo a apuração, Flávio atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina em uma van, acompanhado pelo ex-agente israelense. Em outro veículo seguiram sua esposa e as duas filhas. A travessia ocorreu na região de Foz do Iguaçu, com destino a Puerto Iguazú.

Na Argentina, a família embarcou em um jato particular com destino a Miami, nos Estados Unidos, com escala para abastecimento no Equador. A aeronave teria sido providenciada por Jason Miller, estrategista político de Donald Trump, segundo reportagem do New York Times.

Fontes ouvidas pela CNN classificaram a saída como uma operação de “exfiltração” e afirmaram que houve apoio de integrantes dos governos da Argentina e dos Estados Unidos. A investigação teria batizado o plano de “Operação Alba”.

Com informações da CNN

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Brasil

Ibovespa fecha semana com queda de 18%, registra pior resultado desde 2020 e dólar dispara para R$ 5,44

Reprodução CNN

A Bolsa brasileira encerrou a semana com um dos piores desempenhos de sua história recente. O Ibovespa caiu 0,75% nesta sexta-feira (30), aos 167.921 pontos, acumulando perdas de 18% nos cinco pregões após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Foi a maior queda semanal desde março de 2020, no início da pandemia. No mês, o índice acumulou recuo de 9,75%, o pior resultado mensal desde junho de 2022.

O dólar também avançou e fechou em alta de 1,09%, cotado a R$ 5,446, atingindo o maior valor de 2026. Na semana, a moeda norte-americana acumulou valorização de 9,15% frente ao real.

Com informações da CNN

 

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Geral

CRISE DIPLOMÁTICA: Itamaraty convoca representante argentina e cobra explicações sobre papel de Milei na fuga de Flávio

Reprodução

O Itamaraty convocou a encarregada de negócios da Argentina em Brasília, Emilia Cortés, para pedir explicações sobre o possível envolvimento do governo de Javier Milei na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, passando pelo território argentino.

A diplomata foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, chefe do Departamento de Mercosul. A conversa durou poucos minutos e teve como objetivo obter informações sobre a participação de integrantes da Casa Rosada no episódio.

Santiago Caputo, principal estrategista político de Milei, teria sido peça-chave na organização da saída de Flávio. Ele teria acompanhado a movimentação na região da Tríplice Fronteira, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, para garantir o embarque do senador rumo aos Estados Unidos.

Apesar da gravidade do caso, o governo Lula decidiu tratar o assunto sem alarde para evitar uma escalada na já desgastada relação com Milei. Emilia Cortés não foi recebida pela cúpula do Itamaraty, e o encontro foi tratado como um procedimento diplomático de rotina.

O Planalto e o Itamaraty, até o momento, não divulgaram comunicado oficial sobre o episódio. Não há, por enquanto, a perspectiva de nomeação de novos embaixadores para as representações diplomáticas dos dois países.

Com informações do UOL

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Arte

Potiguar conquista pela segunda vez o Prêmio Jabuti na categoria Histórias em Quadrinhos

Divulgação

O artista mossoroense Luckas Iohanathan conquistou, pela segunda vez, o Prêmio Jabuti na categoria Histórias em Quadrinhos. Ele foi anunciado como vencedor da 68ª edição da premiação, na terça-feira (27), com a obra Ouroboros, publicada pela editora Comix Zone.

Luckas já havia recebido o troféu em 2024, com a história Como Pedra, e agora repete o feito, consolidando seu reconhecimento no cenário nacional dos quadrinhos.

Em Ouroboros, o autor acompanha a trajetória de Kesler, um policial que retorna à casa da infância após um episódio traumático. A narrativa aborda memória, culpa, conflitos familiares e as marcas de uma relação conturbada com a mãe.

Com informações da Tribuna do Norte

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Geral

[VÍDEO] Jornalista denuncia abordagem da Polícia Legislativa durante transmissão na Câmara: “Como se fosse uma delinquente”

Uma transmissão ao vivo da rádio AuriVerde Brasil foi interrompida nesta sexta-feira (30) após uma abordagem de um policial legislativo à jornalista Déborah Sena, na área externa da Câmara dos Deputados, em Brasília.

A profissional relatou que chegou ao local por volta das 8h30 e, às 11h, enquanto entrevistava o deputado Sanderson (PL-RS), foi abordada por dois policiais armados. Um dos agentes questionou se ela tinha autorização para permanecer no espaço e cobrou o uso do crachá de identificação.

Déborah afirmou que pediu para concluir a transmissão antes de conversar com o policial, mas não foi atendida. Ao Metrópoles, disse que foi tratada “como se fosse uma delinquente”.

“Eu não questiono protocolo de segurança. Mas não posso aceitar que o corpo de funcionários da Câmara troque a sua própria inércia por intimidação à imprensa durante o exercício do trabalho”, declarou.

A jornalista também criticou a interrupção da entrevista e afirmou que o policial inspecionou seus equipamentos e crachás. Após o episódio, procurou funcionárias do setor administrativo para questionar a abordagem.

A Câmara dos Deputados e o Departamento de Polícia Legislativa foram procurados pela reportagem do site Metrópoles, mas não haviam se manifestado até a publicação da reportagem.

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Geral

Papa Leão XIV vota nas eleições dos EUA e entra para a história como primeiro pontífice a participar do pleito

Foto: CNS/Lola Gomez

O papa Leão XIV tornou-se o primeiro pontífice a participar de uma eleição nos Estados Unidos. Nascido no país, ele votou por correspondência nas eleições de meio de mandato, marcadas para a próxima terça-feira (3), informou o Vaticano nesta sexta-feira (30).

Segundo comunicado oficial, o papa destacou sua crença no direito e no dever dos cidadãos de participar dos processos democráticos. Ele também afirmou que, durante os seis anos em que viveu no Peru, votou sempre que teve oportunidade.

De acordo com a emissora NBC, Robert Prevost solicitou o envio da cédula eleitoral em 3 de outubro às autoridades de Illinois, estado onde está registrado. Como a votação foi feita pelo correio, o cartório eleitoral de Chicago ainda não havia recebido o documento preenchido.

As eleições de meio de mandato renovarão quase todo o Congresso americano e os governos de 36 estados, em um pleito realizado em meio à relação tensa entre o Vaticano e o presidente Donald Trump.

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Geral

Filho em risco de recuperação? Ainda dá tempo, desde que exista um plano

Na reta final do ano letivo, especialistas explicam por que estudar “tudo de novo” não funciona e como a família pode ajudar sem virar fiscal.

Novembro começa com provas finais e termina, para muitos estudantes, em recuperação. Nas escolas particulares de capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Recife e Natal, esse período se concentra entre a segunda quinzena de novembro e dezembro. É quando muitas famílias descobrem que o filho não rendeu o suficiente e, entre a frustração e a pressa, ficam sem saber por onde começar.

Para Victor Cornetta, especialista em tendências educacionais, o primeiro passo é mudar o olhar sobre a recuperação. “A recuperação não é o fim do ano, é uma segunda chance. Mas ela só funciona se o aluno entender o que deu errado e tiver um plano realista para as próximas semanas”, afirma.

Segundo Cornetta, é comum que os pais se sintam impotentes por não dominarem o conteúdo e reajam com crítica ou mais controle. “Discursos que diminuem o estudante aumentam a ansiedade e a tendência à autossabotagem. Quando se sente acolhido, o aluno consegue dizer onde está travando, e aí a família sabe como ajudar”, explica.

Ele reforça que cobrar mais não resolve se o aluno não sabe por onde começar. “Os pais tendem a virar fiscais na reta final, e isso só aumenta o conflito em casa. Em vez de perguntar ‘por que você não estudou?’, vale perguntar ‘em que matéria você sente mais dificuldade?’ e ‘qual horário do dia você rende melhor?’. A conversa muda quando a pergunta muda”, diz. 

Diagnóstico antes de estudo

O erro mais comum, segundo Cornetta, é tentar rever o ano inteiro em poucas semanas. “O boletim é um diagnóstico, não um veredito. O aluno sabia o conteúdo e errou na prova, por nervosismo ou falta de prática com questões? Ou não dominava a matéria? Cada resposta pede uma estratégia diferente”, explica.

Para tornar o processo mais prático, o especialista preparou um passo a passo para as próximas semanas:

  1. Entenda o que levou à recuperação. Converse com o filho sobre o ano: faltou rotina, houve dificuldade em uma matéria específica ou o problema apareceu na hora da prova?
  2. Mapeie o risco. Liste as matérias em recuperação ou perto dela, com a data e o peso de cada avaliação.
  3. Priorize o que mais pesa. Concentre o esforço nos assuntos mais cobrados e que abrangem mais conteúdo, em vez de rever tudo.
  4. Monte um plano semana a semana. Metas curtas e realistas, no horário em que o aluno rende melhor. Melhor cumprir pouco do que planejar muito e desistir.
  5. Estude com questões. Troque a releitura por exercícios e provas anteriores, que mostram onde o aluno erra e treinam o controle do tempo.
  6. Cuide do emocional. “Dar branco”, falta de concentração e ansiedade derrubam quem sabe o conteúdo. Conversar sobre isso é parte da preparação.

Para não repetir em 2027

Passada a recuperação, a orientação é usar as férias para entender o padrão por trás da queda de desempenho. “A recuperação resolve a nota, mas não o hábito. Se o aluno não aprender a se organizar e a identificar os próprios erros, o mesmo problema volta no ano seguinte”, conclui Cornetta.

Opinião dos leitores

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Geral

Michelle chama Jair Bolsonaro de “líder” e diz que ele defende “momento de união”

Foto: André Ribeiro/THeNews2/Estadão Conteúdo

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) chamou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de “líder” e afirmou que ele defende um “momento de união”, sem buscar culpados pela derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial do último domingo (25).

Em publicação nas redes sociais nesta sexta-feira (30), Michelle disse que o marido está entristecido com notícias falsas que atribuem a ele manifestações de divisão e ataques a aliados, como Damares Alves, Tarcísio de Freitas, Nikolas Ferreira e Silas Malafaia.

Segundo ela, Bolsonaro demonstra respeito, carinho e gratidão a todos que se empenharam na campanha do filho. A ex-primeira-dama afirmou que o ex-presidente reconhece o esforço dos apoiadores e valoriza a mobilização em torno do projeto político.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março deste ano, após ser condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

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Geral

Como hackers levaram R$ 34 bilhões da Binance em apenas 20 minutos e fizeram o maior roubo de criptomoeda da história

Foto: Reprodução/Record News

Um ataque hacker à Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, resultou no roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bilhões) em aproximadamente 20 minutos. O crime, ocorrido na noite de quinta-feira (29), é considerado o maior roubo de criptomoedas da história e foi atribuído por empresas de análise de blockchain a grupos ligados à Coreia do Norte.

A investigação inicial aponta que os criminosos podem ter invadido o computador de um engenheiro da empresa. A partir desse acesso, teriam conseguido entrar em sistemas internos e realizar saques não autorizados de carteiras da corretora.

Segundo a Binance, cerca de US$ 3 bilhões em ativos já foram localizados. Emissores de criptomoedas estáveis, como Tether e Circle, também bloquearam parte dos valores desviados. A empresa afirmou que os recursos dos clientes estão seguros e garantiu que cobrirá todas as perdas.

“Seu dinheiro está seguro e estamos cobrindo todas as perdas”, declarou o co-CEO Richard Teng. A corretora trabalha para restabelecer os serviços de saque, com previsão de retomada nas próximas 48 horas.

As empresas TRM Labs e Chainalysis apontaram fortes indícios de participação norte-coreana. Os especialistas identificaram semelhanças com ataques anteriores atribuídos a Pyongyang, incluindo o roubo bilionário contra a corretora Bybit, em 2025. O governo da Coreia do Norte nega envolvimento em crimes cibernéticos.

O episódio aumenta a pressão sobre o mercado de criptomoedas, que já enfrentava dificuldades diante dos juros elevados nos Estados Unidos e da redução da demanda por fundos de investimento em ativos digitais.

A Binance possui 335 milhões de usuários registrados e mantinha cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos sob custódia, segundo seu relatório anual de 2025. A empresa também dispõe de uma reserva de US$ 1 bilhão em bitcoin para proteger os clientes em casos de violações de segurança.

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