A presidente Dilma Rousseff empossou nesta terça-feira o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP) como ministro da Secretaria de Relações Institucionais, pasta responsável pela articulação política do governo. A escolha havia sido anunciada na semana passada, e Berzoini assume o posto que era de Ideli Salvatti no dia em que senadores se articulam para criar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar negócios da Petrobras.
“Com Berzoini à frente da Secretaria de Relações Institucionais, nós continaremos atuando em profícua parceria com o Congresso. Tenho certeza que nossos aliados saberão agir para impedir que motivações puramente eleitorais acabem por atropelar a clareza e esconder a verdade na busca de respostas e soluções para os grandes problemas nacionais. Tenho certeza, sobretudo, que aquilo que o povo quer, o Congresso Nacional e o governo, juntos, saberão fazer. O povo quer seus direitos atendidos e mais oportunidades oferecidas por serviços públicos de qualidade”,disse Dilma.
Indicado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mentor político de Dilma, Ricardo Berzoini é petista histórico e já foi ministro da Previdência Social e do Trabalho no primeiro mandato de Lula. Ele assumirá a articulação política em um dos momentos mais delicados do Palácio do Planalto. O que o governo quer no momento é barrar a CPI da Petrobras e também aprovar com mais facilidade matérias de seu interesse no Congresso. Por 2014 ser um ano eleitoral, essas medidas ganham ainda mais importância.
Em sua passagem pela Previdência, Berzoini ficou conhecido por elaborar reforma na qual foi implantada a contribuição de servidores inativos. Ele também ordenou a suspensão, sem aviso prévio, do pagamento dos benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) às pessoas com mais de 90 anos até que elas se recadastrassem, o que criou filas de idosos em cadeiras de rodas nos postos de atendimento.
Em 2006, durante a campanha tumultuada de Lula à reeleição – o pleito ocorreu ainda à sombra do escândalo do mensalão – Berzoini foi demitido da equipe de campanha pelo episódio conhecido como o “escândalo dos ‘aloprados'”. À época, ele era presidente do PT quando membros do comitê de campanha tentaram comprar um dossiê com falsas acusações contra candidatos tucanos. O escândalo explodiu 15 dias antes do primeiro turno das eleições. Lula chamou os correligionários de “aloprados” diante da tentativa.
Ideli segue no governo
Quem deixa a articulação política é a ministra Ideli Salvatti, que continuará na Esplanada dos Ministérios, desta vez na Secretaria de Direitos Humanos, de onde sai Maria do Rosário (PT-RS) para disputar reeleição como deputada ou, eventualmente, a uma vaga no Senado. Ideli é ministra desde o início do governo Dilma. Em 2011, ela chefiou o Ministério da Pesca e Aquicultura.
“Ideli fica a meu lado e apenas muda de função depois de ter desempenhado uma atividade em um regime democrático que é difícil. Mas, um regime democrático, justamente pelo fato de ser marcado pela independência entre Legislativo e Executivo, necessita de um processo de negociação para aprovar as leis que propiciam o alcance dos interesses nacionais”, disse Dilma.
A presidente reconheceu o trabalho de Ideli à frente das negociações para a votação do Marco Civil da internet na Câmara dos Deputados e de Mária do Rosário na pasta dos direitos humanos. “Foi um período na Secretaria de Direitos Humanos e na Articulação, que conduziu junto ao Congresso Nacional, que foram aprovados projetos importantíssimos, que tornaram o nosso país ainda mais democrático, como a Comissão Nacional da Verdade e a Lei de Acesso à Informação.”
“Maria do Rosário nos deixa para se submeter ao julgamento das urnas, e tenho certeza de que o povo gaúcho vai lhe dedicar o reconhecimento que ela merece”, acrescentou Dilma. “Espero que o diálogo com todos os movimentos da área de direitos humanos persistam permanente e proveitosa”, disse a presidente sobre a nova gestão na Secretaria de Direitos Humanos.
O controle da pasta de Direitos Humanos foi uma saída honrosa encontrada por Dilma para Ideli. O plano da presidente é mantê-la em um cargo público até o fim do ano, quando a chefe de Estado indicará a ministra para uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) – o cargo é vitalício.
Terra
Foto: Geraldo Magela/Agência Senado
O PT preparando o terreno para abafar a apuração dos fatos.