Em depoimento à CPI da Petrobrás, em Curitiba, Alberto Youssef cita ex-ministros do governo Dilma – Idelli Salvatti (Secretaria de Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência)
Youssef em depoimento à CPI da Petrobrás. Foto: Ricardo Brandt/Estadão
O doleiro Alberto Youssef, peça central da Operação Lava Jato, confirmou em depoimento à CPI da Petrobrás, na manhã desta segunda-feira, 11, em Curitiba, que o Planalto sabia do esquema de corrupção na estatal e citou os nomes de dois ex-ministros do governo Dilma Rousseff (PT) – Idelli Salvatti (Relações Institucionais) e Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência).
“Lembro que foi conversado com Idelli Salvatti e com secretário Gilberto Carvalho”, afirmou Youyssef, ouvido pela primeira vez pela CPI, que se istalou em Curitiba, base da Lava Jato.
O doleiro citou deputados do PP em seu relato. “Em 2012 ou 2011 houve um racha no Partido Progressista e foi motivo de discussão entre líderes governistas, onde houve queda do Nelson Meurer. O Arthur de Lira assumiu a liderança do partido. Isso foi discutido tanto pelo líder Nelson Meurer como pelo Arthur de Lira e Ciro Nogueira, como foi discutido com Gilberto Carvalho e Ideli. Paulo Roberto Costa deixou claro que esse assunto teria que chegar através do Palácio a quem ele iria se reportar”, respondeu Youssef ao ser questionado pelo deputado federal Bruno Covas (PSDB-SP).
Integrantes da CPI da Petrobrás desembarcaram em Curitiba para ouvir os depoimentos de 13 acusados de envolvimento no esquema de cartel e corrupção na Petrobrás, que estão presos. Entre eles os ex-deputados André Vargas (ex-PT, hoje sem partido), Pedro Corrêa (PP) e Luiz Argolo (ex-PP, hoje no SD). Youssef é o primeiro a ser ouvido nesta manhã de segunda-feira, por um grupo de 14 deputados federais da comissão, que tem audiências marcadas até amanhã.
Estão marcados para hoje os depoimentos do ex-diretor de Internacional Nestor Cerveró e do lobista Fernando Antônio Falcão Soares, o Fernando Baiano ligados ao PMDB no esquema de loteamento político na estatal, que envolvia ainda PT e PP. de Mário Góes, de Guilherme Esteves e de Adir Assad, outros três lobistas acusados de operarem propina na Diretoria de Serviços – que era cota do PT – também estão nessa lista.
Amanhã serão ouvidos os depoimentos dos ex-deputados. Eles estão na carceragem do Centro Médico Prisional, na Região Metropolitana de Curitiba. Os interrogatórios serão realizados no auditório da Justiça Federal, em Curitiba. Um grupo de 14 deputados já estão na capital paranaense para início dos interrogatórios.
Fausto Macedo, Estadão
Doleiro reafirma que Lula ordenou pagamento a empresa ligada à Petrobras
O doleiro Alberto Youssef confirmou à CPI da Petrobras o teor do depoimento feito por ele à Polícia Federal em que afirmou que o ex-presidente Lula mandou fazer um pagamento para a agência Muranno Marketing, que prestava serviços à Petrobras.
“Quem me contou isso foi o Paulo Roberto Costa”, disse Youssef, em referência ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras apontado como beneficiário de propinas de empresas contratadas pela Petrobras para o financiamento de partidos políticos.
Youssef disse à CPI que recebeu de Costa a ordem para que procurasse os dirigentes da Muranno e que o dinheiro saiu da parte que cabia ao PT e ao PP.
“Paulo disse que, na época, foi R$ 6 milhões e pouco e que isso o PT teria que operacionalizar metade. A outra seria do PP. Em determinado momento, Julio Camargo (representante da empresa Toyo) me fez esse repasse de R$ 3 milhões para o PT”, disse.
Planalto sabia de esquema investigado pela Lava Jato
Alberto Youssef disse que o Palácio do Planalto sabia do esquema de financiamento de campanha investigado na Operação Lava Jato.
Segundo ele, em 2011 ou 2012, houve “um racha” entre os líderes do PP e isso foi motivo de discussão dos líderes com a Casa Civil e a Secretaria-Geral Presidência da República.
De acordo com Youssef, Paulo Roberto Costa disse que o Palácio do Planalto é que iria designar o novo “interlocutor” do partido. O líder do PP, na época, era o deputado Nelson Meurer (PP-PR).
Com o racha do partido, o Palácio do Planalto, com a participação de Paulo Roberto Costa, escolheu o deputado Arthur Lira (PP-AL) para substituir Meurer. Youssef disse que a troca de líderes foi feita por intermédio da então ministra Ideli Salvatti e do ex-secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho.
O doleiro negou, porém, ter repassado recursos para a campanha de Dilma Roussef em 2010.
Financiamento de campanhas
O doleiro também confirmou participação direta no financiamento de campanha de políticos do PP, do PMDB e do PT.
Ao responder a pergunta do deputado Altineu Côrtes (PR-RJ), ele disse que financiou campanhas de vários candidatos do PP a pedido do ex-deputado José Janene. O doleiro não mencionou nomes.
Segundo Youssef, ele financiou as campanhas dos senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) a pedido do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.
De acordo com o doleiro, o financiamento da campanha de Raupp teria sido feito através de doação oficial da empreiteira Queiroz Galvão, enquanto o da campanha de Hoffmann teria sido feito em dinheiro. O dinheiro teria sido entregue em Curitiba a pedido de Costa.
IG, Com Agência Câmara
Absurdo tudo isso.
Blogueiro Miguel do Rosário ressalta que "há tempos" o doleiro "se tornou um delator profissional, de aluguel", e que "entendeu brilhantemente qual é o jogo de Sergio Moro e dos procuradores: sabe que se não seguir o jogo, Moro o trancará em suas masmorras"; suas declarações à CPI nesta segunda-feira, em seu "bilionésimo depoimento", já são repercutidas "histericamente" pela mídia; "O doleiro agora volta a fazer insinuações contra PT e Planalto, acusa um monte de gente sem provar", aponta o blog.
PRIVATIZAÇÃO DE EMPRESA PÚBLICA, é pra JÁ!
Senão vai continuar à serventia de poucos e dando prejuízo!
Ô partido pra ter ladrão esse PT!
Como se pode montar tamanho esquema de corrupção sem conhecimento daqueles que dominam e determinam as nomeações dos cargos comissionados? São pessoas escolhidas a dedo e colocadas estrategicamente nos cargos. Sempre foi assim, do primeiro ao 10 escalão.
Só aceita a inocência dos mandantes quem não quer ver a realidade.