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José Pedroza de Oliveira, ou Doutor Zezito, como é mais conhecido o fundador do Grupo de Hotéis Pernambuco, entrou quinta-feira à noite na Justiça Federal do Rio Grande do Norte, por meio de sua advogada Sandra Godoi (OAB PE 11008) com uma defesa de 10 páginas, que sobem para 100 com os anexos, via internet, contra o pedido de tombamento do Hotel Reis Magos, na Praia do Meio.
Ontem, por telefone, Zezito disse que a ação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico no Estado (IPHAN), pedindo o tombamento, não foi precedida de uma notificação anterior que desse qualquer chance de defesa para o proprietário do imóvel, ou seja, ele próprio. “Não há nenhuma base legal nisso que estão fazendo”, afirmou o empresário.
Aos 88 anos, Doutor Zezito lamentou que Natal esteja recusando um investimento de R$ 130 milhões na área do hotel por conta da opinião de pessoas capazes de dizer muitas coisas, fazer várias acusações, mas que jamais investirão um centavo na cidade.
“É por isso que uma cidade tão bela como essa, de gente tão boa e trabalhadora, está vendo seu patrimônio ruir naquilo que é fundamental, que é a qualidade de suas águas e a própria qualidade de vida”, afirmou.
Perguntado se teria ficado aborrecido com o prefeito Carlos Eduardo, por ter acolhido a ideia do tombamento do hotel abandonado há anos, Doutor Zezito (como gosta de ser chamado) eximiu o chefe do Executivo.
“Tenho certeza que ele quer o melhor para a sua cidade, apenas tem que acolher as opiniões de todos para marcar seu compromisso com todas as correntes de pensamento”. Mas acrescentou logo em seguida: “Lá no fundo, eu sei que ele sabe o que é melhor para Natal”.
Perguntado se desistiria do empreendimento por já ter gasto muito dinheiro nele, por suportar calotes de arrendatários e agora com a tentativa de tombamento, com a voz tranquila, Pedroza declarou apenas o seguinte:
“Não me pergunte quanto já gastamos desde que arrematamos o hotel – é uma informação que eu faço questão de não saber -, mas uma coisa é certa: aquela estrutura construída na época em que não tínhamos TV e nem telefonia não se sustenta mais nos dias de hoje – e não tem qualquer valor histórico e arquitetônico que compense um investimento gigantesco na sua recuperação”.
Perguntado se vai aceitar o desafio de lutar por sua propriedade, depois de tantas demonstrações de desapreço por parte de entidades locais, Pedroza disse: “Nunca fugi de nada na minha vida, o que estão fazendo não é correto e nem legal”.
Dr. Zezito lebrou da época que havia voltado de uma viagem ao redor do mundo e resolveu prospectar todas as principais capitais no Nordeste, investindo em hotéis. “Em 1977, todo mundo olhava Natal com respeito e ao passar por aqui soube da venda do Reis Magos e apresentei a melhor proposta. O Governo do Estado precisava do dinheiro para investir nos pontos turísticos e eu estava com tudo pronto para arrematar o hotel Tambaú, na Paraíba. Optei pelos Reis Magos”, lembra.
Hoje, depois de construir o patrimônio de uma rede de hotéis e outro tantos negócios em áreas diversas, José Pedroza de Oliveira ainda não entende porque a cidade de Natal, em suas diferentes instâncias, age como age – favorecendo o atraso em nome de uma postura presa a tradições que não existem porque nunca foram construídas. Essa é a síntese do pensamento de Dr Zezito.
“Hoje, se olharmos as demais capitais do Nordeste, todas, sem exceção, estão mais adiantadas do que Natal em várias áreas, enquanto aqui o que se vê é Ponta Negra demolida, sem que os banhistas possam sequer tomar um banho d’água”. E pergunta em seguida: “Querem condenar a Praia do Meio também?”
E disse mais: “Desculpem aqueles que pensam o contrário, mas aquela construção nada tem de valor histórico e arquitetônico, sou engenheiro, viajo pelo mundo, sei do que estou falando”, sustenta.
O empresário garante que, enquanto pode, fez “muito pelo hotel, mas não mando no mercado e nem na economia e aquela região (Praia do Meio) necessita muito de investimentos para se reerguer de maneira digna, ajudando a população de lá também a vislumbrar dias melhores”.
No final da entrevista, a pergunta inevitável quis saber se o empresário estaria disposto a lutar pelo hotel depois de tantos percalços. “Vou sim e vamos ganhar porque o que estão fazendo não tem qualquer respaldo na lei”.

Por isso é que famoso cronista nomeia os habitantes da Terra de Poti como "piotários". Pioneiros e otários. Tivemos nesse hotel um marco do pioneirismo turístico. Marcou uma época, fez estória, mas acabou, não tem serventia lícita ou útil desde muito tempo. Hoje os otários querem manter um esqueleto inservível em troca de R$ 130 milhões em investimentos, empregos e geração de renda. Isso sem dizer do fôlego que o entorno ganharia. Em resumo: cai uma carcaça, ergue-se o progresso, mas em Natal essa troca é pecaminosa.
Só para terminar: é melhor garantir uma vista do mar ou o pão de cada dia? Quem escolhe o primeiro é porque já tem como certo o segundo, senão ou ficaria calado ou ia atrás do padeiro.
O senhor dono do Hotel Reis Magos já deixou claro que quer mudar a lei municipal que impede a construção de edifício com mais de 4 andares naquela região, pois sua intenção é construir espigões alí poluindo o visual e impedindo a bela vista de toda orla a partir da ladeira do sol. Portanto parabéns ao prefeito e a todos que nao aceitam tal absurdo!
Se o empresário quer fazer reformas e melhorias em seu prédio, que faça seguindo as leis orgânicas do município.
Concordo em gênero, número e grau com Doutor Zezito. Certíssimo, pois Natal precisa de investimentos e áreas de lazer já são muitas, só que pouco aproveitadas.
Endosso, deixem o homem investir. Por acaso, essa ação do IPHAN apresenta algum projeto de recuperação do imóvel? De onde vem a dotação orçamentária? A populaçào foi consultada?