
Do total de R$ 1,2 bilhão repassados pela União à intervenção federal na segurança pública do Rio, só R$ 468 milhões foram gastos até agora. Embora o detalhamento do uso da verba não tenha sido apresentado nesta terça-feira pelos generais Richard Nunes e Braga Netto, O GLOBO teve acesso à planilha de despesas. Entre elas, estão, por exemplo, R$ 362 mil destinados ao pagamento de diárias (hospedagem e alimentação) no exterior, além de R$ 85 mil consumidos com passagens aéreas para outros países. Também houve compra de softwares e veículos blindados.
De acordo com a assessoria de imprensa da intervenção militar, as viagens foram realizadas para “a realização de cursos de manutenção e operação das viaturas Lince”. Não foram informados, porém, os países visitados, quantas pessoas integraram as comitivas e a duração das viagens.
Veículo blindado de fabricação italiana considerado leve e potente, o Lince, que tem tração nas quatro rodas, conta com duas metralhadoras acopladas . O modelo foi utilizado pela primeira vez nesta terça-feira, em uma megaoperação das forças de segurança em 13 comunidades do Rio. Na lista de gastos obtida pela reportagem, constam R$ 15,8 milhões sob a rubrica “carros de combate”.
A intervenção federal também utilizou R$ 27,8 milhões para comprar um programa de computador que, afirma, permitirá ampliar o sistema de inteligência. “Trata-se de aquisição internacional pela Comissão do Exército Brasileiro em Washington”, explicou o gabinete da intervenção.
A intervenção desembolsou R$ 1,6 milhão para adquirir, da Marinha, motos aquáticas e uma embarcação projetada especialmente para missões de patrulha.
Também foram compradas aeronaves pilotadas por controle remoto. Segundo a intervenção, duas estão sendo utilizadas pela Polícia Civil, duas pela Secretaria de Segurança e quatro pelo Corpo de Bombeiros. Ainda foram entregues dois drones para a Polícia Militar (PM) e dois à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap). Dois “imageadores” aéreos foram destinados à PM— são equipamentos que captam imagens com precisão e auxiliam viaturas a localizar esconderijos.
Para a aquisição de veículos de tração mecânica, foram destinados R$ 154 milhões. Os gastos incluem despesas com ambulâncias, caminhões, ônibus, picapes, carros sedan à prova de balas, vans e motocicletas. Despesas com e xplosivos e munições somam R$ 20,4 milhões.
Os R$ 468,7 milhões empenhados até agora equivalem a 39% do total de R$ 1,2 bilhão disponibilizado pelo governo federal. Segundo o interventor, general Braga Netto, a verba aplicada equivale a mais de dois anos de investimentos do estado na segurança. A intervenção tem até o dia 31 para dar destinação à verba restante.
O GLOBO
Vocês deveriam lembrar sobre as vidas de militares mortos durante a intervenção.
Na ditadura ninguém falava em corrupção, sumiam rapidinho…
Pra fazer curso no exterior, tem que saber ler…
Só falta, agora, os "contra" quererem que os "severinos", que são chamados sempre que o caos se instala na sociedade, por sabida INCOMPETÊNCIA dos que se dizem REPRESENTANTES DO POVO, paguem dos próprios bolsos as despesas decorrentes da convocação…
Exatamente, Francisco. Muito bom seu comentário. Num país onde um político ganha, aproximadamente, R$ 30 mil e um educador, um policial ganham, em torno, R$ 3 mil não se pode esperar coisa boa.