POR BRENO PERRUCI/@eaiboracorrer
Essa disputa é antiga e figura entre as maiores dúvidas dos corredores, principalmente os iniciantes e os que estão na fase de transição saindo dos treinos em ritmos leves e distâncias menores, para ritmos mais fortes com maiores volumes.
Vou citar meu caso só como ilustração. Desde 2015 eu corria com Nimbus Gel e me dava super bem com ele porque até então atendia às minhas necessidades. Usei os modelos 17, 18, 19 e em agosto do ano passado comprei o 20, justamente no período que comecei a fazer a base para o ciclo da maratona. Coincidência ou não a partir daí comecei a sofrer com dores embaixo do pé direito.
Demorei a perceber que se tratava de fascite plantar e só em dezembro caiu a ficha. Fascite é uma inflamação na fáscia, uma membrana que reveste a sola do pé, desde o calcanhar até a base dos dedos. Bom, como eu não podia parar de correr pra tratar, tive que buscar alternativas de treinar convivendo com as dores. Alternava os treinos com muitas sessões de fisioterapia, alongamentos, fortalecimentos e compressas.
Aí chegou janeiro, o volume de treinos aumentou ainda mais e as dores também, tanto que foi ficando insuportável a convivência com elas. Comecei a conversar bastante com quem entende do assunto. Meu fisioterapeuta Arnaud Holanda, meu técnico Walter Molina da Natal Runner, o professor de educação física Leo Lopes, fera em biomecânica. Todos eles trabalham constantemente comigo e os 3 foram unânimes, a causa de meus problemas estava nos tênis. O Nimbus 20 veio macio demais, além da conta. Tem muito gel e amortece muito. Além disso é mais pesado e largo, o que deixa o pé muito solto dentro dele. Ou seja, pra quem corre mais rápido e volumes maiores, em muitos casos provoca lesões.
Com isso fui falar com outro especialista Cid Barbosa, também professor de educação física, que está entre os melhores triatletas do país e corredor teste de tênis, um cara que entende como poucos do tema em questão. Ele foi taxativo: “pra seu caso aconselho o Pegasus 35. É confortável, ajusta bem no pé, é bem responsivo, tem boa estabilidade e quase não deixa tocar o chão primeiro de retro pé”. Segui o conselho dele e já fiz 4 treinos com o tênis, sendo 2 de tiros, uma rodagem e um longo de 20 quilômetros. Resultado, o cara foi cirúrgico, na mosca e desde então as dores só diminuem a cada dia. A necessidade das liberações e compressas é quase zero hoje já.
Moral da história: Até existem tênis melhores que outros, que variam de acordo com sua pisada, seja ela pronada, supinada ou neutra. Mas o melhor pra você é aquele que atende à sua necessidade naquele momento. Antes de qualquer outra coisa, saiba avaliar isso primeiro sua demanda atual e busque conforto. Essa é uma boa dica.
E aí, bora correr?
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