Política

‘É hora de o Judiciário se recolher’, afirma Dias Toffoli em casa de praia

Numa casa de praia, personalidades do direito discutem a conjuntura da Justiça e da democracia; o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, convidado mais aguardado do encontro no litoral paulista, afirma que ‘é hora de o Judiciário se recolher’ para que a política volte a liderar o país.

Ataraxia. A palavra grega na placa na entrada de uma casa de praia em Ilhabela, litoral norte de SP, é o que primeiro intriga o visitante. “Na filosofia estoica e também na epicurista, ataraxia designa o estado de felicidade. Quer dizer: não deixar perturbar-se pelas paixões, atribulações da vida, e alcançar paz”, diz o anfitrião, Tercio Sampaio Ferraz Junior.

Vários elementos, de fato, sugerem um paraíso terrestre: a vegetação que quase encobre a placa, o canto de um sabiá, a afabilidade com que Sampaio Ferraz recebe seus hóspedes. Ao menos uma vez ao ano, porém, a inquietação rompe a serenidade. O professor aposentado da Faculdade de Direito da USP promove há 13 anos no local uma série de debates, os Seminários da Feiticeira —referência à praia onde fica a casa.

Os convidados são outra surpresa dos seminários. Parte da elite do direito nacional estava reunida ali, no final de 2018. Numa roda com recém-formados e estudantes de direito, podia-se ver o presidente do Supremo Tribunal Federal. Na fila do jantar, o homem à frente era um ex-ministro da Justiça. Sobre uma caixa de isopor, estava um ex-chanceler.

A informalidade, como se vê, deu o tom —camisa polo, calção e sandália eram a indumentária masculina comum—, num contraste com os currículos dos participantes e a gravidade dos assuntos em discussão.
O papel do Judiciário na democracia era o tema geral. Na abertura, em 30 de novembro, sexta, o anfitrião trouxe não uma resposta, mas um impasse. Para chegar a ele, Sampaio Ferraz apresentou um panorama histórico de três traços elementares da formação do ideal democrático.

O primeiro, configurado desde os pensadores iluministas do século 18, mostra um processo de inclusão/exclusão, cujo objetivo é determinar quem faz parte do conceito amplo de “povo”. O segundo diz respeito aos mecanismos de representação. Por fim, os meios de garantir a liberdade e controlar a tirania, o que culminou na tripartição dos Poderes.

Uma fundamentação recíproca da política e do direito, prossegue, dependia de um mecanismo pelo qual a lei talha para si um significado conforme a Constituição. A saída deu-se pela formação das cortes superiores, incumbidas da função de guardar a legitimidade constitucional.

A estrutura democrática exigia um Poder politicamente neutro. A independência do juiz, no entanto, só é efetiva se a crença nela estiver enraizada na população. Esse arranjo foi exitoso até fins do século 20, tendo como resultado a expansão generalizada da democracia constitucional. As fissuras tornaram-se mais evidentes nos últimos anos —e aqui o professor chegava ao cerne de sua tese.

Surgiram situações que não mais podiam ser solucionadas por juízes na forma tradicional, uma vez que o Judiciário, para lidar com elas, acabava diante de limites impostos pela ciência e pela tecnologia. Há exemplos de campos diversos: redes sociais, células-tronco, bitcoin.

A Justiça, então, começa a elaborar normas, para além dos conceitos tradicionais, com o objetivo de arbitrar tais conflitos. Da figura tradicional de legislador negativo (restrito a analisar a compatibilidade entre uma determinada regra e a Constituição), o juiz passa a legislador positivo (criador de regras). Desse processo, a neutralidade sai esgarçada.

Subvertidos os conceitos tradicionais, o professor indaga: qual o papel hoje do Judiciário na democracia? A resposta, caso houvesse, caberia aos demais palestrantes. Era noite, chovia, e os convidados —cerca de 60 pessoas— foram jantar.

No dia seguinte, após café da manhã com sucos, queijos e bolos, Celso Lafer, ministro das Relações Exteriores nas gestões Collor e FHC, retomou o debate. Falou da superioridade do governo das leis em relação ao governo dos homens. O primeiro representa a despersonalização do poder, em contraponto ao arbítrio que pode caracterizar o segundo.

Isto posto, o devido processo legal é o mecanismo de controle do governo das leis, tendo por base as garantias processuais e o pressuposto da razoabilidade da decisão judicial (a segurança jurídica). O ex-ministro notou, todavia, uma excessiva interferência do direito no exercício do poder. “No direito há uma significativa ampliação do escopo da interpretação. E, por consequência, a ampliação da insegurança jurídica.”

Quando um juiz vai além do que a norma prevê, quem terá condição de dizer se sua decisão é justa ou não? Recai-se, assim, no perigo do arbítrio. Estaríamos retornando ao governo dos homens? “Jobim vai responder a tudo isso”, brincou Lafer.

Referia-se ao palestrante seguinte, Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça (FHC), da Defesa (Lula e Dilma) e do STF. Menos acadêmico, e mais enfático, Jobim sintetizou: “Estamos num momento de grande confusão”. “Há um voluntarismo muito forte, uma tendência complicada em relação às autonomias de algumas instituições.” Seria possível um cenário muito distinto deste?

Jobim matizou a questão ao exemplificar, num extenso apanhado histórico, como o universo jurídico é moldado por necessidades políticas.

Contou como, a uma lei de 1894, o jurista Amaro Cavalcanti acrescentou emenda que atribuía ao STF o controle da constitucionalidade das leis federais. Não se tratava de uma decisão apenas teórica; buscava-se assegurar a manutenção do modelo republicano. Mesmo que monarquistas viessem a ser maioria no Congresso, não poderiam resgatar o antigo regime por via legislativa, pois o Supremo asseguraria a vigência da Constituição republicana de 1891.

De toda forma, ponderou Jobim, chegamos a um estágio de incerteza excessiva, como nos casos das divergências entre turmas das cortes superiores. “Sabem quem é o cara mais importante da perspectiva do advogado?”, provocou. “O distribuidor dos processos. Porque o advogado avalia que, caindo na turma tal, vai ganhar. Caindo na outra, vai perder.”

De forma mais ou menos velada, o foco das palestras era a atuação do STF. Temas controversos, como indulto natalino e auxílio-moradia, despontavam vez ou outra, mais nos bastidores que nas mesas.

Dias Toffoli, presidente do STF, ouviu com polidez todas as apresentações. Evitou fazer comentários —um dos raros foi em tom bem-humorado, ao emprestar seu notebook a outro palestrante que teve problemas com o seu: “Tudo sobra mesmo para o STF resolver!”.

Críticas mais diretas e mais duras vieram na tarde de sábado. Eugênio Bucci, jornalista e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP, levou o debate à sua área de pesquisa: o STF —e a Justiça em geral— pode se comunicar por meio de imagens? Tomou como base as transmissões das sessões do Supremo pela TV Justiça, iniciativa da qual Bucci foi entusiasta em seu início, em 2002, por acreditar que a visibilidade acentuaria a transparência.

Isso também ocorreu, mas efeito adverso parece ter predominado, diz ele: transbordamento de opiniões pessoais; banalização de manifestações fora dos autos; exacerbação da vaidade individual. “Veja o caso da toga, cujo uso deveria marcar a distinção entre o corpo individual e a representação da Justiça. A toga hoje mais parece a capa do Darth Vader. Assemelha-se a um símbolo da força, e não mais a um símbolo da justiça.”

Contra essa situação, o professor da USP elencou sugestões ao STF: agir pela palavra, não performar pela imagem; reduzir drasticamente o contato público do magistrado com a imprensa e com as redes sociais; fortalecer a identidade coletiva, a instituição; fortalecer a bússola jurisprudencial das decisões colegiadas.

Proposta mais ousada viria a seguir. José Rodrigo Rodriguez, pesquisador do Cebrap, tratou do que chamou de crise do legalismo liberal, etapa em que a norma passa a ser uma construção da interpretação, e não mais evidência a que se pode chegar a partir do texto constitucional.

Se já não é mais possível preservar a neutralidade, não teria chegado o momento de alterar a estrutura do Judiciário? “Por que não pensar em extinguir o Supremo e transformar as questões constitucionais em júris constitucionais? Estou exagerando, mas podemos pensar nessas questões. Nos tribunais devem estar só juízes de carreira?”, questionou.

O momento mais aguardado veio no domingo, com a palestra de Toffoli. Nas rodas de conversa, tentava-se adivinhar como reagiria ao que fora dito nos dias anteriores. “Pedi para falar no domingo para poder ouvir todos os outros convidados, ouvir as críticas, com as quais concordo em grande parte”, disse.

“A judicialização da política ė um dado da realidade. O Judiciário se transformou, seu papel mudou. Suas decisões se espraiaram para além dos casos concretos e passaram a se irradiar para toda a sociedade”, afirmou o presidente do STF.

Esse quadro, continuou, acentuou-se com as crises políticas dos últimos anos. O ministro elencou os principais pontos: corrupção exposta pela Lava Jato, impeachment de Dilma Rousseff (PT), duas denúncias do Ministério Público contra Michel Temer (MDB), prisão de Lula (PT), greve de caminhoneiros, eleição presidencial conturbada.

Diante do descrédito das demais instituições, coube ao Supremo dar perspectivas para a sociedade. “A realidade nos obrigou a isso, e acho que não faltamos à sociedade. O produto final foi positivo. O Supremo foi o fio condutor da estabilidade.”

Em seu principal aceno às críticas anteriores, disse que, passada a eleição, é hora de inflexão. “É hora de o Judiciário se recolher. É preciso que a política volte a liderar o desenvolvimento do país e as perspectivas de ação”. Não significa que o STF deva se omitir. Cabe à corte voltar a seu papel tradicional —garantir os direitos individuais e coletivos.

Toffoli dedicou o final da palestra a propostas para sua gestão no STF. De forma geral, ressaltou, a intenção é reforçar a transparência, a eficiência e o sentido de colegialidade do Supremo. Para isso, pretende antecipar a divulgação da pauta de votação da corte e dar prioridade à análise de processos já iniciados, mas com julgamento interrompido por pedidos de vista —segundo o ministro, são 113 casos nesta situação.

O anfitrião encerrou o seminário pouco depois, com a promessa de retomá-lo em 2019. Servido o último almoço, as densas discussões deram lugar a conversas triviais e despedidas. Fazia um dia de sol e o mar chamava para um mergulho. Era hora de voltar à ataraxia.

Folhapress

Opinião dos leitores

  1. O Judiciário é uma mistura de elefante com bicho-preguiça. Pesado, lento e comedor voraz do dinheiro pago pelo contribuinte.

    1. Essa foi a melhor definição do Judiciário que eu já vi. Bato palmas de pé para você, Parabéns!

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Política

‘Emendas de Valdemar’ têm ligação com partido de esquerda, diz colunista

Foto: Reprodução

Um levantamento sobre as chamadas “emendas de Valdemar”, investigadas pela Polícia Federal, aponta que os recursos não chegaram apenas a prefeituras administradas pelo PL.

Segundo o colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder, municípios governados por outras seis siglas, entre elas o PDT, também receberam verbas.

De acordo com a publicação, prefeituras ligadas ao PL receberam mais de R$ 71 milhões. O PSD aparece em seguida, com mais de R$ 32,4 milhões.

Também constam municípios administrados por MDB (R$ 9,5 milhões), PDT (R$ 4,7 milhões), União Brasil (R$ 800 mil), Novo (R$ 290 mil) e PP (R$ 220 mil).

Segundo a Polícia Federal, a suspeita é de que parlamentares atuassem apenas como “fantasmas”, assinando as emendas, enquanto as decisões seriam centralizadas por Valdemar Costa Neto. A investigação apura um suposto esquema de desvio de recursos.

Valdemar nega qualquer irregularidade. Em nota, afirmou que não há prova ou indício de que tenha aderido a um esquema criminoso.

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Geral

Justiça bloqueia R$ 227 mil de ex-mulher de Bolsonaro

Foto: Reprodução

A Justiça Eleitoral determinou o bloqueio de R$ 227 mil de Ana Cristina Valle, ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida foi adotada depois de ela não devolver, no prazo estabelecido, recursos do Fundo Eleitoral usados na campanha de 2022 cuja restituição foi determinada pela Corte.

As informações foram publicadas nesta 6ª feira (10.jul.2026) pelo jornalista Daniel Gullino, da revista Veja. Caso não sejam encontrados recursos suficientes nas contas de Ana Cristina, a cobrança poderá atingir veículos e imóveis registrados em seu nome.

Ana Cristina disputou uma vaga de deputada distrital pelo PP em 2022. Recebeu 1.485 votos e não foi eleita. Suas contas de campanha foram rejeitadas por unanimidade pelo TRE-DF (Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal) em 2025, conforme parecer do Ministério Público Eleitoral.

Relator do processo, o desembargador Guilherme Pupe da Nóbrega afirmou que as falhas “permeiam praticamente toda a gama de gastos de campanha”. Entre as irregularidades, citou contratações de pessoal para militância e mobilização de rua sem documentos que comprovassem datas, valores e serviços.

Também foram apontadas despesas com alimentação, combustível, criação de páginas na internet, impulsionamento de conteúdo, locação de bens e contratação de terceiros sem nota fiscal ou outro documento considerado idôneo.

Segundo o magistrado, Ana Cristina não apresentou justificativas nem documentos para sanar as irregularidades. “A ausência de cooperação da candidata com a Justiça Eleitoral demonstra um descaso com o dever de transparência e com a correta aplicação do dinheiro público”, declarou.

Quem é Ana Cristina Valle

Ana Cristina é mãe do vereador Jair Renan Bolsonaro (PL-SC), que anunciou pré-candidatura a deputado federal, e foi citada nas investigações sobre o caso das rachadinhas em gabinetes ligados à família Bolsonaro. Ela chefiou o gabinete de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) na Câmara Municipal do Rio de Janeiro de 2001 a 2008. Empresas e familiares ligados a ela também foram mencionados nas investigações.

Em 2020, reportagem da revista Época informou que Ana Cristina comprou 14 imóveis de 1997 a 2008, período em que foi casada com Bolsonaro. Segundo a publicação, 5 deles teriam sido pagos em dinheiro. À época, a defesa afirmou que ela não havia cometido crimes e que os fatos apresentados não correspondiam à realidade.

Poder 360

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Mundo

Lula provoca dizendo que Trump teria ‘inveja’ da China

Foto: Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem “inveja” da China por causa do domínio tecnológico e industrial do país asiático no segmento de terras raras e minerais críticos.

A declaração foi feita durante uma reunião no Palácio do Planalto voltada à definição de estratégias para ampliar a participação brasileira nesse mercado.

Ao comentar o tema, Lula disse que chegou ao encontro acreditando que o Brasil ainda possuía pouco conhecimento sobre a exploração desses minerais, mas afirmou ter mudado de avaliação após ouvir especialistas e integrantes do governo.

Segundo ele, o país reúne condições para desenvolver tecnologia própria e ampliar sua presença em uma área considerada estratégica para a indústria global.

Durante o discurso, o presidente declarou que a China concentrou conhecimento e capacidade tecnológica no setor ao longo dos anos e afirmou que esse domínio desperta interesse dos Estados Unidos.

Na mesma fala, disse que Trump poderá passar a se preocupar com o Brasil caso o país avance na cadeia produtiva dos minerais críticos e consiga alcançar um nível semelhante ao dos chineses.

A reunião teve como objetivo discutir medidas para estimular a pesquisa, a exploração e, principalmente, a industrialização das chamadas terras raras no território nacional.

Esses minerais são considerados essenciais para a fabricação de equipamentos de alta tecnologia, como baterias, semicondutores, turbinas eólicas, veículos elétricos e componentes utilizados na indústria de defesa.

Lula também defendeu que o Brasil deixe de atuar apenas como fornecedor de matéria-prima e passe a agregar valor aos recursos minerais extraídos no país.

Segundo o presidente, é necessária uma decisão política para transformar o potencial geológico brasileiro em desenvolvimento industrial e tecnológico.

O debate ocorre em meio à crescente disputa internacional pelo controle das cadeias de fornecimento de minerais estratégicos.

Atualmente, a China ocupa posição dominante na produção e no processamento de terras raras, enquanto Estados Unidos e outros países buscam ampliar fornecedores alternativos para reduzir a dependência do mercado chinês.

Diário do Poder

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Mundo

Ex-ministra do Reino Unido é achada morta; suspeito é preso

Foto: EFE

A ex-ministra britânica Ann Widdecombe foi encontrada morta dentro de casa, na região de Haytor, no sudoeste da Inglaterra, nesta quinta-feira (9). Um homem de 26 anos, que é suspeito de ter cometido o assassinato.

Widdecombe tinha 78 anos de idade. O corpo dela foi encontrado com ferimentos graves.

O caso é tratado como homicídio. Segundo as autoridades, até o momento, não há indícios de motivação política ou terrorismo.

Ann foi deputada pelo Partido Conservador entre 1987 e 2010. Ela ocupou cargos ministeriais de menor escalão no governo do ex-premiê John Major.

Após deixar o Parlamento, Widdecombe participou de programas de TV e, mais tarde, filiou-se ao Partido do Brexit, de Nigel Farage.

Entre 2019 e 2020, ela foi deputada do Parlamento Europeu. Recentemente, Ann atuou como porta-voz de imigração do partido Reform UK.

As informações são do G1

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Mundo

Milei diz que pretende visitar Bolsonaro durante viagem ao Brasil

Foto: Getty

O presidente da Argentina, Javier Milei, afirmou, nesta sexta-feira (10/7), que viajará ao Brasil no fim de julho e que pretende se encontrar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar.

Em entrevista à rádio argentina Now, Milei disse ainda que pretende participar da convenção nacional do PL, marcada para o dia 25, em São Paulo, onde acompanhará o lançamento da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

A passagem de Milei pelo Brasil deve reforçar a proximidade política dele com a família Bolsonaro durante a viagem.

Jair Bolsonaro, que foi condenado a 27 anos e 3 meses, segue em prisão domiciliar por tentativa de golpe de estado, organização criminosa armada e outros crimes. O ex-presidente cumpre a pena em casa, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico (DF).

E, apesar da vontade de Milei em rever o ex-presidente, o eventual encontro entre os dois dependerá de uma autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Metrópoles

 

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Geral

Justiça reconhece irregularidade em heteroidentificação e candidata parda garante vaga em Medicina na UERN

Foto: Divulgação

O 3° Juizado Especial da Fazenda Pública da Comarca de Mossoró condenou a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) declarou a nulidade dos atos administrativos da comissão de heteroidentificação da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN) que indeferiu a autodeclaração étnico-racial de uma estudante parda ao curso de Medicina. A juíza Welma Maria Menezes determinou que a universidade realize a matrícula da candidata, garantindo seu ingresso no segundo semestre letivo de 2026 no curso de Medicina, do campus Mossoró.

Segundo narrado, a estudante obteve aprovação no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) para o curso de Medicina (campus Mossoró), da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, para ingresso no segundo semestre letivo de 2026. No ato da inscrição, optou por concorrer às vagas destinadas à Cota Social (Pretos, Pardos e Indígenas), na condição de parda, amparada por sua ancestralidade, sendo fruto de miscigenação entre genitor negro e genitora branca, e por seu fenótipo evidente como sempre identificou-se.

A candidata, que se autodeclara parda, recebeu com estranheza e surpresa, além de imensa tristeza e até mesmo indignação, a sua “reprovação” pela comissão de heteroidentificação, que não a reconheceu como “parda”. Diante disso, interpôs recurso administrativo solicitando a reavaliação integral pela Banca Recursal. Contudo, narrou que a UERN ratificou o indeferimento, mantendo a exclusão da candidata.

Sustentou, além disso, que a negativa administrativa de reconhecimento de sua condição na modalidade PPI implica, na prática, a exclusão indevida no certame, inviabilizando sua matrícula no curso para o qual foi regularmente aprovada. Diante disso, requereu, em caráter de urgência, a suspensão dos efeitos da decisão da comissão de heteroidentificação, determinando-se à UERN que inclua seu nome na lista de candidatos aptos e assegure sua matrícula regular no curso de Medicina, campus Mossoró, observando-se sua ordem de classificação.

Análise judicial do caso

De acordo com a magistrada, o exame das normas internas que regem o certame revela que a desclassificação da candidata, além de carecer de motivação adequada, decorreu de violação às disposições regulamentares estabelecidas pela própria universidade. Dessa forma, a juíza destacou o art 8° da Resolução n° 33/2023-CONSEPE, que disciplina o procedimento de heteroidentificação complementar no âmbito da UERN, e possui a seguinte redação: serão consideradas, no momento da realização do procedimento de heteroidentificação, as características fenotípicas do candidato negro (preto e pardo), como a cor da pele, a textura do cabelo, nariz e lábios.

No entanto, a banca, ao emitir o parecer, afirmou que no caso em análise, embora tenha sido observada textura capilar ondulada, tal característica aparece de forma isolada, não sendo corroborada pelos demais elementos fenotípicos avaliados. “Ao adotar esse entendimento, a comissão de recurso inseriu uma restrição que não consta na Resolução n° 33/2023-CONSEPE. Embora a UERN tenha apresentado justificativas em sua contestação para amparar a decisão, esses argumentos recursais internos introduziram um critério metodológico restritivo, consubstanciado na exigência de cumulação obrigatória de traços, o que contraria o artigo 8º da norma de regência”, esclareceu.

Dessa forma, a juíza evidenciou que, ao desconsiderar o traço fenotípico positivo reconhecido na estudante sob o argumento de que este se apresentava de forma isolada, a banca recursal da UERN ultrapassou os limites regulamentares estabelecidos na Resolução n°33/2023-CONSEPE, incorrendo em ilegalidade. “Constatado que a banca recursal reconheceu formalmente a textura capilar ondulada da candidata, e diante de expressiva convergência de laudos dermatológicos, laudo antropológico especializado, certidão pública de nascimento paterna e declarações de inserção social, resta caracterizada a existência de dúvida razoável sobre o fenótipo da autora”, anotou.

Em razão disso, a magistrada salientou que, diante da ausência de provas suficientes apresentadas pela UERN para justificar a exclusão da candidata e que a sentença segue o entendimento já consolidado pela Justiça potiguar, devendo ser julgado, então, procedente a pretensão da candidata levada a Justiça.

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Política

Prefeita Klebinha reúne vereadores, lideranças e multidão em demonstração de apoio a Dra. Zenaide em Taboleiro Grande

Foto: Divulgação

A senadora Dra. Zenaide Maia recebeu nesta sexta-feira novas demonstrações de apoio à sua pré-candidatura à reeleição durante agenda no Oeste Potiguar. Em Taboleiro Grande, a parlamentar participou de um encontro com a população ao lado da prefeita Klebinha Bessa, do pré-candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra, de vereadores e lideranças do município.

A prefeita destacou a parceria com a senadora e ressaltou a importância dos recursos destinados por Zenaide para o município. “Dra. Zenaide tem ajudado nosso município e vai continuar ajudando”, afirmou, reforçando o apoio à continuidade do trabalho da parlamentar que já destinou quase R$ 1 milhão para Taboleiro.

Durante o encontro, Allyson Bezerra também voltou a reafirmar apoio à senadora e destacou sua atuação em defesa do Rio Grande do Norte. “Essa mulher roda o estado inteiro. É corajosa. Uma mulher que veio da simplicidade do interior e que trava em Brasília uma luta em defesa da gente. É por isso que estou com Zenaide”, disse.

A agenda contou ainda com a presença do prefeito Zé Roberto Pezão, de Itaú. Após Taboleiro Grande, Dra. Zenaide seguiu para Martins, para participar da programação do tradicional Festival Gastronômico Cultural e se encontrar com o prefeito César Móveis.

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Brasil

Arma nunca chegou às mãos de Bolsonaro, apesar de registrada em seu nome, diz PF

Foto: Reprodução

A Polícia Federal apreendeu, em 9 de julho, uma espingarda registrada em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro, em cumprimento a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do STF, na Execução Penal nº 169. Um relatório de diligência detalha como a arma foi localizada em um apartamento em Cachoeirinha (RS), confirmando o que a Jovem Pan já havia antecipado sobre a dinâmica da entrega.

A reportagem apurou que a espingarda foi doada a Bolsonaro em agosto de 2021, durante uma feira do segmento em Joinville, Santa Catarina. Apesar da doação, o ex-presidente nunca teve contato com o equipamento, que permaneceu todo esse tempo na posse do doador.

Segundo o relatório da PF, a arma, marca Maestro Arms Company, modelo AR-05-16, calibre 12, estava registrada em nome de Bolsonaro desde 2022, mas nunca saiu fisicamente da posse do antigo dono. A transferência ocorreu apenas no sistema de controle de armas, sem que a tradição física do bem se concretizasse.

Foi o o antigo dono quem procurou a PF por WhatsApp em 8 de julho, alegando não ter mais autorização para transportar a arma até a corporação. Ele pediu que uma equipe fosse até sua casa receber a entrega voluntária, marcada para as 15h do mesmo dia.

A diligência foi autorizada pelo superintendente da PF no RS, Alessandro Maciel Lopes, e chefiada pelo delegado Alexandre Lourenço Pauli. Segundo o relatório, o antigo proprietário recebeu os policiais de forma colaborativa e assinou termo de consentimento de busca. A arma foi encontrada em um estojo rígido, com carregadores sem munição, customizada com as cores da bandeira nacional e a inscrição “Ordem e Progresso”.

O armamento foi levado à sede da PF no Rio Grande do Sul, onde permanece sob custódia, à disposição do STF.

Jovem Pan

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Brasil

Polícia investiga “ranking sexual” de alunas de colégio de elite


Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai ouvir ao menos 65 alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital, para identificar os responsáveis pela criação e divulgação de uma lista que classificava estudantes em categorias com conotação sexual.

Nesta quinta-feira (9), sete alunas estiveram na delegacia para prestar depoimento. O diretor da escola foi ouvido na quarta (8). Ele afirmou que a escola está tentando apurar internamente quem foram os responsáveis.

– Nós recebemos a informação desse caso há mais ou menos dois dias e desde então estamos empreendendo os esforços para reunir todos os registros de ocorrência para fazer a investigação de forma centralizada. É um caso que causa uma repulsa muito grande, principalmente aos pais ao verem os nomes das filhas nessa lista – afirmou a delegada Maria Luisa Machado, titular da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV), à GloboNews.

De acordo com a investigadora, as estudantes estão sendo ouvidas por meio do procedimento de depoimento especial, utilizado em casos envolvendo vítimas em situação de vulnerabilidade.

– Vamos dar amplitude para conseguir identificar a autoria por meio dos depoimentos – disse.

De acordo com a delegada, a lista foi criada de forma totalmente anônima, o que dificulta a identificação dos responsáveis. A expectativa é que os depoimentos ajudem a esclarecer quem produziu e divulgou o conteúdo. A polícia informou ainda que os envolvidos poderão responder, em tese, pelos crimes de injúria e difamação.

A lista foi criada em uma plataforma online no formato “tier list”, em que temas são divididos em categorias preestabelecidas. As estudantes foram classificadas nas categorias “GOAT” (“melhor de todos os tempos”, em inglês), “Comeria no lucro”, “Bêbado vai”, “Me arrependi depois” e “Nem olharia”.

Em nota, o Colégio Cruzeiro diz que registrou um boletim de ocorrência e denunciou o caso à plataforma, que já retirou o conteúdo.

– O Colégio Cruzeiro, sintonizado com as questões da sociedade contemporânea, reprova e repudia quaisquer atitudes que exponham estudantes. Registramos um boletim de ocorrência, fizemos uma denúncia à plataforma de veiculação exigindo a retirada do conteúdo (já retirado do ar), alertamos os responsáveis e estamos dando apoio às alunas e suas famílias – afirmou a instituição.

 

Pleno News

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Política

PL bate o martelo e fecha apoio a Ciro contra o PT no Ceará

Foto: EBC

O Partido Liberal (PL) oficializou o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Ceará nas eleições de 2026.

A decisão foi confirmada pelo presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que definiu o fim da estratégia de lançar um candidato próprio ao Palácio da Abolição e consolidou uma aliança entre as forças de oposição ao atual governador Elmano de Freitas (PT).

A definição encerra um período de debates dentro do partido sobre a melhor estratégia eleitoral no Estado.

Com o acordo firmado, o PL passa a concentrar seus esforços na construção de uma frente para disputar o comando do Executivo cearense, deixando de lado a possibilidade de uma candidatura própria.

A articulação, no entanto, foi marcada por divergências entre lideranças da legenda.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro manifestou publicamente oposição ao apoio a Ciro Gomes, por considerá-lo um antigo adversário político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Michelle defendia que o senador Eduardo Girão (Novo) fosse o nome da oposição para disputar o governo estadual.

Em sentido contrário, o deputado federal André Fernandes (PL-CE) atuou em favor da composição com Ciro, avaliando que a aliança amplia as possibilidades de unificação do campo oposicionista no Ceará diante do projeto de reeleição do PT no Estado.

A posição acabou prevalecendo após a decisão da direção nacional da legenda.

O impasse também alcançou a disputa pelo Senado. Michelle Bolsonaro passou a apoiar a vereadora Priscila Costa (PL), enquanto o grupo político liderado por André Fernandes trabalha pela candidatura do deputado estadual Alcides Fernandes, pai do parlamentar.

A definição das candidaturas majoritárias deverá ocorrer ao longo das convenções partidárias.

Como parte da nova estratégia eleitoral, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) participa, em Fortaleza, do lançamento da pré-candidatura de Alcides Fernandes ao Senado.

A presença do parlamentar é vista como um gesto de respaldo à decisão tomada pela executiva nacional e ao novo desenho político da legenda no Ceará.

A aliança entre PL e Ciro Gomes reorganiza o cenário eleitoral cearense e coloca a oposição em torno de uma candidatura única ao governo estadual.

Com isso, o bloco busca ampliar sua competitividade na disputa contra o grupo político liderado pelo PT, que tentará manter o comando do Estado nas eleições de 2026.

 

Diário do Poder

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