O mercado financeiro vê o câmbio mais depreciado até o fim de 2015, de acordo com pesquisa Focus do Banco Central, divulgada nesta segunda-feira. A mediana das estimativas de economistas de instituições financeiras para a cotação do dólar subiu pela nona semana consecutiva e agora está em R$ 2,80, ante R$ 2,75 na semana anterior. Há um mês, esperava-se um dólar de R$ 2,67. Para o fim deste ano, a estimativa foi mantida em R$ 2,65.
Na sexta-feira, a moeda americana fechou valendo R$ 2,6723, acumulando valorização de 13,38% no ano. Para 2015, a expectativa é de que o Banco Central continue a realizar intervenções diárias no mercado de câmbio, mas com um volume menor. Esse fator, aliado ao cenário externo, deve continuar a pressionar o dólar.
Os analistas de mercado também veem a inflação dos preços administrados — como energia elétrica, tarifas de transporte público, água, gás, etc — mais pressionada, especialmente em 2015. Pela terceira semana consecutiva, esses analistas elevaram suas projeções para essa classe de itens, que são controladas em maior ou menor medida pelos governos federal e regionais.
Para este ano, a mediana das estimativas dos administrados passou de 5,42% para 5,50%. Há um mês, era de 5,30%. Para 2015, saiu de 7,60% para 7,80%, ante 7,20% quatro semanas atrás.
Nos últimos dias, soube-se que serão elevadas as tarifas do transporte público em São Paulo (trem, metrô e ônibus) e que se pagará mais pela energia elétrica em janeiro do ano que vem, quando entra em vigor o sistema de bandeiras tarifárias, em que o consumidor arca com o custo maior da geração de energia. Essa geração continua cara por causa do baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas, o que obriga o aumento da produção das termelétricas.
ECONOMISTAS AUMENTAM PREVISÃO PARA O PIB
Ao contrário do que deve ocorrer neste ano, a taxa dos administrados vai ficar acima da inflação geral em 2015, de acordo com as expectativas expressas no Focus. Os analistas estimam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará 2014 com alta de 6,38% (mesma projeção da semana anterior), enquanto esperam IPCA de 6,53% em 2015, acima portanto do teto da meta, de 6,50%.
Na semana anterior, a estimativa era ligeiramente maior, de 6,54%. Para o IPCA de dezembro, a estimativa seguiu em 0,75%. Quanto à Selic, a aposta continua em uma taxa de 12,50% até o fim de 2015, de atuais 11,75% ao ano.
A inflação tem rondado o teto da meta há meses. O IPCA-15, prévia do indicador oficial de inflação, acelerou a alta a 0,79% em dezembro, e encerrou o ano com alta de 6,46%. O Focus mostrou que as contas para os preços administrados em 2015 cresceram, com alta de 7,80%, sobre 7,60% na semana anterior.
Os economistas consultados na pesquisa do BC aumentaram um pouco a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 a 0,14%, contra 0,13% no levantamento anterior. Para 2015 a estimativa de expansão permaneceu em 0,55%.
A economia brasileira iniciou o quarto trimestre em queda depois de ter saído da recessão técnica, apontou o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) do próprio BC ao recuar 0,26% em outubro sobre o mês anterior.
Ainda no Focus, os analistas reduziram a expectativa para o saldo da balança comercial deste ano, de déficit de US$ 1,86 bilhão para US$ 2 bilhões, mas elevaram-na para 2015, de superávit de US$ 4,83 bilhões para US$ 5 bilhões. A estimativa de déficit em conta corrente de 2014 saiu de US$ 86 bilhões para US$ 86,10 bilhões e em 2015 de US$ 77 bilhões para US$ 77,79 bilhões.
O Globo

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