
Conforme prometido, a presidente lançou um pacote de medidas – mais um – para aliviar a tensão das ruas.
Em cadeia nacional, anunciou a convocação de médicos estrangeiros para suprir os bolsões de pobreza do país. A ideia é louvável. Se há deficiência de pessoal, então que se convoque, se preciso for, lá fora médicos para assistir quem precisa.
A proposta, embora boa, parece que se esgota aí. É boa. Apenas.
Antes de convocar tantos médicos quantos sejam necessários as atenções do Planalto deveriam estar focadas em estruturar o Sistema Único de Saúde, conhecido nacionalmente pela sua falência.
Vai adiantar trazer profissionais do exterior para abrigá-los em postos de saúde onde não tem gaze, esparadrapo, remédio, enfim, as mínimas condições de funcionamento?
Claro que esse retrato não está pintado no Brasil todo, mas é o que predomina, principalmente, no interior, para onde o governo quer enviar os médicos importados.
A medida, como se sabe, ganhou duras críticas da classe médica, resistente à ideia de trazer estrangeiros sem a revalidação do diploma.
É sabido que muitos médicos não gostam de bater o ponto, encurtam a carga horaria no trabalho no SUS para atender na clínica particular e são mesmo corporativistas, mas há o mínimo de razoabilidade no argumento que estão lançando no debate. Além disso, a presidente, que patina, nos índices de aprovação de seu governo, está comprando uma briga com uma classe de forte poderio eleitoral.
Vide aqui o caso de Rosalba. Na recente pesquisa publicada pelo Blog do BG, a classe médica mostrou-se a maior responsável pelo desgaste da chefe do Executivo. O gargalo do governo Rosa está na Saúde. Ressalvadas as proporções, Dilma parece ter escolhido o mesmo caminho.
A propósito: as faculdades de medicina estão se tornando serviço militar com a obrigatoriedade de os alunos servirem no SUS durante dois anos?
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