Embora estejamos, cronologicamente, muito distantes da campanha eleitoral de 2014, os números da pesquisa Consult ajudam a delinear cenários da disputa que se aproxima. O dado que mais chama atenção, neste terceiro janeiro do seu mandato, é a alta rejeição à governadora Rosalba Ciarlini. Os percentuais dos que desaprovam o governo da médica mossoroense são considerados altos – chegam a 88 por cento em Natal, ultrapassam 71 por cento em todo o Estado e somam quase 50 por cento em Mossoró, seu maior reduto político e segundo maior colégio eleitoral do Estado com grande influência em grande parte do Estado.
Mantidos em níveis tão elevados, os índices de rejeição à governadora praticamente a tiram do páreo na disputa pela reeleição. Claro que é preciso considerar que Rosalba está iniciando o terceiro ano do seu mandato e que poderá se recuperar. Não seria inédito. Basta lembrar a guinada que deu entre o final de 2005 e início de 2006 a então governadora Wilma de Faria, que parecia estar fora de combate faltando menos de doze meses para a disputa da reeleição. O resultado todo mundo conhece.
O problema, com a atual governadora, é que o seu governo, que aposta em 2013 como o ano do início da recuperação, parece caminhar justamente na direção oposta. Nos últimos meses, depois de iniciar uma relação pra lá de conturbada com setores do funcionalismo público, a administração da governadora abriu áreas de atritos com o Poder Judiciário, Ministério Público, não conseguiu ainda harmonizar as relações com a Assembleia Legislativa e, para piorar as coisas, enfrenta uma complicada briga com a categoria médica e vê a saúde pública piorar a cada dia.
Enquanto Rosalba Ciarlini definha no plano da opinião pública, a agora vice-prefeita de Natal, o senador licenciado e ministro Garibaldi Filho e o vice-governador Robinson Faria navegam com relativa tranquilidade nos mares da pré-campanha. Dos três, Robinson, rompido com Rosalba desde o final de 2011, é o único pré-candidato assumido. Faria nunca escondeu, nem antes nem depois de se eleger junto com Rosalba, que sonha em ser governador do Estado. Chegou a declarar isso antes mesmo de tomar posse, ajudando a complicar a relação com a governadora e seu marido que já não parecia fácil.
Enquanto Robinson tem que correr muito para atrair apoios e formar uma sólida base política e eleitoral capaz de transformar desejo em possibilidade, Wilma e Garibaldi tem problemas bem distintos.
Garibaldi já disse reiteradas vezes que não deseja ser candidato. Defende que não seja ele, mas olhando ao seu redor não vê ninguém com mais chances na disputa. Seu filho, o deputado estadual Walter Alves ainda não passou pelo teste de uma eleição majoritária. E o deputado Henrique, que sempre sonhou em ser governador, parece ter arquivado o sonho em favor de outro: o de ser presidente da Câmara dos Deputados. Há alguns meses, peemedebistas falam a linguagem do rompimento com o governo Rosalba. Resta saber se o ex-deputado Elias Fernandes será mesmo indicado secretário de Recursos Hídricos. Se for, é sinal de que o PDMB não vai romper. Se não ocorrer a nomeação será um indicativo de que o fosso que separa PMDB e a administração estadual vai aumentar. E aí restará algum tempo para que os líderes peemedebistas encontrem um candidato ou convençam Garibaldi a disputar um novo mandato.
Se o problema de Garibaldi é o futuro e o de Robinson é o presente, Wilma de Faria tem enormes pedras no seu passado. A ex-governadora, derrotada fragorosamente na intenção de se eleger para o Senado, amarga denúncias contra o seu governo e escândalos que atingem familiares e tem pendegas judiciais serias a resolver. Enquanto se mantiver uma discreta vice-prefeita e se prepara para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados, tudo bem. O difícil será alvo de todo mundo e suportar os muitos ataques que virão se decidir se candidatar ao Governo do Estado.
O fato é que a pesquisa Consult comprova que enquanto Rosalba Ciarlini mergulha numa crise que aponta para o divórcio litigioso com a opinião pública, a oposição, íntima ou distante, parece navegar, por enquanto, em mares tranquilos.
BG
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