As medidas adotadas pelo governo federal, se amenizam o sofrimento do sertanejo, mostram que décadas de estiagens prolongadas não foram suficientes para levar o homem da caatinga a uma convivência mais harmoniosa com o semiárido. Essa região carece de intervenções e programas que, segundo reconhece o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, deveriam ter sido implantadas há mais de um século. Segundo o ministro, só agora elas estão sendo providenciadas. Documento divulgado em Recife pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) /Nordeste 2, indica que, em 47,5% dos municípios do semiárido, um terço da população tem a renda proveniente de transferências governamentais.
Segundo autoridades do governo, é essa rede de proteção social (Bolsa Família, Bolsa Estiagem e aposentadorias rurais) que dá à atual seca um aspecto diferente: ainda não há registro de saque a feiras e mercados públicos, frequentes nas estiagens anteriores. Mesmo assim, a situação é considerada grave.
Só em Pernambuco, levantamento da Secretaria estadual de Agricultura indica que 17% das propriedades de leite (18.700) encerraram as atividades e que o rebanho mingou de 2,5 milhões para 1,6 milhão de cabeças: 200 mil morreram de sede, 370 mil foram levados para outros estados e 330 mil foram precocemente abatidas. Há 12 meses não se produz feijão nem milho nos municípios atingidos pela estiagem em Pernambuco. Dos 500 mil hectares de sequeiro (terreno sem irrigação), 370 mil deixaram de produzir em Pernambuco, onde mais de 120 municípios se encontram em estado de emergência.
O governo federal informou que já foram efetuadas mais de 271 mil operações de crédito nos 1.360 municípios afetados pela seca no Nordeste, e que os contratos somam R$ 2,13 bilhões. Mas na caatinga, a história é outra: os agricultores reclamam da burocracia e da dificuldade de acesso ao dinheiro. Dizem que o milho subsidiado não é suficiente, e já relatam até a ocorrência de desvio do produto. Como as sacas são brancas, sem carimbo da Conab, também fica difícil rastreá-las no caso de comércio irregular.
— É muito triste que se ganhe dinheiro com a desgraça dos outros. A gente sabe que o milho chega, é desviado para outros municípios, depois volta para Tacaimbó, não sei que fórmula é essa — reclamou Antônia dos Santos Nascimento, presidente do Sindicato de Trabalhadores Rurais do município.

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