Judiciário

Em entrevista exclusiva, Marcius Melhem diz que Calabresa ‘mente e age por vingança’

Foto: Reprodução / Globo

Demitido e “cancelado” nacionalmente após denúncias de assédio sexual e moral, o ator, redator e ex-diretor da Globo Marcius Melhem diz que atravessa um “pesadelo do qual não sabe se e quando vai acordar”. Afirma que sua mãe, a ex-mulher e até suas filhas sofreram e ainda sofrem com ataques de terceiros.

O assunto voltou à tona nesta semana, depois que a atriz Dani Calabresa, uma das mulheres que denunciaram Melhem ao “compliance” da emissora, falou sobre o caso no programa “Saia Justa”, do GNT —sem citá-lo nominalmente.

“Hoje, analisando, por causa do trabalho eu não reagi antes. Tinha tanto medo de sofrer algum boicote, ser prejudicada, que não reagi antes. Assédio é tão assustador que a gente tenta negar para a gente mesma. Tenta fingir que aquilo que está acontecendo é normal. Você segue do jeito que consegue, fingindo normalidade, tentando ser legal, dizendo que tá tudo bem, que não está brava.”

Melhem continua negando as acusações e afirma que a atriz “mentiu e agiu por vingança”. Segundo ele, a vingança teria a ver com o fato de ela ter tido um projeto recusado pela direção do humorismo da Globo.

Procurada, Dani Calabresa não quis comentar as alegações do ex-diretor. A TV Globo também afirmou que não se manifestaria.

Denúncia de 2019

O “compliance” é um departamento que está surgindo em quase todas as empresas do Brasil e do mundo na esteira de investigações de corrupção e de casos de assédio moral e sexual.

A denúncia de Calabresa foi feita em 2019, mas voltou a virar notícia no final do ano passado, após reportagem da revista “piauí”.

Depois de meses sendo ameaçado de violência física nas redes sociais e pessoalmente, Melhem afirma que o que mais o revolta nem é isso: são as ameaças e as perseguições à sua família.

Ele teme a “cultura do cancelamento e do ódio” e até cita o “Big Brother” como um exemplo nocivo de uma era de perversidade e justiçamento —e por pessoas que, na maioria das vezes, não conhecem o caso a fundo.

O humorista decidiu processar Dani Calabresa por difamação, injúria, calúnia e está exigindo indenização de R$ 200 mil, além de compensação financeira por tudo o que gastou nos últimos meses, em médicos e terapia.

Também está processando outros humoristas, como Danilo Gentili, de quem afirma ter sofrido ofensas públicas. Gentili nega e diz que estava fazendo piada do caso.

Por fim, abriu processo em separado contra a revista “piauí”, que acusa de erros factuais e de ter feito uma reportagem “grave” toda em “off” (sem identificar as pessoas ouvidas). Procurada, a “piauí” disse que não manifestaria.

Projeto recusado

Sobre Calabresa, o ex-chefe de humorismo da Globo é assertivo: nega todas as acusações e afirma que a atriz tinha outras motivações. “Ela mentiu e agiu por vingança”, afirma. Vingança, segundo ele, porque teve um projeto recusado na Globo.

O humorista afirma que, justamente quando começou a exibir publicamente provas de que o relacionamento entre ambos era amistoso e carinhoso —inclusive entre 2017 e 2019, quando a atriz afirma que sofreu os assédios—, ela e sua advogada correram à Justiça para calá-lo e exigir sigilo nas investigações.

“Quer me calar porque tenho provas [de que ela mente].”

Melhem apresentou à Justiça mensagens de celular que teria trocado com Dani Calabresa, comprovando que a relação entre ambos era boa.

No programa “Saia Justa”, a atriz afirmou: “Nada autoriza assédio. Nenhuma brincadeira, nenhuma mensagem autoriza assédio. Naquele dia foi carinhosa, riu, bebeu, não interessa. Ninguém tem o direito de forçar o contato físico com ninguém. É preciso permissão”.

Ameaçado e isolado

Melhem diz que não sai de casa há meses, e não por causa da pandemia. Ele afirma ter medo de violência, devido à repercussão do caso.

No entanto, diz que no meio de todo esse “inferno” que atravessa, ao menos algo de bom aconteceu: colegas da Globo que o acusaram e fizeram postagens agressivas agora o procuram e pedem desculpas.

Alguns, no entanto, não tentam reaproximação. “Tem gente que agora não pode mais voltar atrás. Como fica para elas entender que tudo não passou de vingança [de Calabresa?”

Segundo a colunista Mônica Bergamo, da “Folha de S.Paulo”, outras oito mulheres fizeram denúncias contra o humorista, mas até o momento nenhuma delas falou publicamente sobre o caso. Elas deram depoimento à ouvidoria do Conselho Nacional do Ministério Público.

Leia, abaixo, trechos da entrevista com Marcius Melhem.

UOL – Passados cerca de quatro meses do agravamento do caso, como você está? Você disse que chegou a ser ameaçado… Já sai em locais públicos?

Marcius Melhem – Não saio. E não só eu. Acusações sem rosto e sem provas, vingança, linchamento público destroem emocionalmente você e sua família.

Além dos meus pais, irmãos, ex-mulher, tenho filhas pré-adolescentes já profundamente marcadas por essa covardia. Com reflexos na escola, por exemplo, que as pessoas sequer imaginam quando te pré-julgam e destroem publicamente.

Acho que o “BBB 21” escancarou mais as consequências dessa cultura do ódio e do cancelamento. Eu falo desde sempre que buscar apenas o cancelamento de alguém, sem ir à Justiça, sem dar a alguém o direito à defesa e à mudança, é a barbárie. Quero acreditar que as pessoas estão vendo isso melhor hoje.

UOL – Você me disse em entrevista em dezembro que as pessoas o linchavam sem nem considerar a dúvida. Você acha que hoje isso mudou? Que já existe essa dúvida?

Melhem – Acho que informações novas mudaram a percepção de muita gente. Mas, depois, muita coisa entrou em sigilo, fica mais forte na lembrança aquela avalanche inicial. A opinião pública ainda não sabe de tudo.

Na entrevista de Dani Calabresa ao “Saia Justa” (GNT), ela diz que, por causa do medo de boicote no trabalho, não reagiu à época do suposto assédio e fingiu normalidade até a hora em que não deu mais e denunciou. Infelizmente, mulheres sofrem isso todos os dias. E ela construiu um discurso para se encaixar nesse lugar.

Mas, no caso dela, é mentira. Dani e eu tivemos uma relação pessoal e profissional absolutamente saudável até 2019. Ela não era nem de longe alguém disfarçando ou tentando parecer normal.

Ela quer fazer crer que você mostra nudes a seu chefe para disfarçar, sem ele nem pedir; que, para fingir normalidade uma semana depois de um suposto assédio, responde em privado a um parabéns enviado no grupo, convidando seu chefe para ir à Disney e agradecendo por tudo que ele é de bom na sua vida; que, para não sofrer boicote, liga para falar da sua vida ou mal de algum colega.

E ainda quer fazer crer que talvez seja coincidência ela “arrebentar a tampa desse caldeirão” [frase que Calabresa usou na entrevista ao GNT] e começar a acusar um colega de um assédio de dois anos atrás no exato momento em que tem uma desavença profissional com ele.

Dani Calabresa vai distorcendo a realidade, tentando se encaixar num perfil que a sociedade compre e que, infelizmente, acontece todos os dias. E, como mulher, sua palavra tem muito valor.

Eu, como homem, estou a priori errado e condenado. Mas peço o benefício da dúvida e atenção aos atos e à cronologia dos fatos.

Então, quando eu a processo e começo a mostrar provas, ela corre e pede à Justiça para me calar [foi pedido que o processo seguisse em segredo de Justiça]. E depois tenta convencer as pessoas de que ela que buscou a Justiça primeiro. Ela vai moldando o discurso às circunstâncias para receber apoio e aplauso.

UOL – Sei que o caso está agora sob sigilo. Você acha que o desfecho ainda está distante?

Melhem – Não sei. Isso só os advogados saberiam dizer. O que eu posso garantir é que, dure o tempo que durar, tanto para a Justiça quanto para a sociedade, é preciso esclarecimento. Que todos os lados sejam olhados com isenção.

UOL – O humorista Danilo Gentili afirmou que você quer “intimidar” testemunhas e pessoas como ele… Que ele só fez piada do caso. Você está notificando judicialmente algumas pessoas, mas não vi você notificar jornalistas. E nós também criticamos você.

Melhem – Eu não processo quem me critica ou quem faz piada. Eu processei quem me ofendeu com grande repercussão. São quatro processos apenas. E muito mais gente falou de mim.

Milhões de pessoas foram induzidas a me achar um abusador, um assediador, sem saber que nem processo na Justiça há contra mim. Sem saber que ninguém me acusou publicamente de algum ato criminoso. Sem saber que só houve ida à Justiça porque eu fui primeiro.

A crítica é livre. A ofensa, não. Só processei quem me caluniou. A crítica faz parte. Mesmo as de que eu discordo. Mas não é verdade que não busco justiça contra a imprensa. Aquela matéria absurda e mentirosa da revista “piauí” é alvo de processo, sim.

Lá nós listamos os 43 erros da reportagem. Quem tiver interesse, vale procurar na internet. Isso é muito grave! Destruiu minha dignidade. Até hoje falam dessa reportagem. Toda feita em “off”, com erros absurdos.

Então, comecei a mostrar algumas evidências. E a opinião pública foi começando a entender. Para mim pode abrir tudo. Mostrar tudo. Qualquer mensagem, áudio, tudo. Não tenho nada a esconder.

UOL – Que conselho você daria para uma pessoa que sofresse hoje uma acusação igual à que você está enfrentando?

Melhem – Que busque a Justiça, esclarecimento, verdade. Sem deixar de olhar para si e para os seus erros.

Eu fui condenado por muita gente numa onda, sem precisar de prova nenhuma, de rosto nenhum. Depois, do pouco que veio à tona, já recebi muitas ligações de pessoas querendo entender melhor.
É pedir muito o benefício da dúvida? Essa história é muito mais intrincada do que parece.

Vou assumir todos os meus erros. Mas, preciso mostrar que pessoas estão usando uma causa importantíssima para conseguir ganhos secundários. É fundamental que tudo seja esclarecido. Na Justiça e fora dela. As motivações, os personagens centrais ainda vão aparecer.

UOL – Última pergunta: você acha que dinheiro, que indenizações podem resolver toda essa questão de alguma forma?

Melhem – Claro que não. Por isso que, desde o início, eu já avisei que vou doar as indenizações. Não tem dinheiro que pague o que eu e minha família estamos sofrendo.

Quando tudo isso passar, minhas filhas têm que poder encontrar informações sobre o que realmente aconteceu. Eu preciso mostrar que o pai delas errou, mas que nunca na vida cometeu qualquer ato de violência nem crimes.

Quero aproveitar para agradecer às dezenas de pessoas que todos os dias me ligam, me escrevem, me dão uma palavra de conforto, mas que não podem aparecer com medo de serem canceladas. E [agradeço] ao público em geral, em cuja inteligência sempre confiei, e de quem também recebo muitas e muitas mensagens.

Ricardo Feltrin – UOL

Opinião dos leitores

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Geral

Primeira edição da Feira Viva reúne música, gastronomia e artesanato na Árvore de Mirassol

Foto: Divulgação

Natal recebe, nos dias 7 e 8 de março, a primeira edição da Feira Viva, evento que combina música ao vivo, gastronomia regional, artesanato local, arte, cultura e área kids. A programação será realizada na Árvore de Mirassol (Espaço do Artesanato), na BR‑101, das 15h às 22h, com entrada gratuita.

Promovida pela Associação de Juventudes Construindo Sonhos – AJCS, a Feira Viva nasce com o objetivo de fortalecer a economia criativa e valorizar o trabalho de artesãos, pequenos empreendedores e artistas locais. Ao longo dos dois dias, o público poderá encontrar uma variedade de peças artesanais, produtos autorais e opções de presentes, além de um espaço dedicado à culinária potiguar, com comidas típicas e lanches variados.

Foto: Divulgação

A programação musical traz artistas locais valorizando a nossa cultura. Na sexta (7), o som fica por conta de Fernando Luna. No sábado (8/3), quem anima o público é Seu João, garantindo um repertório para agradar diferentes estilos. A ideia é criar um ambiente acolhedor para famílias, turistas e moradores da cidade.

Para as crianças, a Feira Viva oferece uma área kids com atividades e brinquedos, garantindo lazer para toda a família. A realização conta com o apoio da Prefeitura do Natal, através da SEMTAS e do vereador Chagas Catarino, reforçando o compromisso com o incentivo à cultura, ao artesanato e ao empreendedorismo local.

Foto: Divulgação

Serviço – 1ª Feira Viva

•Data: 7 e 8 de março
•Horário: das 15h às 22h
•Local: Árvore de Mirassol – Pavilhão do Artesanato, BR‑101, Natal/RN
•Entrada: gratuita

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Geral

ECAD cobra R$ 12 mil de vigília católica gratuita na UFRN e revolta fiéis em Natal

Foto: Reprodução

O ECAD está cobrando R$ 12 mil em direitos autorais do evento católico Consagra-te, que acontece nesta sexta (27) e sábado (28), no Anfiteatro da UFRN, em Natal. A cobrança provocou revolta na comunidade católica envolvida na organização, que afirma ter arrecadado recursos por meio de doações para conseguir realizar a programação, que é gratuita e aberta ao público.

O ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) é a entidade responsável por arrecadar e distribuir valores referentes à execução pública de músicas no Brasil. A taxa é cobrada quando há apresentações musicais em eventos, como é o caso da vigília, que contará com shows do Instituto Hesed e da cantora Eliana Ribeiro.

Promovido com a presença da imagem peregrina de São Miguel Arcanjo, trazida pelo Instituto Hesed diretamente do Santuário do Monte Gargano, na Itália, o evento terá Santa Missa presidida por Dom João Santos, pregação com Irmã Maria Raquel, procissão com o Santíssimo Sacramento e Rosário da madrugada. A programação começa às 20h, nos dois dias.

Segundo os organizadores, toda a estrutura foi viabilizada com ajuda da comunidade. A cobrança de R$ 12 mil, às vésperas da realização, gerou forte reação entre os fiéis que participam da mobilização no campus.

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Geral

Tem camarão crocante com arroz de siri; e crostini de macaxeira com camarão e fondue de queijo manteiga no Papo de Fogão deste fim de semana

Tem camarão crocante com arroz de siri pelas mãos do Chef Luiz Eduardo, do Dom Eduardo Restaurante… e na Dica Rápida, o Chef Macaíba, do Camarões de Natal, chega com um crostini de macaxeira com camarão e fondue de queijo manteiga que é pra glorificar de pé!

Tu vai perder é? Assiste o Papo de Fogão!

SÁBADO
BAND PIAUÍ – 8h

DOMINGO
RIO GRANDE DO NORTE – TV TROPICAL/RECORD, 10h

Ou no nosso canal do YouTube
http://youtube.com/c/PapodeFogao

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Política

Facção tentou tomar emendas na Câmara de Natal e movimentou R$ 6 milhões, diz polícia

Foto: Divulgação/PCRN

A Polícia Civil revelou detalhes da Operação Decreto, que mira um grupo criminoso com atuação no Passo da Pátria, na Zona Leste de Natal. Segundo a investigação, a facção tentou interferir no orçamento público da capital usando um ex-funcionário da Câmara Municipal de Natal para pressionar o envio de emendas parlamentares ao Carnaval de 2025.

De acordo com a Polícia Civil, a exigência era clara: se o dinheiro não fosse destinado, ações políticas seriam proibidas na área dominada pelo grupo. A investigação aponta que a organização movimentou cerca de R$ 6 milhões com a venda de drogas nos últimos 18 meses e é apontada como responsável por pelo menos quatro homicídios em 2024.

Nesta fase da operação, três suspeitos foram presos em Natal. Uma mulher indicada como liderança foi detida no Mato Grosso do Sul, e outro investigado é procurado no Rio de Janeiro. Em Natal, houve apreensão de drogas e dinheiro em espécie.

A Polícia Civil informou que as apurações continuam para verificar se houve participação de outros agentes públicos. O órgão reforçou que denúncias podem ser feitas pelo Disque 181, com garantia de anonimato.

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Economia

Governo recua e derruba parte da taxação de importados após reação do setor produtivo

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O governo federal voltou atrás e revogou, nesta sexta-feira (27), parte do aumento das tarifas de importação anunciado no início do mês. O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) informou que derrubou as alíquotas de 105 produtos classificados como bens de capital e itens de informática e telecomunicações.

No dia 6 de fevereiro, o governo havia elevado as tarifas de cerca de 1.250 produtos importados. Parte dessas mudanças começaria a valer já neste domingo (1º). Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, a reversão atende a uma demanda do setor produtivo e já estava prevista na resolução anterior.

Além da revogação das alíquotas zeradas, o governo manteve no patamar anterior a tarifa de outros 15 produtos de informática. É o caso dos smartphones, que voltaram à alíquota de 16%, e não mais aos 20% previstos inicialmente. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, havia afirmado na quarta-feira (25) que o MDIC poderia reverter as tarifas caso identificasse situações que não configurassem concorrência desleal.

Haddad declarou que o aumento do imposto não teria caráter arrecadatório, mas regulatório. Apesar disso, cálculos da própria Fazenda apontam que a medida poderia gerar cerca de R$ 14 bilhões aos cofres públicos em 2026. O MDIC informou ainda que não cabe ressarcimento às empresas afetadas, já que as tarifas ainda não estavam em vigor.

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Polícia

VÍDEO: GRANDE NATAL: 7 presos em menos de 48h por violência doméstica em operação nacional

Imagens: Divulgação/PCRN

Sete homens foram presos entre quinta (26) e sexta-feira (27), em menos de 48 horas, durante ação da Polícia Civil contra crimes de violência doméstica na Região Metropolitana de Natal. As prisões ocorreram por força de mandados judiciais por ameaça, lesão corporal, descumprimento de medidas protetivas, violação de domicílio e corrupção ativa. A ofensiva integra a Operação Mulheres 2026, mobilização nacional de enfrentamento à violência contra a mulher.

As capturas aconteceram em bairros de Natal — Mãe Luiza, Pajuçara, Lagoa Nova e Zona Norte — além de Nova Esperança, em Parnamirim, e no município de Nísia Floresta. Todos os suspeitos foram localizados após diligências, levados à delegacia para os procedimentos legais e, depois, encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.

Na capital, houve prisões por ameaça, injúria, violação de domicílio e descumprimento de medidas protetivas, que são decisões judiciais que proíbem o investigado de se aproximar ou manter contato com a vítima. Em um dos casos, o investigado teria desrespeitado ordem que o impedia de se aproximar da ex-companheira. Também em Natal, um homem foi detido por suspeita de corrupção ativa.

A Operação Mulheres 2026 ocorre de 19 de fevereiro a 5 de março em todo o país e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, reunindo forças de segurança estaduais para cumprir medidas cautelares e mandados contra investigados e condenados. Segundo a Polícia Civil do RN, as diligências ocorreram sem registro de confrontos. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelo Disque Denúncia 181.

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Política

ÁUDIO: REVIRAVOLTA: Samanda afirma que foi surpreendida por ação para ouvir Brisa no processo de cassação

Áudio: Reprodução/98 FM

A presidente da comissão do processo de cassação da vereadora Brisa Bracchi (PT), Samanda Alves (PT), afirmou que foi surpreendida com a informação de que a parlamentar conseguiu uma liminar para ser ouvida e reabrir a fase de instrução do caso. Segundo Samanda, até o momento ela não foi intimada oficialmente da decisão judicial: “Não fui intimada ainda e estamos aguardando”.

De acordo com a presidente, a comissão já havia aprovado relatório final pelo arquivamento e dado prosseguimento ao processo. No retorno à etapa seguinte, foram identificados três pedidos na defesa prévia de Brisa: uso de provas do primeiro processo, oitiva de quatro testemunhas e envio de ofício à Funcarte para informações sobre emendas parlamentares.

Samanda relatou que, em reunião, a defesa confirmou que não havia outros pedidos além desses três. No entanto, na penúltima reunião, uma procuradora da Câmara apontou que constava um quarto pedido na defesa prévia: que a própria vereadora fosse ouvida, sob argumento de que o segundo processo teria fatos diferentes do primeiro.

A reunião foi suspensa, e por unanimidade, os três membros decidiram negar o pedido, considerando que já houve oportunidade anterior de manifestação e avaliando o risco de extrapolação de prazo.

Ela ressaltou que todas as decisões foram colegiadas e unânimes, com presença de procuradores da Câmara e reuniões gravadas. Segundo ela, a comissão garantiu ampla defesa e devido processo legal e cumprirá qualquer determinação judicial assim que for oficialmente comunicada.

Também explicou que o prazo de 72 horas úteis para manifestações da defesa foi definido na primeira reunião, por sugestão do vereador Daniel Rendal, e que todos os prazos seguiram esse critério.

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Política

CPMI ameaça STF se Alcolumbre anular quebra de sigilo de Lulinha

Foto: Reprodução

A cúpula da CPMI do INSS já fala em recorrer ao STF caso o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, anule a votação que aprovou a quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, o Lulinha. A decisão foi tomada quando a comissão aprovou 87 requerimentos de uma só vez.

Segundo integrantes da cúpula da comissão, o risco de anulação é considerado real. Entre os sigilos quebrados também está o de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha, apontado como um dos homens de confiança de Alcolumbre.

Após a votação, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, e o deputado Paulo Pimenta se reuniram com Alcolumbre para pedir a anulação de ofício da decisão.

O presidente do Senado disse que só vai se posicionar depois de receber a representação formal e analisar o material, incluindo as imagens da sessão. Ele já iniciou a análise com apoio da Advocacia da Casa, da Polícia Legislativa e da Secretaria-Geral da Mesa.

A base governista alega que o presidente da CPMI, senador Carlos Viana, teria “fraudado” a votação simbólica. Segundo governistas, havia 14 parlamentares do grupo entre os 21 presentes na sala, mas Viana contabilizou apenas sete e usou como referência 31 registros de presença. A disputa agora pode sair do plenário e parar no Supremo.

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Judiciário

Gilmar manda inutilizar dados da CPI sobre empresa da família de Toffoli

Foto: Reprodução

O ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou nesta sexta-feira (27) a inutilização de eventuais dados já enviados à CPI do Crime Organizado envolvendo empresas ligadas ao ministro Dias Toffoli. As quebras de sigilo haviam sido aprovadas pela comissão na última quarta-feira (25).

A decisão atinge informações bancárias, fiscais e telemáticas — ou seja, dados financeiros, tributários e de comunicações — da empresa Maridt, ligada à família de Toffoli. No despacho, Gilmar ordena a “imediata inutilização/destruição do conteúdo” ou, de forma alternativa, que o material fique sob sigilo, com acesso restrito e proibição de compartilhamento, sob pena de sanções penais, administrativas e cíveis.

A medida foi tomada após recurso apresentado pela empresa ao STF. Para Gilmar Mendes, a CPI extrapolou o escopo da investigação definido no ato de criação do colegiado, ou seja, teria ido além do que estava autorizado a apurar.

A Maridt aparece como intermediária na negociação entre familiares de Toffoli e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, investigado por suspeita de fraude financeira.

Segundo investigações, a empresa negociou a venda de participações no Tayayá Resort, em Ribeirão Claro (PR), para fundos associados ao banco. Toffoli deixou a relatoria do caso no STF após a divulgação de que relatórios da Polícia Federal citavam seu nome em dados extraídos do celular de Vorcaro.

O ministro afirmou que as menções são “ilações”, negou relação com o empresário e com Fabiano Zettel, informou que a Maridt saiu do negócio em fevereiro de 2025 e declarou não ter recebido valores nem ocupado cargo de direção na empresa.

Opinião dos leitores

  1. Ai o geleia faz e desfaz o que quer na canetada, não existe ninguém para coibir, apurar e combater esse ministro?

    Piada nossa situação, começo a acreditar que apenas uma guerra civil resolva a roubalheira no Brasil e acabe com esse ditadores de toga….roubar pode, investigar, apurar para prender nunca, eles não, jamais!

  2. VORCARO TINHA TANTA CERTEZA DE UMA AÇÃO DESSE TIPO, AO SEU FAVOR, QUE PAGAVA 3,6 🌽🌽🌽🌽🌽🌽🌽🌽🌽🌽 NÃO SEI PRA QUEM.

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Geral

Alcolumbre encomenda ‘dossiê’ de caso Lulinha na CPI antes de tomar decisão sobre anulação de quebra de sigilo

Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou a elaboração de relatórios técnicos antes de decidir se mantém ou anula a votação da CPI do INSS que aprovou a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A Polícia Legislativa, a Secretaria-Geral da Mesa e a Advocacia do Senado irão analisar imagens, registros da sessão e o regimento interno. Enquanto isso, os requerimentos aprovados seguem em tramitação e já foram encaminhados às autoridades.

Após a sessão, parlamentares governistas pediram a anulação da votação, alegando erro na contagem dos votos. Alcolumbre solicitou que as reclamações fossem formalizadas com provas documentais. O pedido foi protocolado com cerca de 12 páginas de anexos, mas não há prazo para decisão.

A controvérsia começou quando a CPI votou em bloco 87 requerimentos. Na votação nominal, houve 18 votos favoráveis e 12 contrários. Em seguida, o presidente da comissão, Carlos Viana, conduziu nova votação simbólica.

Governistas afirmam que houve quórum suficiente para barrar o pacote. Viana sustenta que o quórum válido era o da votação anterior, o que manteria a aprovação. A oposição defende que o procedimento seguiu o regimento.

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