Foto: Elisângela Duarte Leite (advogada)
Na capital dos Reis Magos o carnaval de rua está no mínimo inusitado este ano, a política do “pão e circo” vai perdendo adeptos e força. As marchinhas carnavalescas ficam em certo momento de lado para dar espaço aos jingles de protesto em “coro”. Em ponta negra, por exemplo, ontem durante o bloco “Poetas, Carecas, Bruxas e Lobisomens” foram formados grupos de pessoas politizadas que estavam ali brincando e ao mesmo tempo protestando, isso mesmo, protestando. Manifestaram sobre diversos temas que vagueiam na mídia local e nacional, como “a marcha do fio de aço” (foto), contra o plano de cargos dos funcionários da educação a ser implantado pelo Governo do RN, bem como a insegurança instalada.
Uma foliã e moradora da rua Enico Monteiro no bairro de Capim Macio, a advogada Elisângela Duarte Leite, ao sair de sua casa rumo ao bloco chegou a perguntar ao vigia de sua rua o motivo pelo qual, tantos vizinhos estarem em suas casas, e ele prontamente respondeu: “com medo dos ladrões todos ficaram em suas casas”, tendo em vista que o mesmo trabalha apenas a noite.
Os potiguares como todos os brasileiros deixaram de lado, o comodismo dos alpendres de suas casas de veraneio e estão cada vez mais ávidos e inteirados da política local, sendo exímios fiscalizadores dos gestores públicos.
Prezado BG, estive ontem pertinho deste Bloco. Realmente uma forma nova de brincar carnaval, com um deboche sério e irônico inclusive com equipamentos de som à base de bombonas de plásticos. Entretanto uma coisa me deixou triste: aquilo que deveria ser protesto justo, virou agressão. Quando ficaram frente a frente com o prefeito da cidade, além das palavras de ordem, digamos, justas, jogaram jato de espuma no rosto do mesmo. Não votei nele e fui radicalmente contra a sua candidatura por puro idealismo, mas a aceitar e apoiar gestos deste tipo, é outra coisa.