Empresas envolvidas em pagamento de propina em obras investigadas pela Operação Lava-Jato, mas ainda não citadas diretamente nas apurações, vêm promovendo uma corrida aos escritórios de advocacia e de investigação privada para se antecipar à batida da Polícia Federal à porta. O objetivo é ter em mãos informações que as ajudem a tentar, de imediato, acordo de colaboração com o Ministério Público, caso entrem na mira.
A força-tarefa do Ministério Público em Curitiba confirmou ter sido procurada por empresas, mas informou não poder revelar nomes “por questões de sigilo”.
— Há empresas que apresentam informações sem qualquer ressalva ou garantia de acordo e empresas que se apresentam espontaneamente para negociar acordo de leniência — explica o procurador Paulo Roberto Galvão.
O procurador destaca que, no primeiro caso, a força-tarefa fica à vontade para usar os documentos, sem garantia de que haverá colaboração oficial — o que torna a prática mais rara. No segundo, o uso de documentos só é permitido se, ao final, for assinado acordo.
Os primeiros alvos das empresas que promovem “pentefino particular” são os serviços de consultoria e reembolsos de despesas sem comprovação nas empresas de que foram prestados. Contratos com o serviço público e, principalmente, a Petrobras, ganham a classificação de “red flags” (bandeiras vermelhas, um sinal de alerta).
Os procedimentos incluem varreduras em e-mails e documentos de funcionários, busca na contabilidade e entrevistas com executivos.
Uma das empresas que prestam esse tipo de serviço é a Kroll, referência do mercado, mesmo depois de ter integrantes condenados em ação que apurava espionagem. Quando contratados, primeiro buscam entender o negócio da empresa — o que inclui verificar o funcionamento da sua contabilidade. O passo seguinte é a coleta de dados de funcionários de áreas sensíveis, submetidos à um sistema de pesquisa da Kroll.
— Com a coleta, garantimos a integridade dos dados. Depois, fazemos pesquisas por palavra chave para identificar conteúdo relacionado à suspeita. Buscarmos padrões de corrupção, lavagem e desvios de ativos — explica Fernanda Barroso, diretora Operacional no escritório, onde trabalham 25 pessoas.
Concorrente da Kroll e também com clientes na Lava-Jato, a Ernest Young frisou em relatório anual sobre “Má conduta corporativa”, a Lava-Jato e o que chama de “urgente necessidade das empresas de entender o novo cenário de compliance, identificando onde estão os riscos e mitigando os efeitos”.
— O MPF quer provas, não basta apenas falar. Documentos e informações precisas são importantes — conta a advogada Helena Lobo, que também ajuda clientes nas investigações internas que podem vir a ser entregues à polícia.
O documento da Ernest Young lista ações imediatas a serem adotadas, como considerar o uso de softwares de monitoramento de transações financeiras e mecanismos de resposta rápida a denúncias.
Para a advogada Flávia Rahal, a Lei Anticorrupção — que prevê punição e multas para empresas, e não apenas executivos — é uma das responsáveis pela nova “consciência”:
— Há pessoas que tiveram relacionamento com investigados ou delatores da Lava-Jato e nos procuram porque desejam entender que caminhos podem seguir.
Flávia identifica um movimento forte de filiais de multinacionais, sob orientação de matrizes, onde verificar procedimentos internos “já é uma realidade estabelecida”.
Para o procurador Paulo Galvão, a apresentação espontânea de documentos e sem restrição de uso é realidade mais próxima dos Estados Unidos, onde envolvidas em corrupção têm que provar que fizeram investigação interna e colaboram para receberem, em caso de acordo com autoridades, desconto em penalidades.
— É diferente do que fizeram muitas empresas brasileiras (na Lava-Jato), que atrapalharam as investigações e sempre se recusaram a apresentar documento útil, chegando a apresentar documentos falsos — diz Galvão, que espera no futuro um cenário onde “firmas nascidas no Brasil sintam-se incentivadas a reportar às autoridades suspeitas de corrupção”.
EXTRA

Atenção delatores: Delação só vale e é homologada se for contra Dilma, Lula ou o PT.
Se for pra falar dos santos e imaculados Aécio, Serra, FHC, Alckimin, Temer e outros irmãos maiores, amigos de Gilmar Mendes Cunha e Moro Tucano, não adianta. Janot não vai aceitar mais delação nenhuma e estão suspensas qualquer delação que fale no nome desses inocentes e injustiçados.
VIVA CUNHA, O REI DO BRASIL!
Deixe de cegueira. A delação da OAS seria muito prejudicial ao Lula e sua cambada. As pessoas de bem desse país não têm bandido predileto nem chama bandido condenado de "heroi" e "guerreiro". Só vocês, militantes petistas, é que acoitam bandidos.