Entidades e associações da imprensa repudiaram os protestos realizados contra a editora Abril na noite de sexta-feira (24), quando cerca de 50 pessoas fizeram pichações e espalharam lixo em frente ao prédio da empresa em resposta a uma reportagem da revista “Veja” sobre o caso de corrupção na Petrobras.
Em nota, Domingos Meirelles, presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), disse que os atos realizados são “condenáveis num regime democrático” e que “a história tem mostrado como manifestações de intolerância política dessa natureza costumam terminar”.
Já a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e de Televisão) diz em seu site que “acompanha com preocupação episódios como o de ontem à noite, pois a entidade considera grave qualquer ato de intimidação à liberdade de imprensa”.
A Aner (Associação Nacional de Editores de Revistas) classificou as depredações como “atos de vandalismo que ferem a democracia, a liberdade de expressão e de imprensa”.
As pichações e protestos foram uma resposta à última reportagem de capa da revista “Veja”. Segundo a revista, o doleiro Alberto Youssef teria dito em depoimento que Lula e Dilma tinham conhecimento do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras.
PICHAÇÕES E LIXO
Na calçada, nas paredes e na placa da Abril foram escritas frases como “Veja mente” e “fora Veja”. As pichações foram assinadas pela UJS (União da Juventude Socialista), organização de militância jovem ligada ao PC do B.
Além de edições da revista, foram espalhados sacos de lixo rasgados e pedaços de papel higiênico em frente ao portão da empresa.
A Folha de S.Paulo não conseguiu entrar em contato com a UJS para verificar a autenticidade da assinatura.
Segundo testemunhas, os manifestantes passaram cerca de meia hora no local cantando gritos de guerra contra a revista. Eles deixaram o local por volta das 19h30.
A Polícia Militar afirmou que quatro pessoas foram detidas e levadas ao 14º DP (Pinheiros), onde assinaram um termo circunstanciado e foram liberadas.

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