O Blog do BG entrevistou Carlos Alberto Santos, 39, o “Beto Santos”, empresário bem sucedido que assumiu, com o novo governo, o cargo de diretor-presidente da Potigás, uma empresa de capital misto que tem como acionistas o Governo do Estado e a Petrobras. Santos falou ao blog sobre a empresa, o relacionamento com a Petrobras, os incentivos à cultura e a campanha que objetiva aproximar a companhia do consumidor residencial. Revelou que as arestas entre o Estado e a Petrobras estão sendo aparadas e que um grupo de trabalho começa nesta quarta, 4, uma rodada de conversações visando a renovação do Progás, de fundamental importância para o setor industrial do Estado e para a própria expansão da empresa potiguar.
Blog do BG – Qual é a finalidade da Potigás e desde quando ela existe?
Carlos Alberto Santos – A Potigás foi fundada em 1993, iniciou suas operações em 1995 e neste ano de 2015 estará completando 20 anos de funcionamento. O principal objetivo da Potigás foi trazer o gás natural inicialmente explorado nos postos de revenda de combustíveis e hoje focada também na área da indústria e consumidor final, principalmente com o Progás, que é um fomentador do desenvolvimento no Rio Grande do Norte.
Blog do BG – Como está a situação do Progás?
O Progás tem uma data de vencimento que é de 30 de abril de 2015. Num dos primeiros atos da atual gestão, foi já restabelecer o contato, o relacionamento com a Petrobras com objetivo de renovar o Progás, que é fundamental para as indústrias já instaladas no Rio Grande do Norte e para atrair novas indústrias. O Progás e o Proadi oferecerão as condições para o industrial se estabelecer no Estado, gerando emprego e renda. Atualmente, indústrias estão sendo atraídas a se instalar em estados vizinhos. Para vocês terem uma ideia, todo o parque industrial de Macaíba e de Mossoró é alimentado pelo Progás.
Blog do BG – Qual o benefício da Potigás para o consumidor final, a dona de casa, o dono de casa?
Esse é um dos objetivos da atual gestão, que é aproximar a Potigás do consumidor final, mais próxima à dona de casa. O Gás Natural não resume ao GNV, que é o gás natural veicular. Muita gente associa o gás natural apenas ao combustível de automóveis. Pouca gente sabe que o gás natural também é usado pela indústria, principalmente na indústria têxtil do Rio Grande do Norte, e que também pode ser usado para alimentar o fogão de sua casa. A Potigás faz esse abastecimento mediante contrato de fornecimento firmado entre a empresa e o consumidor final, que pode ser condomínio ou na residência. Num futuro próximo, o gás natural que já está presente em condomínios, poderá chegar a residências. Hoje, o foco são os condomínios, até mesmo porque eles permitem o barateamento do custo de instalação. Com o aumento gradativo da capilarização da rede de abastecimento, o custo de expansão vai baixar e novos pontos de abastecimento de gás serão instalados. O grande objetivo, hoje, é levar a informação para os condomínios horizontais e verticais de que o melhor fornecimento de gás para condomínios não é aquele botijão de gás que fica lá embaixo sendo abastecido semanal ou quinzenalmente, e sim uma tubulação direto da rua com um relógio da Potigás. Um sistema que é mais seguro do que a utilização do gás butano.
Blog do BG – O Governo Federal e os governos estaduais promoveram uma grande campanha de incentivo ao uso do gás natural. A indústria automobilística lançou carros bicombustíveis ou que usavam três ou quatro tipos diferentes de combustíveis. Chegamos a ter postos exclusivamente voltados à comercialização do gás natural e empresas fazendo a conversão de veículos para o gás natural. Tudo isso mudou. Porque?
Essa realidade tende a mudar. Inicialmente pelo retorno da CIDE (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico) que incide sobre o preço da gasolina e do óleo Diesel. Com isso, a diferença de preço de venda entre gasolina e o gás natural volta a aumentar. Com isso, o GNV volta a ser atrativo para o consumidor e competitivo para o comerciante. A venda do gás natural tem, a médio prazo, toda a possibilidade aumentar, até porque a Potigás repetirá, em 2015, a ação vitoriosa lançada em 2013 que foi a campanha “Tô no gás”. Vamos entrar na fase 2 da campanha. Inicialmente homologaremos seis convertedores, sendo quatro em Natal e dois em Mossoró, com kits de quinta geração. Os usuários que fizerem a conversão dos motores dos seus veículos ganharão bônus que vai de 400 a 600 metros cúbicos de gás. O bônus é destinado a novas conversões ou para carros novos de fábrica, saídos diretamente das montadoras, que no caso da indústria nacional atualmente só existe o Grand Siena. O bônus é um subsídio para quem converter ou adquirir o gás movido a GNV. O volume do bônus depende do tipo de kit de conversão – se de terceira ou quinta geração – se o cliente é taxista, que é um usuário frequente do GNV e tem direito a um bônus maior.
Blog do BG – A Potigás viveu no período do governo Rosalba Ciarlini momentos de muitas dificuldades. Houve falta de entendimento entre diretores indicados pelo Governo e pela Petrobras, o que resultou na paralisação de vários projetos, cobranças judiciais e muitas dificuldades para a empresa. Como está hoje esse relacionamento com a sócia Petrobras?
Seguindo orientação do governador Robinson Faria para todas as pastas e setores do governo, decidimos olhar pra frente, gerando demandas positivas para o Estado e aparando toda e qualquer aresta, tenha sido ela produzida pelo governo passado ou governos anteriores. O contato com a Petrobras foi completamente restabelecido, já fomos ao Rio de Janeiro conversar com a diretoria de Energia da Petrobras. Não existe mais aresta, mas uma discussão a cargo de um grupo de trabalho, formado pelo Governo e pela companha para dar celeridade ao processo de renovação do Progás. Participam deste grupo de trabalho, como representantes do Governo do Estado, representantes da Potigás, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Secretaria de Tributação, Procuradoria Geral do Estado e Idema. A Petrobras indicou para esse grupo de trabalho técnicos, gerentes e diretores que a partir desta quarta-feira, 4 de fevereiro, iniciarão as rodadas de negociações e de entendimento para a renovação do Progás e encerrar qualquer pendência criada no passado.
Blog do BG – A Potigás é auto-sustentável? É deficitária? Ou o que ela arrecada ou fatura é suficiente para se manter e gerar dividendos para o Estado?
Ela é rentável mas é subestimada. A Potigás tem condições de crescer muito mais, principalmente a partir da renovação do Progás, fomentando o desenvolvimento do Rio Grande do Norte, com a atração do consumidor residencial, eliminando o perigo do gás butano e substituindo pelo gás natural. Em 2014 foram ligados 2.500 pontos de abastecimento. A meta para 2015 é dobrar esse número, implantando 5 mil novas unidades consumidoras. A campanha publicitária que faremos é a fase II do Todo gás e fazendo um link com os 20 anos de atuação da empresa. Mostraremos com clareza ao consumidor residencial que ele pode ter o gás em sua casa.
Blog do BG – A Potigás sempre foi uma incentivadora da cultura. Vários projetos culturais bem sucedidos tiveram a participação da empresa. Essa política de apoio à cultura vai continuar? Em que situação se encontra? Que projetos serão trabalhados?
Naturalmente, com essa maior aproximação que queremos promover entre a Potigás e o público em geral, esses incentivos à cultura vão permanecer e até aumentar. Mas não será apenas institucional, como antes, exibindo apenas a logomarca da empresa. Junto com a campanha de aproximação e esclarecimento do que é a Potigás, ampliaremos os incentivos à cultura, porque são importantes para Natal, para o Rio Grande do Norte e também para a empresa.
Blog do BG – Você é um empresário de família tradicional, tem uma rede de relacionamentos muito ampla na cidade. O que o fez aceitar um cargo público, mesmo sendo numa empresa de capital misto, onde os desafios são muitos, as cobranças são imensas e os salários não é tão interessante para quem chegou onde você chegou?
A questão está longe de ser apenas salarial, muito pelo contrário. Tenho uma longa atuação no segmento empresarial, principalmente no comercial. Vim para a Potigás, a convite do governador, para trazer um pouco da iniciativa privada para dentro da gestão pública, procurando dar mais celeridade, menos burocracia. Eu sempre tive esse desejo de dar uma contribuição ao desenvolvimento do Rio Grande do Norte, porque incomoda já há algum tempo, ver o meu estado numa inércia absurda, o empresário brigando pelo seu dentro da sua empresa e nada pelo coletivo. Venho trabalhando isso dentro de mim há algum tempo e quando recebi o convite do governador vim conhecer a empresa, saber se o meu perfil se encaixava na companhia, se a Potigás me ofereceria condições de desenvolver um pouco da visão empresarial dentro dela. E depois de receber a resposta positiva, estudar a companhia, aí sim eu aceitei o convite e estou aqui hoje tratando da Potigás da mesma forma como trato uma empresa minha, tentando imprimir celeridade e dar lucratividade para os acionistas, que são o Governo do Estado e a Petrobras.
Blog do BG – Vê algum conflito no fato de vir de uma família que atua há muito anos no ramo de revenda de combustíveis?
Não vejo conflito nenhum até porque não trabalho com gás natural e mesmo se trabalhasse não veria problema algum, porque sei separar muito bem as coisas, assim como faço dentro das minhas empresas. Vim para a Potigás a fim de dar uma contribuição ao desenvolvimento do Estado porque, repito, me incomoda muito ver ano após ano os estados vizinhos tendo um desempenho econômico superior ao do Rio Grande do Norte. Nos últimos quatro anos, o que fomentamos de indústria, de pequena a grande, no nosso estado representa apenas 1 por cento do que foi fomentado no estado da Paraíba. Para quem é do ramo empresarial, para quem necessita do desenvolvimento do Estado para garantir o crescimento de suas empresas, isso incomoda muito. O fato de pertencer a determinado segmento empresarial não incomoda nem cria conflito. Pelo contrário, acho que a visão empresarial contribui em muito para a minha missão na Potigás.

Comente aqui