EÓLICAS: Debate sobre instalação de parques na beira-mar continua, procuradora se posiciona

Foto de obras nas dunas de Galinhos para instalação de parque Eólico

O debate sobre as declarações do Secretário Ruy Gaspar, referente as instalações de Parque Eólicos na beira-mar ainda continuam rendendo, Ruy se posicionou que é contra parques na beira do litoral, que os parques deveriam ter uma margem de segurança da praia porque eles trazem uma poluição visual.

O fato é que os dois posts do BlogdoBG sobre o tema, o da noite de sábado quando Ruy se pronunciou através de suas redes sociais e o da manhã destae domingo através de um editorial do próprio blog, atingiram até a manhã desta segunda 11238 acessos, 500 curtidas no instagram, mas de 130 comentários nas redes sociais do blog e muitos debates nos grupos de whattsapp. Entre os comentários, vários empresários e até secretários de estados se posicionaram a favor do que o atual secretário de turismo colocou.

A procuradora do estado, Marjorie Madruga, que atua no Patrimônio e da Defesa Ambiental também entrou no debate e enviou para o blog esse texto com o seu posicionamento e também corroborando com as palavras de Ruy Gaspar. Segue:

Por Marjorie Madruga

E com imensa esperança que li as declarações do nosso Secretario Estadual de Turismo, Ruy Gaspar. Espero que elas representem um inaugural e importante momento no Estado e que o atual governo estabeleça um novo marco regulatório na história da energia eólica no Estado do Rio Grande do Norte. Há muito se discute no RN e no Brasil a ocupação da nossa zona costeira, patrimônio nacional, pelos parques eólicos. E pouco, muito pouco, se tem feito para conciliar esta relevante atividade com aspectos sociais, ambientais, paisagísticos e turísticos, igualmente relevantes e essenciais ao desenvolvimento do Estado.

Como preliminar, é importante destacar a importância das fontes alternativas de energia (eólica, solar, geotérmica, das ondas) para a segurança energética do Brasil e do desenvolvimento sustentável do mundo. Afirma-se, como dogma, que a energia eólica é limpa e, portanto, de baixo impacto. Meia verdade. Limpa e renovável, sim, pois gerida pelos ventos. No entanto, o mesmo não podemos dizer sobre o processo de instalação e funcionamento dos parques eólicos. Ambos altamente impactantes, principalmente quando instalados ao longo da costa, em áreas de preservação permanente, como as dunas, e de interesse turístico. Já passa da hora de desmitificarmos a energia eólica como algo integralmente e completamente benefíco. O fato de possuir aspectos negativos não lhe retira importância e a necessidade que temos dela. É preciso ver as coisas como elas são, dentro da sua realidade. Não podemos continuar no ilusionismo.

É o turismo a segunda principal atividade econômica do Estado e a primeira do município de Natal. E, indiscutivelmente, é o turismo de praia e sol o nosso maior e mais forte segmento. Foi nosso “abre alas”. Foram os nossos recursos naturais, especialmente a beleza da nossa costa, que nos tornou um destino turístico, buscado por nacionais e estrangeiros. Foi o estado intacto das nossas dunas e vegetação, nosso nível de preservação, que nos projetou no mundo. Queremos e devemos fomentar novos segmentos turísticos. Temos potencial para isto. Mas não podemos e não devemos esquecer o protagonismo da paisagem litorânea nos destinos do turismo potiguar.

Portanto, é imprescindível protegermos nosso litoral e estabelecermos prioridades para sua ocupação, considerando sua importância para o turismo e sua vulnerabilidade ambiental. É fundamental e URGENTE – antes que tarde seja – que tenhamos uma faixa mínima de proteção da costa legalmente e tecnicamente estabelecida, proibindo que eólicas se instalem ao longo do litoral, garantindo, assim, o direito de todos à paisagem e ao equilíbrio ecológico.

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Marise Costa disse:

    Absolutamente lúcido é o posicionamento da Procuradora Marjorie Madruga! Excelente análise, Procuradora. Apoiamos integralmente!!

  2. Clarisier Azevedo C de Morais disse:

    Ninguém em absoluto é contrário ao desenvolvimento do Estado, mas também não se afigura como possível sacrificar completamente a qualidade de vida e do meio ambiente dessa e de outras gerações e nem o potencial turístico do Estado para beneficiar um único setor, sobretudo quando é plenamente possível a implantação das eólicas em outras localidades que não tem a importância ecologica e turística do litoral. Precisamos começar a primar pelo equilíbrio

  3. Luciano disse:

    Acho q há uma lei nacional proibindo qualquer construção em cima de dunas móveis.

  4. Helio Motta disse:

    A instalação destas torres a despeito da paisagem, promovem renda e geram riquezas.
    Para quem não precisa de um ou já tem a outra é muito bom defender a sua retirada ou a não instalação.
    O Secretário já está na escala daqueles 0,5% da população que garantem boa vida até sua 8º geração.
    A Procuradora se não se iguala, também não fica longe.
    E ai quando o estômago não é afetado o cérebro cria teses poéticas, legais e paisagísticas para expor o que não lhe afeta.
    Esquecem que existem pessoas que precisam e ganham para instalação dessas torres e pior, colocam a paisagem acima das necessidades dessas pessoas.
    Será que os defensores da retirada dessas torres aceitam bancar o sustento daqueles que precisam delas? Apenas para não ficar parecendo que não fazem poesia com a tinta alheia., aceitam?

    • Ana Muller disse:

      Renda pra quem??
      Pois não gera renda para os locais ou mesmo para o Estado como comprovado em Galinhos. Gostaria de pedir para as pessoas que defendem essa tese
      de irem até lá
      conferir. Além da
      poluição visual e o
      prejuizo ao
      turismo, temos o pior
      ,que é a destruição do
      ecossistema com o
      aterramento gradual dos
      braços de mar e
      mangues devido a interferéncia na
      dinamica natural das
      dunas.Assoreamento
      dos canais e destruição
      dos mangues ricos em
      peixes e mariscos, meio
      de sobrevivencia dos
      locais. Nesse ritmo, em pouco tempo, tudo
      será tomado por dunas
      e torres eólicas se não
      for feito uma
      demarcação para que
      tenhamos áreas
      específicas para eólicas
      e áreas para o turismo e
      as comunidades
      tradicionais

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