Finanças

‘Época’: delator indica propina superior a R$ 30 milhões a Cunha

A delação premiada do executivo Fábio Cleto, ao qual ÉPOCA teve acesso, relata Cunha como chefe de um esquema que recebeu propina do dono da JBS e outras grandes empresas em projetos de R$ 6 bilhões

941-expresso-o-presidente-afastado-da-camara-eduardo-cunha-com-dificuldades-para-contratar-um-advogadoO presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo)

A Polícia Federal investiga um esquema de desvios de dinheiro do FGTS que pode passar de R$ 30 milhões em propina ao deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), segundo o delator Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa. Nesta sexta-feira (1), policiais realizam buscas nos endereços de grandes empresas acusadas por Cleto de pagar propina. Entre eles, a gigante JBS. Cleto, segundo sua delação, operava na Caixa a mando de Cunha e do doleiro Lúcio Funaro _ este último preso na operação desta sexta.

No papel, Fábio Cleto, vice-presidente da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2015, era subordinado à cúpula do banco e, por extensão, à área econômica do governo Dilma Rousseff. Entre suas atribuições, ele participava das reuniões do Fundo de Investimentos do FGTS, o FI-FGTS, que injetou algo como R$ 11,7 bilhões em empresas no país no período. Esses encontros, contudo, não eram sua principal tarefa em Brasília. Toda terça-feira, às 7h30 da manhã, Fábio Cleto tinha um compromisso inadiável e secreto, em um apartamento espaçoso na 311 Sul, em Brasília. O objetivo do encontro era vazar informações das reuniões internas da Caixa e antecipar operações financeiras sigilosas de empresas com fundo. Cleto tinha um chefe, na verdade, o chefe, fora da Caixa: Eduardo Cunha. Primeiro, os encontros ocorriam no apartamento funcional de Cunha. Depois, o parlamentar tornou-se presidente da Câmara e ambos passaram a ser ver na própria residência oficial. Era a ele que Cleto tinha lealdade e recebia ordens para dificultar — ou facilitar — a vida das empresas interessadas nos investimentos do FI-FGTS. Seu papel era dar o verniz técnico às ordens de Eduardo Cunha e repassar uma espécie de mapa do achaque. Agora delator, Fábio Cleto contou aos procuradores que vazava informações com duas semanas de antecedência e, para isso, tinha de ignorar todos os termos de confidencialidade que assinava dentro da Caixa.

Os projetos citados na delação premiada passam de R$ 6 bilhões, com uma propina estimada em mais de R$ 30 milhões para Eduardo Cunha, de acordo com o cálculo explicado por Cleto aos investigadores. Como chefe do esquema e responsável pela indicação de Cleto na Caixa, Cunha tinha direito à maior parte do valor arrecadado: 80%. Cleto relatou que, da propina levantada, ele ficava com a menor parte, 4%. Aos procuradores, ele admitiu que ganhou pelo menos R$ 1,8 milhão com o esquema. Pela distribuição rascunhada por Cleto, Cunha ficaria então com mais de R$ 36 milhões. Os valores, contudo, podem ser maiores, uma vez que Cleto nunca teve acesso aos acertos do deputado com os empreiteiros. Sua função era obedecer e, depois, receber. Segundo a delação, era Cunha quem definia com as empresas o valor da propina. Por isso, na delação, Cleto também não soube dizer aos investigadores quem eram os operadores nas empresas ou qual o total arrecadado pelo esquema. Além de Cunha, o delator afirma que o resto da propina ficava com os responsáveis pela parte financeira do negócio. Entre eles, o corretor Lúcio Funaro, apontado como o braço direito de Eduardo Cunha.

ÉPOCA obteve acesso à delação de Fábio Cleto, no qual ele relata um punhado de projetos que renderam propina ao esquema, incluindo aí o maior grupo privado em receita do Brasil, a J&F, dona JBS, conhecida como Friboi e que operou no FI-FGTS com a Eldorado Celulose. É a primeira vez que um delator coloca Eduardo Cunha como chefe do esquema, no comando direto das operações, arbitrando tarefas e informando aos comparsas do fluxo de propina. O ex-vice relata a articulação do hoje presidente afastado da Câmara com empresários, a definição dos valores arrecadados com a propina e como deveriam ser os votos no FI-FGTS.

joesley-batistaJoesley Batista, empresário, presidente da JBS-Friboi (Foto: Rogério Cassimiro / Editora Globo)

A PROPINA DO DONO DA FRIBOI E A VIAGEM AO CARIBE

Na delação, Cleto cita empresas do primeiro time do empresariado nacional, além das habituais em esquemas fraudulentos, como a Odebrecht e a OAS, empreiteiras abatidas no petrolão e que agora negociam também uma delação. Mas o potencial explosivo das revelações de Cleto está nas graves acusações contra a holding que comanda a JBS, até agora incólume na Lava Jato. A empresa foi enredada no esquema de pagamento de propina em troca de favores estatais graças a um projeto na área de celulose no Mato Grosso do Sul, chamado Eldorado Brasil. As acusações pesam sobre Joesley Batista, principal acionista do grupo. De acordo com o delator, Cleto tratou diretamente com o empresário sobre os interesses da Eldorado. E recebeu, como propina, R$ 680 mil pelo negócio viabilizado com dinheiro do FGTS. Daí, é possível chegar em cerca de R$ 13 milhões de propina para Cunha só nessa operação, já que, segundo Cleto, o deputado ficava com 80% e ele ficava com 4%. As negociações de Joesley Batista prosperaram e a Eldorado Celulose conseguiu R$ 940 milhões do FI-FGTS. Na delação, Cleto diz que foi apresentado a Joesley Batista por intermédio de Funaro, em meados de 2011, no apartamento do corretor de valores, em São Paulo. O delator confirma diversos encontros com Joesley, incluindo uma viagem ao Caribe. O objetivo, segundo Cleto, era mostrar que tinha influência dentro da Caixa para viabilizar os negócios. O delator narra que, como fazia sempre nas reuniões matinais, informou a Eduardo Cunha que a operação estava sendo estruturada. Cleto então recebeu o sinal verde para atuar em favor da Eldorado – o que de fato ele fez. O roteiro seguiu como o combinado e Cleto foi então comunicado que receberia R$ 680 mil a título de propina. Há um detalhe importante na delação. Segundo o delator, foi o próprio Cunha que o avisou desse valor, mostrando o papel central do parlamentar na suposta quadrilha. Cleto mantinha um registro e colocou na planilha o nome Eldorado, a data 1/11/2012, e os valores R$ 940 milhões e R$ 680 mil. Aos investigadores, Cleto explicou que a data na tabela não era, necessariamente, quando houve o pagamento. Mas quando ele tinha a confirmação de que o projeto fora viabilizado. Cleto conta em sua delação que, cerca de um ano após a emissão da debênture, a Eldorado pediu para descumprir parte dos covenants pré-acordados (cláusulas contratuais que protegem o credor). Isso aconteceu, segundo o delator, porque a empresa precisava descumprir parte dos covenants pré-acordados, ainda que temporariamente. Tal covenant, de acordo com a delação, evitava a empresa de fazer uma dívida superior à indicada no contrato. De novo, segundo Cleto, houve uma ordem clara para dar apoio à Eldorado, mesmo que não fosse comum alterar esse tipo de cláusula numa operação financeira tão complexa. Cleto disse que foi informado que receberia R$ 1 milhão pela mudança dos covenants, mas que não chegou a receber o valor. Registros da Junta Comercial acostados à delação mostram, de fato, as alterações nos covenants.

cunha-doc-1O documento da Junta Comercial citado na delação de Fábio Cleto (Foto: Reprodução)

A CARTA DE RENÚNCIA

Cleto contou aos investigadores como deixou de ser um executivo do mercado financeiro em São Paulo para se tornar um operador de Eduardo Cunha. Tudo começou pelas mãos de Lúcio Funaro. Cleto era a pessoa certa, na hora certa. Cleto tinha saído do Itaú quando, em 2011, o governo tinha uma vaga na vice-presidência da Caixa. Naquele momento, Cleto estava operando um fundo próprio quando foi indicado por um colega do mercado financeiro para a vaga. Esse colega era Lúcio Funaro. O governo estava com problemas para emplacar algum nome, em razão das exigências técnicas feitas pelo Ministério Fazenda. Cleto foi o quarto nome a ser analisado e foi logo aprovado. Detalhe: ele não tinha nenhuma entrada ou contatos dentro do governo. Tudo foi arranjado por Funaro, de acordo com a delação. Coube a ele levar o currículo para Eduardo Cunha, que avalizou a indicação com o então líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). Cleto relata ainda que, até ser nomeado, nem sequer conhecia pessoalmente Eduardo Cunha. Ele admite, contudo, que sabia da proximidade do deputado com Funaro. Na delação, ele conta que, antes de ser nomeado, Funaro havia dito que haveria benefícios ao ser nomeado _ leia-se, propina. Apesar disso, o executivo não esperava o próximo passo. Era 7 de abril de 2011, quando a nomeação de Fábio Ferreira Cleto fora publicada no Diário Oficial, sob assinatura de Dilma Rousseff e Guido Mantega. Agora, o plano de Funaro era irreversível. Naquele mesmo dia, ele liga para Cleto e eles marcam uma reunião e horas depois se encontraram no escritório de Funaro em São Paulo. Ao chegar ao local, Cleto foi abordado por um carro, em frente ao escritório, e recebe um envelope. São três folhas, com um documento em nome do próprio Fábio Cleto. A cena revela o tamanho do profissionalismo do esquema. As três folhas eram, na verdade, um comunicado de renúncia ao cargo na Caixa. Cleto fora obrigado a deixar o documento assinado e entregar a Funaro. Aos investigadores, Cleto contou que a carta era uma espécie de garantia a Funaro. Caso o executivo não seguisse as ordens, Funaro usaria a carta para ameaçá-lo de demissão. Na delação, o executivo conta que a primeira reunião com Eduardo Cunha aconteceu uma semana após tomar posse na vice-presidência da Caixa. Logo nesse primeiro encontro, Cunha explicou como funcionaria o esquema. Segundo Cleto, Cunha foi objetivo: o interesse era nos projetos do FI-FGTS. Cunha deu três ordens a Fábio Cleto: sempre informar quais eram as empresas interessadas no fundo, votar como ele mandasse e, por fim, encontrá-lo semanalmente. Às 7h30 da manhã, toda terça-feira, na casa de Cunha. O deputado evitava conversas ao telefone e, no máximo, aceitava usar o aplicativo de conversas BBM, do celular BlackBerry.

MAIS NEGÓCIOS

A delação de Cleto ainda relata outros negócios feitos à base de propina. Uma das empresas citadas é a Haztec, com investimentos de R$ 245 milhões do FGTS na área de energia. Esse é um exemplo de como, com a pessoa certa, na posição certa, é possível facilitar ou dificultar a vida das empresas em negócios com o governo. Fábio Cleto relatou aos investigadores que, quando chegou à Caixa, o projeto já estava praticamente pronto. Mas foi orientado por Cunha a pedir vista e, segundo ele, foi quando o deputado cobrou a propina. Pelo negócio, Cleto diz que recebeu R$ 300 mil. Assim, segundo o percentual relatado pelo delator, Cunha levou algo como R$ 6 milhões. A OAS é acusada de dar R$ 100 mil para Cleto, como compensação por R$ 250 milhões do FGTS no projeto da Rodovia Raposo Tavares. O delator conta que o projeto já estava aprovado quando ele entrou. Cleto, contudo, conta que informou Cunha sobre a data do início dos desembolsos, o que foi o suficiente para o esquema começar a arrecadar. Outra empreiteira do petrolão, a Odebrecht, é citada no projeto Aquapolo, uma parceria com a Sabesp, no maior empreendimento para a produção de água de reúso industrial na América do Sul. Cleto disse que recebeu R$ 400 mil para atuar em favor do negócio de R$ 326 milhões. Segundo o delator, ele ainda recebeu de propina R$ 120 mil de um negócio da BR Vias, em razão de um investimento de R$ 300 milhões. Cleto dá detalhes sobre a operação e afirma que a articulação foi feita por Lúcio Funaro, em razão da proximidade com o empresário Henrique Constantino. A família Constantino faz parte do grupo que controla a BR Vias. É mais conhecida, contudo, por terem fundado a companhia aérea Gol. Outra citada é a Cone, de Recife, com propina de R$ 75 mil. Há ainda o caso da Carioca Engenharia. A empresa atua no projeto Porto Maravilha, no Rio de Janeiro, e o seu principal acionista, Ricardo Pernambuco, antecipou-se à Lava Jato e se ofereceu para delação premiada. Ele admitiu que o acerto foi de R$ 52 milhões para conseguir o negócios de R$ 3,5 bilhões, como ÉPOCA revelou em dezembro de 2015. Na semana passada, a “Folha de S.Paulo” publicou que Cleto citou ainda que recebeu R$ 240 mil da LLX, do empresário Eike Batista, que recebeu aportes de R$ 750 milhões. Nesta sexta, o jornal “Estado de S. Paulo” publicou que Cleto falou em propinas também no esquema pela Brado Logística (R$ 80 mil), Odebrecht Ambiental (R$ 36 mil).

O ESQUEMA FINANCEIRO

Para arrecadar e movimentar tanto dinheiro, Cleto contou com o apoio de uma engenharia financeira envolvendo pelo menos três países. Na delação, ele afirma que foi indicado por Eduardo Cunha a procurar um doleiro de nome Silvano Bernasconi, suíço naturalizado brasileiro. Primeiro, abriu uma conta no banco Julius Baer, na Suíça. Era tudo de fachada: o titular era a offshore Lastal, esta por sua vez uma empresa de sediada no Belize, na América Central. Em 2012, houve uma briga entre Cleto e Funaro. O executivo chegou a ameaçar que iria se demitir. Havia, porém, um problema. Funaro tinha em mãos os valores que Cleto tinha investido fora do país. Cunha então pediu que ele ficasse no cargo e criou uma nova conta na Suíça, dessa vez no banco Heritage. Assim, ele recebeu o passivo que já tinha com o Funaro e as novas propinas. Segundo Cleto, Cunha usou a propina da Carioca para pagar o passivo. Na delação da Carioca Engenharia, o empresário Ricardo Pernambuco mostrou repasses de US$ 2 milhões à Lastal. Cleto montou ainda uma terceira conta, em 2013, no banco Vitor Palmier, do Uruguai.

CUNHA NEGA AS ACUSAÇÕES

O deputado afastado Eduardo Cunha negou as acusações e disse que Fábio Cleto deve responder pelos crimes que cometeu na Caixa. “Desconheço a delação, desminto os fatos divulgados, não recebi qualquer vantagem indevida, desafio a provar e, se ele cometeu qualquer irregularidade, que responda por ela”.

Em nota, a JBS disse que não é investigada. A Eldorado, do mesmo grupo empresarial, disse que “sempre atuou de forma transparente e todas as suas atividades são realizadas dentro da legalidade”.

O advogado de Lúcio Funaro, Daniel Gerber, disse que “irá esclarecer os fatos assim que tiver acesso aos autos”. Silvano Bernasconi não foi localizado pela reportagem. A ViaRondon Concessionária de Rodovia S/A, na pessoa do Sr. Henrique Constantino, procurado na manhã desta sexta-feira, 1º/07/2016, pelo Ministério Público Federal para apresentação da documentação pertinente à empréstimo tomado junto ao fundo de investimento FGTS, informa que a solicitação foi prontamente atendida.

A Aquapolo e OAS não responderam até o fechamento do texto, que será atualizado. A Cone não foi localizada. Procurado por ÉPOCA, Joesley não retornou os recados no celular.

Época

Opinião dos leitores

  1. ESTÃO SE APEGANDO A DETALHES, O QUE SÃO R$ 30 MILHÕES DIANTE DOS R$ 100 MILHÕES QUE PAULO BERNARDO LEVOU?
    SE PAULO BERNARDO, EX SUPER MINISTRO DO PT ESTÁ SOLTO, QUAL A RAZÃO DE PRENDER CUNHA? SÓ POR CAUSA DE TER LEVADO 1/3 DO QUE PAULO BERNARDO LEVOU? NÃO É JUSTO.
    A DIFERENÇA É QUE EC NÃO É DO PT COMO PB

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Política

Líder do governo no Congresso recua e desiste de ir ao STF tentar barrar quebra de sigilo de Lulinha

Foto: Reprodução

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou nesta terça-feira (3) que não pretende acionar o STF para tentar anular a decisão da CPMI do INSS que aprovou a quebra de sigilos de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Segundo ele, o assunto está “encerrado”.

A declaração foi dada após o presidente do Congresso e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidir manter a decisão da comissão. Alcolumbre se baseou em parecer da Advocacia do Senado que rejeitou recurso apresentado pela base do presidente Lula para anular as quebras contra o filho do petista.

“Está encerrada a questão. Nós não vamos depredar o Congresso Nacional por conta disso, nem o Supremo, nem o Palácio do Planalto como outros já fizeram num certo 8 de janeiro”, afirmou Randolfe. Ao ser questionado sobre possíveis novas medidas da base governista, ele reforçou que o tema “está resolvido”.

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Política

Amiga de Lulinha vai ao STF contra quebra de sigilo aprovada pela CPMI do INSS

Foto: Reprodução

A empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, acionou o STF nesta terça-feira (3) para tentar derrubar a decisão da CPMI do INSS que determinou a quebra de seus sigilos. O pedido foi apresentado por meio de mandado de segurança e encaminhado ao presidente do STF, ministro Edson Fachin.

Roberta é investigada no inquérito que apura a chamada “Farra do INSS”. Na ação, a defesa afirma que a quebra de sigilo foi aprovada em votação “em globo” — ou seja, vários requerimentos analisados de uma só vez — sem debate individualizado. Segundo os advogados, 87 requerimentos teriam sido aprovados em conjunto na sessão de 26 de fevereiro de 2026, sem discussão específica sobre cada medida.

A quebra de sigilo da empresária foi aprovada na quinta-feira (26), na mesma votação em que a CPMI também aprovou a quebra de sigilo de Lulinha, filho do presidente Lula. Após a decisão, governistas acionaram o presidente do Congresso, senador Davi Alcolumbre (União-AP), para tentar anular a deliberação.

Alcolumbre decidiu nesta terça-feira (3) manter a quebra de sigilo de Lulinha e dos demais alvos aprovados pela comissão. Agora, caberá ao STF analisar o pedido apresentado pela empresária.

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Política

Empresa que teve contrato cancelado no MPF agora vai gerir SAMU de R$ 16,9 milhões no RN

Foto: Reprodução

A empresa que teve um contrato rescindido pelo MPF em outubro de 2025 por “descumprimento de obrigações contratuais” venceu, três meses depois, a licitação para gerir o SAMU estadual do RN, no valor de R$ 16.973.880,00. A homologação foi assinada em 25 de fevereiro pelo secretário de Saúde Alexandre Motta, dentro do pregão eletrônico 90191/2025-NC da Sesap.

O contrato rescindido pelo MPF, formalizado como Termo de Contrato 14/2025, era para limpeza e conservação da sede da Procuradoria da República em Goiás, incluindo fachada de vidro e espelhos d’água, segundo informações do Blog do Dina. O aviso de “possível rescisão unilateral” foi publicado em 14 de outubro de 2025 e citava descumprimento contratual, com base na Lei 14.133/2021. Até a publicação do aviso, não havia registro de penalidade formal no CEIS ou no CNEP.

Em 15 de janeiro de 2026, a mesma empresa venceu o pregão para gerir o SAMU 192 estadual, serviço que atende 1,75 milhão de pessoas em 91 municípios potiguares, com 29 bases e unidades de suporte avançado — aquelas que operam com médico a bordo e atendimento a casos graves. O edital exigia experiência comprovada em atendimento pré-hospitalar móvel 24 horas e gestão simultânea de múltiplas bases.

Para comprovar capacidade técnica, foi apresentado atestado referente a quatro plantões mensais, realizados aos sábados, no SAMU de Princesa Isabel (PB), município com cerca de 21 mil habitantes. O novo contrato no RN prevê 1.169 plantões por mês, com receita estimada de aproximadamente R$ 1,4 milhão mensais.

A Sesap já afirmou que homologação não é o mesmo que assinatura de contrato e que a empresa precisará comprovar que dispõe dos médicos para executar o serviço. A pasta também sustenta que o processo é público e pode ser acompanhado por qualquer cidadão.

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Política

VÍDEO: Cercada de segurança, Janja diz ter sido assediada 2 vezes: “Não temos segurança em lugar nenhum”

Imagens: Reprodução/Metrópoles

A primeira-dama Janja Lula da Silva afirmou, nesta terça-feira (3), em entrevista à TV Brasil, que foi assediada duas vezes durante o atual mandato do presidente Lula (PT). Segundo ela, os episódios aconteceram mesmo estando em ambientes que considerava seguros.

“Eu fui assediada nesse período duas vezes. Eu sendo primeira-dama, estando nos lugares que me acho segura, e mesmo assim fui assediada”, declarou. Janja não deu detalhes sobre quando ou onde os casos teriam ocorrido.

Na entrevista, a primeira-dama questionou a vulnerabilidade das mulheres. “Se eu como primeira-dama, que tenho toda uma equipe em torno, um olhar, câmeras e cuidados, imagina uma mulher no ponto de ônibus às 22h? A gente não tem segurança em lugar nenhum”, disse.

A declaração foi dada em edição especial do programa que tratou do combate à violência doméstica e ao feminicídio e também abordou o Pacto dos Três Poderes contra o Feminicídio, lançado pelo governo federal em fevereiro.

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  1. Bom, bom, bom…….. ainda bem que se tal fato de fato ocorreu, certamente não foi um bolsonarista, com certeza foi ato de quem gosta do marido dela.

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Política

Alcolumbre mantém quebra de sigilos de Lulinha e rejeita recurso da base de Lula

Foto: Agência Senado

O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu nesta terça-feira (3) manter a decisão da CPMI do INSS que determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A medida foi confirmada após análise de recurso apresentado por 14 parlamentares da base do presidente Lula (PT).

Os governistas pediam a suspensão imediata dos efeitos da votação, alegando erro na condução dos trabalhos pelo presidente da comissão, Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo o recurso, houve “fraude na contagem” e parcialidade na condução da sessão. Viana negou qualquer irregularidade.

A quebra dos sigilos foi aprovada na quinta-feira (26), em sessão marcada por tumulto. Os requerimentos foram apresentados pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e a votação ocorreu de forma simbólica, ou seja, sem registro nominal dos votos. Viana declarou o placar de sete votos contrários, considerando apenas titulares e desconsiderando suplentes. O governo afirma que havia 14 votos contra e sustenta que a maioria se manifestou visivelmente contra os pedidos.

Lulinha passou a ser citado na CPMI após investigados por desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mencionarem um suposto vínculo dele com o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. Segundo reportagem do portal Metrópoles, ele é citado como possível sócio oculto de Antunes em negócios na área da saúde junto ao governo federal, incluindo uma iniciativa que previa fornecimento de cannabis em larga escala ao Ministério da Saúde.

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Geral

PGR cita falta de provas e pede arquivamento de inquérito contra Musk por suposta desobediência a decisões do STF


Foto: REUTERS/Gonzalo Fuentes

A Procuradoria-Geral da República pediu ao Supremo Tribunal Federal o arquivamento do inquérito que investigava o empresário Elon Musk por suposta desobediência a decisões do STF e obstrução de Justiça envolvendo a atuação da plataforma X no Brasil.

A investigação, relatada pelo ministro Alexandre de Moraes, apurava se a rede social teria descumprido ordens de bloqueio determinadas pelo STF e pelo Tribunal Superior Eleitoral, além de possível incitação a crimes.

Em manifestação enviada ao STF nesta segunda-feira (2), o procurador-geral Paulo Gonet afirmou que a Polícia Federal não encontrou provas de resistência deliberada da plataforma para cumprir as decisões judiciais. Segundo a PGR, não há elementos suficientes para denúncia, o que justifica o pedido de arquivamento do caso.

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Geral

VÍDEO: Nikolas ironiza viagem no avião de Vorcaro e compara a episódios envolvendo ministros do governo Lula e do STF

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou o que chamou de “narrativa da esquerda” para incriminá-lo no Caso Master pelo fato de ter viajado no avião do banqueiro Daniel Vorcaro em 2022. Em suas redes sociais, Nikolas comparou o episódio a outros indícios envolvendo ministros do governo Lula e do Supremo Tribunal Federal (STF).

“Você fez um contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master? Não. Nesse caso, foi a mulher de Moraes. Então, você esteve com ele de forma secreta na sua casa? Não. Nesse caso, foi o Lula. Recebeu R$ 5 milhões sem contrato com o Banco Master? Também não. Nesse caso, foi o ministro do Lula que recebeu esse dinheiro. Então, ele financiou esse evento que você estava aí viajando pra fazer campanha pro Bolsonaro? Não. Ele estava financiando os eventos do ministro do STF”, ironizou.

“Há literalmente quatro anos atrás eu fui convidado para poder participar de um evento chamado Juventude Pelo Brasil. E este evento, que fez a logística – eu não fiz – contratou uma empresa – eu não contratei – pra poder fazer este transporte. Ou seja, era de uma empresa e dentro dessa empresa tinha vários sócios e dentro desses sócios um deles era o Vorcaro”, disse o deputado.

“A narrativa de agora é de que eu sou responsável por um ato futuro de alguém? Caramba, como que eu vou prever isso? […] Eu, por exemplo, faço palestras no Brasil inteiro. Imagina se eu responder por cada crime que uma outra pessoa cometeu só porque eu usei o avião dela pra poder ir fazer algo. E naquele momento não tinha o por que de eu simplesmente chegar e investigar a empresa, ou quem está pagando, porque no fim das contas ele não estava sendo exposto como uma pessoa investigada”, afirmou o deputado.

Nikolas lembrou ainda de contratos firmados por Ricardo Lewandowski e pela advogada Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, firmados com empresas ligadas a Vorcaro, além do suposto envolvimento do ministro Dias Toffoli com o banqueiro.

Com informações de Metrópoles

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Geral

Dra. Mychelle Garcia destaca avanços e desafios da reprodução humana assistida em pesquisa sobre biotecnologia e longevidade

Evoto

O avanço da medicina reprodutiva no Brasil tem nomes que unem técnica, pesquisa e sensibilidade. Entre eles, está a Dra. Mychelle Garcia, especialista em reprodução humana assistida e integrante da equipe do DNA Fértil, referência no Rio Grande do Norte quando o assunto é tecnologia aliada ao cuidado individualizado.

Com atuação pautada pela ciência e pelo olhar humanizado, Dra. Mychelle tem aprofundado seus estudos em Biotecnologia, área que hoje sustenta grande parte das inovações na reprodução assistida. Para ela, dois eixos caminham lado a lado na medicina contemporânea: tecnologia e longevidade.

“Observo duas áreas avançando de forma muito consistente e acelerada: a tecnologia aplicada à reprodução assistida e as pesquisas relacionadas à longevidade e à saúde reprodutiva ao longo do tempo. Compreender como esses dois campos se conectam é fundamental, pois essa integração nos permite individualizar estratégias, otimizar o preparo do organismo e, consequentemente, ampliar de maneira segura e científica as chances de sucesso dos tratamentos”.

Em sua recente pesquisa de doutorado, a médica dedicou-se ao estudo do endométrio — camada interna do útero, essencial para a implantação do embrião. A qualidade e a receptividade desse tecido exercem papel determinante no sucesso de tratamentos como a Fertilização in Vitro (FIV), uma vez que é nesse ambiente que o embrião precisa encontrar as condições ideais para se fixar e iniciar o desenvolvimento da gestação.

Para que a implantação aconteça com sucesso, esse ambiente precisa estar cuidadosamente preparado: com espessura adequada, estrutura organizada e uma sofisticada interação de substâncias bioquímicas e hormonais que regulam a chamada janela de implantação.Somente quando esses elementos estão em perfeita harmonia o embrião encontra as condições ideais para se fixar com segurança e dar início ao desenvolvimento da gestação.

Os avanços nessa área vêm sendo incorporados aos protocolos clínicos, permitindo uma preparação mais precisa do ambiente uterino antes da transferência embrionária — etapa determinante no resultado do tratamento.

“Sabemos que, do ponto de vista biológico, casais mais jovens tendem a engravidar com maior facilidade. No entanto, vivemos um novo contexto, em que a maternidade e a paternidade muitas vezes são postergadas por razões profissionais, acadêmicas ou pessoais. Por isso, é fundamental orientar e desenvolver estratégias seguras e individualizadas de preservação da fertilidade, permitindo que homens e mulheres possam planejar o futuro reprodutivo com informação, autonomia e respaldo científico.

”No DNA Fértil, esse olhar se traduz em atendimento individualizado e escuta ativa. Cada história é analisada de forma singular, respeitando o tempo, as condições clínicas e os aspectos emocionais envolvidos.
“É atender cada paciente com singularidade, compreender suas necessidades e definir até onde queremos ir juntos. O acolhimento psicológico é indispensável nesse processo. Eu diria que o DNA Fértil é acolhimento, tecnologia e longevidade”, reforça Dra. Mychelle.

Ao integrar pesquisa científica, inovação tecnológica e cuidado humanizado, o DNA Fértil consolida-se como um centro que não apenas acompanha os avanços da medicina reprodutiva, mas participa ativamente da construção de novas possibilidades para quem deseja realizar o projeto de ter filhos — com segurança, estratégia e esperança.

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Geral

PIB: Brasil deixa grupo das 10 maiores economias do mundo em 2025; veja ranking

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística informou que o PIB do Brasil cresceu 2,3% em 2025. No quarto trimestre, a alta foi de 0,1% sobre o trimestre anterior — o 39º melhor desempenho entre 50 países, segundo a Austin Rating.

Com isso, o Brasil encerrou 2025 como a 11ª maior economia do mundo, deixando o grupo das dez maiores. De acordo com projeções do Fundo Monetário Internacional, o país deve manter essa posição em 2026. A Austin estima o PIB brasileiro em US$ 2,268 trilhões no ano passado.

Segundo a consultoria, a queda no ranking se explica principalmente pela valorização média da moeda russa em 2025, que impulsionou a Rússia. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 1,7%, com menor peso do agro e recuperação de indústria e serviços.

Ranking do PIB mundial em 2025 (em dólares)

  1. Estados Unidos – 26,1% do PIB mundial

  2. China – 16,6%

  3. Alemanha – 4,3%

  4. Japão – 3,6%

  5. Índia – 3,5%

  6. Reino Unido – 3,4%

  7. França – 2,9%

  8. Itália – 2,2%

  9. Rússia – 2,2%

  10. Canadá – 1,9% (2.278 bilhões de dólares)

  11. Brasil – 1,9% (2.268 bilhões de dólares)

No quarto trimestre, o Brasil superou economias como Canadá (-0,2%), Coreia do Sul (-0,3%), Noruega (-0,3%) e Irlanda (-0,6%), mas cresceu menos que Estados Unidos (1,4%), China (1,2%), Arábia Saudita (1,1%) e México (0,9%).

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Geral

Trump sobre instalações militares do Irã: “Praticamente tudo foi destruído”

Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente Donald Trump elogiou a operação militar dos Estados Unidos no Irã e disse que “praticamente tudo foi destruído” ao se referir às instalações militares iranianas.

“Eles não têm Marinha. Ela foi destruída. Eles não têm Força Aérea. Ela foi destruída. Eles não têm sistemas de detecção aérea. Isso foi destruído. O radar deles foi destruído. E praticamente tudo foi destruído”, disse o presidente na Casa Branca, durante um encontro com o chanceler alemão Friedrich Merz.

Trump acrescentou: “Estamos indo muito bem. Temos um grande exército e eles estão fazendo um trabalho fantástico.”

CNN Brasil

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