Com um crescimento maior do que poderia suportar e nenhuma reserva financeira, o sistema federal de ensino superior corria grandes riscos de entrar em crise com o País. É o que aponta o coordenador do Laboratório de Estudos em Educação superior da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Renato Pedrosa.
“Essa crise das federais tem basicamente a ver com a economia e com os cortes do governo. Mas certamente é consequência de uma falta de previsibilidade e cuidado na expansão do sistema até dois ou três anos atrás. Havia uma ideia de que o dinheiro ia crescer, que a receita ia aumentar para sempre”, disse.
Ele destaca que o fato de o governo federal ter o controle dos recursos pode ser um fator que dificultou o planejamento individual das instituições. “Se estivesse no orçamento de cada uma delas o controle do que vai ter de receita e quanto pode gastar, teriam mais cuidado.”
Pedrosa também destacou que houve um enfoque maior no ensino superior em detrimento da educação básica. “Há um estímulo de entrada na universidade mesmo sem ter uma demanda igual de quem sai do ensino médio.”

Venho dizendo coisas parecidas já faz tempo. O ensino público no Brasil deveria se concentrar no ensino básico e fundamental, onde cumpriria verdadeira função social, proporcionando uma base mais sólida aos estudantes de todas as classes sociais, notadamente aqueles mais carentes (os mais abastados já podem recorrer a ensino público de boa qualidade). Dessa forma, os mais carentes poderiam concorrer às vagas do ensino universitário, onde seriam atendidos por bolsas de estudos. Acabariam as greves infindáveis, os professores que não dão aulas (há uma enorme quantidade nessa situação), o desperdício de dinheiro do contribuinte (muitas viagens, desvios criminosos…), alunos que quase "se aposentam" nessas instituições (entram no tal movimento estudantil e nunca colam grau)… Não se concebe, por exemplo, um estado pobre como o RN sustentar uma universidade.
Excelente comentário Ceará Mundão!